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A DIFÍCIL VOLTA PARA O FUTURO

A DIFÍCIL VOLTA PARA O FUTURO

COMBATE AO DESEMPREGO E À CRIMINALIDADE

São Paulo, 19/06/2012 (Revisado em 20/07/2012)

Referências: A Geração Perdida, A Crise do Desemprego Estrutural e Conjuntural, Cancelamento das ações preferenciais e ordinárias adquiridas por pequenos investidores - Instrução CVM 056/1986, Lei 8.200/1991 - Correção Monetária Especial, Crescimento da Economia Informal e da Criminalidade, Contrabando, Pirataria, Tráfico de Drogas, Sonegação Fiscal, Lavagem de Dinheiro, Caixa Dois, Décadas Perdidas de 1980 e 1990, Déficits Orçamentários e Déficits no Balanço de Pagamentos,  Importações de supérfluos maiores que as Exportações, Crise Econômica provocada pela falência econômica dos Estados Unidos e dos países da Europa, Problemas enfrentados no Governo FHC, Terceirização dos Serviços de Segurança, Administração de Condomínios.

Por Américo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19750

A DIFÍCIL VOLTA PARA O FUTURO

Este texto baseia-se em outro publicado neste site em meados do ano de 2001, intitulado A Difícil Volta. Mas, este apresenta informações complementares e a comparação do antigamente acontecido no Brasil com o que atualmente vem acontecendo na Europa. Ou seja, O Brasil de antigamente enfrentava os mesmos problemas enfrentados pela Europa de hoje: A Incapacidade Administrativa de seus Governantes e de suas respectivas equipes econômicas que sempre agem em benefício dos mesquinhos interesses dos detentores do poderio econômico, sempre em detrimento da classe trabalhadora.

REFORMA TRABALHISTA PARA IMPLANTAÇÃO DA SEMIESCRAVIDÃO

Ainda estamos vivendo sob os efeitos de um passado sombrio, imposto pelas elites oligárquicas brasileiras, que são as camadas sociais relativamente pequenas espalhadas pelo território brasileiro que, unidas como uma máfia ou cartel, desfrutam dos privilégios concedidos por seus respectivos poderios econômicos. São as camadas sociais precursoras do feudalismo e do coronelismo, totalmente favoráveis à uma reforma trabalhista, com a exclusão ou extinção dos direitos sociais dos trabalhadores, que permita a livre exploração de todos os menos favorecidos em regime de semiescravidão.

Veja os textos publicados no COSIFE sobre o Trabalho Escravo.

O ALTO ÍNDICE DE CRIMINALIDADE

Foi fácil chegarmos ao estágio de criminalidade que existia no Brasil no ano de 2001. O difícil agora [em 2012] é sair desse crítico estágio em que ainda vivemos.

EMPRESAS DE SEGURANÇA PRIVADA

Em razão do elevado índice de criminalidade, a partir do início do Século XXI aconteceu a proliferação das empresas de segurança privada, principalmente nas cidades de veraneio e nos bairros mais ricos das grandes cidades. Os muros cresceram até determinada altura que da rua é impossível apreciar a monumental arquitetura de mansões, desenhadas por importantes profissionais da arquitetura. Foram instaladas cercas elétricas e câmeras que permitem a vigilância eletrônica exatamente com o intuito de não gerar empregos para os menos favorecidos.

TERCEIRIZAÇÃO DOS SERVIÇOS

Os novos empreendimentos imobiliários passaram a ser na forma de condomínios fechados, cujos idealizadores prometiam a máxima segurança agora devassada pelos bandidos que recebem informações de comparsas infiltrados em empresas prestadoras de serviços terceirizados.

EMPREGADOS DOMÉSTICOS

Os empregados domésticos e dos condomínios, em razão dos baixos salários recebidos das empresas terceirizadas, são obrigados a morar em favelas o que facilita a ação dos bandidos (autônomos) e também de organizações criminosas.

Esses são os problemas gerados pela segregação social imposta pela elite oligárquica e escravocrata brasileira.

A FORÇA OPOSICIONISTA DA OLIGARQUIA ESCRAVOCRATA

Apesar dos esforços governamentais despendidos para reduzir o desemprego e aumentar o salário médio dos trabalhadores, no final de 2011 ainda existia forte oposição política às medidas governamentais para melhoria da distribuição da renda nacional. Muitas pessoas são contrárias, por exemplo, ao pagamento do chamado Bolsa Família. Dizem que "em vez de dar o peixe, o governo deveria ensinar o povo a pescar", como diz o velho e preconceituoso ditado.

Na tentativa de denegrir a imagem dos governantes chamados de populistas, como Getúlio Vargas, João Goulart e Lula, os contrários à existência digna do povão sempre praticam uma ferrenha oposição política a esse tipo de governante. Esses opositores indiscutivelmente queriam e ainda querem a perpetuação da segregação social dos moradores das periferias ou dos subúrbios.

REDUÇÃO DOS SALÁRIOS DOS TRABALHADORES

Nesse ponto, o leitor mais jovem, ainda cursando uma universidade, perguntaria:

- O que fizeram os nossos governantes do passado para que chegássemos a esse elevado índice de criminalidade?

Primeiramente reduziram os salários dos trabalhadores de forma artificial, porque a legislação trabalhista brasileira não permitia e ainda não permite a redução sem que o empregado seja demitido e devidamente indenizado, o qual não pode ser novamente contratado com salário menor. Então, o elevado índice de desemprego eleva a oferta de mão de obra, com a consequente redução dos salários daquele e dos demais trabalhadores.

- Como foi feita essa redução artificial dos salários?

Inicialmente a redução artificial dos salários foi provocada pela inflação imposta pelos gestores de nossa política econômica, também de forma artificial. Isto acontecia mediante a subavaliação dos índices inflacionários oficiais que eram divulgados bem abaixo da inflação real para que não fossem corrigidos em sua plenitude os salários, o FGTS - Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e os valores depositados pelo povão na caderneta de poupança.

A diferença entre a inflação real e a oficializada pelo governo era tão grande que os investimentos efetuados em ações de companhias abertas passaram a valer quase nada em 1986. Viraram pó, segundo o jargão dos profissionais do mercado de capitais.

A CRISE DO DESEMPREGO ESTRUTURAL E CONJUNTURAL

Os avanços tecnológicos ocorridos nas áreas da eletrônica e das telecomunicações fizeram com que a informática e a robótica se tornassem as grandes causadoras do desemprego de grande parte da mão de obra pouco qualificada.

Assim, significativa parcela de trabalhadores não mais conseguiu emprego porque, acomodados em suas respectivas funções, deixaram de atualizar ou de melhorar os seus conhecimentos por intermédio do estudo de nível técnico ou científico. Esses trabalhadores avessos ao estudo foram os mais prejudicados nessa fase de automação dos escritórios, das lavouras, da comercialização da produção e principalmente da produção industrial.

OS INCENTIVOS FISCAIS CONCEDIDOS PARA OS MAIS RICOS EMPRESÁRIOS

Como exemplo podemos citar os incentivos fiscais oferecidos ao empresariado nordestino. Como o sistema idealizado no Governo JK engatinhava, pois nada nada foi feito no Governo Jânio Quadros nem nos anos do parlamentarismo imposto pelos militares (de 1961 a 1963), João Goulart, empossado como presidente da república depois de um plebiscito que extinguiu o sistema parlamentarista, atribuiu ao economista Celso Furtado a implantação do citado incentivo à geração de empregos na região nordeste. A intensão do sistema de incentivos fiscais era especialmente a de gerar emprego para a grande massa de trabalhadores pouco qualificados do nordeste brasileiro. Porém, o empresariado nordestino passou a investir as verbas recebidas do governo federal principalmente na automação das novas indústrias criadas. Desse modo, não foram criados os empregos que o governo central de fato queria criar. Pelo contrário, para que as máquinas começassem a produzir, foram contratados trabalhadores residentes nas capitais e outros, mais especializados, foram buscados principalmente na região sudeste.

Veja explicações complementares no texto denominado O Fim do Emprego que também remete o leitor para o texto A Crise do Desemprego Estrutural e Conjuntural.

SUBAVALIAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO DAS EMPRESAS

Voltando às perdas causadas pela também artificial desvalorização das ações de companhias abertas que "viraram pó" (perderam seu valor de negociação), é preciso mostrar como tudo aconteceu.

O Patrimônio Líquido das empresas, cujos bens contabilizados no Ativo Permanente não eram reavaliados pelo seu preço de mercado ou pelo seu Valor Justo, ficou tão insignificante que o valor patrimonial das pertinentes ações preferenciais e ordinárias era praticamente nulo.

Como isto aconteceu?

MUDANÇAS NO PADRÃO MONETÁRIO

Em pouco espaço de tempo o padrão monetário brasileiro (papel moeda em circulação) foi substituído três vezes. E, em cada uma dessas substituições eram cortados três zeros do antigo padrão monetário (meio circulante). Por exemplo, um dólar era cotado a 8 mil cruzeiros, mas com o corte de três zeros da nossa antiga moeda, o dólar passou a custar apenas 8 cruzeiros novos.

Dessa forma, nas pessoas jurídicas um Ativo Permanente adquirido por um bilhão, depois de cortados 9 zeros, passou a estar contabilizado por apenas uma unidade monetária (um cruzeiro novo, por exemplo).

Como a reavaliação de bens gerava uma variação monetária positiva (receita tributável = lucro inflacionário), nenhum empresário queria que os bens de sua empresa fossem reavaliados.

Por sua vez, o índice de inflação oficial para o mesmo período em que foram cortados os 9 zeros, era 4 ou 5 casas numéricas menor. Assim, os valores do Ativo Permanente e do Patrimônio Líquido das empresas tornaram-se irrisórios.

Veja informações complementares no texto em que foi explicado o acontecido com os investidores que compraram ações negociadas nas Bolsas de Valores em razão da expedição da Instrução CVM 056/1986 (O Maior dos Crimes Contra os Pequenos Investidores). Esse normativo, expedido pela Comissão de Valores Mobiliários - CVM, determinou o cancelamento de ações dos pequenos investidores porque elas ficaram com valores irrisórios em razão da não reavaliação dos bens do Ativo Permanente das empresas de capital aberto.

A MANIPULAÇÃO DOS ÍNDICES RECONHECIDA EM LEI

Alguns defensores da política econômica outrora praticada dizem que não houve a tal manipulação para menor dos índices inflacionários. Pelo contrário, muitos diziam que a correção monetária era a principal alimentadora da inflação.

Numa palestra proferida no IBMEC, em São Paulo, com a ativa participação da plateia, um dos ouvintes fez o mencionado comentário. A ele foi explicado que a correção monetária das Demonstrações Contábeis não podia ser alimentadora da inflação porque era contabilizada nas empresas somente depois do fato consumado, isto é, depois da inflação de fato ocorrida. Logo, o problema existente naquele época era criado pelos próprios gestores da nossa política econômica, que tinham o hábito de publicar previsões com os prováveis índices da inflação futura. Com tal informação, o empresariado automaticamente aumentava os preços de venda ao consumidor pelo dobro dos índices previstos e publicados pelos "economistas de plantão".

Porém, encerrando essa discussão, a Lei 8.200/1991 admitiu que os índices inflacionários foram de fato manipulados para baixo. Por isso, permitiu a realização de uma correção monetária especial das Demonstrações Contábeis com a utilização do índice considerado real, o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Dessa forma, somente o empresariado foi "agraciado" com um novo sistema de correção monetária, retroativo a 1938. O pagamento do imposto de renda sobre o lucro inflacionário gerado podia ser postergando a até a realização do bem reavaliado por depreciação ou venda.

Entretanto, as ações compradas pelos pequenos investidores já estavam canceladas pelo mencionado normativo da CVM. Logo, os acionistas controladores das empresas foram os principais beneficiados pela absorção da parte do patrimônio empresarial que pertencia àqueles pequenos investidores prejudicados.

Esse novo sistema de correção monetária das Demonstrações Contábeis deixou de vigorar a partir de 1996. Mas, a reavaliação de bens pelo valor justo continuou sendo possível efetuar.

A ARTIFICIAL QUEDA DO PODER AQUISITIVO DOS SALÁRIOS

Com aquela artificial redução dos salários, que eram corrigidos por índices inferiores aos da inflação real, os "economistas de plantão" (como os críticos os denominavam) foram obrigados a congelar os aluguéis e as prestações pagas pelos mutuários do SFH - Sistema Financeiro da Habitação. Sem esse congelamento, os baixos salários não seriam suficientes para saldar os compromissos firmados pelos trabalhadores e, assim, haveria uma grande onda de despejos por falta de pagamento (inadimplência).

Foi o que também aconteceu nos Estados Unidos até a deflagração da Crise Mundial de 2008. Os trabalhadores ficaram inadimplentes e, consequentemente, o sistema de financiamento hipotecário quebrou, levando de roldão todo o mercado de capitais sediado em Wall Street.

Em razão de tal quebradeira, os pequenos investidores, os principais prejudicados, fundaram o movimento "Occupy Wall Street", que reivindica uma severa intervenção governamental no capitalismo anárquico, meramente especulativo, que é praticado no principal centro financeiro mundial, que se concentra na famosa rua da cidade de Nova Iorque.

Primeira conclusão: no Brasil, tal medida econômica que reduziu salários e que ocasionou o congelamento dos alugueis e das prestações, quebrou o SFH - Sistema Financeiro da Habitação. Também levou à insolvência todas as companhias de crédito imobiliário (entidades captadoras de recursos financeiros por intermédio de cadernetas de poupança). Sobrou apenas a Caixa Econômica Federal que absorveu todos os prejuízos causados pelos gestores de nossa política econômica. Até as Caixas Econômicas estaduais faliram, porque grande parte dos Estados da Federação também estavam na bancarrota. Em razão disto, o Tesouro Nacional foi obrigado a efetuar uma Securitização de Créditos. Então, efetuou o pagamento de títulos emitidos pelos Estados e Municípios e emitiu títulos federais para conseguir os recursos financeiros necessários para tal securitização.

Esses fatos se desenrolaram desde a implantação do regime militar iniciado em 1964 até o impedimento de Collor de Melo acontecido em 1992 (foi destituído do seu cargo de presidente da República).  A securitização de créditos pelo Tesouro Nacional aconteceu de 1991 a 1999.

A POLÍTICA ECONÔMICA DURANTE O GOVERNO FHC

A segunda fase dos problemas econômicos brasileiros começou com FHC quando ainda era ministro de Itamar Franco (Vice-Presidente da República durante a gestão Collor de Melo). A maior parte das securitizações de créditos pelo Tesouro Nacional aconteceu depois da destituição de Collor de Melo.

Nesta fase, a política social, trabalhista e salarial foi um pouco diferente das anteriormente praticadas porque não mais existia a inflação. Sobretudo, o governo privilegiou o desemprego, com a indireta redução dos salários por excesso de oferta da mão de obra desempregada. Foi a época das perdas dos direitos trabalhistas conquistados durante mais de um século, desde a abolição da escravatura. Foi o grande avanço para o passado e quem era contrário a esse retrocesso era considerado reacionário, tal como também diziam os apoiadores do Regime Militar iniciado em 1964.

Em consequência do desemprego, aconteceu a alta margem de inadimplência. Novamente os Bancos quebram, tal como vem acontecendo nos Estados Unidos e na Europa desde a Crise Mundial de 2008 provocada pela bancarrota ianque.

Então, para salvação dos banqueiros falidos, no Governo FHC foram criados o PROER e PROES, por intermédio dos quais ("programas") foram destinados recursos financeiros governamentais para saneamento dos bancos privados e públicos estaduais que estavam falidos. Depois dos bancos saneados (socialização dos prejuízos, assumidos pelo povo), a parte aproveitável dos bancos falidos foi privatizada (privatização dos lucros).

A LIÇÃO DEMOCRÁTICA ISLANDESA

Modelo inverso ao brasileiro foi adotado pelo governo socialista islandês a partir de 2009. Veja as explicações pormenorizadas no texto A Lição Democrática da Islândia.

Por sua vez, o Rei da Espanha, em junho de 2012, queria cometer o mesmo erro cometido pelo Governo FHC, o da Socialização dos Prejuízos dos banqueiros.

O povo islandês, mediante uma revolução política sem armas (sem guerra civil), por meio de um plebiscito resolveu pela privatização dos prejuízos. Assim, a competente autoridade islandesa decretou a falência de todos os bancos privados daquele país e os entregou aos credores internacionais, que assumiram um prejuízo superior a US$ 60 bilhões de dólares.

Na Espanha o prejuízo que será impingido ao povo é dez vezes maior ao dos banqueiros islandeses.

Observe que todos os banqueiros falidos continuaram a viver com toda aquela mordomia de antes, de forma nababesca em suas respectivas mansões, que foram adquiridas por alguns de seus amigos, digo, testas de ferro (laranjas). Todos continuam muito bem alimentados com o dinheiro vindo de paraísos fiscais.

O AUMENTO DA ECONOMIA INFORMAL

Voltando aos problemas econômicos brasileiros de outrora, podemos observar a grande diferença entre a reação dos trabalhadores durante o governo FHC e o acontecido durante os governos anteriores. A partir da década perdida de 1990, o  nosso povo buscou suas próprias formas de sobrevivência, ao contrário do que ocorreu na Argentina (2001/2002), quando o povo de forma acomodada e extremamente passiva ficou esperando por uma solução governamental para o caos econômico e social existente.

O que fizeram os brasileiros desempregados?

Simplesmente migraram para o trabalho autônomo e informal, sem direitos trabalhistas e sem contribuições à previdência social.

Segunda conclusão: em razão da diminuição das contribuições previdenciárias, aumentou o déficit da previdência oficial, porque o atendimento à população, embora de baixa qualidade (por meros preconceito e segregação social), continuou a ser prestado de forma insatisfatória. De outro lado, agravando o problema, a arrecadação tributária diminuiu em razão do desemprego e da ausência de produção pela iniciativa privada.

Mas, se fosse somente isso, o caos não seria tão grande.

O problema complementar era o da inexistência de vagas como perueiro ou camelô para todos os desempregados. Estes eram os dois nichos mais procurados pelos trabalhadores informais.

Para piorar a situação, os governantes de extrema-direita em diversas cidades brasileiras passaram a perseguir os perueiros e os camelôs porque a atividade destes  prejudicava os lucros do empresariado do comércio e do transporte de passageiros.

A IMPLANTAÇÃO DE UM REGIME DE SEMIESCRAVIDÃO

De nada adiantou a constituição de cooperativas de trabalho porque não havia atividade econômica (empresarial) para contratação dos serviços prestados pelos que aderiram ao cooperativismo, mesmo sem que o contratante fosse desobrigado do pagamento de dereitos trabalhistas e previdenciários (Diretos Sociais previstos como obrigatórios na Constituição Federal de 1988).

Veja informações complementares no texto Cooperativas: Uma Maneira "Legal" de Burlar o Sistema. Essa foi uma das formas engendradas pelos consultores em planejamento tributário para que o empresariado pudesse burlar da legislação trabalhista e previdenciária vigente. O não pagamento dos Direitos Sociais era uma forma de redução da carga tributária despendida pelo empresariado.

Tudo isto significava que a economia formal estava em recessão, porque estava totalmente paralisada, sem o necessário controle governamental.

O PROGRESSO DA ECONOMIA INFORMAL

Ao contrário do pretendido pelo Governo FHC, a economia informal apresentava significativo crescimento, enquanto a economia formal apresenta severa recessão.

Segundo os "economistas de plantão", o consumo popular era o principal causador da inflação. Por isso era preciso impedir que o povão conseguisse emprego, porque o pleno emprego gera salário, salário gera consumo popular e o aumento da demanda gera inflação. É o que está escrito na cartilha ou bíblia dos ortodoxos.

Pura Balela. Para que não haja inflação basta que se aumente a produção para o perfeito atendimento da demanda popular. Porém, por mera segregação social (preconceito e discriminação), o empresariado não queria produzir para o povo. Queria produzir somente o comprado pelas classes "A" e "B".

O cantor e compositor Jorge Ben Jor chegou a bradar em sua música W Brasil: "A Feira de Acari é um sucesso. Tem de tudo. É um mistério. Chama o Síndico: Tim Maia". Ou seja, a economia informal era governada exclusivamente pelo povão. Não tinha síndico, nem governante. Era o mais perfeito exemplo da Autorregulação do Mercados tão defendida nas teses engendradas pelos Neoliberais Anarquistas. O cantor Zé Pagodinho cantava algo parecido sobre a monumental Feira de Acari.

Veja informações complementares no texto intitulado A Economia Informal e a Autorregulação dos Mercados em que também são mencionados os referidos cantores e fatos vividos nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo pelo coordenador do site do COSIFE na qualidade de testemunha ocular da história.

TENTATIVA DE EXTINÇÃO O SISTEMA CAPITALISTA

Os gestores de nossa política econômica, embora dissessem que eram favoráveis à livre iniciava privada, aquela da autorregulação dos mercados, com suas mirabolantes teses estavam matando (extinguindo) o sistema capitalista. Isto é, queriam extinguir somente o meramente especulativo mercado de capitais engendrado pelos grandes capitalistas.

Porém, o capitalismo anárquico e informal do povão ia muito bem, mediante o contrabando, a pirataria e tudo mais que era possível fazer para não se morrer de fome, incluindo a cata de materiais recicláveis nos imensos lixões existentes na periferia das grandes cidades.

Diante das absurdas políticas econômicas empreendidas pelos governantes das décadas perdidas de 1980 e 1990, não havia onde investir capital. Por isso os capitalistas passaram a investir em títulos públicos, cujo dinheiro arrecadado era empregado na manutenção da máquina administrativa estatal e na capitalização das empresas governamentais, praticamente as únicas que continuaram a produzir.

Naquela época anterior às privatizações, as ações mais negociadas nas Bolsas de Valores eram as das empresas estatais de economia mista, as quais eram responsáveis por mais de 80% dos recursos financeiros movimentados nos pregões da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, que ainda não havia falido.

O POVO FOI OBRIGADO A OPTAR PELA CRIMINALIDADE

Então, para o povão acoado em seus inúmeros guetos (favelas ou comunidades) só restou a busca das mencionadas alternativas de sobrevivência.

Na falta de alternativas legais, houve a necessidade do povão apelar para o contrabando, para o narcotráfico (vendendo drogas aos herdeiros do empresariado), para a pirataria, para os assaltos a bancos, a empresas, a residências e a pessoas nas ruas (pelos trombadinhas). Outros apelaram para os longos sequestros e para os sequestros relâmpagos. Alguns desses excluídos, infiltrados na economia formal, preferiram os desfalques, o desvio de dinheiro de contas bancárias e também dos cofres públicos.

Com isso, a mão de obra na informalidade chegou a mais de 55% da força de trabalho (segundo pesquisa efetuada pela central de trabalhadores denominada "Força Sindical"). Os desempregados eram em média mais de 15% da força de trabalho. Durante o governo FHC o índice de desemprego chegou a 20%.

A INCONTROLÁVEL SONEGAÇÃO DE TRIBUTOS

Todos sabem que na economia informal não há pagamento de impostos. De outro lado, na economia formal os impostos são sonegados por todos os níveis de empresários, desde os micros até os grandes.

Terceira conclusão: nossos governantes daquela época, em razão de sua própria incompetência, "estavam no mato sem cachorro" (completamente perdidos "como cegos em tiroteio").

Nossos governantes das décadas perdidas de 1980 e 1990 estavam a gerir o caos econômico e social sem dinheiro em caixa. Governavam um capitalismo sem capital, sem produção, sem consumo e, consequentemente, sem a arrecadação de tributos (sem os quais valores é impossível governar).

O jeito de contornar o caos econômico e social era mediante a obtenção de empréstimos ao FMI - Fundo Monetário Internacional para pelo menos equilibrar o déficit acumulado no Orçamento Nacional (por falta de arrecadação tributária) e o déficit acumulado no Balanço de Pagamentos (por falta de exportações e por excesso de importações de supérfluos pela classe social mais endinheirada).

No texto sobre o Balanço de Pagamentos explica-se como era gasto os dólares emprestados pelo FMI. Veja na parte relativa aos fatos marcantes dos governos FHC e Lula.

O ÁPICE DO CAOS ECONÔMICO E SOCIAL

Diante daquele caos econômico e social existente nas décadas perdidas de 1980 e 1990, não mais adiantava criar empregos. Ninguém queria trabalhar mediante o recebimento de um salário-mínimo de R$ 200,00 (equivalente a US$ 60 em 2002).

A metade dos que estavam na informalidade ganhavam bem mais (quatro ou cinco vezes mais que o salário-mínimo). A outra metade que não queria trabalhar roubava de quem ainda tinha algo para ser roubado. E os 15% ou 20% de desempregados continuavam a curtir a parca esperança de conseguir o tão sonhado emprego, sem coragem de partir para um dos perversos lados da economia informal.

De 8ª potência mundial em 1980, em 2002 o Brasil regrediu para a 15ª posição em PIB - Produto Interno Bruto. O nosso país não tinha Reservas Monetárias e estava prestes a decretar a moratória da dívida externa, o que realmente aconteceu durante o Governo Sarney (1986 a 1990). Veja o texto sobre a Conversão da Dívida Externa no Governo Sarney.

A SÍNDROME DO PRIMEIRO EMPREGO

Veja ainda o texto A Geração Perdida - A Síndrome do Primeiro Emprego, escrito 15/05/2003, em que se discorre sobre a dificuldade dos recém-formados em cursos superiores para conseguir o primeiro emprego.

O NOSSO ANTIGO PROBLEMA ESTÁ SENDO INTERNACIONALIZADO PELOS NEOLIBERAIS ANARQUISTAS

Em 2012 o índice de desemprego na Espanha chegou a 25%. Em toda a Europa os trabalhadores fizeram manifestações contra a política de austeridade econômica que só pune os assalariados pelos problemas criados pelo empresariado, pelos banqueiros e pelos especuladores dos mercados financeiro e de capitais.

No texto intitulado A Bancarrota Espanhola Pode Ter Origem Semelhante a da Islândia foram comentadas as declarações do megainvestidor George Soros que é contrário às medidas de austeridade praticadas apenas contra os trabalhadores europeus.

CHEGANDO AO CAÓTICO ESTÁGIO EM QUE VIVEMOS

Chegar ao caótico estágio em que chegamos em 2001 foi fácil, embora tenha demorado quase 40 anos para atingirmos essa infeliz plenitude caótica (de 1964 a 2002). O difícil vai ser voltar à tranquilidade social existente antes de 1964, quando um salário-mínimo dava para sustentar esposa e cinco filhos, sem morar em favela.

Na cidade do Rio de Janeiro (antigo Distrito Federal) as favelas tinham sido quase totalmente erradicadas durante o governo Getúlio Vargas (de 1950 a 1954). No restante do Brasil as favelas eram poucas. Os maiores problemas estavam nas regiões norte e nordeste, principais redutos do empresariado escravocrata.

Veja os mais de 20 textos publicados no site do COSIFE sobre a exploração do Trabalho Escravo no Brasil e no Mundo.

Quarta conclusão: Com o salário mínimo vigente naquele longíquo ano de 2001, correspondente a US$ 60 (sessenta dólares), era praticamente impossível tirar da informalidade a metade populacional empobrecida e a parcela apodrecida (a dos bandidos). O pior é que não havia e ainda não há cadeia para todos os bandidos. E se as construírem, serão os trabalhadores os incumbidos de sustentar os bandidos presos, tal como já sustentam os que estão soltos (que continuam roubando).

O MESMO ACONTECERÁ COM OS TRABALHADORES EUROPEUS

A partir de 2012, os governantes europeus vem fazendo o mesmo que foi feito no Brasil de 1964 a 2002. Com semelhantes planos de austeridade econômica aplicados no Brasil, os governantes europeus querem transformar os trabalhadores de seus países em desempregos e, consequentemente, em criminosos, tal como foram transformados os menos aquinhoados trabalhadores brasileiros.

Veja ainda os textos de autoria do economista Paulo Nogueira Batista Jr, publicados no Jornal Folha de São Paulo nos anos de 1997 a 1999, em que comenta a Crise Econômica Enfrentada pelo Governo FHC.