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RISCO BRASIL X RISCO UNIÃO EUROPEIA

RISCO BRASIL X RISCO UNIÃO EUROPEIA

PIGS = Portugal, Irlanda (Ireland), Grécia (Greece) e Espanha (Spain)

São Paulo, 17/05/2010 (revisto em 13/09/2010)

Referências: Balanços de Pagamentos, Dívida Externa, Déficits Orçamentários, Contas Públicas, Gastos Públicos, Reservas Monetárias, Contas Nacionais. PIGS e STUPID - Espanha, Turquia, Reino Unido, Portugal, Itália ou Irlanda e Dubai, Agências de Rating ou Classificadoras de Riscos.

RISCO X BRASIL VERSUS RISCO UNIÃO EUROPEIA

Por Americo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19.750

Em 2003 escrevi neste site do Cosife que o Risco Brasil era insignificante em relação ao Risco USA, o que provocou risos irônicos nos lábios de nossos compatriotas da alta sociedade ("high society" ou sociedade civil) que sofrem daquele secular "complexo de vira-latas" tão comentado pelo sábio escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues nas décadas de 1950 e 1960.

A nossa elite econômica e cultural ria porque acreditava nas irresponsáveis Agência de Rating ou Agências de Classificação de Risco norte-americanas e europeias, as quais diziam que o Risco Brasil era o maior do mundo, fato que deixava o nosso ex-presidente FHC e sua equipe econômica possessos de raiva porque indiretamente foram taxados como "incompetentes" pelas tais Agências estrangeiras. Na verdade, irresponsáveis, incompetentes e mal intencionadas eram as Agências de Rating, conforme foi demonstrado no texto denominado Agências de Rating Novamente Acusadas.

A grande verdade é que os Estados Unidos vêm sofrendo significativos déficits em seu Orçamento Público e no seu Balanço de Pagamentos desde 1971 quando deixou de existir o Padrão-Ouro que lastreava a emissão do dólar e que, por esse motivo, atualmente não tem lastro nem em ouro, nem em outras reservas monetárias. Os Estados Unidos deixaram de garantir a liquidez do dólar com estoques de ouro porque a moeda ianque estava prestes a desvalorizar em razão de uma supervalorização do ouro, como de fato aconteceu na década de 1970 em razão da crise do petróleo.

Porém, acreditando que o Risco USA ainda era bem inferior que o Risco Brasil, os investidores institucionais europeus aplicaram suas economias nos "STATES". Então, quando eclodiu a Crise Mundial de 2008 provocada pela insolvência das grandes empresas estadunidenses, os europeus foram especialmente afetados, principalmente porque, assim como está acontecendo com os Estados Unidos, quase todos os países europeus têm dividas externas superiores ao seus PIB e não têm reservas monetárias significativas, ao contrário do Brasil que é o 7º mais bem colocado no ranking mundial, segundo dados da ONU de 2008.

Veja outras informações no texto intitulado A Crise de Insolvência dos Países Europeus.

Agora em 2010, as reservas monetárias brasileiras são superiores em US$ 80 bilhões às de 2008. Em 2008 os Estados Unidos tinha o equivalente a pouco mais de um terço do montante de nossas reservas monetárias, que eram em dólares conseguidos com a emissão de títulos públicos. Como as reservas monetárias são em dólares e a moeda norte-americana é o dólar, obviamente não existem as reservas monetárias. Apenas foi retirado papel moeda (dólar) de circulação. É o que faz o Brasil quando vende ouro ou moedas estrangeiras: tira reais de circulação.

Assim, diante dessa nova ordem econômica mundial, o Brasil deixou de necessitar daqueles constantes socorros financeiros solicitados ao FMI pelos nossos governantes passados. Entretanto, o que verdadeiramente levou o Brasil a essa condição de país de BAIXO RISCO foi o combate à Sonegação Fiscal e à Lavagem de Dinheiro principalmente a partir de 2005 quando foi extinto o Mercado de Câmbio de Taxas Flutuantes que possibilitava especialmente a Lavagem de Dinheiro, a Evasão Cambial ou de Divisas e a Internacionalização do Capital Nacional. Como os governantes ianques não implantaram idênticos controles como os efetuados pelo governo brasileiro a partir de 2005, lá continuou a evasão cambial ou de divisas. Por esse motivo o povo estadunidense entrou em fase de empobrecimento, o que também está acontecendo na Europa.

O pior aconteceu quando o FMI não pode socorrer os USA, país símbolo do capitalismo neoliberal anárquico, diante do exorbitante tamanho de seu roubo financeiro e do seu descontrole conjuntural e estrutural. Então, o “jeitinho ianque”, a exemplo do antigo “jeitinho brasileiro”, foi o de recorrer aos 10 primeiros países com maior PIB e com maiores reservas monetárias, ranking em que a China está em 1º lugar e o Brasil em 7º. Foi assim que o Brasil, de antigo devedor, tornou-se credor do FMI, para desespero dos políticos opositores ao governo federal no Congresso Nacional.

Diante dessa nova ordem econômica mundial, a China, como maior credora dos "STATES", passou a fazer o papel do FMI, porque este também está na bancarrota (sem dinheiro). Então, em razão da falência do FMI provocada pelos Estados Unidos, os governantes europeus estão tentando resolver os seus problemas sozinhos. Afinal, "antes só que mal acompanhado", como diz o velho ditado.

Devido a insaciável sanha consumista das populações dos países desenvolvidos, eles se tornaram países falidos e os subdesenvolvidos tornaram-se países com alto índice de liquidez porque têm reservas minerais exportáveis e mão-de-obra barata para fabricar os produtos sonhados pelas megalomaníacas populações com o “muito elevado” IDH - Índice de Desenvolvimento Humano. E, em razão das maciças exportações para os países desenvolvidos, agora os países comunistas e os do "Terceiro Mundo" têm reservas monetárias e deixaram de ter déficits nos seus respectivos Orçamentos Públicos e nos seus Balanços de Pagamentos.

É justamente essa inversão de valores, acontecida pela primeira vez em toda a história da humanidade, que pode mudar os destinos do nosso mundo, o terceiro mundo.

Vejamos agora a quantas andam os países europeus diante da Crise Mundial, provocada pela "concordada" solicitada pelos Estados Unidos.

Mas, antes, torna-se necessário outro comentário depreciativo dos países desenvolvidos.

Na verdade, os ianques declaram moratória que equivale ao fatídico "devo, não nego, pagarei quando puder, se um dia puder". Sinceramente, acho que nunca mais pagarão sua dívida, tal como já aconteceu com a Alemanha. A Inglaterra também quebrou, razão pela qual foi efetuada a estatização das empresas inglesas no Brasil durante a década de 1950. A única saída para o governo norte-americano e para o dos demais países com o "mais elevado" IDH, seria a de induzirem as multinacionais estabelecidas pelo mundo afora a aumentarem os salários dos trabalhadores ao mesmo nível dos salários do trabalhador nos "States", na Europa e no Japão. Feito isto, o custo da produção nos países em desenvolvimento e nos subdesenvolvidos aumentaria, possibilitando que os países desenvolvidos voltem a exportar produtos industrializados. Assim, o significativo aumento de salário no Terceiro Mundo criaria nossos consumidores com dinheiro suficiente para importar os supérfluos produzidos nos países desenvolvidos. Somente com a utilização dessa estratégia seria revertida a atual situação desconfortável em que se encontram os países desenvolvidos.

Outro fato interessante. Sem a importação das matérias-primas vindas do Terceiro Mundo, os países desenvolvidos, incluindo a China e outros países asiáticos, não teriam como produzir. Do outro lado dessa questão, verifica-se que os países do Terceiro Mundo podem perfeitamente sobreviver sem a necessidade das importações vindas dos países desenvolvidos.

DEPOIS DOS 'PIGS', PORTUGAL ESTÁ AGORA ENTRE OS 'STUPID'

Por Eudora Ribeiro - publicado pelo site SAPO de Portugal em 09/02/2010

‘STUPID’ é a nova sigla que circula nos mercados para referir os países que podem ser afetados por um efeito dominó em caso de falência da Grécia: Espanha, Turquia, Reino Unido, Portugal, Itália e Dubai.

O acrônimo ‘PIGS' (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) parece já ter passado à história. Isto porque o que está agora na ‘boca' dos mercados é a sigla ‘STUPID', uma situação que deve preocupar o Reino Unido. É que apesar de não ser um dos ‘PIGS', o país de sua majestade é considerado ‘STUPID' e como o acrônimo pode ser contagioso, o Reino Unido tem de se distanciar dos outros.

Já Portugal está nos dois grupos, uma situação nada lisonjeira. Mas comecemos pelo primeiro acrônimo. A expressão 'PIGS' foi muito utilizada em 2008 por jornalistas britânicos e norte-americanos para se referirem aos quatro países europeus: Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha, que partilham problemas de défices elevados, um histórico de grandes níveis de endividamento e altas taxas de desemprego.

A sigla voltou 'à baila' depois de Grécia, Portugal e Espanha terem atraído a atenção dos mercados devido ao desequilíbrio das contas públicas e subida dos indicadores de dívida. Os 'PIGS' (porcos em português) são os quatro países que estão a dar mais dores de cabeça ao conjunto da zona euro e ninguém quer entrar no grupo.

Mas a sigla 'PIGS' já tem 'sucessora' e, na semana passada, o Barclays Capital até avisou os seus analistas que a expressão teria de deixar de ser usada nos relatórios produzidos pelo banco.

Depois dos 'PIGS', chegam os 'STUPID'

Os especialistas começam agora a usar uma outra expressão para denominar os países que seriam afetados pelo efeito dominó em caso de falência da Grécia: os 'STUPID' (estúpidos) que é a sigla em inglês para Espanha, Turquia, Reino Unido, Portugal, Itália ou Irlanda e Dubai.

Hugo Dixon, colunista da Reuters, considera que o Reino Unido tem de se distanciar deste grupo e deixa três conselhos para o conseguir. São dicas que podem servir de exemplo para outros países na lista como Portugal.

Em primeiro lugar, os políticos devem evitar qualquer comparação entre o Reino Unido e a Grécia. Mas segundo o mesmo colunista, David Cameron, o líder do partido conservador da Oposição, está a cometer o grave erro de sublinhar as semelhanças entre Reino Unido e o país helênico [grego]. Esta postura, escreve Dixon, pode, no limite, ajudá-lo nas eleições, que devem realizar-se em Maio, mas quanto mais a Grécia e o Reino Unido forem associados, pior.

Em segundo lugar, diz, o Governo precisa de produzir um orçamento credível, possivelmente em Março. Num cenário ideal, este orçamento teria de incluir cortes fiscais suficientes para mostrar que o Reino Unido, que está a braços com um défice [déficit] previsto de 13% do PIB este ano, adota uma postura responsável.

Por último, o Governo deve identificar todas as possíveis formas da crise se alastrar ao Reino Unido e desenhar os necessários planos de contingência.

Escreve o colunista, que se o Reino Unido não se proteger desta forma será verdadeiramente ‘STUPID'.