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BANCOS LUCRAM COM O SILÊNCIO

Bancos lucram com o silêncio

PORQUE LADRÃO NÃO FAZ BARULHO

Jornal do Brasil - 02/12/2001  

Cada brasileiro já nasce R$ 6.650 mais pobre devido à corrupção. Este é o tamanho do prejuízo causado pelos crimes do gênero no país, segundo estimativa da juíza aposentada Denise Frossard, com base em pesquisa do professor Marcos Gonçalves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo.

Grande parte destas perdas se deve à lavagem de dinheiro, uma das modalidades de corrupção que mais ganhou terreno nas últimas décadas. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam para um volume de dinheiro lavado em torno de 2% a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Ou seja, US$ 590 bilhões a US$ 1,5 trilhão por ano.

Terror - Os ataques terroristas de 11 de setembro aos Estados Unidos, além de chocar o mundo, revelaram uma relação profunda entre parte do sistema financeiro e o terror internacional. O grau de envolvimento de determinados bancos com a lavagem de dinheiro da corrupção e do tráfico de drogas era conhecido pelos principais serviços de inteligência do planeta, mas as ramificações dos esquemas relacionados ao terrorismo - entre elas, uma insuspeitada conexão nas fronteiras entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai - surpreenderam o mundo.

Multa ''barata'' - A recente iniciativa acertada por grandes bancos internacionais como Barclays e Santander, batizada de ''conheça o seu cliente'', rendeu frutos também no Brasil, onde informar sobre operações acima de R$ 10 mil ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) virou regra. Bancos e casas de câmbio foram transformados em agentes importantes, com a missão de identificar atividades suspeitas e comunicá-las, explicou Denise Frossard, hoje professora da FGV-RJ e diretora da organização não-governamental Transparência Brasil.

''Mas não cumprem, porque a penalidade é de apenas R$ 200 mil. Um banqueiro mal-intencionado pode resolver correr o risco, porque, se a operação for de grande porte, o custo de uma multa é relativamente baixo'', salientou, lembrando que alguns bancos foram criados exclusivamente para lavar dinheiro do tráfico e financiar o terrorismo. Como o BCCI, paquistanês, afirmou Denise Frossard, apontando o envolvimento de um dos proprietários da instituição com o financiamento da organização terrorista Al-Qaeda, comandada pelo saudita Osama Bin Laden

Durante palestra a alunos do curso de Direito da Universidade Veiga de Almeida, a juíza foi enfática. ''Sem a quebra do sigilo bancário e fiscal dos suspeitos dos crimes de lavagem de dinheiro, bem como da escuta telefônica, muito pouco se poderá fazer no sentido de se colher a prova necessária para uma condenação.''

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