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A INADIMPLÊNCIA CRIADA PELO DESEMPREGO GERADO PELO GOLPE PARLAMENTAR

A INADIMPLÊNCIA CRIADA PELO DESEMPREGO GERADO PELO GOLPE PARLAMENTAR

FARRA DO CRÉDITO DE VEÍCULOS GERA ROMBO DE R$ 23 BILHÕES PARA BANCOS

São Paulo, 14/02/2018 (Revisada em 28/01/2021)

Referências: Risco Sistêmico - Falências Encadeadas no Mercado de Capitais e no Sistema Financeiro  Nacional e Internacional, o FMI - Fundo Monetário ainda existe? Carro Zero e Smartphones - Sonho de Consumo do Povão, mais de 60 milhões Inscritos nos Cadastro de Inadimplentes - Risco de Crédito, de Mercado e de Políticas Econômicas -  Recessão - Crise Fomentada pelos Inimigos dos Trabalhadores.

SUMÁRIO:

  1. O MERCADO FINANCEIRO APROVEITANDO-SE DOS COMPRADORES DE AUTOMÓVEIS
  2. OS PROBLEMAS CAUSADOS PELA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA NORTE-AMERICANA
  3. PLENO EMPREGO: EVITANDO A RECESSÃO MEDIANTE O INCENTIVO AO CONSUMO POPULAR
  4. PIB = EMPREGO + PRODUÇÃO = CONSUMO GERADOR DE ARRECADAÇÃO TRIBUTÁRIA
  5. MERCADO INTERNO: A CONCESSÃO DE CRÉDITO PARA VENDA DO NÃO EXPORTADO
  6. SONHO DE CONSUMO ERA O CARRO ZERO E AGORA É O SMARTPHONE
  7. REALIZAÇÃO DUM SONHO: O PLENO EMPREGO RADICALIZOU O CONSUMO POPULAR
  8. CAPTAÇÃO DO CAPITAL ESTRANGEIRO DE CAIXA DOIS ABRIGADO EM PARAÍSO FISCAL

Texto Original por Fernando Nakagawa do Estadão Conteúdo - publicado pela Revista EXAME e pelo Jornal Correio Braziliense em 12/02/2018, acessado naquela data e em 26/01/2021, aqui com comentários, anotações, subtítulos e informações complementares por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE, ex- Auditor do Banco Central do Brasil.

Texto antigo que em 26/01/2021 revela-se como tema ainda largamente discutido, pois relaciona-se à INADIMPLÊNCIA dos devedores desempregados pelas esdrúxulas Políticas Econômicas e Monetárias adotadas pelos arcaicos economistas ortodoxos.

A Política de Combate à Inflação mediante o DESEMPREGO EM MASSA tem colocado as instituições do sistema financeiro em RISCO DE FALÊNCIA, o que resultaria no chamado de RISCO SISTÊMICO, situação em que, a partir dos bancos falidos, ocorre a falência dos seus credores diretos e do restante da cadeia de credores indiretos.

Foi o que aconteceu nos Estados Unidos, que gerou a Crise Mundial de 2008 porque muitos credores diretos e indiretos estavam em outros países.

1. O MERCADO FINANCEIRO APROVEITANDO-SE DOS COMPRADORES DE AUTOMÓVEIS

O custo [operacional e econômico-financeiro] da festa do crédito fácil para veículos [automotores] do começo da década de 2010 foi [muito] alto para as instituições do sistema financeiro [praticantes dos lucros fáceis mediante juros extorsivos].

Dados inéditos [???] do Banco Central mostram que o setor [financeiro] teve problemas para receber R$ 38,1 bilhões em financiamentos concedidos em 2010 e 2011, quando era possível comprar um carro zero, sem entrada, parcelado em até cem vezes. Bancos já desistiram de cobrar R$ 22,8 bilhões e reconheceram o valor como prejuízo, mas o setor ainda trabalha para receber outros R$ 15,3 bilhões emprestados naquela época.

NOTA DO COSIFE:

Depois de BAIXADOS COMO PREJUÍZO, os créditos contra INADIMPLENTES das instituições do sistema financeiros, segundo normas do Banco Central, devem ficar pelo menos cinco anos em Contas de Compensação para uma possível repactuação ou reestruturação dessas dívidas.

Conforme já foi explicado neste COSIFE em 2016, em razão do estado pré-falimentar que os bancos brasileiros e estrangeiros aqui estabelecidos apresentavam no início do Governo Temer, por culpa de suas respectivas administrações temerárias (que poderiam ser enquadrados na Lei 6.024/1974 - que versa sobre as intervenções e liquidações extrajudiciais), o Banco Central do Brasil expediu a Resolução CMN 4.502/2016. Por isso, os dados NÃO são inéditos (em 2018).

Sem a expedição dessa Resolução do CMN, aconteceria no Brasil o que aconteceu nos Estados Unidos em 2008 e na Europa em 2011. Aconteceria, em tese, a BANCARROTA do Brasil, o que era impossível porque LULA tinha deixado mais de US$ 350 bilhões em RESERVAS MONETÁRIAS. Ou seja, ao contrário de norte-americanos e europeus, o Brasil NÃO tinha DÍVIDA EXTERNA. Logo, estava a salvo de uma bancarrota.

A citada Resolução CMN 4.502/2016 estabeleceu os requisitos mínimos a serem observados na elaboração e na execução de planos de recuperação (extrajudicial) por instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil.

Para dar legalidade a essa Resolução CMN 4.502/2016, foi tardiamente sancionada a Lei 13.506/2017. Veja no MNI 5-1 - Ação Fiscalizadora do Banco Central.

A Responsabilidade do Bancos Central nestes casos é idêntica àquela estabelecida na Lei de Falências - Lei 11.101/2005, alterada pelo Lei 14.112/2020. Sobre esse tema veja o texto sobre Responsabilidades Numa Recuperação Judicial, publicado pelo COSIFE em 12/04/2018.

Em tese, a LIBERDADE ECONÔMICA proporcionada pela Resolução CMN 4.502/2016 evitaria o tal RISCO SISTÊMICO que resulta na ocorrência de falências encadeadas, em que o sistema bancário seria o centro desse universo falido. Ou seja, além das instituições sistema financeiro, também quebrariam seus credores, os credores destes e assim sucessivamente. Então, desde que tenham um PLANO DE RECUPERAÇÃO, aquelas instituições que estão realmente quebradas podem empurrar com a barriga a sua falência para que, por exemplo, só ocorra na Década de 2030.

Essas falências encadeadas aconteceriam com a simples decretação (pelo BACEN) da Liquidação Extrajudicial de todos os bancos vítimas dos mais de 60 milhões de desempregados, que se transformaram em INADIMPLENTES, em razão da desastrosa Política Econômica e Monetária adotada por Michel Temer, assessorado por Henrique Meirelles, para combater a inflação.

Isto significa, comparativamente, que Temer encontrou uma vaca com carrapatos e, em vez matar os carrapatos, preferiu matar a vaca. Neste caso a vaca é o Brasil, que desde 1500 sustenta toda a Europa por intermédio de Portugal e da Inglaterra a partir de 1822, quando houve o nosso falso Grito de Independência. Passamos à condição de vítimas do Neocolonialismo Inglês.

Por isso, na citada Resolução do Conselho Monetário Nacional brasileiro foi subliminarmente escrito que o Banco Central do Brasil NÃO poderia decretar a intervenção ou liquidação extrajudicial naqueles entidades jurídicas em dificuldade (insolventes) porque isto resultaria em grande quantidade de falências encadeadas, tal como de fato passou a ocorrer durante o Governo Michel Temer.

Veja os comentários sobre a instabilidade no sistema financeiro a partir de 2014 no texto sobre o Uso de Debêntures para Reestruturação de Dividas. Essa instabilidade também envolve as empresas de todos portes (micros, pequenas, médias, grandes e até as privatizadas). Tudo isto vem acontecendo em razão do alto índice de desemprego provocado pelos inimigos dos trabalhadores que querem transformá-los em escravos.

2. OS PROBLEMAS CAUSADOS PELA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA NORTE-AMERICANA

Após o estouro da crise financeira global em 2008 [provocada pela bancarrota norte-americana], o governo [dos trabalhadores] reagiu [com medidas de estímulo ao consumo para evitar a paralisação das nossas  indústrias exportadoras], para tentar amenizar a maré negativa do exterior, [cujos países afetados implantaram planos de austeridade popular e restrição às importações].

NOTA DO COSIFE:

Torna-se importante relembrar aos "esquecidinhos" que a Crise de 2008 teve início nos Estados Unidos e novamente ocorreu em 2011 alcançando principalmente a Europa e veio se prolongando no decorrer do tempo até 2018, prometendo eternizar-se no Hemisfério Norte, em  que estão os países mais endividados do mundo, tendo como principais credoras empresas fantasmas constituídas como OFFSHORE nos paraísos fiscais situados naquela região.

Veja em Desvendada a Rede Capitalista que Domina o Mundo.

Aqueles países ricos e desenvolvidos, também chamados de industrializados, estão endividados porque suas importações são maiores que suas exportações, gerando Dívida Externa para suprimento dos constantes défices em seus respectivos Balanços de Pagamentos. Estes mostram o resultado de cada país nas suas relações comerciais e financeiras com outros países.

Veja em Contabilidade Nacional.

Em complementação à crise no sistema financeiro norte-americano provocada pela especulação imobiliária, naquele país há décadas vem ocorrendo uma grandiosa falta de Recursos Naturais (matérias-primas e alimentos), sendo vítima também da falta de parques industriais para processamento das matérias-primas importadas. Suas indústrias foram explorar o trabalho escravo em países asiáticos.

Sabendo-se que aqueles países do Hemisfério Norte são quase que totalmente dependentes das matérias-primas e dos alimentos fornecidos pelo Brasil e pelos demais países do chamado de Terceiro Mundo (o colonizado e neocolonizado), era preciso que no Brasil fosse criado um forte mercado consumidor dos produtos que não mais seriam exportados, porque aqueles países consumidores estavam (e ainda estão) falidos.

3. PLENO EMPREGO: EVITANDO A RECESSÃO MEDIANTE O INCENTIVO AO CONSUMO POPULAR

[Foi assim que no final do Governo Lula, foi promovida] a queda de impostos [que são exclusivamente pagos pelos consumidores], a redução de juros [sobre o financiamento do consumo] e a liberação de dinheiro [governamental a juros subsidiados para que os] bancos [ajudassem o nosso] País a passar os primeiros anos da crise [enfrentada pelos países desenvolvidos] com poucos arranhões. [Assim fazendo,] enquanto o mundo [rico, desenvolvido e industrializado] colhia cacos, o Brasil dava sinais de vigor e o setor de veículos virou símbolo do Brasil que consumia cada vez mais.

NOTADO COSIFE:

Aliás, é importante relembrar que o alto IDH - Índice de Desenvolvimento Humano desfrutado pelas populações de vários países do Hemisfério Norte baseia-se justamente nessa premissa do maior consumo popular que acaba gerando o desenvolvimento de diversos setores da economia, tal como também aconteceu no Brasil durante o Governo LULA. O problema é que eles não têm as matérias-primas e os alimentos que nós temos e que para lá exportamos.

Para os que só acreditam naquilo que fazem os norte-americanos, devemos relembrar que o Presidente Franklin Roosevelt fez [o mesmo que fizeram Getúlio Vargas, Lula e Dilma] para tirar os Estados Unidos da MERDA em que estava depois da Crise de 1929, quando a descontrolada especulação com ações quebrou grande número de investidores e colocou em descrédito a Bolsa de Valores da famosa Wall Street de Nova Iorque.

Infelizmente, Michel Temer está fazendo tudo ao contrário, por isso o Brasil está indo para o buraco, sem consumidores, sem produção, sem arrecadação de tributos e com o aumento da criminalidade, tal como também aconteceu no Governo FHC.

4. PIB = EMPREGO + PRODUÇÃO = CONSUMO GERADOR DE ARRECADAÇÃO TRIBUTÁRIA

[O subtítulo acima expressa o que aconteceu na prática. Por isso, houve] tanta confiança [nos atos do governo àquela época pois] mudou profundamente a economia. Enquanto consumidores [trabalhadores] estavam cada vez mais seguros sobre o futuro, montadoras anunciavam bilhões em novos projetos. [Na contramão] os bancos [erroneamente, mediante administração temerária, combatida pela Lei 6.024/1974] afrouxavam [demasiadamente os] parâmetros no crédito [em desobediência às normas do BACEN sobre o Risco de Crédito].

NOTA DO COSIFE:

Na realidade, nenhum dos dirigentes desses segmentos operacionais de produção e consumo acreditavam que o governo brasileiro seguinte pudesse tão facilmente destruir o Brasil. É o que vem acontecendo desde o Governo Temer.

Porém, para que fosse possível essa destruição em massa, bastou a derrota de Aécio Neves (PSDB) no escrutínio de 2014 para que os empresários fechassem suas indústrias, demitindo funcionários, passando a vender produtos fabricados na China e nos demais países asiáticos em que predomina a exploração do trabalho humano em regime de semiescravidão.

Esse mesmo regime de semiescravidão dos 95% mais pobres, o presidente golpista Michel Temer conseguiu implantar no Brasil. E também vinha sendo adotado no primeiro ano do governo Bolsonaro. Depois, a pandemia nos deu mais uma prova da total incapacidade para governar.

Foi preciso que governadores passassem a administrar seus respectivos Estados como países independentes para que não se tornassem vítimas do desgoverno central. Por sua vez, os prefeitos passaram agir como detentores de condados com pouca ou nenhuma ajuda governamental.

5. MERCADO INTERNO: A CONCESSÃO DE CRÉDITO PARA VENDA DO NÃO EXPORTADO

NOTA DO COSIFE:

A larga concessão de crédito ao consumidor era na realidade para venda de estoques destinados à exportação, encalhados em razão dos problemas enfrentados pela Europa e pelos Estados Unidos, principalmente.

Porém, o carro novo sempre foi sonho de consumo desde os mais pobres até os mais ricos.

No governo FHC, com 1 real = 1 dólar, a nossa classe média passou a comprar carros importados. Em razão desse fato, o Brasil ficou endividado porque as importações e as remessas de dólares para paraísos fiscais eram exorbitantes.

Houve até aquele famoso desfalque no Banco Central de US$ 1,5 bilhão de dólares

6. SONHO DE CONSUMO ERA O CARRO ZERO E AGORA É O SMARTPHONE

Assim, [depois da crise mundial de 2008] a concessão de financiamentos para veículos [automotores] atingiu patamar nunca mais alcançado: R$ 105,3 bilhões emprestados em 2010 e outros R$ 102,5 bilhões em 2011. [Em 2017], esse valor foi de R$ 87,3 bilhões.

Os bancos liberaram em média R$ 3.339,66 a cada segundo em novos financiamentos naquele período. Essa avalanche de crédito chegou em condições inéditas. Clientes sem histórico bancário conseguiam financiar um carro zero sem entrada e com prazo que superava oito anos. Para convencer indecisos, concessionárias e montadoras investiam pesado em publicidade e o IPI zero dos veículos populares era o grande chamariz.

O preço dessa festa [das montadoras de veículos estrangeiras] apareceu em 2018. Dos R$ 209 bilhões emprestados em 12,32 milhões de operações aprovadas em 2010 e 2011, bancos enfrentaram algum tipo de problema com o recebimento de R$ 22,8 bilhões em 2,24 milhões de financiamentos. Ou seja, operações classificadas como “problemáticas” pelo próprio BC corresponderam a 18,2% de todas as que foram feitas.

Tudo o que se fabricou, vendeu. Com a chegada dos novos consumidores, motivados pela emoção e que não tinham experiência com financiamentos, é óbvio que se esperava um aumento da inadimplência”, diz o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras, Luiz Montenegro. “Eu prefiro olhar isso como um profundo aprendizado”.

NOTA DO COSIFE:

Seria preciso levar em conta que o longo prazo de financiamento com prestações por valores não tão baixos estava sendo oferecido aos incautos consumidores loucos por carro (que eram os trabalhadores com menores salários).

Então, parecia lógico que tudo estaria perdido se acontecesse o desemprego em massa que de fato ocorreu.

Em razão dessa possibilidade, as instituições do sistema financeiro estavam cobrando altas taxas de juros, na qual estaria embutido uma espécie de seguro contra a inadimplência, devido ao alto RISCO DE CRÉDITO. Portanto, as instituições do sistema financeiro realmente sabiam do risco que estavam a correr, razão pela qual tinham altíssimos lucros bastante comentados pelos meios de comunicação.

Mas, a culpa pelo alto índice de desemprego foi do próprio empresariado industrial e isto já havia sido comentado num dos textos publicados neste COSIFE. Indiretamente foram os industriais os algozes dos bancos e das empresas varejistas que têm os trabalhadores como seus fregueses ou consumidores.

Os industriais bradavam por menos impostos e contribuições sem saber que não são eles os pagadores dos tributos. A CONTABILIDADE DE CUSTOS nos mostra que os tributos são pagos apenas pelos consumidores. Os Patrões só pagam tributos quando estão na condição de consumidores.

Portanto, essa CARGA TRIBUTÁRIA pesa somente sobre as cabeças dos consumidores.

Assim, os citados PATRÕES (Analfabetos Funcionais que não conseguem entender essa lógica), resolveram fazer campanha contra o governo para redução dos tributos. Como não obtiveram o resultado esperado, demitiram seus funcionários, fecharam suas industrias e passaram a vender produtos impostados da China.

Os líderes do movimento empresarial (CNI - Confederação Nacional da Indústria e especialmente a FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na qualidade de comandantes dos citados Analfabetos Funcionais, esqueceram que sem consumidores (os trabalhadores desempregados e, por isso, inadimplentes) não poderiam vender os produtos por eles importados da China.

Veja o texto: Estadão Está Preocupado com o Desemprego Gerado pela CNI - FIESP

7. REALIZAÇÃO DUM SONHO: O PLENO EMPREGO RADICALIZOU O CONSUMO POPULAR

Nesse boom do crédito, o ápice dos problemas parece ter ocorrido em abril de 2011. Dos financiamentos com prazo superior a 60 meses concedidos naquele mês, 34% registraram problemas. Para comparação, o mesmo indicador ficou em 4,6% nos empréstimos de 2016 e não alcança nem 1% do crédito para veículos de 2017.

Mas, isto não significa que os agentes do mercado tiveram prejuízo, conforme será explicado na NOTA DO COSIFE a seguir e também na NOTA anterior.

NOTA DO COSIFE:

É preciso deixar claro que o mesmo erro cometido pelos banqueiros brasileiros foi antes foi cometido pelos ianques, o que deu origem à bancarrota norte-americana de 2008.

Os banqueiros de lá (dos STATES) deixaram de obedecer as regras básicas sobre o RISCO DE CRÉDITO. E, sabendo desse fato, antecipadamente, os banqueiros brasileiros deviam ser mais seletivos. Mas, a ganância do Lucro Fácil e Rápido falou mais alto.

Bastaria aumentar a taxa de juros, cujo excedente seria uma espécie de PRÊMIO DE SEGURO cobrado do consumidor. Por isso, os meios de comunicação sempre repetiam e continuam a repetir que o setor bancário tem altíssimos lucros, obviamente diminuídos pelos prejuízos causados pelos inadimplentes, que ainda podem ser cobrados por meio de empresas internacionais de cobrança, sediadas em paraísos fiscais, que compraram os Derivativos de Crédito.

Veja os textos denominados:

  1. Desfalque no Banco do Brasil
  2. Operações Simuladas para Desfalques em Instituições Financeiras
  3. Bancos Privados Asfixiam a Produção
  4. O Filão das Internacionais Empresas Intermediadoras de Cobrança

Usando-se a "Tabela Price" nos financiamentos de longo prazo, os juros cobrados na primeira metade do tempo (prazo total de  financiamento) é muito mais elevado em montante (em dinheiro). Assim sendo, depois de decorrida a metade do prazo total do financiamento, o saldo restante da dívida até poderia ser perdido porque todos os custos da cadeia produtiva e de financiamento tinham sido recuperados já que as taxas de juros cobradas eram elevadas, muito acima da média mundial.

Para comprovação do aqui explicado, basta recalcular o valor do financiamento desde a venda até a data da recuperação do bem objeto, mediante a aplicação de uma taxa de juros civilizada. Depois deve ser comparado os dois valores para saber se o resultado foi positivo (lucro) ou negativo (prejuízo). Os grandes bancos talvez já tenham feito esses cálculos para que pudessem concluir que a contabilização de bilhões de reais como prejuízo não provocaria grandes perdas patrimoniais (significativa redução do seus Patrimônio Líquido).

Em razão da insana especulação no mercado imobiliário norte-americano, que se utiliza de um tradicional sistema hipotecário para financiamento de imóveis, obviamente resultou na falência do sistema financeiro porque aconteceu grande onda (tsunami = maremoto) de desemprego, o que gerou a inadimplência dos trabalhadores semelhante a ocorrida no Brasil que chegou ao seu ápice durante o desgoverno de Michel Temer.

Foi assim que ocorreu a crise do SUBPRIME nos STATES. Os imóveis nos USA (tal como os automóveis no Brasil) foram vendidos por preços elevadíssimos, muito acima dos custos de produção. Por sua vez as taxas de juros cobrados dos consumidores também era muito elevada.

Então, depois de retomados os bens em razão da inadimplência, os bancos financiadores eram obrigados a contabilizar imensos prejuízos porque o verdadeiro preço de mercado (calculado com base no custo de construção adicionado da margem de lucro) era muito inferior ao valor do financiamento. Assim, no momento da retomada dos bens imóveis dos inadimplentes, essas garantias estavam com sobrepreço, ou seja, os financiamentos garantidos pelos imóveis foram feitos por preços astronômicos e, depois do estouro da Bolha Especulativa, esses imóveis quase nada valiam.

Veja a história do Banco Hipotecário Lehman Brothers que foi considerado o causador da bancarrota norte-americana causadora das falências encadeadas (RISCO SISTÊMICO).

8. CAPTAÇÃO DO CAPITAL ESTRANGEIRO DE CAIXA DOIS ABRIGADO EM PARAÍSO FISCAL

Diante da situação, o BC anunciou medidas para tentar conter a expansão do crédito: passou a exigir mais capital para que bancos emprestassem em 2010 e criou novas exigências para financiamentos mais longos em 2011. A reação e o início dos problemas nos próprios bancos serviram como um freio de arrumação forçado: prazos foram encurtados e voltou-se a exigir entrada para a compra do carro.

O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Mário Mendonça, estudou a evolução do mercado de crédito para veículos até 2018 e avaliou que o incentivo do governo ao consumo e crédito foram a razão dos problemas. “Esse artificialismo gerou a inadimplência porque as operações não eram sustentáveis”, avalia. “Esse aumento do endividamento acabou sendo ajustado algum tempo depois, quando a inadimplência disparou”.

Nas instituições financeiras, há reconhecimento de que houve exagero na época. Executivos do setor dizem que a régua para aprovar financiamentos “estava frouxa demais”. O resultado apareceu meses à frente, quando o setor teve de aumentar a provisão contra calotes.

Representantes do setor dizem, porém, que todos os problemas relevantes gerados nessa época já saíram dos balanços e o mercado voltou a operar normalmente.

Apesar dessa normalidade defendida pelos bancos, ainda há consumidores com carnê a pagar daquela época. Para esses clientes, problemas continuam surgindo. O último dado do BC, de setembro de 2017, indicava 251 financiamentos concedidos em 2010 e 2011 com atraso de 30 dias nos pagamentos. Esse é o primeiro passo para o calote. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

NOTA DO COSIFE:

Não é verdade que o incentivo do governo ao consumo e ao crédito fácil foram a razão dos problemas.

Entre esses problemas estaria evidentemente a INADIMPLÊNCIA, quando diz:  “Esse artificialismo gerou a inadimplência porque as operações não eram sustentáveis”.

A verdade é que os PATRÕES, obviamente, passaram a provocar o DESEMPREGO EM MASSA na tentativa de colocar o Povo contra os sindicalistas, os próprios demitidos repetiam essa convincente BALELA (FAKE NEWS).

Quando as montadoras passaram a automatizar as suas linhas de produção, demitiram os trabalhadores dizendo a eles que a culpa era dos sindicatos. A verdadeira culpa foi das máquinas que automaticamente substituíam muitos operários, tal como acontecerá quando for implantado a INDUSTRIA 4.0 propagandeada pela CNI - FIESP que têm como entusiasta Paulo Skaf que foi candidato ao governo do Estado de São Paulo e não quis ser candidato à Prefeitura da cidade de São Paulo.

Esses patrões (partidários da SEGREGAÇÃO SOCIAL do operariado) revelaram-se como ferrenhos opositores (inimigos) dos governos dos trabalhadores e, por isso, estavam buscando uma forma de impedir a continuidade do bem-estar do Povão com a eleição de um político indicado pelo torneiro mecânico sindicalista que elevou o Brasil à condição de Potência Mundial em PIB e em Reservas Monetárias, com grande influência nas Nações Unidas (ONU). Então, da mesma forma como foi feito durante o Governo FHC, foi provocado o DESEMPREGO EM MASSA novamente sob a FALÁCIA DO COMBATE À INFLAÇÃO.

Não é o consumidor quem gera a inflação e nem a inadimplência de si mesmo. A inflação é gerada pela especulação com exorbitantes aumentos de preços praticados por empresários inescrupulosos (gananciosos). Essa é a verdade atualmente reconhecida por muitos economistas brasileiros e estrangeiros.

Então, repetindo, parece lógico que as operações financeiras de longo prazo não são sustentáveis se partimos do pressuposto que os inimigos dos trabalhadores vão provocar o chamado de DESEMPREGO EM MASSA, segundo eles, para novamente COMBATER A INFLAÇÃO gerada por eles mesmos (os Patrões).

Ou seja, numa situação desse tipo, os PATRÕES seriam os bandidos, mas os seus empregados seriam considerados os culpados pelo crime por eles praticados. E, é justamente o árduo trabalho dos empregados que enriquece os PATRÕES. Quem não sabe disso?