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BRASIL CONTRIBUIRÁ PARA UM NOVO MODELO GLOBAL

BRASIL CONTRIBUIRÁ PARA UM NOVO MODELO GLOBAL

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São Paulo, 31/01/2014 (Revisado em 22-06-2017)

Referências: Globalização, Irresponsável Atuação dos Banqueiros, Crise Mundial Causada pela Especulação Financeira e pela Sonegação Fiscal, Blindagem Patrimonial e Fiscal - Ocultação de Bens, Direitos e Valores em Paraísos Fiscais. Lavagem de Dinheiro pelos Bancos Offshore.

BRASIL CONTRIBUIRÁ PARA UM NOVO MODELO GLOBAL

Por Lucianne Carneiro e Barbara Marcolini, mediante entrevista por correio eletrônico. Publicada em 26/01/2014 pelo Jornal O Globo. Com edição do texto original e com subtítulos, anotações e comentários em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFe.

Entrevistado pelo Jornal O Globo: Domenico De Masi - sociólogo italiano. Segundo as articulistas d'O Globo, ele afirma em novo livro que, apesar da desigualdade social [leia-se: segregação social reinante], o Brasil pode colaborar para a construção de um novo modelo social para o mundo

O BRASIL COMO EXEMPLO PARA O MUNDO

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFe.

Prestes a completar 76 anos, o sociólogo escreveu o livro, “O futuro chegou: modelos de vida para uma sociedade desorientada” (Casa da Palavra em parceria com Quitanda Cultural), que está sendo divulgado na forma de "merchandising" (que, em mercadologia, é a propaganda disfarçada como notícia ou informação cultural, científica ou tecnológica) pelo Jornal O Globo.

O entrevistado, por meio de sua obra intelectual, defende a tese de que o modelo da sociedade brasileira pode ser um exemplo para o resto do mundo, dizendo:

"Com seu patrimônio histórico e cultural, o Brasil pode dar contribuições insubstituíveis à formação do novo modelo global, e os intelectuais brasileiros, depositários destas contribuições, podem conferir a este modelo uma dimensão ecumênica"

A frase é parte de uma entrevista concedia pelo referido sociólogo às articulistas do Jornal O GLOBO, mediante contato por e-mail (correio eletrônico).

As articulistas do referido jornal com semelhantes palavras explicam:

Embora admita problemas no modelo político, empresarial e cultural brasileiro (como a distância econômico-financeira e cultural entre pobres e ricos, o analfabetismo e a corrupção), o sociólogo destaca vários fatores positivos no povo brasileiro, como o sincretismo, a postura positiva em relação à vida e a aversão à guerra.

Mas, de outro lado, comentando o referido texto, poderíamos dizer que, no Brasil, uma verdadeira guerra civil vem acontecendo.

Nas principais cidades brasileiras existem guetos impenetráveis, totalmente dominados por traficantes e outros tipos de bandidos, misturados entre trabalhadores que exercem sua função em regime de semiescravidão devido aos baixos salários.

Contudo, essa guerra civil não é contra o governo constituído. Ela é praticada entre traficantes para conquista de territórios dominados pelos seus rivais no grandioso negócio sustentado pelos mais ricos, com a participação dos pobres. Nessa rede de narcotráfico, os bandidos são verdadeiros detentores do poderio bélico, pois utilizam armas de uso restrito das forças armadas e policiais.

Assim sendo, os maiores beneficiados com essa guerra civil que se trava nas periferias ou nos subúrbios (nas favelas) são os fabricantes das mencionadas armas de guerra, que depois passam a vendê-las aos governos federal e estaduais para que estes reequipem as suas  forças armadas e policiais. Trata-se excelente forma de "merchandising" para vender armas. Os bandidos comprovam a eficácia das mesmas. Por esse importante trabalho, os bandidos devem receber as armas quase gratuitamente, talvez a preço de custo.

A outra guerra, que já contou com a participação das forças armadas, é praticada pela polícia contra os criminosos de modo geral. A enorme desigualdade social e a falta de trabalho com salários dignos tem estimulado a alta criminalidade não somente no Brasil como em todo  mundo.

Segundo os colaboradores do Wikipédia, o mencionado sincretismo é a fusão de doutrinas de diversas origens, seja na esfera das crenças religiosas, seja nas filosóficas. A origem do termo se deve provavelmente ao livro "Moralidades", de Plutarco no capítulo "amor fraternal", em que o autor comenta que os cretenses (habitantes da Ilha de Creta, situada no Mar Mediterrâneo) esqueciam as diferenças internas (qualquer tipo de discriminação, preconceito ou segregação social) a fim de se unirem para combater um mal maior. Dessa descrição deduz-se que sincretismo é agir como os cretenses agiam, unir coisas díspares, apesar das diferenças, a favor do que é semelhante (cretenses eram, antes das diferenças, cretenses, isto é, patriotas, nacionalistas). Por sua vez, na história das religiões, o sincretismo é uma fusão de concepções religiosas diferentes, ou, a influência exercida por uma religião nas práticas de uma outra.

FAZ-SE NECESSÁRIA UMA REDISTRIBUIÇÃO PLANETÁRIA DAS RIQUEZAS

Na realidade com o sistema colonialista implantado a partir dos descobrimentos marítimos iniciados em 1492 (Século XV), quando também se iniciou a Idade Moderna, houve uma imensa inversão de valores visto que os povos colonizados eram os fornecedores das matérias-primas que os colonizadores não possuíam em seu território pátrio. Isto vem acontecendo até os dias de hoje, mediante o neocolonialismo.

Como a manutenção do colonialismo se tornou imensamente dispendiosa, os colonizadores passaram a permitir a independência das colônias, que automaticamente foram transformadas em colônias econômicas, inclusive mediante suborno dos governantes, muitos deles empossados como ditadores.

Assim, os países colonizadores garantiram para si as matérias-primas fornecidas pelos colonizados, que as vendiam por preço irrisório. Isto é, seus preços tinham pouco valor comercial no mercado internacional (leia-se: bolsas de mercadorias e de futuros), apesar de serem indispensáveis aos países desenvolvidos. Obviamente os preços eram manipulados para baixo pelos grandes especuladores.

Por sua vez, os produtos supérfluos vendidos pelos países colonizadores tinham alto valor comercial, quando consumidos pelos ricos exportadores dos países colonizados.

Nesse período desde o início da Revolução Industrial até a Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra era o principal país neocolonialista (denominação dada ao colonialismo econômico).

O Brasil foi vítima desse neocolonialismo inglês até a década de 1960, quando a elite intelectual e econômica brasileira tentou passar o bastão do comando neocolonialista aos norte-americanos, por meio da chamada "Aliança para o Progresso" (Deles), como diziam os esquerdistas. Por final, todos os países sul-americanos perderam com a falsa aliança.

No Brasil, entre outros atos danosos ao nosso país, o governo militar concedeu incentivos fiscais para a rápida exaustão das reservas minerais conhecidas naquela época.

Como principal resultado desse incentivo governamental, além da exportação de minério de ferro a preços subsidiados (abaixo do custo de produção), foi remetido para os Estados Unidos todo o minério de manganês extraído da Serra do Navio no Amapá, sem nenhum benefício para aquele Estado, que naquela época era um Território sob administração federal. Em síntese, todo o povo brasileiro perdeu com o danoso incentivo à exaustão de nossas reservas minerais.

O maior problema enfrentado a partir da década de 1970 ficou por conta da nítida e crescente incapacidade dos Estados Unidos e dos demais países desenvolvidos de produzirem riquezas justamente em razão de não possuírem as matérias-primas necessárias à manutenção de seus respectivos parques industriais.

Foi naquela época que surgiram vários paraísos fiscais, além da tradicional Suíça, de Luxemburgo, Andorra e Liechtenstein, todos na Europa colonizadora.

Diante daquele nítido descompasso na economia norte-americana, várias empresas atualmente conhecidas como multinacionais transferiram suas matrizes escriturais (só no papel) para esses novos paraísos fiscais (chamados de ilhas do inconfessável), alguns deles com população inferior a 25 mil pessoas.

A fuga desse empresariado em busca da isenção de tributos provocou a redução da arrecadação tributária nos países desenvolvidos e também aumentou o desemprego porque foram fechadas várias fábricas, que se instalaram em outros países. Isto fez com que algumas cidades norte-americanas declarassem falência (bancarrota) para evitar o pagamento de suas dívidas, que só poderiam ser saldadas mediante a obtenção de novos empréstimos.

O Poder Judiciário não concedeu a falência da cidade de Detroit, por exemplo, porque os principais credores eram os servidores públicos aposentados. Então, surgiu um novo problema:

- Como pagar os empréstimos obtidos, se a cada ano a arrecadação tributária é menor?

Desse modo, todos os anos novos empréstimos seriam contratados e os juros pagos aos credores também seriam em percentuais cada vez mais elevados em razão do alto risco de inadimplência estatal.

Isto também aconteceu no Brasil desde a implantação do regime militar de 1964 até o ano de 2002 quanto findou  Governo FHC.

Mas, como o Brasil possuía e ainda possui farta quantidade de matérias-primas indispensáveis aos países desenvolvidos e os nossos trabalhadores naquela época ainda aceitavam trabalhar por um salário-mínimo correspondente a míseros US$ 60, foi fácil novamente convocar as indústrias a produzirem para exportação, visto que a moeda brasileira foi espertamente mantida desvalorizada pelo novo governo iniciado em 2003.

Motivado pelo grande surto de exportações, inclusive do setor do agronegócio, o governo federal deixou de buscar empréstimos externos e ainda saldou a dita "impagável" dívida externa assumida pelos nossos governos anteriores, razão pela qual eram fortemente fiscalizados ou comandados pelo FMI - Fundo Monetário Internacional.

A partir de 2005 as Reservas Monetárias brasileiras já eram abundantes, fato jamais conseguido pelos nossos antiquados governantes. O Brasil chegou a ficar entre os cinco países maiores detentores de reservas monetárias e também ainda é um dos maiores detentores de reservas minerais.

O enorme e progressivamente crescente endividamento dos Estados Unidos (mediante a farta emissão de papel moeda sem lastro), ainda na década de 1970 fez com que fosse abandonado o PADRÃO OURO para o DÓLAR. Ou seja, não mais havia ouro suficiente para resgatar a grandiosa quantidade de papel moeda norte-americano que agora (desde aquela época) circula sem lastro pelo mundo afora.

Entretanto, a mais grave das falências econômicas enfrentadas pelos Estados Unidos aconteceu em 2008 quando a desenfreada especulação imobiliária provocou a fatídica Crise Mundial.

Veja o que motivo a falência do Lehman Brothers (Manipulação das Demonstrações Contábeis).

Todos os investidores que aplicaram suas reservas em Wall Street (Centro Financeiro de Nova Iorque),  inclusive os fundos de pensão de trabalhadores de diversos países europeus, perderam muito dinheiro. E essa perda tem se revelado definitiva para desespero dos pequenos investidores, os trabalhadores contribuintes dos Fundos de Pensão.

Como nos países colonizados a mão de obra era e ainda é mais barata que nos países desenvolvidos, as suas grandes empresas foram transferindo suas fábricas para esses redutos (terra sem lei) de visível escravidão da mão de obra humana.

Isto também acontecia no Brasil com os "boias frias" e com muitos outros trabalhadores. E continuou acontecendo com os mais de 20 mil escravos libertados pelos fiscais do Ministério de Trabalho. Muitos agentes públicos foram ameaçados e outros assassinados pelos escravocratas porque aqueles servidores públicos exemplarmente desempenhavam a função de combater o trabalho escravo de pessoas com baixa profissionalização, constituída especialmente por analfabetos.

Mediante o pagamento de baixos salários, aconteceu o máximo empobrecimento dos trabalhadores que passaram a morar em favelas.

Apesar dos esforços governamentais, em algumas regiões (principalmente no nordeste) o índice de analfabetismo é muito elevado. E, justamente esses eternos abandonados pelos políticos regionais, são os que mais os adoraram. Tal inversão de valores é chamada de Síndrome de Estocolmo em que pessoas sequestradas (ameaçadas ou exploradas) passam a defender seus algozes, inclusive nas causas judiciais destinadas a estabelecer a penalização pelos crimes cometidos.

Talvez por não conhecerem profundamente os fatos aqui narrados, as articulistas do Jornal O Globo, mostraram-se surpresas ao escreveram que na avaliação do referido sociólogo, considerando a atual crise econômica mundial, faz-se necessária “uma redistribuição planetária da riqueza”, na qual os países mais ricos ficarão menos ricos e os pobres, menos pobres.

Na verdade está sendo naturalmente quebrada, extinta, revertida a inversão de valores reinante desde o Século XV. E isto só está acontecendo graças aos erros cometidos pelos economistas neoliberais, que são os responsáveis pela falência econômica dos países desenvolvidos.

Veja as explicações complementares no texto: Volta Keynes, Estás Perdoado.

Os países que verdadeiramente têm valor monetário, isto é, os países realmente ricos são os que possuem reservas minerais. Entre estes países não estão os países desenvolvidos, principal os da Europa.

De fato muitos brasileiros recusam-se a acreditar que o Brasil a partir de 2003 tenha alguma importância para o mundo. Afinal, como o Brasil não mais deve ao FMI - Fundo Monetário Internacional, alguns chegam a perguntar: O FMI ainda existe?

Existe. A diferença é que o Brasil agora é credor do FMI. Antes era um eterno devedor.

ENTREVISTA CONCEDIDA POR DOMENICO DE MASI AO JORNAL O GLOBO

Então, as articulistas do jornal O Globo formularam as seguintes questões, entre outras, que a seguir estão acompanhadas das pertinentes respostas do sociólogo Domenico De Masi:

O senhor aborda no livro a situação única do Brasil. O que mais se destaca no nosso modelo de vida?

O MODELO ADOTADO NO BRASIL A PARTIR DE 2003

A especificidade do Brasil me pareceu evidente ao ler livros, ver filmes e telenovelas e viajar centenas de vezes por todo o país, tendo contatos intensos com brasileiros de todas as classes sociais.

Hoje, o Brasil está só, entre dois modelos antigos em crise — o europeu e o americano — e um novo modelo que o mundo inteiro espera, que demora a nascer, mas que virá mais cedo ou mais tarde.

Num mundo global não é mais possível que apenas um país desenhe esse modelo, mas ele ocorre com a contribuição de todos.

De cada modelo já experimentado no Oriente e no Ocidente devemos extrair o melhor e, a partir desse recurso cultural oportunamente selecionado, atualizado e modelado, devemos definir os valores capazes de orientar nossa sociedade pós-industrial, indicando-lhe a meta e a rota.

Dizia Sêneca: “Nenhum vento é favorável para o marinheiro que não sabe aonde quer ir”. Devemos definir onde e como, se não permaneceremos na confusão.

O destacado em negrito itálico foi o que aconteceu com os governantes daquele lastimável passado em que acompanhávamos o empobrecimento da nossa população por meio do elevado crescimento das favelas e da criminalidade.

Com seu patrimônio histórico e cultural, o Brasil pode dar contribuições insubstituíveis à formação do novo modelo global e os intelectuais brasileiros podem conferir a esse modelo uma dimensão ecumênica [esclarecedora, doutrinadora, empreendedora, professoral].

Pode citar um exemplo?

NO BRASIL A SEGREGAÇÃO SOCIAL E RACIAL SÓ É ALIMENTADA PELOS RICOS

Está acontecendo no mundo a mais imponente mistura racial de todos os tempos, determinada a nível físico pelas migrações e, a nível cultural, pela mídia e pela internet. Todo o mundo está virando mestiço, mas apenas o Brasil já experimentou há tanto tempo e tão a fundo a miscigenação.

No século XX, os intelectuais que Sérgio Buarque de Hollanda chamou de “inventores do Brasil” (de Joaquim Nabuco a Euclides da Cunha, de Manoel Bomfim a Paulo Prado, de Gilberto Freire a Celso Furtado) se esforçaram em revelar o Brasil para os brasileiros partindo justamente da sua miscigenação.

Da mesma forma, o mundo aguarda quem revele a Terra aos humanos, quem a reinvente, conferindo-lhe, a partir de um novo modelo de vida, uma identidade nova e consciente.

O que os outros países podem aprender com o Brasil?

O ABSURDO RACISMO ALIMENTADO PELA OLIGARQUIA DESDE  O CORONELISMO

No curso de sua História, a humanidade produziu modelos de vida que homogeneizaram massas enormes nas grandes comunidades que chamamos civilização.

No livro, escolhi 15 modelos (como, por exemplo, chinês, católico e industrial capitalista) que considero mais úteis para a construção do modelo necessário ao desenvolvimento equilibrado da nossa vida.

O modelo brasileiro ... contém fatores de distorção (como a excessiva aprovação do modelo americano) ou fatores intoleráveis (como a distância entre pobres e ricos, o analfabetismo, a corrupção).

[Em contrapartida, como diriam os contadores], o Brasil cultiva uma série de aspectos positivos em quantidade dificilmente disponíveis em outro lugar: por exemplo o sincretismo, a cordialidade, a sensualidade sem o senso de culpa (“Não existe pecado do lado de baixo do Equador”, canta Chico), a receptividade, a amizade, a antropofagia cultural, a postura positiva em relação à vida, a aversão à guerra, a baixa propensão ao racismo, a tendência a considerar fluidos os limites entre o sagrado e o profano, entre o formal e o informal, entre o público e o privado, entre a emoção e a regra.

O senhor diz que as manifestações sociais no Brasil são causadas pela desorientação e confusão psicossocial provocada pela falta de um modelo de referência. Como isso ocorre?

Hoje a desorientação representa o fator determinante de cada manifestação da sociedade. Não apenas no Brasil, mas em todas as sociedades industriais e pós-industriais. Isso deriva da nossa dificuldade em compreender, metabolizar e gerir o desenvolvimento tecnológico, as mudanças organizacionais, a globalização, a prevalência da economia e das finanças sobre a política [governamental em favor do Povo], a escolarização difundida, a mídia de massa e a internet. Todo o mundo falou dos movimentos no Brasil, nos Estados Unidos, na França, na Turquia.

O que diferencia o Brasil?

O Brasil é visto como um país aberto ao novo e às mudanças. Um país que, ainda nos piores momentos, afronta a realidade com um sentimento positivo.

Em relação ao passado, o país apresenta dois novos elementos: para vocês é mais difundida a consciência de ser uma nação de ponta, propositiva, capaz de realizar profundas mutações no seu interior e de propor também ao exterior o seu modo de ser. O movimento social que, durante os últimos meses, se verificou em várias formas nas praças, na internet e nos shopping centers brasileiros representa uma de tantas expressões desse crescimento.

Porém, aliada aos detentores do poderio econômico (representados pelo empresariado dos shopping centers e pelos detentores das grandes grifes), a elite brasileira está tentando impedir o "rolezinho" dos menos favorecidos, como meio de perpetuação da segregação social existente.

O Brasil foi precocemente pós-industrial. Em alguns casos as contestações vieram de forma latente, escondidas na música, no futebol, na capoeira, no carnaval. Em outros, vieram de forma mais explícita, por meio de movimentos artísticos, políticos, sindicais e religiosos.

Hoje, chegam de forma virtual pela internet e em forma física nas manifestações nas praças, nos saques a grandes lojas e no vandalismo contra os bancos, considerados as mães de todos os desastres econômicos.

Diferentemente de nós, italianos, que toleramos covardemente Silvio Berlusconi (ex-primeiro ministro) e o berlusconismo, os brasileiros demonstraram ter uma paciência limitada e saber enfrentar os males comuns.

É provável que alguns dos manifestantes tenham sido motivados pelo consumismo, mas a grande maioria quer aumentar a igualdade e a justiça combatendo a violência, a corrupção, o analfabetismo, as distâncias entre os exploradores e os explorados.

Tudo isso de modo bastante pacífico, se pensarmos que no século XVIII a burguesia chegou ao poder guilhotinando mais de vinte mil nobres.

O sociólogo esqueceu de dizer que na África do Sul os negros chegaram ao governo porque não mais deixavam os brancos andar nas ruas. No Brasil está acontecendo algo parecido. Muitos dos empobrecidos vêm enfrentando seus algozes. Assim, a preconceituosa e discriminadora oligarquia brasileira, e também os seus seguidores (entre eles: os consultores, servidores, serviçais e cabos eleitorais), estão cada vez mais trancados em suas próprias casas ou em condomínios fechados, em que também se escondem os bandidos de alta estirpe como os empresários que contratam lobistas para subornar servidores públicos e que fraudam em licitações públicas.

Também estão trancados nas mansões ou "coberturas" de luxuosos prédios aqueles grandes investidores ou capitalistas que promovem uma artificial inflação para que seja aumentado o percentual dos juros pagos pelo governo como rendimento aos seus investimentos em títulos públicos.

O senhor argumenta que o recuo do PIB dos países ricos e a crise financeira de 2008 são o início de “uma longa e implacável redistribuição mundial de riqueza". Como se dá o fenômeno?

O PIB global cresce cerca de três ou quatro pontos percentuais a cada ano. Por séculos, esse crescimento foi vantajoso para o primeiro mundo, às custas do terceiro mundo, enquanto hoje favorece, sobretudo, os países emergentes.

Entre 1982 e 1987, os dez países que mais contribuíram para o crescimento global foram EUA (30%), Japão (10,3%) e China (9%), seguidos por Reino Unido, Brasil, Índia, Alemanha, Coreia do Sul, Itália e Canadá.

Estudo do FMI e do Instituto Global McKinsey nos diz como mudará essa escala entre 2012 e 2017.

Em primeiro lugar virá a China (34%), seguida por Estados Unidos (14%), Índia (9%), Brasil (4%) e depois Rússia, Indonésia, Coreia do Sul, México, Japão e Turquia.

Saíram da lista da década de 1980 os países europeus porque em seus respectivos territórios não existem matérias-primas suficientes para abastecer as suas antigas indústrias, que também não mais existem porque seus controladores as transferiram para outros países, especialmente para alguns dos enumerados no parágrafo imediatamente acima. Obviamente as indústrias não foram para os Estados Unidos e o Japão porque nesses países a mão de obra é excessivamente cara. No Japão o problema é o enorme Custo Japão, agravado pelas constantemente catástrofes sísmicas.

Assim sendo, os países mais ricos se tornarão menos ricos e os países mais pobres se tornarão menos pobres.

Este processo [falimentar], que o primeiro mundo chama de “crise”, iludindo-se que será passageiro, na realidade é uma redistribuição planetária da riqueza que transformará cada vez mais a ordem sociopolítica do mundo.

COMO SE PROCESSOU A CRISE MUNDIAL QUE PODE SER DEFINITIVA?

Textos de autoria do coordenador deste COSIFE publicados desde 2009 têm afirmado que a crise enfrentada pelo países desenvolvidos não cessará.

Por quê?

Porque os países chamados de desenvolvidos não mais retornarão ao progresso enquanto não conseguirem que suas antigas industrias voltem a produzir em seus respectivos territórios de origem.

Diante do atual Sistema Monetário Mundial, administrado pelo FMI - Fundo Monetário Internacional desde o final da Segunda Guerra Mundial, os países que dependem das matérias-primas importadas das rotas quinhentistas exploradas por Portugal e Espanha tornaram-se altamente devedores porque agora são importadores de produtos industrializados na Ásia, onde a mão de obra é mais barata.

Em razão dessa corrida pela mão de obra escrava, as chamadas multinacionais transferiram suas sedes (agora virtuais) para paraísos fiscais cartoriais, deixando de pagar tributos em seus países de origem. Também, transferiram suas fábricas para paraísos fiscais industriais, a procura de menores tributos e mão de obra barata.

Por consequência, tornaram-se crônicos nos países desenvolvidos os déficits orçamentários por falta de arrecadação tributária e os déficits no Balanço de Pagamentos porque o montante das importações é superior ao das exportações. Em razão desses crônicos déficits, tais países chegaram à bancarrota (falência econômica).

Em suma, explicando de outro jeito, os chamados de países desenvolvidos (outrora sinônimo de industrializados) perderam suas indústrias razão pela qual não mais exportam o suficiente para pagamento de suas importações. Daí surgiu a impagável Dívida Externa, assumida em consequência dos eternos déficits no Balanço de Pagamentos.

Idêntico fato ocorria no Brasil até 2002. A partir de 2005 o Brasil se tornou credor e passou a acumular Reservas Monetárias, tal como também aconteceu com os países asiáticos.

Coincidentemente ou não, a partir da posse de Lula como presidente brasileiro vem acontecendo uma sensível alteração na Ordem Mundial de modo que os antigos países produtores de matérias primas agora são chamados de países emergentes (ex-subdesenvolvidos) e os antigos países desenvolvidos agora são os principais consumidores de produtos industrializados.

Essa nova ordem mundial criada pelos economistas neoliberais, por eles denominada como Globalização, está sendo fatal para o velho continente europeu e também para os países chamados de desenvolvidos.

Para que essa nova ordem mundial não se perpetue e para que os países agora falidos voltem a prosperar, eles seriam obrigados a mudar de atividade operacional. Ou seja, deveriam passar de industrializados para a categoria de prestadores de serviços. É o que vem acontecendo com o Japão.

Entre esses serviços estão a produção e a venda de tecnologia. Porém, eles (os países desenvolvidos) nunca quiseram vender essa tecnologia. Agora é tarde demais para vendê-la.

Suas antigas indústrias (as verdadeiras proprietárias da tecnologia) foram utilizá-la gratuitamente nos países asiáticos, em razão da mera falta de patriotismo e nacionalismo do empresariado multinacional, segundo o lema de que "capital não tem pátria".

Assim sendo, só restaria aos países desenvolvidos a encampação das empresas evadidas. A solução para a iliquidez agora enfrentada é o Estado (Nação politicamente organizada) assumir a condição de produtor de riquezas e de controlador de sua economia e não mais as empresas privadas.

Deixar a produção e a regulação dos mercados nas mãos da iniciativa privada foi o grande erro cometido pelos meramente teóricos economistas neoliberais. Estes foram os verdadeiros causadores (culpados) da falência das nações desenvolvidas. Se as empresas não tivessem fugido de seus países de origem e não fossem excelentes sonegadoras de tributos, nada disto teria acontecido.

Torna-se importante esclarecer que empresa estatal em tese e também na pratica não pode ser sonegadora de tributos porque é controlada pelo próprio governo que é o principal interessado na arrecadação dos tributos diuturnamente sonegados pelas empresas privadas.

Foi com a intensão de arrecadar tributos e de produzir riquezas que foram criadas as empresas estatais brasileiras desde que Getúlio Vargas tomou posse em 1930.

Na Itália do sociólogo entrevistado pelo jornal O Globo aconteceu o mesmo.

Veja as informações no texto em que se comenta a função do Fundo de Investimentos do Tesouro Nacional, que é semelhante à função exercida pelo IRI - Instituto para Reconstrução Industrial italiana, que foi criado depois de encerrada a Segunda Guerra Mundial para controlar empresas que trabalharam para recuperação da economia italiana destroçada pela Guerra.

A outra razão para criação das empresas estatais foi a de que não existiam investidores privados que quisessem assumir os riscos empresariais necessários ao desenvolvimento nacional. Eles preferiam investir em títulos públicos, cujo dinheiro era investido nas estatais.

Para que seja retomado o controle da economia pelos países desenvolvidos, seria necessária a participação dos países que receberam os investimentos estrangeiros vindos de paraísos fiscais.

Como isso se processaria?

A primeira alternativa seria a de modificar o sistema monetário internacional em que os países são devedores ou credores de outros países.

Cessado esse velho sistema, somente as empresas (incluindo os bancos) seriam devedoras e credoras entre si. Isto é, os países não mais seriam corresponsáveis pela quebra de bancos privados, por exemplo.

Essa foi a tática utilizada pela Islândia, abstendo-se de assumir a dívida externa dos banqueiros, a qual era correspondente a cinco vezes o PIB - Produto Interno Bruto daquele pequeno País insular situado no Oceano Atlântico entre a Noruega e a Groenlândia.

Adotado esse novo sistema monetário entre empresas, somente os bancos estatais seriam devedores ou credores de idênticas instituições de outros países. Esses bancos seriam intermediários de operações necessárias ao desenvolvimento nacional e de intercâmbio entre países. Isto é, os países e os bancos estatais não mais interfeririam e não mais garantiriam negócios privados, principalmente os especulativos, que foram os causadores da Crise Mundial ora existente.

Voltando à entrevista feita pelo jornal O Globo, as articulistas perguntaram:

Estados Unidos e Europa perderão o espaço que ocupam?

Os Estados Unidos e a Europa continuarão a liderar a economia e a produção de ideias, mas a distância com o Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) e os Civets (Colômbia, Indonésia, Vietnã, Egito, Turquia e África do Sul) será menor.

Neste ponto o sociólogo engana-se redondamente justamente por não ter conhecimentos científicos ou técnicos sobre contabilidade.

A contabilidade é a controladora de tudo, desde a rudimentar praticada nos lares, passando pela contabilidade dos vários estágios de grandeza das entidades privadas e públicas com ou sem fins lucrativos, até chegarmos à Contabilidade Pública (interna = orçamentária federal, estadual e municipal) e à Contabilidade Nacional (externa = Balanço de Pagamentos = relações comerciais e financeiras entre países).

Os cônicos déficits orçamentários e no Balanço de Pagamentos transformaram os países desenvolvidos em eternos devedores.

Portanto, nenhum país poderá liderar a economia mundial sendo um eterno devedor. Como país devedor será um eterno dependente dos demais países (os credores externos).

Antes de 2003 o Brasil era um eterno devedor. Logo, não tinha condições de servir de exemplo para o mundo, ao contrário de agora.

A simples produção de ideias não gera receitas de exportação. As receitas seriam resultado da venda ao exterior da tecnologia produzida pelas ideias. Porém, como já foi dito, no sistema capitalista a tecnologia é de propriedade das empresas, mesmo que subvencionada pelo governo.

No sistema monetário internacional a contabilidade não funciona porque os economistas odeiam contabilidade. Diante desse fato, os números dos Balanços de Pagamentos podem ser facilmente manipulados, assim como o verdadeiro valor do PIB - Produto Interno Bruto.

As explicações sobre essa afirmação estão no texto sobre Blindagem Fiscal e Patrimonial em que se comenta os seus Efeitos no Balanço de Pagamentos das Nações, mesmo porque a própria consolidação desses balanços não fecha em razão de ser desprezada a Teoria da Partidas Dobradas de Luca Pacciolo, a qual estabelece que: para cada débito deve haver um ou mais créditos e vice-versa.

Como na prática não acontece verdadeiramente esse tipo de escrituração com o casamento de débitos e créditos, a Consolidação dos Balanços de Pagamentos de todos os países não fecha. Existem muitos países devedores e não existem correspondentes países credores.

Logo, os verdadeiros credores são pessoas jurídicas registradas como OFFSHORE em paraísos fiscais cartoriais.

Em razão dessa enorme balbúrdia numérica, sob a denominação de informação econômica efetuada por leigos em contabilidade, defende-se a tese de que no sistema monetário internacional só seriam devedoras ou credoras as empresas (entidade jurídicas de direito privado, incluindo os bancos) e não os países.

No novo sistema os países seriam representados por empresas públicas e de economia mista em que se incluem os bancos estatais (aqueles controlados pelo governo).

Como pode ser definido o ócio criativo num mundo do trabalho com cada vez mais tecnologias? A presença mais disseminada de smartphones, tablets e redes sociais não elimina o espaço para o ócio criativo?

Por “ócio criativo” não quero dizer repousar, perder tempo ou não fazer nada, rendendo-se à preguiça.

Como “ócio criativo” entendo aquela atividade humana em que convergem e se confundem o trabalho com que criamos riqueza, o estudo com que criamos conhecimento e o jogo com que criamos alegria.

Assim, "Ócio Criativo" é a atividade do artesão, do artista, do empreendedor, da dona de casa, do cientista quando desenvolvida com curiosidade, motivação, criatividade e satisfação. Sem a finalidade precípua de lucro fácil e rápido.

Smartphones, tablets e redes sociais são instrumentos que liberam tempo, permitem interações, facilitam conhecimentos. São os melhores aliados do ócio criativo. Eles reduzem a possibilidade de estar isolado ou desinformado, por exemplo. Mas podem fazer perder ou ganhar tempo. Eles são grandes aliados se usados com sabedoria.

Serão utilizados com sabedoria se de fato contribuírem para o aumento do conhecimento intelectual, profissional, científico e tecnológico, para realização de operações bancárias e comerciais, e não para a disseminação de baboseiras.

O senhor diz que um novo modelo de vida deve ser escrito por todos e para todos. Vê espaço para uma geração espontânea dessas contribuições?

Com o surgimento da internet e das redes sociais, a cultura é produzida por muitos e destinada a muitos: todos os dias, por exemplo, milhares de pessoas ajudam a escrever a Wikipedia e milhares a consultam.

Cada um dos 15 modelos examinados por mim no livro ensina o que aceitar e o que evitar na construção do modelo que nos falta.

O modelo que nos ocorre hoje deve ter uma ótica planetária e, logo, deve envolver os melhores intelectuais de cada disciplina e de todo o mundo.

Atualmente, não existe uma organização prática que possa recolher e coordenar essas contribuições, e este vazio foi preenchido por banqueiros [inescrupulosos que são manipuladores de cotações, lavadores de dinheiro sujo, agentes da blindagem fiscal e patrimonial de sonegadores de tributos].

Enfim, os banqueiros são maiores bandidos especialmente habilitados para operar o grandioso sistema financeiro criado pelos economistas neoliberais em que é escondido o dinheiro desonestamente ganho por corruptos, narcotraficantes, terroristas e toda a sorte de outros perigosos malfeitores econômicos e financeiros.

Com recursos [desse sistema financeiro internacional administrado especialmente por aventureiros, especuladores e apostadores que se recusam a entrar nos verdadeiros cassinos], eles [banqueiros] homogeneizaram a economia e com a economia homogeneizaram a política, impondo os seus valores [tendenciosos e mesquinhos, sempre contrários ao bem-estar da coletividade].

Mas existem todas as premissas para que essa organização se forme e, por sorte, dispomos de muitos casos de vanguarda que nos antecipam a experimentação: por exemplo, o Projeto Genoma no campo científico, os movimentos Slow Food e a Terra Madre (rede de organizações que promovem a produção sustentável de alimentos) no campo agrícola, o Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela (sistema de educação musical pública) no campo musical.

A História ensina que, quando os velhos modelos não satisfazem mais, mais cedo ou mais tarde floresce um novo, que oferece mais esperança e serenidade.

CONCLUSÃO

Diante do explicado pelo sociólogo em resposta a essa última questão formulada pelas articulistas do Jornal O Globo, torna-se urgente a modificação do Sistema Monetária Internacional.

Como está, daqui em diante os antigos países desenvolvidos serão os eternos devedores e os países com mão de obra barata (ex-subdesenvolvidos), que tenham grandes estoques de matérias-primas em seu subsolo, serão os eternos credores das demais Nações.

E isso só não aconteceu até agora porque a eletrônica e a informática não eram suficientemente desenvolvidas para o pleno atendimento das necessidades máximas da contabilidade em esfera global.

Assim, essa novíssima TI - Tecnologia da Informação por intermédio da internet existente somente neste Século XXI contribuiu para a mais rápida integração dos centros de processamentos de dados contábeis, financeiros, econômicos e estatísticos, enfim, comerciais e bancários também incluindo nesse rol operacional os negócios meramente especulativos realizados nas bolsas de valores e de mercadorias e futuros, incluindo a lavagem de dinheiro sujo efetuada pelos Bancos Offshore indiretamente controlados pelos grandes bancos internacionais.

Isto significa que a Internet e o sistema monetário internacional servem tanto para o bem quanto servem para o mal e disto se aproveitam os grandes criminosos de todas as mais altas estirpes.

Afinal, como dizem por aí, os paraísos fiscais estão ao alcance de todos os criminosos. Assim sendo, os governantes de todos os países devem confiscar os investimentos efetuados em seus respectivos territórios nacionais que sejam oriundos de paraísos fiscais.

Também devem ser cobrados elevados tributos sobre as importações vindas de paraísos fiscais e sobre as exportações idas para paraísos fiscais.

Somente desse modo Crise Mundial teria um final viável, visto que os governos têm a obrigação de cuidar dos interesses da coletividade por eles governada, ao contrário do que vêm fazendo os governantes europeus que não são escandinavos.

O empresariado inescrupuloso pensa somente em si mesmo, custe o que custar, desde que o eventual prejuízo por ele sofrido seja assumindo pelo governo (pelo Povo), como queriam fazer os banqueiros islandeses e efetivamente fizeram os banqueiros norte-americanos e europeus.

Os dois exemplos a serem seguidos são o da Islândia e mais recentemente o que foi exigido de Chipre pelos alemãs. Afinal, seria um absurdo ajudar financeiramente parte dos banqueiros "offshore" e os sonegadores de tributos escondidos em Paraísos Fiscais que são os principais causadores da Crise ora vivida pela Europa.