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O MUNDO PRECISA DE UMA MOEDA FORTE COMO A DOS BRICS

O MUNDO PRECISA DE UMA MOEDA FORTE COMO A DOS BRICS

O PODER DESPÓTICO DOS BANCOS CENTRAIS

São Paulo, 15/06/2015 (Revisado em 01-03-2018)

Referências: Os Banqueiros e as Regras Inócuas do Acordo da Basileia - Comitê de Supervisão Bancária, A Vida com o Dólar Fraco - O Dólar Furado, Moedas Sociais ou Locais, Moeda Eletrônica versus Moeda Virtual, Moeda dos BRICS.

O MUNDO PRECISA DE UMA MOEDA FORTE COMO AS DOS BRICS

  1. DESTRUINDO O IMPERIALISTA PODER DO DÓLAR E DO EURO
  2. E SE OUTRO DINHEIRO FOR POSSÍVEL?
  3. O BRASIL TEM VÁRIAS MOEDAS SOCIAIS OU LOCAIS EM CIRCULAÇÃO

Veja também:

  1. A Importância das Reservas em Ouro Frente ao Dólar Fraco
  2. A Fragilidade do Dólar Como Padrão Monetário - 30/01/2010
  3. A China Está Preocupada com a Fragilidade do Dólar Como Padrão Monetário - 02/10/2010
  4. A Vida com o Dólar Fraco - 20/811/2007
  5. A Derrocada Financeira Norte-Americana - 20/09/2008
  6. Os Estados Unidos e a Conversão da sua Dívida - 28/03/2009
  7. O Dólar Furado 17/09/2009
  8. Risco América Versus Risco Brasil #1 - em 2002
  9. Risco Brasil Versus Risco USA #2 - 21/02/2003
  10. Risco Brasil Versus Risco USA #3 - 20/02/2005
  11. A Internacionalização do Capital Norte-Americano (em Paraísos Fiscais)
  12. Planos do TISA para Evitar a Total Falência dos Países Desenvolvidos - 26/08/2015
  13. A Rússia Está Quebrando o Monopólio da América - 05/02/2016

DESTRUINDO O IMPERIALISTA PODER DO DÓLAR E DO EURO

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

Embora os capitalistas, banqueiros e controladores das empresas chamadas de multinacionais ou transnacionais venham se utilizado da Blindagem Fiscal e Patrimonial de seus bens, direitos e valores em paraísos fiscais, assim destruindo moedas como dólar, iene e euro e destruindo também as economias daqueles países emitentes, tais destruidores precisam de pelo menos uma dessas moedas sem lastro para realização de suas transações internacionais. Entretanto, é possível observar que eles estão destruindo o consensual padrão monetário internacional fixado pelo FMI, que é o dólar. Pior, não existe ouro em quantidade suficiente para substituição da moeda padrão.

Então, por que os pilantras escondidos em paraísos fiscais querem destruir o dólar e outras moedas tidas como fortes?

Primeiramente é necessário deixar claro que, ao evadirem-se para paraísos fiscais, foram justamente os controladores das multinacionais os causadores da bancarrota dos países industrializados, os quais eram e indiretamente ainda são os eternos exploradores do Terceiro Mundo (o colonizado desde 1492).

Depois que ficaram claras as falências econômicas dos Estados Unidos, do Japão e dos paises do Primeiro Mundo (Europa), naturalmente houve um enorme enfraquecimento do dólar e do euro como moedas utilizadas no Comércio Exterior (internacional).

Será que os controladores das multinacionais querem criar uma Moeda Virtual, só deles?

Diante do enfraquecimento do dólar e do euro, presume-se que aqueles exímios sonegadores de tributos estejam projetando a emissão de uma Moeda Virtual (criptografada) para vigorar no mundo todo. Obviamente seria mais uma moeda sem lastro e não confiável exatamente em razão de seus emissores viverem na clandestinidade incrementada por paraísos fiscais onde grande número de empresas de fachada (fantasmas) estão registradas como offshore.

Qual seria a alternativa mais viável para o restante do mundo?

Em razão da falência enfrentada pelos antigos países industrializados, que foi chamada de Crise Mundial de 2008, talvez seja provável que os BRICS, mediante a criação de um Banco de Desenvolvimento, queiram criar uma nova moeda realmente forte (com lastro) em substituição ao dólar e ao euro (ambas sem lastro).

Evidentemente, aqueles já conhecidos brasileiros que não conseguem livrar-se de seu crônico complexo de vira-latas perguntariam:

Como nós vamos criar uma moeda forte, se eles são ricos e nós somos pobres?

Nelson Rodrigues, se ainda estivesse vivo, diria:

Esses "idiotas da objetividade" não conseguem perceber que nós estamos sustentando aqueles falsos ricos desde 1500. Nestes mais de 500 anos eles levaram tudo que puderam daqui, mesmo assim estão falidos, enquanto nós ainda temos muito para exportar. Logo, os ricos somos nós.

Por que a moeda dos BRICS teria lastro?

Não se trata somente dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Em tese, as moedas de todos os países do Terceiro Mundo teriam lastro porque há cinco séculos são os fornecedores de insumos para os países industrializados.

Assim sendo, sem essas matérias-primas do Terceiro Mundo, os países colonizadores nada ou quase nada poderiam produzir. E, esses países colonizados ainda têm muito para exportar, enquanto os industrializados pouco têm para exportar sem as referidas matérias-primas.

Todos devem saber que são as Reservas Monetárias obtidas com as exportações que dão lastro (garantia) para emissão de moeda, além do ouro e dos créditos junto a outros países.

O que gerou essa mencionada falência econômica dos países desenvolvidos?

Foi principalmente a falta de exportações e o excesso de importações. Naqueles países a falta de produção para consumo interno gerou aumento das importações. Por sua vez, a falta de matérias-primas (inclusive petróleo) para abastecimento das indústrias, os impediu de fabricar o exportável. A mão de obra com altíssimos salários e os nababescos gastos dos executivos e controladores das empresas impediram a concorrência no mercado internacional.

Ganharam o confronto os países asiáticos, os países produtores de petróleo, o Brasil e a Rússia. Os ganhos só não foram maiores porque os lucros obtidos pelas multinacionais foram tirados desses países exportadores de matérias-primas e escondidos (blindados) em paraísos fiscais.

Entretanto, existem muitos outros motivos para as referidas falências. O principal deles foi a sonegação fiscal das empresas que fugiram para paraísos fiscais. Além do não pagamento de tributos, também deixam de produzir naqueles países o que gerou imensa Dívida Externa porque o consumido pelas populações passou a ser importado.

Esse é o modelo operacional que o empresariado brasileiro, associado ao multinacional, também quer implantar no Brasil, devidamente apoiado pela nossa Elite Vira-Lata.

Como acontecem os défices internos e externos?

No segmento do Comércio Exterior e de outras relações internacionais (política econômica e monetária) os défices no Balanço de Pagamentos são gerados por saldos negativos na conta corrente de um país em relação aos demais (Balança Comercial + Balança de Serviços + Balança de Capitais). A repetição desses défices resulta num crescente aumento da Dívida Externa.

Esse mesmo problema que vem sendo enfrentado pelos países desenvolvidos a partir de 2003, era enfrentado pelo Brasil até o ano de 2002. Por isso, o nosso País vivia pedindo (esmolando) empréstimos ao FMI - Fundo Monetário Internacional. Por sua vez, para evitar uma moratória (não pagamento da dívida externa), os nossos gestores de políticas econômica e monetária, sempre mal escolhidos pelos nossos governantes, eram constantemente monitorados como a gurizada nas creches, que fica completamente submissa aos seus monitores, que neste caso seriam os representantes do FMI.

No segmento da Política Fiscal (Orçamento Nacional), os défices resultam da menor arrecadação tributária em ralação ao orçado como necessário ao investimento público, também chamado de Gasto Público. Mas, nem sempre o governante pode fazer aquilo que de fato desejaria fazer, com a concordância de seus assessores, porque os falsos representantes do Povo sempre sugerem emendas que normalmente resultam em manipulação dos eleitores.

É difícil fazer tudo certo quando num país existem tantos inimigos do Povo. Os Regimes de Austeridade implantados na Europa reservaram sacrifícios apenas para os trabalhadores. Para a parcela mais rica da população, nenhum sacrifício foi imposto. Tudo continua como antes.

Muitos cidadãos chegam a perguntar por que, sendo Brasil um país tanto rico em recursos naturais pode ter um Povo tão pobre, embora venha sustentando outros países por mais de 500 anos?

A resposta é simples. O povo brasileiro de modo quase geral (95% da população) é vítima de imenso preconceito e discriminação.

Trata-se de Segregação Social alimentada pela nossa Elite Vira-Lata que, por gerações, se mantém submissa aos caprichos dos atuais descentes dos antigos senhores feudais, dos quais os seus aristocráticos antepassados eram prestimosos serviçais em troca de "uma vida com pompa e circunstância". Isto é, viver de forma requintada com luxuosa ostentação ou viver esnobando com seus exorbitantes sinais exteriores de riqueza, ambos fornecidos pelo patrão (senhor feudal, monarca, imperador).

Sobre as formas de se viver com outro dinheiro, sem que seja a moeda circulante emitida pelos Bancos Centrais, veja os textos a seguir.

E SE OUTRO DINHEIRO FOR POSSÍVEL?

Tentativa de sufocar financeiramente a Grécia demonstra: não será possível mudar o mundo sem criar novas relações com moeda e crédito

Por George Monbiot - Tradução: Antonio Martins. Publicado em 24/02/2015 por Outras Palavras. Página visitada em 20/05/2015. Edição do texto traduzido, com a colocação de negritos e de subtítulos, anotações e comentários complementares em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

O PODER DESPÓTICO DO BANCO CENTRAL EUROPEU

Compare as exigências feitas ao governo grego [pelo despótico Banco Central Europeu] com as facilidades oferecidas aos [banqueiros inescrupulosos] que provocaram a crise financeira de 2008. Veja o que foi publicado no site do jornal The Guardian.

Os ministros da zona do euro insistem na rendição incondicional de Atenas [Grécia]: uma humilhação nacional que zomba da democracia.

Mas quando [aqueles inescrupulosos banqueiros] foram socorridos, os governos inventaram o dinheiro necessário [dinheiro virtual, sem lastro] quase sem exigir condição alguma. Pediram timidamente algumas poucas reformas [bastava que os banqueiros respeitassem o disposto no Acordo de Baleia redigido pelo Comitê de Supervisão Bancária]. Depois, os governos fingiram que não viram, quando os banqueiros novamente desrespeitaram as condições impostas para o fornecimento do dinheiro virtual necessário para salvá-los da insolvência. Esta provocaria uma corrida dos investidores para resgatar o aplicado naqueles irresponsáveis bancos.

O mesmo tipo de insolvência dos bancos privados aconteceu na Islândia. Porém, o povo exigiu a renúncia do governo que queria assumir os prejuízos gerados pelas operações especulativas dos banqueiros. Foi promulgada nova constituição com a eleição de novo governo que decretou a falência dos bancos privados que se tornaram insolventes. Veja informações complementares em A Lição Democrática da Islândia.

O governo alemão, que agora dedica-se a infernizar a vida dos países do sul da Europa, apenas arranhou seus próprios bancos. Como relatou o New York Times, embora o corrupto sistema bancário alemão “necessitasse de um resgate maior que o destinado aos bancos norte-americanos”, “houve pouco apetite para mudanças, porque o sistema bancário está imbricado demais com a política, servindo como fonte permanente de patrocínio e financiamento para projetos locais”.

Os gregos estão certos, quando reclamam que foram reduzidos a súditos coloniais [qualquer semelhança com o Brasil e os seus investidores internacionais é mera coincidência], mas os senhores [feudais] não são os governos [monárquicos] no Norte da eurozona. São os bancos privados. Os governos que parecem determinados a destruir um Estado soberano por sua ousadia especulativa são apenas intermediários do verdadeiro poder absolutista exercido pelo Grande Capital administrado a partir de Paraísos Fiscais.

Nada disso procura negar a corrupção e promiscuidade fiscal dos governos gregos anteriores. Mas enquanto os bancos escaparam, tendo praticado atos muito piores, os valentões da eurozona insistem em extrair até a última gota de sangue dos povos [trabalhadores] que não foram responsáveis pela irresponsabilidade de seus governos.

A Grécia chegou ao fim da linha – é o que se diz. Talvez existam possibilidades que não foram examinadas com atenção. Talvez existam espaços para esperança em meio à ruína.

OS BANCOS COMO SERVIÇAIS DO ESTADO E NÃO COMO SENHORES FEUDAIS

Uma ideia radical, sobre dívida e dinheiro, foi proposta há alguns meses [anteriores a 24/02/2015] por Martin Wolf, editorialista do Financial Times. Ele propunha que se retirasse dos bancos privados seu notável poder de criar dinheiro a partir do nada.

Por poderem emitir moeda escritural para concessão de crédito, os bancos privados fornecem entre 95% e 97% do dinheiro disponível nas sociedades [no mundo]. Se os Estados [países] estabelecessem Monopólio Natural ou Monopólio Estatal na criação de dinheiro, os governos poderiam ampliar a oferta sem criar dívida. A senhoriagem (diferença entre o custo de produzir dinheiro e seu valor) favoreceria o Estado, somando bilhões aos cofres públicos. Os bancos seriam reduzidos a servidores, e não mais senhores, da economia.

DINHEIRO JUSTO - O POVO ACABANDO COM O PODER DESPÓTICO DO CAPITAL

Um enfoque inteiramente distinto foi proposto por Ann Pettifor, em Just Mone - How Society Can Break the Despotic Power of Finance [Dinheiro Justo - Como as sociedades podem quebrar o poder despótico das Finanças] - um livro fascinante, ainda que mal escrito e caótico.

A autora do livro argumenta que os governos não foram capazes de entender o que é o dinheiro. Ele não deveria ser visto como uma mercadoria, mas como uma relação social baseada em confiança. Algo raro, para uma crítica radical das finanças, ela enxerga a criação de dinheiro pelos bancos privados como “um grande avanço civilizacional”, à sua época – porque libertou as nações dos usurários que antes monopolizavam e restringiam o acesso à riqueza monetária.

A oferta de dinheiro é, na verdade, ilimitada: enquanto houver atividade produtiva suficiente para absorvê-lo, não há razão óbvia alguma para restringir o volume de dinheiro que pode ser emitido. Portanto, quando os governos e os bancos centrais disserem que o dinheiro acabou, prossegue Pettifor, ou eles estarão mentindo para nós, ou para si mesmos. O que limita a atividade econômica é uma restrição desnecessária e artificial dos meios de troca.

O grande avanço civilizacional da atividade bancária foi destruído por meio de sua desregulamentação, cujo resultado foi um novo sistema de usura, especulação e exploração. Os bancos privados emprestam por elevadas taxas de juros o dinheiro que recolhem por quase nada [de juros], forçando-nos a trabalhar cada vez mais e a devastar ainda mais a natureza para honrar nossas dívidas. Pettifor sugere que os governos deveriam reassumir o controle sobre as taxas de juros em todos os níveis das operações de crédito.

CRIAÇÃO DE MOEDAS LOCAIS PARA SALVAR CIDADES FALIDAS

Mas é possível que as maiores transformações possam se dar em plano local. A Grécia já tem algumas moedas locais, que mantiveram a circulação de dinheiro em diversas cidades, já que não podem ser recolhidas (há sistemas similares em muitos países). Euros não são usados nas Feiras de algumas localidades da empobrecida Grécia.

Mas, estranhamente, ainda não se utiliza um sistema marcante e transformador que por pouco não salvou a Europa do fascismo: a moeda desenvolvida pelo economista Silvio Gesell, baseada num vale-selo. Ele é explicado em The Future of Money, um livro magnífico de Bernard Lietaer.

Em sua forma original, o vale-selo era um pedaço de papel onde estavam impressos diversos quadradinhos. A moeda perdia validade exceto se um selo, que custava 1% de seu valor, fosse fixado num dos quadradinhos, a cada mês. Em outras palavras, a moeda perdia dinheiro ao longo do tempo, de modo que não havia incentivo para acumulá-la.

Projetos de vale-selo multiplicaram-se na Alemanha e Áustria, quando as moedas nacionais entraram em colapso no início dos anos 1930. Em 1932, por exemplo, a cidade austríaca de Wörgl quase quebrou, por se tornar incapaz de financiar as obras públicas, ou de apoiar sua população empobrecida. Até que o prefeito soube da proposta de Gesell.

Ele usou os poucos fundos que restavam nos cofres públicos como garantias para os vales-selos e usou-os para pagar uma obra. Os trabalhadores faziam a moeda circular tão rapidamente quanto possível. Como mágica, este pequeno volume de dinheiro manteve-se em circulação, permitindo que Wörgl repavimentasse suas ruas, reconstruísse o sistema de abastecimento de água, construísse novas casas, uma ponte e até uma pista de esqui. Nos 13 meses que durou a experiência, as notas circularam centenas de vezes, criando entre 12 e 14 vezes mais emprego do que teria feito a moeda convencional. O desemprego acabou, e a venda de selos garantiu, sozinha, um restaurante gratuito que alimentava 220 famílias.

Os governos da Alemanha e da Áustria, profundamente ameaçados pelo sucesso destes projetos, liquidaram-nos. O emprego desabou de novo, e um pintor austríaco, tresloucado porém carismático, encontrou o caminho para o poder que buscava há muito.

Quando o grande economista norte-americano Irving Fisher examinou estes experimentos, ele concluiu que “a aplicação correta do vale-selo revolveria a crise de depressão nos Estados Unidos em três semanas". Mas o governo de Roosevelt, ciente de que tais moedas poderiam acarretar, para o governo federal, vasta perda de poder, prontamente as baniu.

Esse ato de Franklin Roosevelt (nos Estados Unidos) e de governantes europeus deixaram claro que não queriam perder o efetivo controle governamental sobre as decisões econômicas, monetárias e fiscais. Porém, os neoliberais apossaram-se dos bancos centrais, transformando-os entidades totalmente independentes das decisões nacionais. Assim, passaram a usá-los somente como defensores dos mesquinhos interesses dos Detentores do Poderio Econômico.

Tais ideias [de introdução das moedas locais ou sociais] poderiam ser úteis para a Grécia e outros países, ninguém sabe ao certo, porque obviamente anulariam o poder absolutista dos bancos centrais. Mas se o governo estabelecido em Atenas [Grécia] abandonar o euro (verdadeiro grito de independência), talvez possa abrir um mundo de possibilidades, para as quais os gestores das políticas monetárias de todos os países têm permanecido de olhos fechados. Obviamente, tais ideias descentralizadoras não interessam aos verdadeiros patrões dos gestores das políticas monetárias, que são os donos do Grande Capital.

O BRASIL TEM VÁRIAS MOEDAS SOCIAIS OU LOCAIS EM CIRCULAÇÃO

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

DINHEIRO DE PLÁSTICO, VALE-TRANSPORTE E VALE-REFEIÇÃO

No Brasil já existem há muito tempo, além do REAL, algumas moedas paralelas, com seus valores em Reais, que são usadas pelos trabalhadores: Vale-Refeição e Vale-Transporte. Outras foram surgindo como o Vale-Combustível, Vale-Pedágio, etc...

Como os banqueiros não se interessam por determinadas localidades (mais pobres ou com pequena população), muitas vezes os bancos públicos cobrem essa lacuna deixada pela iniciativa privada, que sempre corre atrás do que foi feito pelo governo e deu resultado positivo (lucro). Porém, ainda existem muitas cidades (mais de 200) e localidades (bairros e comunidades) que não são assistidas pelos bancos públicos e muito menos pelos bancos privados. Veja mais em O Estado Empreendedor e a Falta de Iniciativa Privada.

A despeito da existência do Banco Central no Brasil, aquelas cidades e localidades desprovidas de entidades financeiras, desprezadas por sua julgada insignificância, por iniciativa da Prefeitura ou de entidades comunitárias, em tese, poderiam criar uma moeda local de forma que a população dê preferência à produção local em suas compras.

MOEDAS SOCIAIS OU MOEDAS LOCAIS

Vejamos alguns exemplos de Moedas Sociais ou Moedas Locais.

No texto denominado Com Moeda Própria, Cidade de Deus Valoriza Autoestima Social, escrito por Mayara Avance e publicado por PUC-RIO DIGITAL em 25/07/2012, ela conta como a comunidade da Cidade de Deus tinha uma moeda própria. A comunidade está no bairro de Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro - RJ, onde viviam 65 mil pessoas em 2012.

Criada em setembro de 2011, a moeda local chamada de CDD era o resultado de mais de um ano de estudos feitos pela SEDES - Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico Solidário do Rio de Janeiro. O banco comunitário local pretendia ajudar os moradores a terem uma economia articulada e independente. Ainda em 2012, naquela comunidade existiam 850 estabelecimentos comerciais e 200 deles já estão inscritos para receber a CDD.

A ideia de criar no Rio de Janeiro um Banco Comunitário surgiu depois que o secretário de Desenvolvimento Econômico Solidário conheceu o Banco Palmas (Fortaleza-CE), o primeiro banco comunitário criado no Brasil. O instituto tem uma moeda própria, que circula pelo Conjunto Palmeira, um bairro popular com 32 mil moradores. Segundo o site oficial, entre os anos de 2007 e 2009, o Instituto Palmas emprestou um volume equivalente a R$ 4.126.712,79 e 2.500 famílias foram beneficiadas. Além disso, 2.000 empregos foram gerados.

Segundo a reportagem de Mayara Avance, em julho de 2012 no Brasil existiam 63 bancos comunitários.

OUTROS EXEMPLOS DE MOEDAS COMUNITÁRIAS