início > textos Ano XXII - 30 de outubro de 2020


QR - Mobile Link
A RÚSSIA ESTÁ QUEBRANDO O MONOPÓLIO DA AMÉRICA SOBRE O PREÇO DO PETRÓLEO

A RÚSSIA ESTÁ QUEBRANDO O MONOPÓLIO DA AMÉRICA SOBRE O PREÇO DO PETRÓLEO

O CARTEL BANCÁRIO QUE OPERA O MERCADO PETROLÍFERO

São Paulo, 05/02/2016 (Revisada em 23-03-2019)

Referências:

  1. BREVE HISTÓRICO DA HEGEMONIA NORTE-AMERICANA

    1. EXPLICAÇÕES PRELIMINARES
    2. UM RESUMO DA HISTÓRICA ECONÔMICA MUNDIAL
    3. A FÁCIL RIQUEZA OBTIDA NO HEMISFÉRIO SUL
    4. O QUE FEZ A ELITE VIRA-LATA BRASILEIRA
    5. A ASCENDÊNCIA DOS STATES COMO POTÊNCIA IMPERIALISTA
    6. A PRIVATIZAÇÃO DAS NEGOCIAÇÕES DIRETAS ENTRE PAÍSES
    7. OS ESTADOS UNIDOS COMO EMISSOR DO MEIO CIRCULANTE MUNDIAL
    8. EEUU: IMPORTAÇÕES MAIORES QUE AS EXPORTAÇÕES
    9. GRANDE GOLPE CONTRA AS ECONOMIAS DO MUNDO INTEIRO
    10. OS PAÍSES EXPORTADORES ACUMULANDO OS PETRODÓLARES
    11. O AUMENTO DO PREÇO DO OUIRO NO MERCADO INTERNACIONAL
    12. A IMPORTANTE PRODUÇÃO DE ARMAS DE GUERRA
    13. O INCENTIVO À INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL NACIONAL
  2. A RÚSSIA ESTÁ QUEBRANDO O MONOPÓLIO DA AMÉRICA SOBRE O PREÇO DO PETRÓLEO
    1. INTRODUÇÃO
    2. A OPINIÃO PROFERIDA NO PROGRAMA CANAL LIVRE DA BAND TV
    3. A MANIPULAÇÃO DAS COTAÇÕES NAS BOLSAS DE VALORES
    4. O MODELO OPERACIONAL ADOTADO PELOS ESPECULADORES
    5. O QUE PODE ACONTECER COM O DESAPARECIMENTO DOS PETRODÓLARES
    6. A PERDA DAS RESERVAS MONETÁRIAS EM DÓLARES
    7. AS GUERRAS FINANCIADAS COM DÓLARES ACUMULADOS PELOS PAÍSES CREDORES
    8. A RAZÃO DOS INVESTIMENTOS EM TÍTULOS DO GOVERNO NORTE-AMERICANO
    9. O QUE ACONTECEU DEPOIS DA EXTINÇÃO DO PADRÃO-OURO PARA O DÓLAR
    10. O PROBLEMA DE DAR CRÉDITO A QUEM NÃO TEM COMO PAGAR A DÍVIDA ASSUMIDA
    11. A LIÇÃO DEMOCRÁTICA DO GOVERNO DA HUNGRIA
    12. O MONTANTE DE UMA DÍVIDA IMPAGÁVEL
    13. A MANIPULAÇÃO DO PREÇO DO PETRÓLEO PELOS ESPECULADORES DE WALL STREET
    14. A IMPORTÂNCIA DA REFERÊNCIA RUSSA
    15. A EUROPA DEPENDENDO DO RUSSOS
    16. ACABAR COM A HEGEMONIA DO DÓLAR PODE SER BOM PARA OS EEUU
  3. O CARTEL BANCÁRIO QUE OPERA O MERCADO PETROLÍFERO

Veja também:

  1. As Operações no Shadow Banking System = Sistema Bancário Fantasma - 15/04/2004
  2. A Vida Com o Dólar Fraco - 20/11/2007
  3. O Dólar Furado - 17/09/2009
  4. A Fragilidade do Dólar Como Padrão Monetário - 30/01/2010
  5. A Importância das Reservas Em Ouro Frente o Dólar Fraco - 06/02/2013
  6. O Dólar, As Crises Inflacionárias e os Planos Econômicos Brasileiros - 22/02/2013

Coletânea, negritos, explicações complementares, comentários e anotações em letras azuis por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

1. BREVE HISTÓRICO DA HEGEMONIA NORTE-AMERICANA

  1. EXPLICAÇÕES PRELIMINARES
  2. UM RESUMO DA HISTÓRICA ECONÔMICA MUNDIAL
  3. A FÁCIL RIQUEZA OBTIDA NO HEMISFÉRIO SUL
  4. O QUE FEZ A ELITE VIRA-LATA BRASILEIRA
  5. A ASCENDÊNCIA DOS STATES COMO POTÊNCIA IMPERIALISTA
  6. A PRIVATIZAÇÃO DAS NEGOCIAÇÕES DIRETAS ENTRE PAÍSES
  7. OS ESTADOS UNIDOS COMO EMISSOR DO MEIO CIRCULANTE MUNDIAL
  8. EEUU: IMPORTAÇÕES MAIORES QUE AS EXPORTAÇÕES
  9. GRANDE GOLPE CONTRA AS ECONOMIAS DO MUNDO INTEIRO
  10. OS PAÍSES EXPORTADORES ACUMULANDO OS PETRODÓLARES
  11. O AUMENTO DO PREÇO DO OUIRO NO MERCADO INTERNACIONAL
  12. A IMPORTANTE PRODUÇÃO DE ARMAS DE GUERRA
  13. O INCENTIVO À INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL NACIONAL

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

1.1. EXPLICAÇÕES PRELIMINARES

Antes da leitura do texto em questão, torna-se importante destacar como o país denominado Estados Unidos da América (EEUU) conseguiu essa hegemonia global que foi abalada na década de 1970 pelos chamados de "petrodólares" acumulados pelos países membros da OPEP - Organização do Países Produtores de Petróleo.

As razões dessas explicações residem no fato de que muitos dos usuários do COSIFE são estudantes recentemente saídos do curso médio e muitos deles não deram a devida importância aos fatos históricos a seguir brevemente narrados.

De outro lado, muitos historiadores e professores eximem-se de mostrar aos seus discípulos os fatos que contrariam os interesses dos detentores do poderio econômico, para que não sejam profissionalmente perseguidos em seus locais de trabalho.

A tal ESCOLA SEM PARTIDO seria uma forma de censura aos professores que se manifestem de forma diferente da exigida pelos detentores do poderio econômico que se revelam como anti-comunistas e anti-socialistas.

1.2. UM RESUMO DA HISTÓRICA ECONÔMICA MUNDIAL

Antecedendo-se ao século XV, quando aconteceu o descobrimento da América, podemos perceber na pertinente literatura que os países tidos como desenvolvidos estão no Hemisfério Norte e os primeiros destes foram os europeus (Portugal e Espanha).

Historicamente, desde a antiguidade, os povos europeus atacavam seus vizinhos mais próximos e depois até os mais longínquos para conseguir escravos e os produtos necessários a sua sobrevivência.

Em vez de produzir, porque pouco tinham, preferiam fabricar armas para roubar de quem tinha o necessário à sobrevivência. Os belicamente mais fortes eram os vencedores.

Assim, formou-se o Império Romano, semelhante aos impérios que Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler queriam construir. A Inglaterra conseguiu seu intento mediante o neocolonialismo (colonialismo econômico).

Obviamente, esse tipo de hegemonia colonialista e escravocrata não poderia durar eternamente, porque o consumível na Europa tornou-se raro.

Então, por intermédio das colônias criadas no Hemisfério Sul, a partir de 1492, prolonga-se até os dias de hoje o citado colonialismo econômico.

Mediante o neocolonialismo a Inglaterra dominou o mundo mediante a sua revolução industrial dois séculos depois de iniciados os descobrimentos marítimos porque portugueses e espanhóis apegaram-se à gastança, comprando da Inglaterra e de outros países quase tudo que produziam.

Assim, Portugal e Espanha deixaram de fazer as suas próprias revoluções industriais. Preferiram contribuir para que essas revoluções fossem feitas na Inglaterra e na França.

1.3. A FÁCIL RIQUEZA OBTIDA NO HEMISFÉRIO SUL

Vendo a riqueza fácil conseguida pelos espanhóis e portugueses em suas colônias, outros países aventuram-se pelos mares a procura dessas mesmas riquezas naturais ainda existentes em grande quantidade somente no Hemisfério Sul, mesmo depois de 500 anos de iniciado o colonialismo do chamado de Terceiro Mundo (o colonizado).

Assim, o Brasil e os países da África situados na costa do Oceano Atlântico abaixo da linha do Equador, passaram a sustentar toda a Europa.

Por isso, foi escrito que já se passaram mais de 500 anos de colonialismo e neocolonialismo. Depois da Segunda Guerra mundial outros países adotaram o mesmo sistema neocolonialista, principalmente os EEUU.

1.4. O QUE FEZ A ELITE VIRA-LATA BRASILEIRA

É importante salientar também que, depois do nosso Grito de Independência de Portugal, os antigos súditos da monarquia portuguesa (dissidentes) entregaram o Brasil ao colonialismo econômico inglês. Este durou até a Segunda Guerra mundial finda em 1945.

Tal como está acontecendo neste século XXI com os EEUU, depois da Segunda Guerra mundial os ingleses deixaram nossa infraestrutura em bagaços, razão pela qual tornou-se necessária a estatização das empresas antes pertencentes a inglesas e a seus associados. A estatização foi feita em razão de também ter sido adotada nos Estados Unidos por Franklin Roosevelt depois da Crise de 1929 provocada pela baderna institucional disseminada pela iniciativa privada.

Veja em O Capitalismo Bandido dos Barões Ladrões.

1.5. A ASCENDÊNCIA DOS STATES COMO POTÊNCIA IMPERIALISTA

Foi justamente na Segunda Mundial que os EEUU, governado por Franklin Roosevelt em quatro mandatos consecutivos, transformou-se em grande potência bélica, porque desde a Crise de 1929, aquele país estava falido. Logo, precisava encontrar meios de assumir a função que vinha desempenhando a falida Inglaterra até pouco depois da eclosão da Segunda Guerra.

1.6. A PRIVATIZAÇÃO DAS NEGOCIAÇÕES DIRETAS ENTRE PAÍSES

Terminada a guerra, para extinção do sistema de trocas de mercadorias entre os países, foi criado o FMI - Fundo Monetário Internacional e os EEUU, por ter o maior poderio bélico, ficou incumbido da emissão do papel moeda que seria utilizado em todas as transações internacionais. Assim, começou a chamada de Globalização dos Mercados que se intensificou a partir da década de 1970 com o surgimento e com a proliferação dos Paraísos Fiscais.

Foi um Golpe de Mestre em defesa dos pilantras (especuladores) estabelecidos em Wall Street, causadores da Crise de 1929.

1.7. OS ESTADOS UNIDOS COMO EMISSOR DO MEIO CIRCULANTE MUNDIAL

Com a elevação dos EEUU como Banco Central Mundial, emissor de papel moeda vigente nas transações internacionais, a Bolsa de Nova Iorque readquiriu a importância vivida até a falência do mercado de capitais norte-americano ocorrida em 1929.

Assim ficou fácil para aquele país que tinha e ainda tem como seu principal produto industrializado a fabricação de armas de guerra. Porém, não pode exportar essas armas para que os demais países não se tornem também belicamente fortes. A Bomba Atômica era e ainda é o seu maior trunfo. Por isso, tenta impedir que outros países a tenham.

Mas, para continuar demonstrando seu poderio bélico, era preciso fazer guerras. Entretanto, os norte-americanos passaram a ter como principais adversários os fornecedores de armas para seus ditos inimigos (comunistas ou terroristas).

Rússia e China passaram a ser os fornecedores de armas aos países atacados pelos Estados Unidos: Coreia, Vietnam, Iraque X Irã, Afeganistão, entre outros. Os EEUU ainda apoiaram a implantação de muitas ditaduras pelo mundo afora, inclusive a brasileira iniciada em 1964.

1.8. EEUU: IMPORTAÇÕES MAIORES QUE AS EXPORTAÇÕES

Como não tinha e ainda não têm o que exportar, salvo milho e soja, entre outros produtos de significância inferior, só restou aos EEUU a emissão de papel moeda (dólar), que pode ser encarado com um título da dívida externa sem data de vencimento e sem o pagamento de juros. São muito espertos os ianques.

Transformaram-se nos Senhores Feudais do mundo inteiro, excetuando, obviamente, Rússia e China.

A falta de exportações maiores que as importações e a sonegação fiscal das empresas norte-americanas principalmente a partir da década de 1980, fez com que o país símbolo do capitalismo bandido dos barões ladrões acumulasse défices em seu Balanços de Pagamentos (relações com o exterior) e déficits no seu Orçamento Nacional por falta de arrecadação tributária e excesso de despesas com o poderio bélico.

Por tais motivos, o dólar sempre foi emitido sem lastro porque as Reservas Monetárias em moedas estrangeiras sempre foram muito baixas em razão do montante das importações norte-americanas sempre serem superiores às suas exportações.

1.9. GRANDE GOLPE CONTRA AS ECONOMIAS DO MUNDO INTEIRO

Então, ludibriando a teoria econômica básica de que é preciso exportar para que se possa importar, aquele país símbolo do capitalismo anárquico (selvagem), para que pudesse importar, era obrigado a emitir os dólares que na gráfica estatal tinha o preço médio entre US$ 0,01 e US$ 0,03 (três centavos de dólar) por dólar emitido.

Desse jeito, gastando no máximo US$ 0,03 em seu próprio território por dólar emitido, o EEUU podia e ainda pode importar produtos no valor de US$ 1,00 (um dólar).

Também é importante lembrar que pelo menos 80% dos dólares que circulam pelo mundo afora estão na qualidade de moeda escritural ou "moeda virtual" que fisicamente não existe.

1.10. OS PAÍSES EXPORTADORES ACUMULANDO OS PETRODÓLARES

Embora chamados de "petrodólares" os conseguidos pelos países árabes membros da OPEP, as reservas monetárias obtidas por aqueles países exportadores de petróleo não tinha lastro em outras reservas monetárias, nem em produtos exportáveis pelos STATES.

Como o principal produto importado pelos norte-americanos era e ainda é o Petróleo, os países produtores desse "ouro negro" passaram a acumular os tais "petrodólares".

1.11. O AUMENTO DO PREÇO DO OUIRO NO MERCADO INTERNACIONAL

A partir da década de 1960 os países associados à OPEP - Organização dos Países Produtores de Petróleo, sob o comando da Arábia Saudita, passaram a resgatar seus dólares trocando-os por ouro.

Como os EEUU não tinham a quantidade de ouro necessária ao resgate dos dólares emitidos, foram obrigados a extinguir o padrão-ouro para o dólar, na década de 1970, assim demonstrando que de fato o dólar é ou sempre foi emitido sem lastro em qualquer tipo de reserva internacional.

Com a extinção do padrão ouro para o dólar, o preço da Onça Troy subiu de aproximadamente US$ 32,00 para mais de US$ 800,00 na década de 1970. Em 05/02/2016 a onça troy para venda pelo banqueiro era de US$ 1.158,23. Em 22/03/2019 estava em aproximadamente US$ 1.130,00.

1.12. A IMPORTANTE PRODUÇÃO DE ARMAS DE GUERRA

Os EEUU quase nada têm para exportar, porque não querem exportar armas de guerra, assim incentivando a produção por outros países como Rússia, China, Israel e países europeus.

O Brasil também foi se tornando importante fornecedor de armas até que foram efetuadas as privatizações das nossas estatais. Então, os adquirentes estrangeiros encerraram as atividades das empresas de material bélico, assim como também fizeram com as ferrovias e a indústria naval e de marinha mercante.

1.13. O INCENTIVO À INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL NACIONAL

Diante da fraqueza da moeda norte-americana e da libra inglesa, a partir dos governos de Ronald Reagan (EEUU) e de Margaret Thatcher (Inglaterra) foi implantado um sistema chamado de neoliberal que resultou na fuga das grandes empresas para Paraísos Fiscais. Isto resultou na enorme sonegação fiscal largamente praticada pelas chamadas de multinacionais e transnacionais.

Aproveitando-se da imunidade fiscal fornecida pelas chamadas de "Ilhas do Inconfessável", nesses redutos em que são escondidos os bens, direitos e valores dos sonegadores de tributos, formaram-se Cartéis com tentáculos em todos os países, razão pela qual as empresas ali sediadas são chamadas de multinacionais ou transnacionais.

2. A RÚSSIA ESTÁ QUEBRANDO O MONOPÓLIO DA AMÉRICA SOBRE O PREÇO DO PETRÓLEO

  1. INTRODUÇÃO
  2. A OPINIÃO PROFERIDA NO PROGRAMA CANAL LIVRE DA BAND TV
  3. A MANIPULAÇÃO DAS COTAÇÕES NAS BOLSAS DE VALORES

  4. O MODELO OPERACIONAL ADOTADO PELOS ESPECULADORES

  5. O QUE PODE ACONTECER COM O DESAPARECIMENTO DOS PETRODÓLARES
  6. A PERDA DAS RESERVAS MONETÁRIAS EM DÓLARES
  7. AS GUERRAS FINANCIADAS COM DÓLARES ACUMULADOS PELOS PAÍSES CREDORES
  8. A RAZÃO DOS INVESTIMENTOS EM TÍTULOS DO GOVERNO NORTE-AMERICANO
  9. O QUE ACONTECEU DEPOIS DA EXTINÇÃO DO PADRÃO-OURO PARA O DÓLAR
  10. O PROBLEMA DE DAR CRÉDITO A QUEM NÃO TEM COMO PAGAR A DÍVIDA ASSUMIDA
  11. A LIÇÃO DEMOCRÁTICA DO GOVERNO DA HUNGRIA
  12. O MONTANTE DE UMA DÍVIDA IMPAGÁVEL
  13. A MANIPULAÇÃO DO PREÇO DO PETRÓLEO PELOS ESPECULADORES DE WALL STREET
  14. A IMPORTÂNCIA DA REFERÊNCIA RUSSA
  15. A EUROPA DEPENDENDO DO RUSSOS
  16. ACABAR COM A HEGEMONIA DO DÓLAR PODE SER BOM PARA OS EEUU

Autor: F. William Engdahl | Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com | Fonte: New Eastern Outlook, publicado em 20/01/2016. Aqui com explicações complementares por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

O fim do “petrodólar” vai significar um fim simultâneo da capacidade dos EUA de impor a hegemonia global.

2.1. INTRODUÇÃO

Diante desses fatos, a Rússia resolveu acabar essa farra norte-americana de comprar o que bem quiser, dando em troca aquele papelzinho borrado com tinta verde e carimbado com tinta preta, sem nenhum valor, porque não tem lastro que garanta o seu pagamento ou resgate em bens e direitos ou outros tipos de valores mobiliários ou imobiliários.

Vejamos o que continuou escrevendo o autor do texto em questão:

A Rússia tomou medidas significativas que iam quebrar o atual monopólio do preço do petróleo de Wall Street , pelo menos por uma grande parte do mercado mundial de petróleo. O movimento era parte de uma estratégia de longo prazo de dissociar a economia da Rússia e, especialmente, sua exportação muito significativa de petróleo, do dólar norte-americano, que era o calcanhar de Aquiles da economia russa.

Em novembro de 2016, o Ministério da Energia russo anunciou que começaria a negociação-teste de um novo referencial para o petróleo russo. Embora isso pudesse soar como café pequeno para muitos, era enorme. Se for bem sucedido, e não há nenhuma razão para que não seja, o contrato futuro de referência do petróleo bruto da Rússia negociado nas bolsas russas será o preço do petróleo em rublos, e não mais em dólares americanos.

É parte de um movimento de "desdolarização" que a Rússia, a China e um número crescente de outros países têm calmamente começado.

2.2. A OPINIÃO PROFERIDA NO PROGRAMA CANAL LIVRE DA BAND TV

O economista Delfim Neto em uma de suas entrevistas concedidas ao programa Canal Livre da Band TV, mencionou que de nada adiantam as negociações diretas entre países porque os preços de referência dos produtos trocados continuam sendo em dólares.

Porém, em parte discordando do dito por Delfim Neto, poderíamos acrescentar que o Banco dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e South Africa) tinha como finalidade a criação de uma nova moeda, assim como os europeus criaram o Euro.

Entretanto, mesmo que não seja criada essa nova moeda padrão pelos BRICS, os créditos e débitos entre os países podem ser registrados no Balanço de Pagamentos em outras moedas.

Como exemplo poderíamos dizem que nas empresas estabelecidas no Brasil, embora tudo seja contabilizado em Reais, podem estar contabilizados no Ativo contratos firmados em moedas diferentes e no Passivo também. Para transformação desses contratos numa moeda única existem as operações conhecidas como SWAP.

Assim, a conversão para o dólar, que seria o padrão aceito pela ONU e pelo FMI, pode ser feita no final de cada ano tal como são feitas nas subsidiárias e controladas das empresas multinacionais. Nelas, as demonstrações contábeis em moeda de cada país é convertida numa moeda padrão, de conformidade com o explicado nas NBC - Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC-TG-02), convergidas às Normas Internacionais baixada pelo IASB - Comitê das Normas Internacionais de Contabilidade.

2.3. A MANIPULAÇÃO DAS COTAÇÕES NAS BOLSAS DE VALORES

Voltando ao atual método de fixação do preço do petróleo, o autor do texto menciona:

A fixação de um preço de referência do petróleo está no centro do método utilizado pelos grandes bancos de Wall Street para controlar os preços mundiais do petróleo. O petróleo é [a mais importante] das commodities [mercadorias negociadas no] mundo em [montante] de dólares.

O preço do petróleo bruto da Rússia é referenciado para o que é chamado o preço do Brent.

O problema é que o campo de Brent, juntamente com outros importantes campos de petróleo do Mar do Norte estão em grande declínio, [significando] que Wall Street pode usar uma referência de fuga para alavancar o controle sobre volumes de petróleo muito maiores.

O outro problema é que o contrato Brent [no mercado futuro] é controlado essencialmente por Wall Street e os [contratos derivados (ou derivativos) são controlados por] bancos manipuladores [de cotações nas bolsas de valores] como os Goldman Sachs, Morgan Stanley, JP MorganChase e Citibank.

2.4. O MODELO OPERACIONAL ADOTADO PELOS ESPECULADORES

Esses mencionados especuladores normalmente não querem de fato comprar ou vender petróleo.

Apenas, fazem apostas no Cassino Global (que são as bolsas de valores), tal como fazem os jogadores numa mesa de pôquer, numa disputa entre amigos.

Os demais jogadores (ou torcedores), que apenas assistem aquele jogo cheio de blefes, apostam em quem vai ganhar ou perder.

Torna-se importante salientar que no Brasil a manipulação de cotações nas bolsas de valores é considerada como crime contra investidores, segundo a Lei 7.913/1989.

2.5. O QUE PODE ACONTECER COM O DESAPARECIMENTO DOS PETRODÓLARES

A venda de petróleo denominada em dólares é essencial para o apoio do dólar norte-americano [manutenção do dólar como padrão internacional].

Por sua vez, mantendo a demanda por dólares pelos bancos centrais do mundo para suas reservas de moeda para apoiar o comércio exterior de países como a China, o Japão ou a Alemanha, é essencial para que o dólar dos Estados Unidos permaneça como a principal moeda de reserva mundial.

Essa posição de principal moeda de reserva do mundo é um dos dois pilares da hegemonia norte-americana desde o fim da II Guerra Mundial. O segundo pilar é a supremacia militar no mundo.

2.6. A PERDA DAS RESERVAS MONETÁRIAS EM DÓLARES

Torna-se importante salientar, ainda, que essa perda da hegemonia do dólar significaria a total perda do valor liberatório do dólar. Assim acontecendo, a moeda norte-americana, usando-se o jargão dos profissionais do mercado de capitais, "viraria pó".

Isto significa que o dólar deixaria de valer alguma coisa (nada valeria), tal como aconteceu com os títulos comprados na Bolsa de Valores de Nova Iorque, que viraram pó, gerando a Crise de 1929.

Isto demonstra que o mundo inteiro em várias ocasiões foi vítima de elevados danos causados pelos EEUU.

Com a perda do poder aquisitivo do dólar, os países mais prejudicados seriam todos aquele que detêm elevadas reservas monetárias em dólares.

Quais são esses países?

Segundo os colaboradores do Wikipédia, em 2015 eram os maiores detentores de reservas em dólares:

China (4.200 bilhões), Japão (1.260 bilhões), Arábia Saudita (740 bilhões), Suíça (516 bilhões), Taiwan (418 bilhões), Rússia (374 bilhões), Coreia do Sul (363 bilhões), Brasil (356 bilhões), Singapura (340 bilhões), Hong Kong (328 bilhões), Índia (319 bilhões), México (196 bilhões), Argélia (192 bilhões), Alemanha (182 bilhões).

Observe que a Alemanha (na 14ª posição) é o primeiro país da Zona do Euro nessa lista. A Suíça não aderiu à Zona do Euro. E nessa lista não está os EEUU (na 19ª posição), atrás ainda de: Tailândia, França, Turquia e Itália. Na 20ª posição está a Malásia e na 21ª posição está o Reino Unido (Inglaterra + Escócia + Irlanda + Gales = somados).

Observe que nessa lista, excetuando Japão, Suíça, Rússia, Alemanha, França, Itália e Reino Unido, todos os demais, incluindo a China e o Brasil, são indiretamente explorados pelos EEUU e pelos seus principais aliados.

2.7. AS GUERRAS FINANCIADAS COM DÓLARES ACUMULADOS PELOS PAÍSES CREDORES

[Todas as guerras promovidas pelos EEUU foram financiadas por todos os países do mundo], porque todas as outras nações precisam adquirir dólares para comprar [pagar] as [suas] importações de petróleo e a maioria das outras commodities [as mercadorias negociadas nas bolsas de valores e demais produtos importados].

[Países] como a Rússia ou a China tipicamente investem [suas reservas monetárias em] títulos do governo dos EUA ou [em] títulos similares do governo dos EUA. [Essas reservas monetárias são obtidas em razão do] superávit [em] dólares do comércio [exterior. Os superávits são resultados positivos] que as empresas [de um país geram quando as exportações são em montante maior que as as importações].

2.8. A RAZÃO DOS INVESTIMENTOS EM TÍTULOS DO GOVERNO NORTE-AMERICANO

Por que os países detentores de reservas monetárias em dólares investem em títulos norte-americanos?

Porque investindo os dólares das reservas monetárias em títulos, passa a existir uma taxa de juros, mesmo que seja pequena, e passa a existir uma data de vencimento da obrigação de resgatar da dívida.

O dólar norte-americano só seria resgatável se os EEUU tivessem produtos exportáveis suficientes para o pagamento do elevadíssimo montante da sua dívida externa representada por títulos público (mais de US$ 18 trilhões), moeda papel (meio circulante) e moeda escritural que, somados, podem chegar a mais de 50 trilhões de dólares.

Trata-se de uma dívida impagável em menos de um século, se adotadas as providências descritas no final desta página.

Atualmente, a outra moeda candidata a enfrentar o dólar seria o Euro. Porém, depois da crise grega de 2010, adicionada à falência econômica de quase todos os 23 países da Zona do Euro, o investimento naquela moeda é visto como mais arriscado.

Na verdade, investir no Euro é tão arriscado como investir em dólar, porque os EEUU e os países da Zona o Euro pouco ou quase nada têm para exportar em pagamento de suas importações.

Justamente por esse motivo, os países que são os principais detentores de reservas monetárias em dólares, principalmente os BRICS, querem fazer operações (bilaterais) com outros países (exportando produtos industrializados para os países do Hemisfério Sul) como forma de garantir suprimentos de matérias-primas para suas indústrias.

A verdade é que, diante dos fatos relatados nesta página, muitos países não mais estão dispostos a exportar em dólares.

2.9. O QUE ACONTECEU DEPOIS DA EXTINÇÃO DO PADRÃO-OURO PARA O DÓLAR

Esse papel de reserva principal do dólar norte-americano, desde agosto de 1971, quando o dólar rompeu com o lastro em ouro, [tem obrigado o] Governo dos EUA [a enfrentar] déficits orçamentários "aparentemente" intermináveis [por falta de arrecadação tributária, visto que todas as suas antigas empresas foram transferidas para Paraísos Fiscais].

[De outro lado, os EEUU, com os seus perpétuos défices nos Balanços de Pagamentos, com importações maiores que as exportações, não precisa] se preocupar com o aumento das taxas de juros, à medida em que tem um crédito a descoberto permanente no seu banco [central, mediante a emissão de papel moeda sem lastro].

[Essa possibilidade de emissão de papel moeda sem lastro ou de títulos da dívida pública sem o efetivo resgate - Bônus Perpétuos -] na verdade tem permitido a Washington [sede do governo norte-americano] a criar uma dívida federal recorde de $18,6 trilhões sem grande preocupação.

2.10. O PROBLEMA DE DAR CRÉDITO A QUEM NÃO TEM COMO PAGAR A DÍVIDA ASSUMIDA

Como foi citado em letras azuis no início desta página, os EEUU podem infinitamente emitir moeda papel sem qualquer lastro. A emissão desses dólares na qualidade de Título da Dívida Interna e na qualidade de Título da Dívida Externa é efetuada exatamente para que não sejam pagos juros e em razão da inexistência de uma data de vencimento para resgate das dívidas.

Isto significa que os EEUU é o principal país a não obedecer as regras impostas pelo FMI, as quais estabelecem que países só podem emitir papel moeda (meio circulante) lastreada em Reservas Monetárias.

2.11. A LIÇÃO DEMOCRÁTICA DO GOVERNO DA HUNGRIA

A Hungria, por exemplo, já declarou que não mais vai obedecer essas regras impostas pelo FMI, visto que os EEUU não a cumprem, o que também poderá fazer a Rússia e muitos outros países se as transações internacionais voltarem ao sistema de trocas entre países, como acontecia antes da criação do FMI.

2.12. O MONTANTE DE UMA DÍVIDA IMPAGÁVEL

[Com dados de 2015], a dívida [interna e externa com a emissão de títulos] do governo dos EUA em relação ao PIB é de 111%.

Em 2010 a dívida brasileira estava perto de 20% do PIB, mais o Brasil possuía reservas monetárias em montante superior à Dívida Bruta.

Logo, Dívida Líquida = (Dívida Bruta - Reservas Monetárias).

Se a Dívida Bruta for menor que o montante de Reservas Monetárias, não existe Dívida Líquida.

Em 2001, quando George W. Bush tomou posse, e antes, trilhões [de dólares sem lastro] foram gastos no Afeganistão e no Iraque na sua “Guerra ao Terror”. [Assim], a dívida dos EUA em relação ao PIB era de apenas metade, ou 55%.

A expressão ‘glib’ [dissimulado] em Washington [significa] que a “dívida não importa”, [pois os norte-americanos acreditam] que o mundo (principalmente Rússia, China, Japão, Índia, Alemanha) vai sempre comprar [títulos da] dívida dos EUA com seus dólares do superávit comercial [Comércio Exterior].

Isto significa que os EEUU não se preocupam com a gastança porque efetivamente nunca vão pagar sua dívida e porque verdadeiramente pouco ou nada têm para exportar em grande quantidade.

Logo, os dólares emitidos são Bônus Perpétuos sem data de vencimento (como de fato são) e sem juros a pagar.

2.13. A MANIPULAÇÃO DO PREÇO DO PETRÓLEO PELOS ESPECULADORES DE WALL STREET

A capacidade de manter [a emissão de] reserva [monetária na forma] de papel moeda é uma prioridade estratégica para [o governo norte-americano e para os especuladores de] Wall Street. [Assim, a emissão do dólar (sem lastro) na qualidade de título da dívida externa, sem juros e sem vencimento], está de modo vital ligada à forma como os preços mundiais do petróleo são determinados.

No período até o final de 1980 os preços do petróleo do mundo foram determinados em grande parte pela oferta e procura real diária. [A Bolsa de Nova Iorque era o reduto] dos compradores e vendedores de petróleo.

Em seguida, Goldman Sachs decidiu comprar [uma] pequena corretora de commodities de Wall Street, J. Aron, [ainda na] década de 1980. [Estavam] com os seus olhos fixos em mudar a forma como o petróleo era negociado nos mercados mundiais.

[A criação] do “óleo de papel”, petróleo negociado em contratos futuros [contratos para entrega futura] e contratos independentes de entrega do petróleo bruto físico, [cujos preços eram] mais fácil de manipular [pelos] grandes bancos [especuladores] com base em rumores e em desonestos [manipulados] mercados de derivativos [veja em Agências de Rating Novamente Acusadas de Manipulação], [transformou o] comércio de petróleo em um cassino [com apostas e blefes como num jogo de pôquer] onde Goldman Sachs, Morgan Stanley, JP MorganChase e alguns outros bancos gigantes de Wall Street [transformaram a diversas formas de atuação na Bolsa em mesas de jogos] de azar [para os demais participantes desse mercado]. De acordo com um punhado de bancos de Wall Street, o Mercado de Futuros de Petróleo foi dominado por conhecedor de quem havia acumulado posições [compradas ou vendidas].

NOTA DO COSIFE:

Assim, esse conhecedor de segredos, chamado de "insider trading", assumia o papel de relevante detentor de informações privilegiadas que raramente são levadas a conhecimento público. Isto permitia a maximização de seus lucros.

No Brasil, tal prática é considerada crime contra investidores pela Lei 7.913/1989.

Por causa [desse tipo de manipulação das cotações], em 1973, o preço do petróleo da OPEP [aumentou em] cerca de 400% em questão de meses, [a partir de] outubro [daquele ano. Foi apontada como causa] a guerra do Yom Kippur de 1973. [Na época], o Tesouro dos Estados Unidos enviou um emissário de alto nível para Riyadh, Arábia Saudita, [cujo sultão, tal como também fez em 2015/2016, tinha o poder de controlar (determinar) qual seria o preço do petróleo].

Em 1975, o secretário-assistente do Tesouro dos EUA, Jack F. Bennett, foi enviado para a Arábia Saudita para garantir um acordo com a monarquia saudita e que todo o petróleo na OPEP só seria negociado em dólares americanos, não em Yen japonês ou em marcos alemães ou qualquer outra moeda.

Bennett, em seguida, passou a ter um alto cargo na Exxon. A partir desse [acordo firmado com os norte-americanos], em troca, os sauditas tiveram grandes garantias [de soberania] e equipamentos militares.

Apesar dos grandes esforços dos países importadores de petróleo, [para acabar com a hegemonia norte-americana, o mencionado acordo entre EEUU e Arábia Saudita] garantiu que petróleo fosse até os dias de hoje vendido em dólares nos mercados mundiais, [sendo o seu] preço definido por Wall Street por meio do controle dos derivativos [negociados no Mercado de Futuros das Bolsas], tais como Intercontinental Exchange ou ICE, em Londres, a troca de mercadorias NYMEX em Nova York, ou o Dubai Mercantile Exchange, que define o ponto de referência para os preços do petróleo árabe. Todas essas Bolsas são de propriedade de um grupo muito unido de bancos de Wall Street – Goldman Sachs, JP MorganChase, Citigroup e outros.

Na época o secretário de Estado Henry Kissinger teria afirmado: “Se você controlar o petróleo, você controla nações inteiras”. O petróleo tem sido o cerne do sistema do dólar desde 1945.

2.14. A IMPORTÂNCIA DA REFERÊNCIA RUSSA

[Em janeiro de 2016], os preços para as exportações do petróleo russo são definidos de acordo com o preço [de mercado] do Brent negociado em Londres e Nova York.

NOTA DO COSIFE:

Devido à drástica mudança de referência monetária, lançada pelos Russos, para negociação dos novos contratos de venda do petróleo bruto em rublos, e não em dólares, provavelmente os referidos contratos serão negociados somente na St. Petersburg International Mercantile Exchange (SPIMEX).

O contrato de referência Brent é usado ​​atualmente para o preço não só do petróleo bruto da Rússia. Ele é usado também para definir o preço de mais de dois terços de todo o petróleo comercializado internacionalmente.

O problema é que a produção do Mar do Norte da mistura de Brent [Brent Crude, Brent doce leve, Oseberg e Forties] está em declínio, a ponto de hoje apenas 1 milhão de barris de produção Brent mistura define o preço para 67% de todo o petróleo negociado internacionalmente.

O contrato em rublo russo poderia ser um grande golpe na demanda por dólares do petróleo, uma vez que for aceito.

A Rússia é o maior produtor de petróleo do mundo, por isso a criação de um ponto de referência do petróleo russo independente do dólar é significativo, para dizer o mínimo.

Em 2013, a Rússia produziu 10,5 milhões de barris por dia, um pouco mais do que a Arábia Saudita. O gás natural é usado principalmente na Rússia. 75% de seu petróleo pode ser exportado.

2.15. A EUROPA DEPENDENDO DO RUSSOS

A Europa é de longe o principal cliente do petróleo da Rússia, as compras chegam a 3,5 milhões de barris por dia, ou 80% do total das exportações de petróleo russo. The Blend Urais, uma mistura de variedades de petróleo russo, é o principal tipo de óleo exportado da Rússia. Os principais clientes europeus são a Alemanha, os Países Baixos e a Polônia.

Para implantação da mudança de referência da Rússia (em perspectiva), os outros grandes fornecedores de petróleo bruto para a Europa – a Arábia Saudita (890 mil bpd), a Nigéria (810 mil bpd), o Cazaquistão (580 mil bpd) e a Líbia (560 mil bpd) – estão muito aquém da Rússia.a diminuir rapidamente. A produção de petróleo da Europa caiu logo abaixo de 3 milhões de bpd em 2013, na sequência de quedas constantes na produção do Mar do Norte que é a base do índice de referência Brent.

2.16. ACABAR COM A HEGEMONIA DO DÓLAR PODE SER BOM PARA OS EEUU

A decisão russa de fixar o preço em rublos para as suas exportações de petróleo para os mercados mundiais, especialmente para a Europa Ocidental, e cada vez mais para a China e a Ásia através do oleoduto ESPO e outras rotas, pode tornar-se num novo marco de negociação no St. Petersburg International Mercantile Exchange. Isto não significa ser uma única providência para diminuir a dependência dos países em relação ao dólar para o petróleo.

Em algum momento no início de 2017, a China, o segundo maior importador de petróleo do mundo, planeja lançar seu próprio contrato de referência do petróleo. Tal como o russo, o referencial da China será denominado não em dólares, mas em Yuan chinês. As negociações ocorrerão no Shanghai International Energy Exchange.

Paulatinamente, a Rússia, a China e outras economias emergentes estão a engendrar medidas para diminuir a sua dependência em relação ao dólar norte-americano, que chamaram dedesdolarização”. O petróleo é a maior commodity negociada do mundo e é quase inteiramente cotado em dólares.

Colocando-se um fim nessa hegemonia do dólar, a capacidade do complexo industrial militar dos EUA para declarar guerras sem fim estaria em apuros [estaria significativamente diminuída ou prejudicada].

Talvez isso abra algumas portas para ideias mais pacíficas, como a de gastar o dinheiro do contribuinte norte-americano em coisas mais úteis como na reconstrução da horrenda deterioração da infraestrutura da economia básica dos EUA.

A Sociedade Americana de Engenheiros Civis em 2013 estimou em US$ 3,6 trilhões o investimento necessário à infraestrutura básica dos Estados Unidos ao longo dos próximos cinco anos.

]E a nossa elite vira-lata ainda diz que o Brasil vai mal, se comparado com os países desenvolvidos.]

Os engenheiros norte-americanos relataram que um em cada nove pontes nos Estados Unidos, mais de 70 mil em todo o país, são deficientes. Quase um terço das principais estradas nos EUA estão em mau estado de conservação. Apenas 2 dos 14 grandes portos na costa leste serão capazes de acomodar os navios de carga super-dimensionados que em breve vão chegar através do Canal do Panamá recentemente expandido. Existem mais de 14 mil milhas [20 mil km] de trens de alta velocidade que operam em todo o mundo, mas nenhum nos Estados Unidos.

Esse tipo de despesa com a infraestrutura básica seria uma fonte muito mais economicamente benéfica para postos de trabalho reais e receita tributária real para os Estados Unidos do que mais intermináveis ​​guerras idealizadas por John McCain.

O investimento em infraestrutura, ..., tem um efeito multiplicador na criação de novos mercados. A infraestrutura cria eficiências econômicas e receitas fiscais de aproximadamente 11 para 1 para cada um dólar investido à medida que a economia se torna mais eficiente.

Um declínio dramático da importância do dólar como moeda de reserva mundial, se combinado com uma redefinição interna ao estilo do feito na Rússia, no sentido de reconstruir a economia doméstica dos Estados Unidos, em vez de terceirizar tudo, poderia ir de forma decisiva para reequilibrar um mundo enlouquecido com a guerra.

Paradoxalmente, a "desdolarização", tiraria do Governo Ianque a capacidade de financiar as eventuais guerras futuras pelo investimento estrangeiro em títulos dívida externa emitidos pelo Tesouro dos EUA.

[Obviamente, os financiadores das guerras indiretamente seriam os países detentores de elevadas reservas monetárias em dólares como] chineses, russos, entre outros. [A falta desses investimentos estrangeiros], poderia ser uma valiosa contribuição para a paz mundial genuína.

Pergunta-se: Isso não seria bom para uma mudança?

Claro que seria bom não somente para os ianques com também para todas as Nações detentoras de reservas monetárias em dólares.

Com a perda da hegemonia dos dólares sem lastro, os próximos governantes norte-americanos seriam obrigados a substituir a simples emissão de dólares não resgatáveis pela retomada da produção para consumo interno e para exportação.

Assim, com a reservas monetárias em moedas de outros países, poderiam recuperar os dólares sem lastro emitidos durante 70 anos e também recuperar a sua extremamente deteriorada condição de país sério.

3. O CARTEL BANCÁRIO QUE OPERA O MERCADO PETROLÍFERO

Autor: Valentin Katasonov - Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com - Fonte: Strategic Culture - Publicado em 25/01/2016. Com explicações complementares e anotações em letras azuis por Américo G parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

O início do novo ano [de 2016] foi acompanhado por uma queda recorde nos índices e nos preços dos mercados financeiros e das commodities. O mercado do petróleo também estabeleceu novos recordes [de baixa, provocados pela Arábia Saudita].

Entre Julho de 2014 e o fim de 2015 o preço deste recurso energético caiu 70%. Parecia que havia atingido o fundo do poço, mas na semana [anterior a 25/01/2016] os preços do petróleo caíram mais de 10% – a pior descida de um ano novo na história registrada. Cada vez mais os negociadores inclinam-se a pensar que os preços podiam cair abaixo dos 30 dólares por barril.

De acordo com o índice Bloomberg World Oil & Gas, na primeira semana de 2016 as 60 maiores companhias de petróleo do mundo perderam cerca de US$ 100 bilhões [de seu valor de negociação] devido à queda de preços [de suas ações nas Bolsas de Valores].

NOTA DO COSIFE:

Antes da descoberta das reservas petrolíferas do Pré-Sal no Brasil, o mundo acreditava que as reservas de petróleo conhecidas secariam até 2020. Acompanhando as nossas descobertas, os ianques fizeram estudos para aproveitamento do xisto betuminoso nos Estados Unidos e no Canadá. Veja em Xisto Betuminoso e Gás do Xisto.

Mas, a nossa elite vira-lata, oposicionista aos governantes brasileiros desde 2003, queria convencer o Povo brasileiro de que somente a Petrobrás perdeu o seus valor de negociação.

Ao contrário das demais empresas petrolíferas do mundo inteiro, somente a Petrobrás descobriu novas e expressivas reservas petrolíferas, tornando-se a maior detentora de jazidas em todo o mundo.

Desse modo, verdadeiramente o preço de negociação da Petrobras aumentou, sendo agora cobiçada pelos principais países importadores de petróleo: Estados Unidos e China, não somente em razão das jazidas que detém como também em razão da elevada tecnologia desenvolvida para exploração de petróleo em águas profundas.

[Em razão desses fatos narrados pelo Coordenador deste COSIFE], uma discussão animada sobre as causas da queda de preços sem precedentes do ouro negro já iniciou faz tempo. Cada vez menos pessoas ainda acreditam que tal declínio é resultado de mudanças “naturais” no mercado.

NOTA DO COSIFE:

Ou seja, quase todos os estudiosos afirmam que de fato existem fortes indícios de que houve manipulação das cotações, evidentemente praticada pelo criminoso cartel já citado no texto acima.

Muitas vezes as atuações da Arábia Saudita são mencionadas como uma razão para o mergulho dos preços no mercado global. É verdade que aquele país tem promovido unilateralmente (sem o acordo de outros membros da OPEP) a sua produção de petróleo e começou a despejar grandes quantidades dele numa tentativa de dominar o mercado mundial do petróleo.

Isto poderia representar uma descida de apenas alguns dólares por barril nos preços globais, mas o fato é que o declínio total agora é cerca de US$ 100 (medido desde o seu pico em 2008). E se os cálculos forem baseados no preço médio de 2014, o qual era de quase US$ 100 (para o Brent), isso resulta num barateamento de quase US$ 70 por barril até o princípio de 2016. Seria preciso um esforço concertado de todos os grandes países produtores do mundo para sacudir tanto assim o mercado.

Hoje dificilmente se encontra um especialista sério que considere a OPEP – a organização conhecida como o cartel do petróleo – um fator significativo. Naturalmente há suspeitas de que o mercado petrolífero está sendo manipulado. A acumulação de estoques é um método tradicional de manipular qualquer mercado.

Montanhas de ouro negro, etiquetadas como reservas estratégicas, estão sendo acumuladas por muitos países, especialmente os Estados Unidos. Liquidar um estoque acumulado pode forçar as descidas de preços. E os EUA venderam parte das suas reservas antes, mas o efeito destas vendas tem vida muito curta e os impactos nos preços apenas em uns poucos dólares por barril.

Nos últimos dias de 2015 os meios de comunicação publicaram uma série de reportagens culpando o cartel bancário pelas flutuações dramáticas do mercado petrolífero. Uma das primeira foi um artigo do consultor financeiro americano Michael McDonald, afirmando que não é a OPEP que pilota o mercado do ouro negro mas sim que este é controlado pelo cartel bancário, o qual utiliza como ferramenta empréstimos relativos a energia, feitos a companhias na indústria petrolífera e em outros setores energéticos.

Segundo McDonald, o montante total dos empréstimos pendentes ao setor energético dos EUA (a indústria do petróleo e do gás) é de US$ 4 milhões de milhões (US$ 4 trilhões). E bancos norte-americanos atualmente possuem apenas cerca de 45% de todos os empréstimos dos EUA a companhias de energia, enquanto outros 30% são de bancos estrangeiros e 25% de entidades não bancárias como hedge funds (fundos de [proteção de] riscos [ou fundos de proteção de flutuações expressivas das cotações]).

A primeira conclusão de McDonald parece razoável: é verdade que a OPEP não tem controlado o mercado petrolífero faz muito tempo. E é mesmo razoável dizer que os bancos ao operar como cartel começaram a pilotar o mercado. Mas a sua terceira conclusão – sua afirmação de que empréstimos energéticos estão sendo utilizados como ferramenta para dirigir o mercado – é questionável.

O próprio McDonald cita dados que lançam dúvidas acerca da sua conclusão. O autor declara que empréstimos ao setor energético constitui apenas em 3% do total do mercado de empréstimos nos EUA. Isso não é suficiente para induzir mudanças importantes no mercado do petróleo e dos outros recursos energéticos.

Obviamente os bancos de Wall Street não vêem a indústria da energia como sua máxima prioridade quando estabelecem suas políticas de empréstimos. Hipoteticamente, empréstimos bancários poderiam ser um meio para dar sequência a uma política estrutural de longo prazo.

Alguns especialistas sugerem precisamente isso, afirmando que a queda nos preços do petróleo é “real e a longo prazo”. Mas tais opiniões têm de ser apoiadas com estatísticas que mostrem investimento no desenvolvimento das energias alternativas que estão a substituir o petróleo tradicional, mas não há tal evidência. Os bancos, pelo menos em anos recentes, não aumentaram perceptivelmente seus empréstimos para projetos de energia verde.

Isto sugere que a queda nos preços do petróleo resulta da manipulação do preço. Empréstimos bancários não podem ser utilizados como instrumento de tal manipulação. Empréstimos naturalmente têm um impacto sobre os preços, mas o efeito de um empréstimo não pode ser visto senão depois de vários anos. Contudo, os preços reagem à manipulação de imediato, ou dentro de algumas semanas no máximo.

McDonald afirma que no ano de 2015 os bancos cortaram seu financiamento à indústria petrolífera e provavelmente continuarão a fazê-lo em 2016. Mas alguém poderia esperar que isso terá o efeito oposto, resultando em preços mais altos para o petróleo, uma vez que as restrições de crédito reduzirão a oferta de petróleo.

Os manipuladores do mercado petrolífero são os grandes bancos. Eles fazem isto através da utilização de contratos futuros de petróleo e de outros derivativos ligados ao petróleo. Isto parece contra-intuitivo, mas preços diários (para transações spot) são estabelecidos pelos preços para entregas futuras (num prazo de um ano, por exemplo).

E os preços futuros são o resultado do que se chama “expectativas”. A “expectativas”, por sua vez, são criadas pelas agências de classificação, a comunidade de especialistas, e a mídia de massa. Tudo isto está sob o controle dos grandes bancos. Os bancos simplesmente encomendam (place an order) as expectativas “necessárias”.

Desde o fim da década de 1970 tem crescido um mercado robusto para o “petróleo de papel”, isto é, um mercado para contratos futuros que não culminam num despacho físico de petróleo. Isto é um jogo de azar para especuladores, o qual provoca um sofrimento para qualquer um que esteja no negócio de produzir, refinar ou utilizar petróleo ou produtos petrolíferos na economia real.

Atualmente o número de transações no mercado para “petróleo de papel” é dez vezes maior do que no mercado de petróleo físico. O volume de trading [transações ou negociações] para contratos futuros de petróleo nas duas maiores bolsas – o NYMEX de Nova York e o ICE de Londres – já é 10 vezes mais alto do que o consumo anual global de petróleo. [Portanto, trata-se de mera jogatina especulativa].

Todos os mercados derivativos são controlados por bancos, principalmente bancos de Wall Street, bem como por alguns grandes bancos na City de Londres e na Europa continental. O mercado para o “petróleo de papel” não é exceção. Segundo algumas estimativas, 95% do mercado global para derivativos de petróleo é controlado por bancos dos Estados Unidos.

Os maiores negociantes em derivativos de petróleo são o Goldman Sachs, o J.P. Morgan Chase e outros gigantes banqueiros que utilizam mercados futuros de petróleo, acima de tudo, para lucrar com flutuações nos preços do óleo e em segundo lugar para assegurar seu próprio papel como intermediários financeiros.

Além disso, os clientes do cartel incluem tanto atores no mercado de petróleo físico – companhias de petróleo, refinarias, linhas aéreas, etc – como atores financeiros tais como hedge funds (fundos [para proteção] de risco).

A fim de aumentar o impacto comercial do seu monopólio do mercado do “petróleo de papel”, muitos gigantes bancários também comerciam no petróleo físico (é óbvio que estes bancos têm uma vantagem sobre atores do chamado mercado livre quando se trata de arranjar preços para o ouro negro).

Em 2003, o US Federal Reserve decidiu permitir aos bancos que atuassem como comerciantes de commodities e o J.P. Morgan, Morgan Stanley, Barclays, Goldman Sachs, Citigroup e um certo número de outros grandes bancos saltaram com muita ansiedade para a comercialização do petróleo físico.

A crise financeira de 2007-2009 foi disparada em grande medida pelo fato de que emergiram mercados derivativos nos quais gigantes bancários [estadunidenses] podiam crescer de modo selvagem e estavam fora do controle dos reguladores financeiros. O US Federal Reserve, a US Securities and Exchange Commission, o Departamento da Justiça e reguladores financeiros europeus tentaram trazer algum sentido de ordem aos mercados derivativos.

Em 2010, os EUA aprovaram o Dodd-Frank Act, o qual esboçava um plano para regulações mais apertadas no mercado financeiro, mas aquela lei é apenas um enquadramento. Sua aplicação prática exigiria uma grande quantidade de leis muito mais específicas e instrumentos regulamentares.

Durante vários anos os EUA têm investigado as atividades dos bancos de Wall Street e dos maiores bancos europeus antes e durante a crise de 2007-2009. Em particular foram identificados laços que ligavam transações bancárias nos mercados futuros de petróleo às suas transações envolvendo petróleo físico.

Em 2013, foi lançada uma investigação sobre as ações de Goldman Sachs, Morgan Stanley e J.P. Morgan para manipular preços de commodities (inclusive petróleo) e em 2014 foram executadas acusações válidas contra esses bancos.

Por enquanto a maior parte dos grandes bancos permanece nos mercados de derivativos financeiros. Isto inclui o mercado de futuros de petróleo. Portanto, devemos estar preparados para que o “mercado” do petróleo continue a desempenhar toda espécie de façanhas de circo.

Concluindo, deveria ser notado que os bancos que estão manipulando os preços do petróleo estão realmente operando como um cartel. Contudo, este não é um cartel especializado, com atividade limitada a um único produto do mercado. Este é um cartel global, ostentando o título oficial do “US Federal Reserve System“.

Com acesso a uma impressora para fabricar dinheiro de curso legal global (dólares), os bancos regionais do Federal Reserve efetivamente controlam tudo no mercado financeiro e no mercado da maior parte do mercado de commodities.