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BANCOS CENTRAIS NÃO SÃO SALVADORES DA PÁTRIA

"BCS NÃO SÃO SALVADORES DA PÁTRIA"

QUIS DIZER: ECONOMISTAS NÃO SÃO SALVADORES DA PÁTRIA

São Pulo 07/02/2013 (Revisado em 12-02-2013)

Referências:

OS EXTREMISTAS DE DIREITA SÃO UNÂNIMES

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE - Ex-Auditor do Banco Central do Brasil.

A TEORIA BÁSICA DOS ECONOMISTAS ORTODOXOS

Os economistas ortodoxos, se tivessem coragem, diriam: Nossa função é a de exclusivamente defender os interesses dos grandes capitalistas e que se dane o povo que deve ser tratado como escravo.

Embora os países desenvolvidos tenham falido em razão de déficits internos provocados pela falta de arrecadação tributária e em razão dos déficits externos (no Balanço de Pagamentos - oriundo do saldo negativo na Balança Comercial = Exportações - Importações) motivados pelo excesso de importações pelas classes mais abastadas, os políticos de extrema-direita, que ainda pretendem ser eleitos, continuam utilizando-se do mesmo discurso de antigamente.

Mesmo idiotas podem inventar novos impostos [como os inventados durante o Governo FHC]; só quem é inteligente sabe como reduzir as despesas[Basta tirar os direitos sociais dos trabalhadores, tal como foram em parte retirados durante o Governo FHC].

Segundo o jornal Valor Econômico, a frase entre aspas em negrito itálico acima foi dita pelo tido como mafioso, ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi, em campanha para as eleições parlamentares italianas deste mês de fevereiro de 2013.

Sobre a legislação contrária aos anseios dos trabalhadores, veja o texto Cidadania Posta à Venda - Reforma da Previdência no Governo FHC - Um Golpe Contra o Trabalhador de autoria do Dr. José Aristodemo Pinotti, publicado no jornal Folha de São Paulo em 19/05/1998.

TUDO PELOS BANQUEIROS E NADA PELO POVO

É o que estão fazendo a partir de 2011 os governantes europeus que, 13 anos depois, repetem os mesmos erros cometidos pela equipe econômica de FHC. É também a tese defendida pelos norte-americanos contrários à Barack Obama, a chamada oposição que milita no conservador Partido Republicano. Tudo pelos capitalistas e nada pelo povo. Afinal, que se dane o povo.

Como dizia o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues: "Toda unanimidade é burra".

Os economistas ortodoxos por exemplo são unânimes ao se manifestarem em defesa dos interesses mesquinhos de seus patrões, os detentores do poderio econômico, sem se importarem com as mazelas enfrentadas pela coletividade. Por intermédio das altas taxas de juros, tiram do governo o dinheiro arrecadado que deveria ser investido em prol da população.

Enfim, nos tradicionais países desenvolvidos está acontecendo uma verdadeira perseguição aos trabalhadores. Com semelhantes palavras gritou para o mundo o Prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, que se revela preocupado com a decadência do bem-estar social das populações que atualmente gozam do "muito elevado" IDH - Índice de Desenvolvimento Humano.

Sobre o laureado Paul Krugman, veja os comentários de José Paulo Kupfer (Crônicas da Economia Brasileira) em seu texto de 13/10/2008 intitulado Prêmio na Hora Certa para o Homem Certo.

REFORMA TRABALHISTA PARA EXTINÇÃO DOS DIREITOS SOCIAIS

Em contraponto ao escrito por Krugman em sua tese premiada em 2008, os três laureados com o Prêmio Nobel de Economia de 2010, que nem nos vale a pena saber os seus respectivos nomes, defenderam a tese de que os trabalhadores são os causadores de todos os problemas econômicos enfrentados pelo mundo capitalista. Por isso, dizem na tese premiada que devem ser retirados todos os direitos sociais dos trabalhadores, tal como acontece nos países chamados de "Tigres Asiáticos".

Naturalmente, na referida tese os três economistas extremistas de direita não só levaram em conta o praticado na Ásia como também levaram em conta o praticado pelos ortodoxos economistas brasileiros durante o Governo FHC.

Foi com base nessa última linha de raciocínio e de tendência econômica em prol dos lobistas a serviço do grande capital que escreveu no jornal Valor Econômico de 04/02/2013 o ex-presidente do Banco Central do Brasil que exerceu a citada função durante o mencionado Governo FHC.

O FIM DOS BANCOS CENTRAIS INDEPENDENTES

O ex-presidente do Banco Central do Brasil, subchefe da equipe econômica de FHC, tentou rebater a lógica da impossibilidade da independência dos Bancos Centrais frente as decisões nacionais vindas dos poderes executivo e legislativo, isto é, dos representantes do povo.

Depois concordou que nem sempre os bancos centrais podem ser independentes das decisões nacionais. Afinal, o futuro do País (da nação) sempre deve estar acima dos interesses particulares dos mesquinhos detentores do poderio econômico.

É importe observar no referido texto que o articulista em nenhum momento se mostra preocupado com as perseguições contra os trabalhadores europeus, que tem provocado imensas manifestações populares contra seus respectivos governantes.

Obviamente que aqueles povos, agora falidos e desempregados por culpa dos assessores econômicos de seus governantes, serão transformados em miseráveis como foram muitos dos brasileiros que se encontram escondidos em guetos ou favelas, agora consideradas como comunidades pacificadas.

Antes da leitura do escrito por Gustavo Loyola, veja os comentários de um economista esquerdista funcionário do Banco Central do Brasil sobre a tese dos três laureados com Nobel de Economia de 2010 favoráveis ao retorno da escravidão, que no COSIFE intitulou-se como Reforma Trabalhista - Caminhando para o Trabalho Escravo

Depois veja os Comentários de Paul Krugman, publicados no jornal New York Times,  sobre o que está acontecendo na Europa, com tradução feita pelo UOL - Universo Online.

"BCS NÃO SÃO SALVADORES DA PÁTRIA"

O texto em letras pretas foi escrito por Gustavo Loyola, doutor em economia pela EPGE/FGV, foi presidente do Banco Central e é sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada, em São Paulo. Escreve mensalmente às segundas-feiras no jornal Valor Econômico. Texto publicado em 04/02/2013. Aqui com edição, subtítulos e comentários em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

OS ECONOMISTAS NÃO SÃO SALVADORES DA PÁTRIA

Sobre os economistas como gestores dos Bancos Centrais e das respectivas políticas econômicas dos países, Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central do Brasil, escreveu:

Tanto nos Estados Unidos quanto na zona do euro, o papel dos respectivos bancos centrais (BCs) tem sido fundamental para evitar o colapso de suas economias, na esteira da pior crise do pós-guerra mundial terminada em 1945. Porém, essa centralidade dos bancos centrais no combate à crise não erige os gestores de tais instituições à condição de “salvadores da pátria”.

Pelo contrário, tal como aconteceu durante o Governo FHC, a política econômica adotada pelos dirigentes do Banco Central do Brasil criou um enorme bolsão de desempregados. O índice de desemprego no Brasil chegou a 20% tal como está acontecendo nos mais endividados países europeus, mesma situação que o Brasil se encontrava durante o Governo FHC. Por esse motivo, o nosso país vivia sob intensa fiscalização do FMI - Fundo Monetário Internacional, tal como o Banco Central do Brasil faz com as instituições financeiras brasileiras que estão prestes a quebrar (falir).

O Brasil que no início daquele pretenso governo era a 8ª potencia mundial em PIB, no final daquele desgoverno, em 2002, estava na 15ª posição em PIB - Produto Interno Bruto.

Colocando de outra forma, não está ao alcance dos gestores da política monetária assegurar o crescimento sustentado de uma economia, independentemente das demais precondições que devem existir tanto no âmbito da política fiscal quanto, principalmente, nos aspectos atinentes à oferta agregada.

Ou seja, a função dos economistas do Banco Central é meramente teórica. Não se preocupam com a realidade conjuntural (miséria, criminalidade, desemprego, subdesenvolvimento, falta de verbas para educação e para saúde, entre outras necessidades da população).

Para os dirigentes do Banco Central é mais importante a manutenção das altas taxas de juros para que os capitalistas sejam sempre muito bem remunerados, cujo dinheiro é retirado dos tributos arrecadados, que deveriam ser utilizados como investimento público para melhor atendimento das necessidades básicas do povo.

Os dirigentes dos bancos centrais apenas se preocupam com as bruscas ou elevadas variações na conjuntura econômica. Criam desemprego para evitar o consumo, aumentam a taxa de juros para evitar a produção. Isto é, os gestores de nossa política monetária incentivam o empresariado a tirar o seu dinheiro da produção para aplicá-lo na especulação financeira. Assim, passam a viver a custa dos tributos arrecadados pelo governo sem quase nada produzir.

Afinal, segundo a teoria econômica, produção e consumo geram inflação. Então, para que não haja inflação, faz-se necessária a extinção das formas de sobrevivência digna dos trabalhadores. Sem emprego, obviamente deixam de consumir.

Diante do elevado índice de desemprego sempre gerado pela teórica econômica, o desempregado guinda para a economia informal. Assim, o governo deixa de arrecadar tributos. Daí acontecem os déficits no Orçamento Nacional porque a arrecadação diminui. Porém, os gastos públicos dificilmente podem ser reduzidos a curto prazo.

Então, gastando o mesmo que antes e arrecadando menos (por falta de produção), acontece o déficit interno. Para cobrir o déficit, o governo emite títulos, com altas taxas de juros, que são adquiridos pelos capitalistas, que assim deixam de produzir para ganhar sem nada fazer. É o que está acontecendo na Europa e nos Estados Unidos.

A NOVA TEORIA ECONÔMICA DO "LULOPETISMO"

Em 2009 Lula mandou fazer tudo de forma diferente, o inverso do que faziam os gestores da política econômica de FHC. E deu certo.

Então, concluiu-se que Conjuntura Econômica não é somente olhar para a situação da economia, especialmente no que se refere às variações de curto prazo na atividade produtiva ou nos preços ao consumidor.

É preciso levar em conta também se está sendo elevado o IDH - Índice de Desenvolvimento Humano da população. Isto é, torna-se necessário que a política econômica traga desenvolvimento em benefício dos direitos humanos da coletividade. Os economistas ortodoxos não podem pensar apenas na manutenção dos privilégios do grande capital.

A FORÇA DOS BANCOS CENTRAIS A SERVIÇO DO GRANDE CAPITAL

Um bom exemplo da força dos dirigentes dos bancos centrais, mas também de sua impotência ou de sua possível incompetência administrativa, encontra-se na atual situação da zona do euro.

É fora de dúvida que as intervenções do Banco Central Europeu (BCE), sob a batuta de Mario Draghi, por enquanto salvaram o euro da desintegração, no momento em que os mercados estavam em pânico e já apostavam [como num cassino] no fim da união monetária, enquanto os assessores econômicos dos governos não se entendiam sequer sobre o diagnóstico da crise, quanto mais sobre os remédios adequados a utilizar em seu enfrentamento.

É fato que os governantes europeus não se entendiam justamente porque os gestores das suas respectivas políticas econômicas não lhes sabiam explicar o que estava realmente acontecendo.

Assim, os ortodoxos de sempre passaram a colocar a culpa nos trabalhadores que teimam em não se submeterem à escravidão proposta pelos laureados com o Prêmio Nobel de Economia de 2010. Daí surgiram as revoltas no continente europeu e também na região norte e nordeste do continente africano, atingindo a região conhecida como Oriente Médio, governada por verdadeiros Senhores Feudais.

BANCO CENTRAL EUROPEU COMPRA OS TÍTULOS PODRES EMITIDOS PELOS PAÍSES EUROPEUS

Por meio das generosas operações de recompra de títulos soberanos [Títulos Públicos = Títulos da Dívida Pública interna ou externa = Títulos Podres = Moeda Podre] e de outros ativos [derivativos financeiros], com prazo de até três anos, o BCE injetou a liquidez necessária para por enquanto evitar uma crise bancária e o colapso do financiamento da dívida de países como a Itália e a Espanha [entre outros países europeus totalmente falidos como Grécia, Irlanda, Portugal, incluindo os Paraísos Fiscais europeus].

Com isso, as condições de mercado melhoraram ao longo de 2012, "empurrando a crise com a barriga", assim dando tempo às autoridades políticas para engendrarem, com o auxílio dos gestores das políticas econômicas, ainda que a passos de tartaruga, soluções estruturais para a zona do euro.

AS RECLAMAÇÕES DA PRESIDENTA DILMA RUSSEF

Desse "Tsumani Financeiro" lançado pelo Banco Central Europeu (elevada injeção de dinheiro para melhorar a liquidez dos países europeus falidos), a Presidenta Dilma Russeff reclamou porque na verdade o dinheiro recebido pelos banqueiros europeus que venderam os títulos públicos podres existentes em suas carteiras de valores mobiliários (ativos) não foi colocado no arriscado mercado financeiro e de capitais da União Europeia.

Veja explicações complementares no texto Dilma Critica Austeridade e Pede Crescimento.

Na verdade, grande parte do dinheiro injetado pelo Banco Central Europeu veio para o Brasil porque, a partir de 2005, o risco dos investimentos por aqui é bem menor que nos países da Europa e nos Estados Unidos, que enfrentam histórica bancarrota nunca antes prevista pelos mais pessimistas investidores.

Veja o texto intitulado Risco Brasil Versus Risco União Europeia

A chegada ao Brasil dessa "grande onda" de dinheiro liberado pelo Banco Central Europeu fez com que o Real valorizasse de forma significativa a ponto de prejudicar as nossas exportações, automaticamente incentivando as importações de supérfluos pelas classes sociais mais ricas, conforme aconteceu durante o Governo FHC.

O BRASIL QUEIMANDO AS RESERVAS MONETÁRIAS EM MOEDAS PODRES

Por isso, o Governo Brasileiro sob a batuta do maestro Guido Mantega passou a comprar as elevadas divisas chegadas, utilizando-as para comprar dezenas de toneladas de ouro. Por isso as reservas brasileiras desse metal dobraram em poucos meses do final de 2012.

Veja o texto A Importância das Reservas em Ouro Frente ao Dólar Fraco

A compra do ouro aconteceu para evitar o aumento de nossas reservas monetárias em dólares sem lastro, visto que ainda ficaríamos com o Euro prestes a sair de circulação, diante da crônica crise europeia.

Isto é, com a entrada desse capital vindo da Europa, o Brasil tinha tudo a perder e nada a ganhar.

A CRISE EUROPEIA FOI EMPURRADA PELO BANCO CENTRAL EUROPEU PARA QUE VENHA A EXPLODIR NO FUTURO

É o que menciona Gustavo Loyola a seguir.

Porém, [como foi escrito em letras azuis] é óbvio que a crise de crescimento da Europa está ainda longe de um final feliz.

A presença ativa do BCE segue sendo necessária para evitar o pior, mas a solução dos problemas europeus não está nas mãos da autoridade monetária.

A FUGA DO EMPRESARIADO EUROPEU E NORTE-AMERICANO PARA A ÁSIA

Na verdade os problemas passaram a existir em razão da falta de nacionalismo e de patriotismo do empresariado europeu que passou a produzir na Ásia, tal como também fez o empresariado norte-americano.

É PRECISO QUE O EMPRESARIADO VOLTE A PRODUZIR NA EUROPA E NOS STATES

O articulista do jornal Valor Econômico continua explicando em letras pretas:

Os desafios maiores estão na reforma da governança da zona do euro, assim como nas políticas domésticas que afetam o crescimento da produtividade e o investimento.

Em suma, a única saída para a crise europeia é a de convencer o oportunista empresariado europeu que fugiu para a Ásia a voltar a produzir na Europa.

O GRANDE CAPITAL DEVE SER PENALIZADO PELOS DANOS POR ELE CAUSADO

Por sua vez, a política fiscal é contracionista para reestabelecer a solvência dos países que têm dificuldades de financiamento de suas dívidas.

De fato, se for adotada a política econômica de tirar o poder de compra dos trabalhadores, haverá uma enorme recessão, como a acontecida durante o Governo FHC, que rebaixou o Brasil para a posição de 15ª potência mundial em PIB.

É preciso que a Europa adote semelhante política econômica adotada no Brasil a partir de 2003, quando foi empossado o torneiro mecânico sindicalista como Presidente da República.

Como principais medidas contra a recessão e o colapso econômico deixado por FHC, a partir de 2003 foi exemplarmente combatida a Lavagem de Dinheiro, a Sonegação Fiscal, a Evasão de Divisas, a Blindagem Fiscal e Patrimonial em Paraísos Fiscais, entre outras medidas para realimentar os cofres públicos com as verbas necessárias ao desenvolvimento nacional, incluindo o indireto incentivo às exportações mediante a desvalorização de nossa moeda, o Real, ao contrário do que foi feito durante o Governo FHC.

CURANDO SOMENTE A DOENÇA DOS RICOS

Neste contexto, o papel dos dirigentes do banco central assemelha-se ao de um médico pronto-socorrista: extremamente necessário para preservar a vida do paciente, mas quase sempre insuficiente para assegurar sua recuperação plena e a vida normal.

O grande problema desse tipo de "pronto-socorrista" é que ele só atende os pacientes mais ricos, menosprezando os menos favorecidos (os trabalhadores) que morrem na fila à espera do necessário e indispensável atendimento médico.

EXPROPRIAÇÃO DOS CRÉDITOS DE PARAÍSOS FISCAIS

Seria mais simples o cancelamento ou expropriação dos investimentos vindos de paraísos fiscais e o cancelamento (não pagamento) dos títulos cujos credores estejam sediados ou domiciliados em paraísos fiscais. Por quê?

Porque lá está o dinheiro dos especuladores, sonegadores de tributos e de todos os demais delinquentes do sistema financeiro que criaram a Crise Mundial atualmente vivida.

A EMISSÃO DE PAPEL MOEDA SEM LASTRO EM RESERVAS MONETÁRIAS

Situação assemelhada, aliás, ocorre nos Estados Unidos, muito embora seus problemas estruturais sejam menos agudos do que os da Europa.

Lá também, a trajetória relativamente positiva da economia nos últimos meses deve muito à atuação do Federal Reserve (Fed), emitindo dólares frios (sem lastro em reservas monetárias), cujos programas de expansão quantitativa da oferta monetária, via aquisição de ativos, têm assegurado a recuperação do emprego, ainda que de maneira modesta.

A larga emissão de dólares está aumentando assustadoramente o meio circulante, o que pode provocar uma enorme desvalorização daquela moeda sem lastro em reservas monetárias.

O grande golpe dos norte-americanos é que a emissão de dólares diminui artificialmente a impagável dívida externa. Por quê?

Porque desse modo o ouro valoriza e brevemente eles poderão vender cada grama de ouro de suas reservas por centenas e até milhares de dólares.

Assim, os principais países credores (os BRICS - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul ) perderão suas elevadas reservas monetárias em dólares.

PENSANDO NUMA VERDADEIRA POLÍTICA FISCAL

Entretanto, assim como na zona do euro, a retomada sustentada da economia dos EUA depende de outros fatores, notadamente no âmbito da política fiscal.

Obviamente que, como política fiscal, é preciso elevar os tributos sobre o Grande Capital e principalmente confiscar todos os investimentos vindos de paraísos fiscais, onde estão escondidos os sonegadores de tributos que são os principais credores e artífices da Crise Mundial atualmente vivida.

A CRISE MUNDIAL É A PROVA DA INEFICIÊNCIA DOS BANCOS CENTRAIS INDEPENDENTES DAS DECISÕES NACIONAIS

Por outro lado, a meu ver, a relevância das atuações do Fed e do BCE no contexto da crise atual e o uso por eles de instrumentos pouco usuais têm levado muitos analistas a conclusões apressadas com respeito à mudança das funções e objetivos dos BCs e à revisão do conceito de autonomia operacional associado a essas instituições.

OS BANCOS CENTRAIS SÃO INCAPAZES DE GERIR A ESTABILIDADE DE PREÇOS

Não me parece que os bancos centrais ganharam novas funções, nem que devam se desviar de seu objetivo principal que é a estabilidade de preços.

O raciocínio lógico nos mostra que a estabilização dos preços só pode ser feita mediante a oferta de produção em quantidade suficiente para atendimento da demanda dos consumidores. De resto, as demais medidas paliativas parecem inócuas visto que nenhum controle exercem sobre a quantidade produzida de bens de consumo.

Logo, a estabilização de preços mediante a manipulação dos mercado financeiros e de capitais de nada resolve. Apenas incentiva a especulação desenfreada dos inescrupulosos empresários e dos criminosos especuladores que manipulam as cotações, criando condições artificiais de mercado.

A sempre preferida elevação da taxa de juros, apenas incentiva o empresariado deixar de investir na produção para investir na ciranda financeira. Foi o que aconteceu nos Estados Unidos e na Europa. E também acontecia no Brasil nos tempos em que éramos vítimas da hiperinflação.

Portanto, os verdadeiros gestores das políticas de produção para o pleno atendimento da demanda interna e da exportação devem ser os técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Talvez nem seja preciso lembrar aos menos atentos que o Comércio Exterior positivo (exportações maiores que as importações) é o que oferece ou arrecada as divisas (reservas monetárias) necessárias ao pagamento da dívida externa não somente do Brasil como de todos os demais países.

A DEFLAÇÃO EXISTE PORQUE OS CONSUMIDORES SÃO SEMPRE PUNIDOS COM DESEMPREGO E BAIXOS SALÁRIOS

O que vem ocorrendo é que as economias desenvolvidas passam por situações conjunturais nas quais os riscos maiores são de deflação e não de inflação. Nesse ambiente, a política monetária deve ser mesmo expansionista, e novas modalidades de ação devem ser tentadas quando as taxas de juros nominais já estão praticamente zeradas.

Em síntese, quis dizer que os países desenvolvidos devem ser expansionistas, enquanto os subdesenvolvidos devem se contentar com o seu perpétuo subdesenvolvimento.

Essa política expansionista do consumo foi pioneiramente adotada no Brasil durante o Governo Lula em 2009.

Aliás, sobre esse feito de Lula, o ex-ministro Delfim Neto, quando entrevistado pelos participantes do Programa Canal Livre da TV Bandeirantes, confidenciou aos telespectadores de todo o Brasil que aos olhares dos economistas (seus colegas de trabalho) o feito por Lula era uma heresia.

Segundo os religiosos a heresia é a doutrina totalmente contrária aos seus dogmas. No caso de Lula, os dogmas eram os econômicos.

Veja o texto denominado Lula quer Mundo Livre de Dogmas - Dogmas Religiosos ou Dogmas Econômicos?

A INDEPENDÊNCIA DOS BANCOS CENTRAIS SÓ BENEFICIA O GRANDE CAPITAL

Ademais, o alinhamento dos bancos centrais aos objetivos dos governos, situação compreensível e mesmo desejável nesse tipo de conjuntura autofágica, não implica perda da necessária autonomia que deve preservar os BCs das influências políticas potencialmente deletérias à execução da política monetária em “tempos normais”.

Por que razão as dogmáticas políticas monetárias ortodoxas não funcionam em ocasiões em que acontecem os desastres econômicos que prejudicam os seus próprios causadores, os neoliberais?

Porque a teoria neoliberal é autofágica. No ápice de seus delírios megalomaníacos, eles acabam devorando a si próprios. São antropófagos. Praticam o canibalismo econômico.

DEFENDENDO A ARCAICA ORTODOXIA

Dessa maneira, equivoca-se quem imagina que há um mundo novo para os bancos centrais ao redor do mundo. Nem eles se tornaram hiperpoderosos e “levantadores de PIB”, nem se tornaram instrumentos caudatários dos governos, livres para serem usados para objetivos de crescimento econômico de curto prazo.

Tal leitura apressada e equivocada torna-se particularmente venenosa quando transplantada para o Brasil, onde a situação conjuntural é muito distinta da observada na zona do euro e nos EUA.

OS CULPADOS PELA INFLAÇÃO

Aqui no Brasil, a despeito do baixo crescimento, a inflação mantém-se em patamares elevados e a política fiscal é francamente expansionista.

Justificável, porque no Brasil a inflação nunca foi realmente econômica. Nunca se baseou na elevação dos custos em determinados setores produtivos.

A inflação no Brasil sempre se baseou na expectativa dos ignorantes agentes do mercado (os empresários, geralmente de baixa cultura científica e tecnológica).

Como o empresariado despreza a Contabilidade de Custos, quando alguém se apresenta nos meios de comunicação dizendo que a gasolina vai subir 5%, o empresariado ignorante (98% do total) logo aumenta o preço de seu produto final em 10%, sem levar em consideração que o consumo de gasolina tem pequenina ou nenhuma influência no preço do seu produto final.

Assim sendo, podemos afirmar que a inflação no Brasil sempre aconteceu por mera especulação (crime contra a economia popular) em razão da incompetência do empresariado para bem administrar os seus negócios.

AÇÃO ENTRE AMIGOS

Uma dúzia de bem-aventurados, sozinhos (sem ouvir os representantes do povo nos poderes executivo e legislativo) decidem o destino de uma Nação apenas diminuindo ou aumentado a taxa de juros, sob a irresistível pressão dos Lobistas a serviço do Grande Capital.

Como corretamente assinalou o próprio BC na ata da última reunião do Copom [Comitê de Política Monetária (brasileiro)], o desapontador ritmo de recuperação da atividade econômica doméstica se deve essencialmente a limitações no campo da oferta [isto é, o empresariado preconceituoso e discriminador simplesmente não quer produzir para o consumo popular - interno], tratando-se de um problema que não pode e nem deve ser endereçado na esfera da política monetária, que é um instrumento de controle da demanda agregada.

Veja o texto sobre A Ilegal Atuação do COPOM e o texto intitulado Como Num Cassino, Dirigentes do Mercado Financeiro Fazem Suas Apostas.

TEORIA DO COMBATE À INFLAÇÃO SEM O NECESSÁRIO CONTROLE DA PRODUÇÃO

Demanda Agregada ou Demanda Global é conjunto das mercadorias e serviços demandados num país em certo período (geralmente em um ano), abrangendo os gastos de consumo e de investimento e o excesso das exportações sobre as importações.

Isto é, saem mais mercadorias do que entram no Brasil, sem que seja produzido o necessário à demanda interna. Consequentemente, faltam produtos para o consumidor brasileiro, porque o empresariado brasileiro se nega a produzir para o consumo do povão.

Por mero preconceito e discriminação social, o empresariado só quer produzir para exportação matérias-primas ou produtos "in natura" para evitar que sejam criados empregos no Brasil para os moradores das periferias ou dos subúrbios.

Mesmo sem a criação de novos empregos, a demanda continua sendo maior que a produção para consumo interno, razão pela qual acontece a inflação.

Por esse motivo, sugeriu-se que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior deve se apossar das rédeas que controlariam a plena produção para consumo interno, como forma de combater a inflação.

Essa, de fato não é uma das incumbências do Banco Central.