início > cursos Ano XXI - 10 de dezembro de 2019



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A INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL NACIONAL

A INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL NACIONAL

INTRODUÇÃO

  1. O Porto Seguro dos Capitalistas
  2. A Paranóia Anticomunista
  3. Os Investimentos de Brasileiros no Exterior e de Estrangeiros no Brasil

O Porto Seguro dos Capitalistas

Os capitalistas sempre quiseram ter um porto seguro não exatamente para seu dinheiro, mas para os meios legais de recuperação de seus bens caso sejam confiscados ou encampados por algum governo revolucionário de esquerda, socialista ou comunista, ou agora também por algum governo empossado pelas populações dos guetos de miséria. Dada a quantidade de eleitores nas classes empobrecidas, eles podem eleger um novo Robin Wood que tire dos ricos para dar aos pobres. Por esta razão foi perpetrada a chamada revolução de 1964 no Brasil, quando a elite e os políticos a serviço dos interesses do capitalismo estrangeiro conseguiram convencer a classe média a marchar contra um inimigo invisível, o comunismo, que aqui podia implantar um república do proletariado. Até hoje ninguém sabe exatamente que tipo de histeria ou lavagem cerebral foram vítimas os idealizadores do golpe militar de 1964, visto que, após a abertura política do Presidente Figueiredo, temos partidos socialistas e comunistas que nenhum perigo oferecem aos endinheirados, mesmo estando agora no governo.

Na realidade a grande ameaça para a citada elite está em si própria. Ao fomentar a miséria, o preconceito e a discriminação social, e ao reprimir a distribuição de renda por intermédio de uma política econômica nitidamente escravocrata, essa elite, com a ajuda das empresas multinacionais, gera desemprego para aumentar a oferta de mão-de-obra e assim conseguir empregados mediante o pagamento de menores salários. Este esquema doentio e praticamente irreversível tem criado problemas aos endinheirados e aos emergentes em razão do conseqüente aumento da criminalidade e porque as pessoas destes grupos, e as sob suas influências direta ou indireta, são os principais sustentadores da expansão do narcotráfico. E eles ainda conseguem, mediante lobby, que o poder legislativo não estabeleça sanções aos usuários de drogas e sim aos traficantes. Por sua vez, os traficantes instalados nos guetos de miséria são meras vítimas do apartheid social implantado no Brasil e, por isso, somente através do narcotráfico, do banditismo e da prostituição os marginalizados empobrecidos conseguem seus meios mais rentáveis de sobrevivência.

A Paranóia Anticomunista

Mesmo após a derrocada russa provocada pelos seus próprios governantes, que cederam aos encantos do dinheiro fácil e abundante dos interesses imperialistas norte-americanos de hegemonia política, econômica e militar, a elite capitalista brasileira ainda como vítima daquela histeria ou de paranóia continua atormentada pelo fantasma do comunismo. E isto ainda acontece depois que os comunistas chineses e os vietnamitas também cederam à integração comercial global (globalização) patrocinada pelos neoliberais, mediante a implantação de um sistema de exploração de mão-de-obra semi-escrava em seus territórios pelas potências capitalistas, tal como já vinha sendo feito em Formosa (Taiwan - China Nacionalista), Cingapura (Malásia) e Hong-Kong e na Coréia do Sul e Tailândia.

Naquela época em que existia a União de Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS, lá aconteceu o mesmo que vem acontecendo no Brasil: foi internacionalizado o capital nacional. Atualmente, Chipre - país insular no Mar Mediterrâneo - é o principal paraíso fiscal da elite russa, enquanto que a brasileira têm grande preferência pelas ilhas do Mar do Caribe e do Canal da Mancha.

O medo do comunismo não é a principal razão da internacionalização do capital nacional. O principal motivo da fuga para paraísos fiscais esta diretamente ligado ao sentimento antinacional dos capitalistas em todo o mundo. Eles querem viver às custas das mazelas do povo e sem contribuir com impostos para que as hordas de trabalhadores semi-escravos tenham melhores condições humanitárias de sobrevivência. Isto significa dizer que os capitalistas são escravocratas por excelência, de conformidade com o que apregoavam os marxistas decadentes, que, na essência da questão, não deixam de ter razão.

Os Investimentos de Brasileiros no Exterior e de Estrangeiros no Brasil

Atualmente, segundo o site do Banco Central do Brasil, os principais credores brasileiros são paraísos fiscais. De forma recíproca, os principais investimentos de brasileiros no exterior também estão nessas "ilhas do inconfessável", que abrigam empresas fantasmas, chamadas de "offshore" e que geralmente operam como "Holding".

“Holding” é uma companhia controladora. É uma empresa que possui investimentos em subsidiárias e geralmente limita suas atividades à administração e ao controle de outras empresas. Pode ser constituída com capital irrisório para transformar investimento estrangeiro de risco (participação de capital) em empréstimo, transformando dividendos em juros para evitar a tributação e assim promover o total reembolso do investimento inicial.

A "Holding", quando registrada em paraísos fiscais ("offshore"), pode ser utilizada para administração de bens, que necessitem de ocultação (dissimulação - sem revelar a identidade dos seus reais proprietários). Pode também ser constituída para receber comissões e corretagens sobre pretensas intermediações de vendas internacionais e, ainda como intermediária, receber os resultados do subfaturamento de exportações e do superfaturamento de importações de empresas direta ou indiretamente ligadas, sediadas em outros países. Esses ganhos depois são investidos nas próprias cedentes do numerário, gerando despesas financeiras de empréstimos e leasing (arrendamento mercantil), que serão dedutíveis do imposto de renda e da contribuição social a pagar, segundo a legislação tributária brasileira. Pode, ainda, receber o resultado das vendas sem emissão de notas fiscais e outros resultados obtidos na informalidade (“Caixa 2” - conforme é conhecido nos meios contábeis).

Offshore” é uma empresa constituída em paraísos fiscais, que ali está registrada apenas de forma cartorária para lhe dar aparente legalidade, podendo, assim, operar em qualquer parte do mundo, menos no país em que está registrada. Como o registro da empresa é apenas cartorial, ela quase sempre está sediada em uma caixa postal em agência dos correios ou em escritórios de representantes especializados no país que lhe deu origem, onde se concentram as sedes de grande quantidade delas. Em alguns paraísos fiscais o número de empresas registradas é muitas vezes superior a quantidade de habitantes ou de imóveis para abriga-las. A escrituração contábil das empresas offshore e seus resultados financeiros geralmente são controlados clandestinamente em outros países, por pessoa (ou grupo) que a utiliza com a finalidade de sonegar tributo e lavar dinheiro conseguido na ilegalidade. Este tipo de empresa geralmente não está obrigada a apresentar qualquer tipo de declaração fiscal ou tributária ao país em que está registrada e, assim, fica isenta de tributos. Quem constitui esse tipo de empresa num paraíso fiscal obviamente tem a pretensão de operar em outros países que ofereçam as mesmas facilidades instituídas pelas autoridades monetárias brasileiras, onde essas instituições fantasmas de forma absurda podem operar na informalidade, livres de qualquer fiscalização e livres do pagamento de impostos.

A internacionalização do capital nacional, que aqui pretendemos tratar, é efetuada exatamente com o auxílio das citadas instituições fantasmas, constituídas em paraísos fiscais.

Veja no texto Constituição de Bancos Offshore em Paraísos Fiscais o esquema de como operavam os bancos virtuais e quais as medidas tomadas pelo Banco Central do Brasil a partir de 2005 para impedir suas atuações.


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