início > textos Ano XXII - 25 de novembro de 2020


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DÍVIDA DOS IANQUES DESNUDA A FRAGILIDADE DO DÓLAR - MOEDA SEM LASTRO

DÍVIDA DOS IANQUES DESNUDA A FRAGILIDADE DO DÓLAR - MOEDA SEM LASTRO

CRISE ABALA STATUS DO DÓLAR COMO MOEDA DE RESERVA

São Paulo, 04/08/2020 (Revisada em 20/08/2020)

Referências: Dólar Furado, Bancarrota dos Países Desenvolvidos, Liberdade Econômica para Inescrupulosos, Autorregulação dos Mercados, Privatização, Terceirização - Sonegação Fiscal - Falta de Arrecadação Tributária, Desemprego - Inadimplência, Risco Sistêmico, Incapacidade de Gerenciamento das Políticas Econômica, Monetária, Fiscal - Sistemas Digitais Internacionais = Shadow Banking System = Sistema Bancário Fantasma = Blindagem Fiscal e Patrimonial com Lavagem de Dinheiro em Paraísos Fiscais. Lobistas & Corrupção, Fraudes em Licitações Públicas, Especulação nas Bolsas de Valores = Cassino Global. Recessão, Depressão. Miséria, Fome, Criminalidade.

SUMÁRIO:

  1. DÍVIDA DOS IANQUES DESNUDA A FRAGILIDADE DO DÓLAR - MOEDA SEM LASTRO
    1. A CULPA É DO NEOLIBERALISMO ECONÔMICO = BANCARROTA DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS
    2. O BRASIL FADADO À ESTAGNAÇÃO ECONÔMICA E À MISÉRIA DE SEU POVO
    3.  A BALELA DO DÓLAR COMO MOEDA FORTE
    4. ANTIGOS TEXTOS PUBLICADO NO COSIFE FALAM SOBRE O DÓLAR SEM LASTRO
    5. A GRANDIOSA DESVALORIZAÇÃO DO DÓLAR VERSUS OURO
    6. A DESVALORIZAÇÃO PREJUDICANDO PAÍSES COM DIVISAS EM DÓLARES
    7. A GRANDE TRAMPOLINAGEM DE TRUMP
    8. AS DESASTROSAS ARBITRAGENS DE OURO POR DÓLAR - GOVERNO FHC
  2. CRISE ABALA STATUS DO DÓLAR COMO MOEDA DE RESERVA

Veja também:

  1. O Canibalismo Econômico nos Estados Unidos da América - 22/09/2018
  2. Bancos Privados Asfixiam a Produção - Ficou Claro que só Resta a Intervenção no SFN - 07/04/2020
  3. Questões sobre o Open Banking = Operações Bancárias Abertas - 20/02/2019
  4. Paraísos Fiscais ao Alcance de Todos - Jornal do Brasil - 10/09/2001
  5. Blindagem Fiscal e Patrimonial - em Paraísos Fiscais
  6. Regime Cambial Brasileiro - Cartilha dos dirigentes do BACEN em novembro de 1993
  7. Holding Controladora de Conglomerados Empresariais - Multinacionais em Paraísos Fiscais
  8. Desvendada a Rede Capitalista que Controla o Mundo
  9. Paraísos Fiscais Causam a Falência do Sistema Tributário Mundial
  10. Shadow Banking System - Sistema Bancário Fantasma de Paraíso Fiscais - O Lado Negro do Mercado
  11. Swaps Cambiais - Um Falso Seguro (hedge) Pago pelo Povo
  12. Manipulação de Resultados entre Empresas Ligadas
  13. A Ilegalidade das Operações com Ouro Sem Autorização Governamental

Fiscalizador (Contador, Auditor ou Perito Contábil) é Agente do Estado, não é Serviçal do Governante de Plantão. Supervisionar é abster-se de Fiscalizar = Liberdade Econômica = Terra Sem Lei = Anarquismo Institucional.

Veja ainda:

  1. CONTABILIDADE FORENSE
  2. RESPONSABILIDADE DOS AUDITORES INDEPENDENTES - Lei 9.447/1997
  3. CONTABILIDADE DE ENTIDADES EM REGIMES ESPECIAIS

Coletânea por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

1. DÍVIDA DOS IANQUES DESNUDA A FRAGILIDADE DO DÓLAR - MOEDA SEM LASTRO

SUMÁRIO:

  1. A CULPA É DO NEOLIBERALISMO ECONÔMICO = BANCARROTA DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS
    1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
    2. A DECADÊNCIA CAUSADA PELAS PRIVATIZAÇÕES
    3. A INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS PRIVATIZADAS
    4. A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL NA EUROPA COM MATÉRIAS-PRIMAS DO TERCEIRO MUNDO
    5. O ELEVADO CUSTO OPERACIONAL DOS TRANSPORTES DE MATÉRIAS-PRIMAS
    6. O QUE FAZER PARA DIMINUIR ESSE ELEVADO CUSTO COM TRANSPORTES?
    7. OS PAÍSES DO TERCEIRO MUNDO SUSTENTAM OS DESENVOLVIDOS HÁ MAIS DE 500 ANOS
  2. O BRASIL FADADO À ESTAGNAÇÃO ECONÔMICA E À MISÉRIA DE SEU POVO
  3. A BALELA DO DÓLAR COMO MOEDA FORTE
    1. O DÓLAR COMO MOEDA SEM LASTRO DO PAÍS MAIS ENDIVIDADO
    2. QUAIS SÃO OS PAÍSES COM MOEDAS VERDADEIRAMENTE FORTES?
    3. A INTERNACIONALIZAÇÃO DOS LUCROS QUE SERIAM TRIBUTADOS NO BRASIL
    4. A OBRIGATORIEDADE DO INTERCÂMBIO DE INFORMAÇÕES
  4. ANTIGOS TEXTOS PUBLICADO NO COSIFE FALAM SOBRE O DÓLAR SEM LASTRO
  5. A GRANDIOSA DESVALORIZAÇÃO DO DÓLAR VERSUS OURO
  6. A DESVALORIZAÇÃO PREJUDICANDO PAÍSES COM DIVISAS EM DÓLARES
  7. A GRANDE TRAMPOLINAGEM DE TRUMP
    1. TRUMP FAZENDO O DÓLAR VIRAR PÓ
    2. COMO DEVIAM SER APLICADAS AS RESERVAS MONETÁRIAS EM DÓLARES?
    3. TERCEIRIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS FAMILIARES BRASILEIRAS
  8. AS DESASTROSAS ARBITRAGENS DE OURO POR DÓLAR - GOVERNO FHC

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

1.1. A CULPA É DO NEOLIBERALISMO ECONÔMICO = BANCARROTA DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS

  1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
  2. A DECADÊNCIA CAUSADA PELAS PRIVATIZAÇÕES
  3. A INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS PRIVATIZADAS
  4. A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL NA EUROPA COM MATÉRIAS-PRIMAS DO TERCEIRO MUNDO
  5. O ELEVADO CUSTO OPERACIONAL DOS TRANSPORTES DE MATÉRIAS-PRIMAS
  6. O QUE FAZER PARA DIMINUIR ESSE ELEVADO CUSTO COM TRANSPORTES?
  7. OS PAÍSES DO TERCEIRO MUNDO SUSTENTAM OS DESENVOLVIDOS HÁ MAIS DE 500 ANOS

1.1.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Em primeiro lugar é preciso explicar o porquê de os países desenvolvidos estarem cada vez mais endividados, o que também está acontecendo com o Brasil depois da deposição de Dilma Russeff.

Em suma, a culpa é do neoliberalismo econômico que no Brasil foi transformado na Lei da Liberdade Econômica. Para aumentar o problema a ser enfrentado, a Constituição Federal de 1988 foi alterada para que o nosso país ficasse proibido de crescer durante 20 anos.

Além disso, os neoliberais anarquistas ainda querem um Estado Mínimo para que a anarquia possa mais facilmente prosperar. Esse mesmo tipo de  Liberdade Econômica (anárquica) foi introduzida na década de 1980 por Ronald Reagan (nos Estados Unidos) e por Margaret Thatcher (na Inglaterra).

1.1.2. A DECADÊNCIA CAUSADA PELAS PRIVATIZAÇÕES

Essa extrema liberdade de ação para PRIVATAS (corsários das privatizações), fartamente aproveitada por capitalistas inescrupulosos (e pelos SEM CAPITAL - estelionatários com empresas de fachada, constituídas em paraísos fiscais), fez com que as grandes empresas daqueles citados países transferissem suas respectivas sedes para paraísos fiscais, transformando-as nas chamadas de Multinacionais ou Transnacionais que, mediante a formação de cartéis monopolizadores por segmento operacional, estenderam seus tentáculos aos demais países, assim implantando o que denominamos como Neocolonialismo Privado e, lá pelos idos de 1931, um jornalista esquerdista brasileiro chamou de Canibalismo Econômico.

Veja em Desvendada a Rede Capitalista que Controla o Mundo e em Paraísos Fiscais Causam a Falência do Sistema Tributário Mundial

1.1.3. A INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS PRIVATIZADAS

A partir dessa fuga das empresas para paraísos fiscais, os países desenvolvidos foram paulatinamente transformando-se em países endividados, próximos da Bancarrota que aconteceu me 2008 nos Estados Unidos e em 2011 na Europa. E, as entidades jurídicas credores de todos os países endividados passaram a ser as empresas fantasmas constituídas como OFFSHORE em paraísos fiscais cartoriais. Nos paraísos fiscais industriais asiáticos foram instaladas as fábricas para exploração de mão de obra em regime de semiescravidão.

Na América do Norte e na Europa, o extremo consumismo de seus recursos naturais geraram o endividamento dos países porque lá no final do Século XV (1492) já não tinham (ou deixaram de ter) os alimentos e as matérias-primas necessárias à digna sobrevivência.

1.1.4. A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL NA EUROPA COM MATÉRIAS-PRIMAS DO TERCEIRO MUNDO

A Revolução Industrial inglesa (e depois a francesa) só foram possíveis com as matérias-primas encontradas no Terceiro Mundo. E esse mesmo sistema colonialista (depois neocolonialista) continua vigorando até os dias de hoje.

Em síntese, os países do Terceiro Mundo fornecem os insumos que os países do Primeiro Mundo precisam para gerar empregos para suas respectivas populações, as quais trabalham na industrialização de produtos para exportação.

Mas, como aquelas suas empresas estatais foram privatizadas na década de 1990, passaram a produzir na Ásia. O mesmo aconteceu com as empresas norte-americanas. Pelos mesmos motivos, os países europeus também chegaram á bancarrota.

1.1.5. O ELEVADO CUSTO OPERACIONAL DOS TRANSPORTES DE MATÉRIAS-PRIMAS

  1. OS PROBLEMAS CAUSADOS PELA FUGA DAS EMPRESAS PARA A ÁSIA
  2. A FALTA QUE FAZ UMA PERFEITA CONTABILIDADE DE CUSTOS

1.1.5.1. OS PROBLEMAS CAUSADOS PELA FUGA DAS EMPRESAS PARA A ÁSIA

Em razão desse deslocamento das indústrias para longe de seus antigos centros consumidores, duas das mais importantes moedas existentes no mundo (dólar e euro) são emitidas sem lastro, pois não há o que exportar para geração de reservas monetárias (DIVISAS).

Do exposto conclui-se que tais países eternamente serão obrigados a importar as matérias-primas necessárias à produção em suas indústrias exportadoras. E, os custos de produção tornam-se elevados porque as matérias-primas ficam passeando pelos oceanos e mares pelo mundo afora e depois também passeiam os produtos industrializados.

É preciso levar em conta que o custo operacional dos navios é muito alto, porém, é bem menor que o custo operacional dos aviões.

1.1.5.2. A FALTA QUE FAZ UMA PERFEITA CONTABILIDADE DE CUSTOS

Vejamos um exemplo brasileiro:

Qual vantagem de instalar uma fábrica na Zona Franca de Manaus?

A vantagem é que lá não há pagamento de tributos e os salários são baixos. Assim, fica menor o preço a ser pago pelos consumidores, que ganham o suficiente para consumir . Outro lado positivo é que no restante do Brasil, em tese, empresa pode concorrer em preços com outros fabricantes do mesmo produto que não desfrutem de incentivos fiscais.

Mas, há uma grande desvantagem. O principal centro consumidor é São Paulo e os demais estados das regiões sul e sudeste. Assim, a distância é muito grande, onerando o frete.

Outra desvantagem. O preço do frete pago para trazer o produto até São Paulo, por exemplo, é maior que os tributos economizados.

Mais uma desvantagem. os baixos salários pagos pelo fabricante gera miséria onde sua fábrica está instalada. Assim gerando grandes problemas para o governo local.

Mas, existe outra vantagem. Através do frete a empresa fabricante gera renda para empresas transportadoras, para os empregados destas e para todos os demais empresários e trabalhadores direta ou indiretamente envolvidos no transporte da mercadoria durante todo o seu percurso (trajeto), seja ele qual for: terrestre, aquático ou aéreo.

1.1.6. O QUE FAZER PARA DIMINUIR ESSE ELEVADO CUSTO COM TRANSPORTES?

Para que não houvesse esse elevado e duplo custo com os transportes, seria preciso que a industrialização fosse feita no país em que sejam obtidas as matérias-primas necessárias e o Brasil é um deles. Mas, dessa forma, os países tidos como desenvolvidos assim não mais seriam considerados. Seriam países pobres, decadentes tal como ficou a cidade de Detroit a partir da Crise de 2008 e com a Crise da Pandemia em 2020. Ricos seriam os países do Terceiro Mundo que também seriam os países detentores das moedas mais fortes, emitidas com lastro em suas exportações (capacidade de exportar, ter o que exportar).

1.1.7. OS PAÍSES DO TERCEIRO MUNDO SUSTENTAM OS DESENVOLVIDOS HÁ MAIS DE 500 ANOS

Do exposto, poderemos dizer (sem medo de errar) que Inglaterra e França (e os demais países desenvolvidos) só conseguiram fazer suas revoluções industriais mediante matérias-primas importadas do Terceiro Mundo, principalmente do Brasil.

No entanto, esse países exportadores de suas riquezas, continuam pobres. Por quê?

Porque foram colonizados, neocolonizados, espoliados, roubados. A devastação do Brasil sempre foi feita em benefício dos europeus. Eles precisam para pelos estragos que fizeram, mas, não têm como pagar. Só se continuarem roubando.

1.2. O BRASIL FADADO À ESTAGNAÇÃO ECONÔMICA E À MISÉRIA DE SEU POVO

Como o intuito de impedir que o Brasil seja um país desenvolvido, para quem não sabe, é preciso dizer que no nosso país a estagnação econômica tornou-se obrigatória, mediante a alteração da Constituição Federal de 1988, o que aconteceu durante o Governo de Michel Temer. Isto não aconteceu em nenhum outro país. Mas, a partir dali (do Governo Temer), os nossos governantes futuros continuarão a enganar o Povo, insistentemente dizendo que o nosso PIB - Produto Interno vai crescer nesses 20 anos em que estamos condenados a essa (obrigatória) estagnação.

E, tem gente que acredita nessa balela do crescimento (que não haverá de fato), assim como ainda acredita que o Planeta Terra seja quadrado, embora todos os demais planetas sejam redondos, inclusive as estrelas de todas as magnitudes. Para estes, mesmo sendo proprietários de telefones celulares (smart phones), os avanços tecnológicos na astronomia são infundados.

Aliás, os dirigentes das Igrejas Católicas (desfrutando da riqueza armazenada pelo Vaticano) somente depois de 380 anos reconheceram que Galileu Galilei estava certo. A terra é de fato redonda e o sol redondo (não a terra redonda) é o centro do nosso universo. Observe que a lua também é redonda. Mas, eles não olham para o céu. Vivem de cabeça baixa, tal como vassalos submissos às inescrupulosas ordens de seus senhores feudais.

1.3. A BALELA DO DÓLAR COMO MOEDA FORTE

  1. O DÓLAR COMO MOEDA SEM LASTRO DO PAÍS MAIS ENDIVIDADO
  2. QUAIS SÃO OS PAÍSES COM MOEDAS VERDADEIRAMENTE FORTES?
  3. A INTERNACIONALIZAÇÃO DOS LUCROS QUE SERIAM TRIBUTADOS NO BRASIL
  4. A OBRIGATORIEDADE DO INTERCÂMBIO DE INFORMAÇÕES

1.3.1. O DÓLAR COMO MOEDA SEM LASTRO DO PAÍS MAIS ENDIVIDADO

Com base em outros tipos de balelas, muitos dos enganados pelas FAKE NEWS continuam a acreditar que o dólar é uma moeda forte. O dólar é moeda fiduciária. Sobre esse fato, leia o texto a seguir, transcrito do jornal Valor Econômico, distribuído por meio do clipping do Banco Central do Brasil.

1.3.2. QUAIS SÃO OS PAÍSES COM MOEDAS VERDADEIRAMENTE FORTES?

Entre os países que têm moedas fortes estão todos aqueles que têm minérios e alimentos para exportar. Não são países tidos como desenvolvidos porque seus governantes vem praticando a DESINDUSTRIALIZAÇÃO. Assim, tais países do Terceiro Mundo sempre serão meros exportadores de matérias-primas e de alimentos "in natura" e continuarão a ser meros importadores de produtos acabados.

E, nós temos uma CNI - Confederação Nacional da Indústria cujos dirigentes elitistas não conseguem enxergar essas verdades. Também temos, como meras submissas, federações estaduais de indústrias.

1.3.3. A INTERNACIONALIZAÇÃO DOS LUCROS QUE SERIAM TRIBUTADOS NO BRASIL

Em muitos casos, as industriais desses países ditos emergentes (tal como no Brasil) trabalham para estrangeiros na industrialização por encomenda (regime de DRAWBACK) quando os lucros dessas operações ficam em paraísos fiscais. Muitas vezes, esses lucros gerados aqui não são tributados (a falta arrecadação tributária gera déficit orçamentário). Depois de internacionalizado, esses lucros voltam ao Brasil como Capital Estrangeiro que geram mais lucros ou juros (que são remetidos ao exterior) para serem armazenados no CAIXA DOIS administrado por empresas fantasmas constituídas como OFFSHORE em paraísos fiscais. Por isso, o Shadow Bankink System - Sistema Bancário Fantasma de Paraísos Fiscais é um mercado financeiro e de capitais bem mais importante que a soma de todos os demais existentes em países em que existem Bancos Centrais.

As exportações subfaturadas e as importações superfaturadas também geram esse CAIXA DOIS que é transformado em "Capital Internacional", segundo os dirigentes do Banco Central do Brasil.

Capital Internacional é sinônimo de Capital Sem Pátria, por isso, eles alegam que não deve ser tributado, embora seja furtado dos investidores brasileiros.

1.3.4. A OBRIGATORIEDADE DO INTERCÂMBIO DE INFORMAÇÕES

A obrigatoriedade do intercâmbio de Informações  está no CTN - fiscalização e no artigo 28 da Lei 6.385/1976.

Embora tudo isto tenha sido informado aos participantes de cursos ministrados pelo coordenador do COSIFE na ESAF desde 1994 até 1998 e a partir de 1999 tais apostilas (desmembradas por temas) estejam publicadas neste COSIFE, as nossas autoridades não agem para que o Brasil continue a ser aquele GLOBAL PLAYER que foi durante os governos que primavam pelo bem-estar dos nossos trabalhadores, de conformidade com o exigido pela Constituição Federal de 1988 em seu artigo 170 em que se lê:

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social ...

1.4. ANTIGOS TEXTOS PUBLICADOS NO COSIFE FALAM SOBRE O DÓLAR SEM LASTRO

Depois desse introito (rito, começo), é preciso relembrar que no COSIFE estão publicados diversos textos em que o seu coordenador explica as razões da fraqueza do dólar. Essa fraqueza foi efetivamente foi demonstrada pelos dirigentes do FED - Federal Reserve (Banco Central norte-americano) na década de 1970, quando foi extinto o Padrão-Ouro para o dólar.

Para que um país tenha um moeda verdadeiramente forte é preciso que tenha o que exportar. As exportações maiores que as importações geram superávits representados por reservas monetárias (DIVISAS), assim possibilitando que a moeda daquele país seja considerada forte.

Por isso, existe uma regra básica: nenhum país pode emitir moeda em valor superior às suas reservas monetárias em ouro e moedas de outros países. Se houver a emissão de moeda em valor maior, como acontece com o dólar e o euro, essa moeda não lastro.

1.5. A GRANDIOSA DESVALORIZAÇÃO DO DÓLAR VERSUS OURO

Naquela década de 1970 o preço da onça-troy (que corresponde a 31,1035 gramas) era de aproximadamente US$ 35 (dólares). Isto significa que um grama de ouro custava pouco mais que US$ 1 (dólar).

Depois da extinção do padrão-ouro para o dólar, a onça-troy subiu para mais de US$ 850 (dólares) em janeiro de 1980. Em julho de 1999 chegou ao mínimo de US$ 252 (dólares). A partir de 2001começou a verdadeira desvalorização do dólar porque em setembro de 2011 a onça-troy chegou a US$ 1.895 (dólares).

Para maiores esclarecimentos sobre o preço do ouro, veja Ouro Como Moeda, Ouro como Commodities - Por Luis Jardim Wanderley (UFJF - 2015)

De 2011 para cá houve uma valorização do dólar (artificial, provavelmente), sabendo-se que a dívida norte-americana continua a aumentar porque naquele país (símbolo do Capitalismo Bandido dos Barões Ladrões - Revista Época - 14/07/2002) as exportações sempre foram bem inferiores às suas importações.

Levando-se em conta que o um dólar hoje em dia [meados de 2020] custa por volta de R$ 5 (reais), a onça-troy naquela época (década de 1970) custava por volta de R$ 175 (reais) e hoje em dia custaria por volta de R$ 10.730 (reais). Isto significa que o ouro valorizou aproximadamente 6 mil por cento em 50 anos. Esta poderia ser aceita como uma plausível demonstração de quanto o dólar desvalorizou nesses 50 anos. Esta também poderia ser uma demonstração de quanto os especuladores atuantes no MERCADO (cassino global) valorizaram o ouro em relação ao dólar. Isto, ainda poderia significar que os agentes do MERCADO realmente não acreditam que o dólar seja MOEDA FORTE, tendo como base o aqui explicado sobre os crônicos déficits orçamentários e no balanço de pagamentos.

1.6. A DESVALORIZAÇÃO PREJUDICANDO OS PAÍSES COM RESERVAS EM DÓLARES

Os Estados Unidos podem causar grande prejuízo ao mundo inteiro, tendo como resultado o zeramento de sua enorme dívida causada pelos déficits Orçamentários e no Balanço de Pagamentos.

Os déficits Orçamentários acontecem por falta de arrecadação tributária e os déficits no Balanço de Pagamentos acontecem porque as importações são sempre maiores que as exportações.

Assim sendo, os países que exportam para os países desenvolvidos estão abarrotados de dólares, euros, libras esterlinas e outras moedas, enquanto que os países desenvolvidos (importadores =sempre deficitários) estão imensamente endividados.

1.7. A GRANDE TRAMPOLINAGEM DE TRUMP

  1. TRUMP FAZENDO O DÓLAR VIRAR PÓ
  2. COMO DEVIAM SER APLICADAS AS RESERVAS MONETÁRIAS EM DÓLARES?
  3. TERCEIRIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS FAMILIARES BRASILEIRAS
  4. EXEMPLO DE EMPRESAS HOLDINGS CONSTITUÍDAS SEM CAPITAL
  5. EMPRESAS DE FACHADA CONTROLANDO EMPRESAS FAMILIARES DE BRASILEIROS
  6. EXEMPLO DE CONGLOMERADO EMPRESARIAL COM PARTICIPAÇÕES RECÍPROCAS

1.7.1. TRUMP FAZENDO O DÓLAR VIRAR PÓ

A grande TRAMPOLINAGEM DE TRUMP seria a de fazer o dólar desvalorizar até VIRAR PÓ. Isto significa que o dólar ficou sem poder liberatório, ficou sem o Poder de Compra, ficou totalmente sem qualquer valor. Parece inacreditável, mas é possível, principalmente se os Estados Unidos estiverem abarrotados de ouro na qualidade de Reservas Monetárias. Com derrocada do dólar (virando pó), o ouro e outros minerais de grande valor seriam as moedas de troca entre países.

Como isso, países com grandes reservas monetárias em dólares seriam os maiores prejudicados. Entre esses países estão: China, Arábia Saudita, Japão,Taiwan, Rússia, Correia do Sul e Brasil.

Não foram colocados Suíça, Hong Kong e Singapura por serem paraísos fiscais. As reservas da Suíça, de Hong Kong e Singapura não são oriundas de exportações (referem-se a depósitos bancários de estrangeiros, os quais seriam os prejudicados). Esses países são pobres em reservas naturais. São economias que depende acentuadamente dos serviços bancários. Portanto, pode acontecer com esses três países o que aconteceu com a Islândia a partir de 2008. O dado positivo em favor da Islândia é que aquele país tem reservas naturais.

Os dados sobre as Reservas Monetárias (internacionais) forma obtidos no Wikipedia.

Por que os citados países seriam prejudicados pelas eventuais trampolinagens de Trump?

Simplesmente porque os países credores em dólares perderiam todas as suas reservas monetárias (divisas) e, desse jeito, teriam exportado em vão. Trabalharam sem remuneração tal como acontece com os escravos. Seria roubar um doce da mão de uma criança.

1.7.2. COMO DEVIAM SER APLICADAS AS RESERVAS MONETÁRIAS EM DÓLARES?

Em razão de mais essa possibilidade de bancarrota geral provocada pelos Estados Unidos, o que já aconteceu em 2008, o coordenador do COSIFE, por meio de vários textos, sugeriu que as nossas DIVISAS fossem aplicadas na compra de empresas estrangeiras que atuam no Brasil e ainda sugeriu que as DIVISAS fossem aplicadas na compra de empresas no exterior (Estados Unidos, por exemplo), tal como foi feito com a Refinaria de Pasadena.

Durante os Governos dos Trabalhadores as reservas monetárias foram aplicadas em vários países, como nas obras do porto em Cuba, com a exploração de petróleo na Venezuela e no Golfo do México, assim como no Mar do Norte.

As reservas monetárias brasileiras também poderiam ser aplicadas em muitos países africanos (principalmente os do cone sul) para exploração de reservas minerais, tal como foi feito para exploração do carvão (hulha) em Moçambique.

Quase todo o descrito neste tópico foi feito durante os governos dos trabalhadores de 2003 a 2015. A partir dali só se ouve falar em vender o patrimônio nacional para acumulação de mais dólares sem lastro. Isto também foi feito durante o Governo FHC, conforme o que será explicado a seguir.

Em síntese, essas DIVISAS precisam ser INVESTIDAS. Elas não ser gastas na importação de bens supérfluos, mas, sim na aquisição de bens de produção industrial e agroindustrial.

Outra opção seria a incorporando empresas no mundo inteiro para intermediarem a venda da nossa produção em vários países, tal como fizeram as empresas multinacionais. Espertamente, tal como fazem os estelionatários, muitas dessas multinacionais ou transnacionais foram constituídas sem qualquer utilização de capital.

1.7.3. TERCEIRIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS FAMILIARES BRASILEIRAS

As chamadas de multinacionais incorporaram muitas das empresas familiares brasileiras. Essa incorporação foi feita mediante a troca de ações entre as partes envolvidas nas negociações. Brasileiros passaram a ser acionistas de multinacionais e elas passaram a ser controladoras das antigas empresas de ricas famílias brasileiras.

Muitas dessas incorporações foram feitas por empresas constituídas em paraísos fiscais sem qualquer investimento de capital, mediante participações cruzadas, recíprocas e em cascata.

1.7.4. EXEMPLO DE EMPRESAS HOLDINGS CONSTITUÍDAS SEM CAPITAL

A FINANCEIRA "A" investe todo o seu capital em ações da FINANCEIRA "B".

A FINANCEIRA "B" investe todo o seu capital em ações da EMPRESA "C".

A EMPRESA "C" investe todo o seu capital em ações da EMPRESA "D".

A EMPRESA "D" investe todo o seu capital em ações da FINANCEIRA "A".

Na Consolidação das Demonstrações Contábeis dessas quatro empresas restará Patrimônio Líquido igual a ZERO. Portanto, realmente não existirá verdadeiro investimento de capital (em dinheiro) no conglomerado empresarial constituído num paraíso fiscal ou em vários paraísos fiscais.

1.7.5. EMPRESAS DE FACHADA CONTROLANDO EMPRESAS FAMILIARES DE BRASILEIROS

No caso da assunção do controle acionário de uma empresa familiar brasileira, as multinacionais não podem ser  diretamente controladoras porque o CADE não aprovaria esse controle no sentido de evitar a formação de monopólio.

O CADE é um órgão governamental que tem como finalidade primar pela livre concorrência em contrapondo ao monopólio.

Então para driblar a legislação brasileira, pelos partidários do neocolonialismo privado ou canibalismo econômico, sediado em paraísos fiscais, são constituídas empresas de fachada, muitas delas sem capital, conforme foi demonstrado no tópico acima.

Se cada uma daquelas empresas de fachada assumirem o controle empresas brasileiras de segmentos operacionais diferentes, obviamente não está sendo burlada a legislação brasileira anti-monopólio, ou seja, a legislação que defende a livre concorrência. Mas, é fácil diblar não somente no Brasil como em qual país. Para isso, existem os consultores em planejamento tributário.

Para evitar que tais fraudes contra o patrimônio brasileiro sejam impedidas pelo CADE, torna-se  necessário constituir várias empresas de fachada para controle de todas as grandes empresas familiares brasileiras. É o que vem sendo feito principalmente a partir de 1990.

Um governo nacionalista e patriótico, obviamente faria diferente do que vem sendo feito. Utilizaria as elevadas Reservas Monetárias deixadas pelos governos LULA e DILMA para compra de multinacionais estabelecidas no Brasil ou compraria empresa familiares brasileiras para evitar que fossem (ou sejam) interceptadas pelas empresas de fachada tidas como multinacionais, sediadas em paraísos fiscais. Essa internacionalização das empresas brasileiras em detrimento do nosso país, permite (ou facilita) a sonegação fiscal, que reduz a Arrecadação Tributária, impedindo também o crescimento do nosso PIB - Produto Intero Bruto. Por isso, sempre temos o chamado de PIBINHO.

Para evitar esse tipo de sonegação fiscal, o que fizeram os milicos de 1964?

Observe que os procedimentos daqueles não são iguais aos utilizados a partir da deposição de Dilma Russsef. Agora tudo é feito para que o Brasil não cresça.

Eles (os milicos a partir de 1970) lançaram a campanha do "Brasil, Ame-o ou Deixe-o!!!", Pra Frente Brasil e outras, que eram produzidas pela MPM Propaganda (Luiz Vicente Goular Macedo, Petrônio Correia e Antônio Mafuz. Foram aqueles militares os mentores do MILAGRE BRASILEIRO de fazer o Brasil crescer sem CAPITAL ESTRANGEIRO, mediante a constituição de empresas estatais, tal como pretendia João Goulart, ao contrário do que vem sendo feito a partir da deposição de Dilma Russeff. Confira esses dados na internet.

Esses nossos novos governantes (impatriotas) estão GASTANDO as nossas reservas monetárias em vez de INVESTI-LAS, como foi feito durante os governos dos trabalhadores.

1.7.6. EXEMPLO DE CONGLOMERADO EMPRESARIAL COM PARTICIPAÇÕES RECÍPROCAS

Eis o fluxograma de um verídico exemplo de Participações Recíprocas, Cruzadas e Em Cascata.


Fonte: PLOS ONE (clique na imagem)

Isto significa que os nossos ricaços entregaram o galinheiro para ser administrado pelas raposas. Veja em Desvendada a Rede Capitalista que Controla o Mundo.

1.8. AS DESASTROSAS ARBITRAGENS DE OURO POR DÓLAR - GOVERNO FHC

  1. A ÉPOCA DAS MAIS BAIXAS COTAÇÕES PARA O OURO
  2. O CAIXA DOIS GERADO NO BRASIL TRANSFORMANDO-SE EM DÍVIDA EXTERNA
  3. O REGIME CAMBIAL BRASILEIRO FACILITANDO A LAVAGEM DE DINHEIRO

1.8.1. A ÉPOCA DAS MAIS BAIXAS COTAÇÕES PARA O OURO

Numa época em que o ouro teve as suas mais baixas cotações, o Brasil não tinha reservas monetárias. Os dólares das nossas reservas eram vendidos para sonegadores de tributos que o remetiam para o exterior como pagamentos Sem Causa e, depois de lavados em paraísos fiscais, voltavam ao Brasil como Capital Estrangeiro.

Veja o texto sobre as Operações de Arbitragem de Ouro por Dólar.

1.8.2. O CAIXA DOIS GERADO NO BRASIL TRANSFORMANDO-SE EM DÍVIDA EXTERNA

Pela CPI do Banestado foi confirmada a remessa de 124 bilhões de dólares para paraísos fiscais, que se transformaram em capital estrangeiro, computado no Banco Central do Brasil como Dívida Externa. Na realidade esse "capital estrangeiro" é oriundo dum Desfalque no Tesouro Nacional.

A CPI QUE VIROU PIZZA
Agora eles dizem que o Crime por eles praticado já PRESCREVEU
Resta saber: QUEM DEIXOU PRESCREVER?


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AEPET - ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS DA PETROBRÁS

Para piorar essa situação, como não mais existiam dólares para serem vendidos, os dirigentes do Banco Central optaram pela venda das nossas reservas em ouro para conseguir os dólares que seriam vendidos para sonegadores de tributos que remetiam seu CAIXA DOIS para ser lavado em paraísos fiscais.

1.8.3. O REGIME CAMBIAL BRASILEIRO FACILITANDO A LAVAGEM DE DINHEIRO

Essas operações foram indiretamente mencionadas na cartilha publica pelos dirigentes do BACEN em novembro de 1993, intitulada Regime Cambial Brasileiro. Nela os dirigentes do BACEN explicavam como poderia ser efetuada a remessa de dinheiro para o exterior. Eles ainda regulamentaram os depósitos de reais no exterior que podiam ser utilizados para compra de dólares no Brasil.

Tais operações podiam ser consideradas como verdadeiros Desfalques no Tesouro Nacional.

O ouro também passou a ser lastro de Operações Compromissadas por Recompra em data pré-determinada. Neste caso, instituições mantenedoras de PCO - Posto de Compra de Ouro, obtinham o capital de giro para compra de mais ouro nas regionais de garimpo. Assim, o fluxo de ouro vendido por meio de arbitragens cresceu assustadoramente.

Como aconteceu um déficit no Balanço de Pagamentos, porque foi decreta a paridade entre real e dólar, houve automaticamente um desestimulo às exportações e um incentivo às importações pelas classe sociais mais endinheiradas. Assim, acontecia o déficit no Balanço de Pagamentos que eram cobertos por empréstimos do FMI - Fundo Monetário Internacional. Por isso, durante o Governo FHC, o Brasil ficou sob uma direta fiscalização do FMI, para que fosse apurado como os empréstimos fornecidos ao Brasil imediatamente era depositados na Suíça, segundo declarações de Paul O'Neill.

Veja no texto sobre o Balanço de Pagamentos - Fatos Marcantes do Governo FHC na Política Econômica e Monetária.

2. CRISE ABALA STATUS DO DÓLAR COMO MOEDA DE RESERVA

SUMÁRIO:

  1. O DEBATE EM TORNO DO DÓLAR FRACO
  2. O QUE DIZEM OS PROFISSIONAIS DO MERCADO?

Por Gabriel Roca e Victor Rezende - São Paulo - Publicado por Valor Econômico em 03/08/2020 - Extraído do clipping distribuído pelo Banco Central do Brasil aos seus servidores ativos e inativos.

2.1. O DEBATE EM TORNO DO DÓLAR FRACO

No momento que o dólar americano tem exibido perda de fôlego expressiva em relação a outras divisas fortes, o debate em torno do seu status de moeda de reserva global tem ganhado os holofotes.

Embora o tema não seja novo, o afrouxamento monetário sem precedentes implementado pelo Federal Reserve (FED = Banco Central norte-americano), o aumento do endividamento do governo dos Estados Unidos e os embates sino-americanos iniciados no âmbito comercial são questões que têm impulsionado a discussão entre os agentes do mercado.

2.2. O QUE DIZEM OS PROFISSIONAIS DO MERCADO?

Preocupações reais sobre a longevidade do dólar americano como moeda de reserva global começaram a surgir”, destacam os analistas do Goldman Sachs em relatório enviado a clientes. A equipe liderada por Jeffrey Currie, chefe global de pesquisa de commodities do banco americano, ressalta que, “há muito tempo, mantemos a posição de que o ouro é a moeda de último recurso, particularmente em um ambiente como o atual, onde os governos estão desvalorizando suas moedas fiduciárias e empurrando as taxas de juros reais a mínimas históricas”.

Em território americano, o movimento mais expressivo dos mercados nas últimas semanas [anteriores a 03/08/2020] se deu nos juros reais, em especial nas captações governamentais com prazo de vencimento em dez anos, que foram às mínimas históricas, enquanto contratos futuros de ouro foram negociados em níveis bem próximos a US$ 2 mil por onça-troy.

Embora admita que a reputação do dólar tenha sofrido de fato um duro golpe nos últimos dias, o Commerzbank acredita que qualquer mudança no status da moeda americana como moeda de reserva está “muito longe de ocorrer”. De acordo com Thu-Lan Nguyen, analista de câmbio e mercados emergentes do banco alemão, o surto de uma segunda onda de covid-19 nos EUA e em outras regiões levantou preocupações mais amplas nos investidores.

Mais uma vez, podem ser ouvidas vozes críticas, que consideram que a posição do dólar americano como moeda de reserva global esteja em risco”, afirma a analista, ao fazer referência direta ao relatório do Goldman Sachs. Mas, para Nguyen, “o fato de todo mundo estar comprando ouro não significa que todo mundo vai usá-lo como um meio de pagamento em breve”. Ela diz que é preciso mais para ser uma moeda de reserva importante do que atuar apenas como reserva de valor, embora reconheça que o debate sobre a credibilidade do dólar foi lançado.

A analista do Commerzbank afirma, ainda, que suas preocupações com o dólar se baseiam, principalmente, no conflito sino-americano e menos em questões como a inflação. “Meu medo especificamente é que as empresas abandonem cada vez mais o dólar por temerem sanções econômicas ou até mesmo decidam sair completamente do mercado americano — em particular, as companhias chinesas”, afirma Nguyen.

Como fonte de preocupação adicional, a analista diz que a crise gerada pela disseminação do novo coronavírus resultou, não só em um considerável déficit em conta corrente nos EUA, mas também em um enorme déficit orçamentário — condição chamada de “déficits gêmeos” —, o que pode trazer mais pressão sobre o dólar. No entanto, devido ao status do dólar como a principal moeda de reserva, os EUA não tiveram problemas em encontrar credores no resto do mundo no passado. “Quem costumava ser uma fonte particularmente confiável de financiamento para a dívida dos EUA? Sim, correto, a China”.

Ela não espera que o Banco do Povo da China (PBoC) comece a vender títulos do Tesouro americano como forma de punição aos Estados Unidos, mas diz estar atenta à saída natural dos investidores chineses do mercado americano, impulsionada por uma divisão gradual das duas economias.

Não é, de forma alguma, nossa suposição de que o dólar dos EUA perderá seu status como moeda de reserva mundial tão cedo, mas a crise da covid-19 e o conflito entre os EUA e a China semearam dúvidas suficientes para justificar um aumento do prêmio de risco pelo dólar”, diz. Para ela, o ativo que surge como potencial vencedor desta situação é o euro, e não o ouro.

Há quem discorde. É o caso de Roberto Dumas e Daniel Miraglia, especialistas em macroeconomia global da Omninvest. “O euro é um projeto político e sua configuração é muito fragmentada para substituir o dólar. O euro tem essa deficiência por natureza”, escrevem em relatório. Para os dois, o status do dólar como moeda de reserva não está ameaçado justamente pela falta de alternativas.

Dumas e Miraglia notam que aproximadamente 60% das reservas internacionais estão em dólar no momento e lembram que os preços das commodities são cotados na divisa dos EUA. Além disso, os especialistas observam que a maior parte da dívida também está em dólar e que as novas emissões também têm usado a moeda americana.

Existem três condições para que o dólar perca o status de moeda de reserva”, argumentam Dumas e Miraglia. O primeiro é ter uma alternativa para a moeda americana; o segundo é haver menos dívida denominada em dólar fora dos Estados Unidos; e o terceiro envolve a menor dependência do dólar nos mercados de commodities, em especial o petróleo. “O mercado de commodities continua sendo operado todo em dólar, praticamente, e é um dos fatores que mantêm o status do dólar inalterado”.