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COMO TORNAR O MERCADO FINANCEIRO SÓCIO DA INFLAÇÃO

COMO TORNAR O MERCADO FINANCEIRO SÓCIO DA INFLAÇÃO

OS TROPEÇOS DA CIÊNCIA TRISTE

São Paulo, 05/04/2014 (Revisado em 22-06-2017)

Referências: COPOM - Comitê de Política Econômica e Monetária, Taxa SELIC - Taxa de Juros, Privilégios do Grande Capital em Prejuízo do Povo, Inflação - Aquecimento da Demanda, Investimentos na Produção versus Ciranda Financeira.

COMO TORNAR O MERCADO FINANCEIRO SÓCIO DA INFLAÇÃO

EM CIMA DO MODELO DE CONTROLE DA INFLAÇÃO DO BANCO CENTRAL, MONTOU-SE A MAIOR MÁQUINA CAÇA-NÍQUEL DA HISTÓRIA

Texto original em letras pretas por Luis Nassif, publicado 04/04/2014 por Carta Capital - Economia. Aqui editado com a colocação de comentários e informações adicionais por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO E A ESPERTEZA DOS NEOLIBERAIS ANARQUISTAS

O chamado modelo neoliberal conseguiu impingir diversos mitos ao país [chamado de Brasil]. Por exemplo, a ideia de que bastaria um ajuste fiscal rigoroso e plena liberdade para os capitais para se obter o crescimento eterno. Ou a ideia dos déficits gêmeos - a de que o equilíbrio fiscal asseguraria automaticamente o equilíbrio externo.

Foi essa bobagem, aliás, que fez a Standard & Poor's [Agência de Rating ou de Classificação de Riscos] cobrir de elogios a Argentina poucos dias antes da sua quebra, com Domingo Cavallo.

Sobre as grandes mancadas das desqualificadas e desclassificadas Agências de Rating, veja os respectivos textos publicados neste COSIFE.

Mas não existe tema onde se casou melhor sofisma econômico e esperteza do que o modelo de metas inflacionárias, trazido para o país por Armínio Fraga, no governo FHC, e preservado com fé cega por Henrique Meirelles no Governo Lula e por um quase anônimo funcionário do Banco Central no Governo Dilma.

Este último presidente do BACEN ficou como verdadeiro testa de ferro, para dar continuidade à aplicação dos dogmas econômicos e, assim, assumir a responsabilidade por todas as barbaridades outrora praticadas na gestão de nossa política econômica e monetária.

Trata-se de um modelo simples, como um produto da TelexFree.

O mercado de capitais globalizado, cujos magnatas dele idealizadores estão escondidos em paraísos fiscais, tornou-se numa máquina caça-níqueis que assume seu objetivo por meio de uma disfarçada pirâmide financeira em benefício exclusivo do Grande Capital (em prejuízo do Povo, no mundo todo).

Essa máquina caça-níqueis, alimentada com o dinheiro das verbas públicas oriundas dos tributos arrecadados, é destinada ao constante engrandecimento da coleção de riquezas dos magnatas que têm o grandioso poder de destituir ou aniquilar governantes e falir países, levando-os à bancarrota.

No Brasil, por exemplo, o sistema introduzido por Armínio Fraga, presidente do BACEN na fase final do Governo FHC, foi mantido a partir de 2003 para que fosse evitado um Golpe de Estado.

Essa é a verdade, baseada na sempre discutida Teoria da Conspiração.

AS FACETAS DA TEORIA ECONÔMICA SEMPRE A FAVOR DO GRANDE CAPITAL

Se a inflação aumenta, é porque a demanda está aquecida. Logo, há que se desaquecer a demanda. Essa é a lógica da teoria econômica.

O mais viável seria aumentar a produção, para pleno atendimento da demanda.

Essa simplória política econômica, já utilizada por Lula, aumentaria o nosso eterno PIBINHO e também forneceria mais lucros para o empresariado.

Em razão da aplicação dessa tese não pactuada pelos economistas, tivemos um elevado aumento de nosso PIB - Produto Interno Bruto no ano de 2010.

Então, o lucro do empresariado com o aumento da produção também aumentaria a arrecadação tributária, a qual é necessária para que o governo possa investir na saúde e educação, tão suplicada pelo Povo.

Diante dessa lógica poderíamos dizer que os governantes e seus economistas fazem o contrário ao aqui descrito porque odeiam o Povo. Essa afirmativa não está longe da verdade absoluta.

APLICANDO OS DOGMAS ECONÔMICOS

Para o desaquecimento da demanda, inversamente ao aqui explicado, o instrumento de que o Banco Central dispõe é o encarecimento do crédito, considerando que, com menos crédito, haverá menos demanda e os preços cairão.

A teoria econômica assim determina, apesar de seus constantes fracassos, porque os mais conservadores economistas, que mantêm vivos os citados dogmas econômicos, ainda não conseguiram entender que essa esdrúxula tese está totalmente errada.

CONTESTANDO OS DOGMAS ECONÔMICOS

Na prática, o aumento taxa de juros também aumenta a concentração da renda nas mãos dos grandes capitalistas. Este é o principal fato que os mantenedores do dogmas econômicos não conseguem enxergar porque é o que mais alimenta os seus sinais exteriores de riqueza.

De outro lado, o aumento dos juros ainda aumenta o custo operacional das empresas que tomaram empréstimos a curto prazo. Ou seja, na próxima renovação do empréstimo, a empresa estará aumentando seus custos de produção, que obviamente será repassado aos consumidores e assim gerará mais inflação.

Em cima desse conceito teórico completamente errado, utilizado pelos disseminadores dos dogmas econômicos, montou-se a maior máquina caça-níquel da história: o BC fixa uma meta inflacionária; quando aumentam as expectativas em relação à inflação, ele aumenta a taxa de juros.

APLICANDO UM DESFALQUE NO TESOURO NACIONAL

Os economistas do Banco Central, membros do COPOM - Comitê de Política Monetária, ao aumentarem a taxa básica de juros, estão transferindo para os capitalistas significativa parcela dos tributos arrecadados. Isto significa que estão aplicando um desfalque no Tesouro Nacional. Estão roubando o dinheiro que é do Povo.

Tal como mencionam os técnicos da Receita Federal, com base em números absolutos (o efetivamente arrecadado), a maior parte dos tributos é paga pelo Povo, o consumidor.

Sobre esse fato, veja o texto publicado pela BBC Brasil, intitulado Rico é Menos Taxado no Brasil do que na Maioria do G-20.

Em 2014, por exemplo, no Orçamento Nacional foram destacados mais de 42% dos tributos que serão arrecadados para pagamento dos juros e do resgate de títulos públicos. Oitenta por cento desses títulos públicos estão nas mãos de aproximadamente 20 mil capitalistas, que são sempre os principais beneficiados por esses aumentos das taxas de juros.

Esse maior pagamento de juros pelo Tesouro Nacional fará com que muitos produtores deixem de produzir, para aplicar seu capital de giro e de reinvestimento na ciranda financeira.

Então, por falta de produção de bens de consumo, a demanda novamente não será atendida, o que novamente gerará inflação.

Como já é sabido pelos mais atentos leitores, nem seria preciso relembrar que os juros pagos sobre os títulos públicos emitidos pelo governo são retirados do orçamento nacional que sempre tem altíssimas verbas para destinar aos capitalistas. Em contraposição, as verbas para beneficiar os 80% mais pobres são sempre escassas.

Isto é, as verbas destinadas aos capitalistas serão retiradas daquelas necessárias às políticas sociais. Assim, o Povo será o maior prejudicado.

Com a aplicação de tal Política Monetária, o Povo, além de não ter os produtos para comprar, também não terá as verbas necessárias à saúde, educação e saneamento básico. Os trabalhadores perderão seus respectivos empregos. Isto acontecerá se o empresariado optar pela aplicação de seu capital na ciranda financeira, em vez de aplicar na produção.

DILMA VERSUS LULA - BRIGA COM FOICES NO ESCURO

Dilma nada faz porque também é economista. Para fazer, primeiramente precisaria rasgar o seu diploma acadêmico.

Por sua vez, Lula não deixou os juros subirem porque é semianalfabeto, como diziam e ainda dizem os endinheirados opositores ao seu governo.

Defim Neto no Programa Canal Livre da TV Bandeirantes, em 2009, disse que Lula com tal política econômica de baixar os juros cometeu uma heresia. Isto é, a teoria econômica nada mais é que um dogma, nela nada existindo de verdadeira ciência, por isso é chamada por alguns pela alcunha de "Ciência Triste".

UM EXEMPLO DO QUE É FEITO PELOS GESTORES DA POLÍTICA MONETÁRIA

Vejamos o seguinte raciocínio lógico e sensato de Luis Nassiff.

A inflação sobe, pressionada pelo [artificialmente provocado] aumento dos preços dos alimentos [consumidos pelos 80% mais pobres eleitores]. Nada a ver com o excesso de demanda. Aí o BC aumenta a taxa Selic. O impacto sobre o custo do dinheiro é mínimo. Mas os ganhos do mercado financeiro são maiúsculos. Cada vez que aumenta a inflação, o mercado financeiro ganha e festeja, elogiando, não o governo e sim, os economistas de plantão.

Isto significa que as mais influentes vozes da economia - os analistas do mercado financeiro - tornaram-se sócios da inflação.

Analise o aumento promovido pelo COPOM em 26/03/2014 - 0,25 ponto de aumento na taxa anual. Esse percentual equivale a 0,0208 de aumento na taxa mensal.

Suponha um financiamento de R$ 1.000 por 12 meses a uma taxa (módica) de 2% ao mês. Resultará em uma prestação de R$ 94,35. Supondo que todo o aumento da Selic seja repassado para a prestação, seu valor subirá para R$ 94,45 - 10 centavos a mais. Se fosse uma compra de R$ 10.000, seria R$ 1,00 a mais.

Do exemplo poderíamos supor que, em razão do aumento da taxa de juros, a inflação na verdade vai subir e não cair, visto que o maior custo operacional do empresariado será repassado para os consumidores, principalmente nas suas compras a prazo.

Mas, na prática, a verdade é outra.

NOVAMENTE APLICA-SE A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

Insatisfeitos com o governo popular, porque lá queriam ter os atuais opositores, eternos representantes do Grande Capital, como se aproximam as eleições de 2014, esses capitalistas, aliados aos grandes empresários do setor alimentício, provocam artificialmente a inflação e convocam seus lobistas, ex-dirigentes do Banco Central, para pressionarem os membros do COPOM para aumentarem a taxa de juros.

Conseguido o intento premeditado, os preços são diminuídos pelo cartel de supermercados e os tolos voltam a acreditar que a teoria econômica de fato está certa e é plenamente aplicável.

AS ALTERNATIVAS COM VERDADEIRO EFEITO NA REDUÇÃO DA DEMANDA

Novamente Luis Nassiff explica:

O BC possui inúmeras outras ferramentas para conter o crédito. Tem o depósito compulsório - pelo qual obriga bancos a recolherem [temporariamente nos cofres do BC] parte dos depósitos à vista por eles captados. Pode ainda reduzir prazos de financiamento, exigir entradas maiores [nas vendas a prazo], criar taxas sobre as operações [IOF - Imposto sobre Operações Financeiras], todas medidas com resultados muito mais efetivos.

Ocorre que nenhuma dessas medidas proporciona ganhos ao mercado. Pelo contrário. Se o COPOM adotasse as sugeridas medidas, os economistas de plantão seriam xingados pelos profissionais do mercado de capitais e também pelos capitalistas, os quais desistiriam da tese de que o Banco Central deve agir independentemente das decisões nacionais.

Embora não tenha nenhum impacto sobre o custo do crédito, o aumento da Taxa Selic [juros médios praticados no mercado de títulos públicos custodiados no SELIC] atrai investimentos externos especulativos.

Assim, há um aumento da entrada de dólares que provoca uma apreciação do real [diminuição do preço do dólar] - tudo o que o país não precisa para enfrentar o formidável aumento do déficit do balanço de pagamentos.

A apreciação [valorização] do real ajuda, durante algum tempo, a segurar os preços, com todas as contraindicações conhecidas - aumento do rombo externo [déficits em conta corrente e depois no Balanço de Pagamentos], invasão de importados [adquiridos especialmente pelas classes sociais superiores], desindustrialização com desemprego em massa (diminuição das exportações), fatos estes que ocorreram durante todo o Governo FHC.  Foi assim que nosso PIBINHO de fato chegou ao fundo do poço. Atingimos a negativa 15ª posição em PIB.

, quando a taxa de juros é aumentada, os agentes do mercado financeiro e de capitais saúdam [festejam] como se o BC estivesse de acordo com a fronteira do conhecimento econômico. E essa extravagância - de usar a Taxa Selic para combater a inflação via apreciação do câmbio - é tão científico quanto, antigamente, o uso de sanguessugas para reduzir a febre do paciente.

NAS TEORIAS ECONÔMICAS NEM OS ESTUDANTES ACREDITAM

A verdade é que vem diminuindo o número de estudantes que procuram pelo curso de Ciências Econômicas. A culpa dessa fuga deve ser atribuída aos mais renomados economistas, justamente aqueles que impedem a eliminação dos demonstrados dogmas econômicos.

Tal como mencionou Bernard Maris, catedrático de Economia na Universidade de Toulouse (França) em seu livro "Os Economistas Acima de Qualquer Suspeita ou A Farsa das Previsões", publicado em 1991, comentado em artigo intitulado Obra Acusa os Economistas de Ignorantes e Charlatões, escrito por Napoleão Sabóia, publicado em 1992 pelo Estadão, "os economistas, como médicos de Molière, não passam de “sábios ignorantes” ou, mais precisamente, de “lúgubres charlatões”.

Algo semelhante disseram os economistas progressistas franceses em seu manifesto: Os Mitos Defendidos pelo Capitalistas Sobre a União Europeia, publicado em 2012, em que é destacado o slogan: "O Capitalismo Não Está Trabalhando; Outro Mundo é Possível". Nesse mesmo texto publicado neste COSIFE está comentário sobre o livro Falsa Economia, lançado em 2012.

OS MORTOS-VIVOS DA ECONOMIA

“QUEREMOS A INCLUSÃO DE TEORIAS CRÍTICAS E DE REFLEXÃO”

Por Luiz Gonzaga Belluzzo — publicado 16/12/2013 por Carta Capital - Política. Com Notas, anotações e comentários em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

Bem informado, o leitor de Carta Capital sabe que se multiplicam mundo afora os movimentos de estudantes de Economia pela rejeição aos métodos e prosopopeias que infestaram e infestam a "Ciência Triste", antes e depois da crise mundial de 2008. A mais recente arregimentação de rebelados sacudiu a Universidade de Manchester sob o patrocínio da Post-Crash Economics Society.

Em seu manifesto inaugural, os alunos da Manchester sentam a pua nos professores. Argumentam que não foram advertidos da iminência da crise, muito menos informados dos conceitos ou hipóteses teóricas que permitiriam compreender o que aconteceu no mundo em que tentam sobreviver os homens de carne e osso.

NOTA DO COSIFE:

Deviam ter lido os textos que vem sendo escritos e transcritos no site do COSIFE, começando por aquele de 1992 escrito por Napoleão Sabóia, em que comenta o contido no livro do catedrático da Universidade de Toulouse - França, Bernard Maris. Veja em:

"Queremos a inclusão de teorias críticas e de reflexão, porquanto neste momento os estudantes de Economia são obrigados a aceitar um imenso repertório de verdades autoevidentes, em vez de encorajados a verdadeiramente compreender a disciplina".

NOTA D COSIFE:

Diante da frase acima, proferida em manifesto de estudantes espanhóis, entende-se que aos alunos de economia está sendo reservado somente o direito de decorar cartilhas ou apostilas que contém apenas os dogmas econômicos, não lhes sendo dado o direito de discutir as teorias e assim contribuir para a evolução das ciências econômicas.

Para tanto é preciso que primordialmente sejam estudados, analisados e repensadas as providências adotados em casos verídicos que se revelaram como verdadeiras mancadas dos economistas, os quais levaram a profissão a ser tão criticada por todas as esferas da sociedade civil, em todos os países.

O mesmo está acontecendo na esfera do Direito.

Tais ciências precisam ser repensadas para se adaptem imparcialmente ao momento presente, assim como está sendo feito com a contabilidade, mediante grande esforço do CFC - Conselho Federal de Contabilidade.

John Quiggin é autor do livro Zombie Economics: How dead ideas still walk among us [Zumbis Econômicos: Como Teorias ou Ideias Mortas ainda Perambulam ou Andam Entre Nós]. Os economistas deveriam manter a obra nas estantes de suas bibliotecas.

Então, quando estivessem prestes a sofrer um ataque de necrofilia, correriam imediatamente para se socorrer de ideias vivas.

Teorias ou Ideias vivas, diz Quiggin, não são necessariamente teorias ou ideias novas. Nos últimos tempos, as ideias apresentadas como novas são zumbis, mortos-vivos que perambulam nas universidades do mundo tangidos por doses cavalares dos poderes da finança [dos detentores do poderio econômico] a sustentar sua sobrevivência cadavérica.

Quiggin apoia os dissidentes. Diz ele:

"A grande mudança deve ensinar menos e questionar mais, particularmente no que diz respeito à macroeconomia. Eu começaria com a história Economia Relevante e a História do Pensamento Econômico: os clássicos, depois Keynes (talvez Fisher), a síntese neoclássica do pós-Guerra e a curva de Phillips, a crítica de Friedman e Lucas e a Teoria dos Ciclos Reais. Depois do percurso histórico, eu saltaria para a crise atual para demonstrar que o desenvolvimento da teoria macroeconômica não pode ser considerado um progresso".

NOTA D COSIFE:

A partir desse ponto Luiz Gonzaga Belluzzo continua com explicações sobre o discutido pelos economistas.

Na prática, nada de novo está ocorrendo, os consultores econômicos mais bem sucedidos limitam-se a defender os interesses mesquinhos de concentração da renda mundial nas mãos de um grupo dos 85 mais ricos do mundo, que tem riqueza igual a dos 3,5 bilhões de habitantes mais pobres.

Sobre o fato destacado em negrito no quadro acima, publicado em 2014, a Assessoria de Imprensa da Universidade Federal de Capina Grande (Paraíba), em 07/04/2008 escreveu com base em dados publicados pela ONU - Organização das Nações Unidas (Tradução de Paulo Migliacci):

Os 50% mais pobres da população respondem por apenas 1% da riqueza do planeta, aponta órgão ligado às Nações Unidas; Brasil possui 1,3% da riqueza e 2,8% da população mundial; quase um terço do patrimônio dos 10% mais ricos está nos EUA.

A renda pessoal está distribuída de maneira tão desigual no mundo que os 2% mais ricos da população adulta detêm mais de 50% dos ativos mundiais, enquanto os 50% de pessoas mais pobres detêm apenas 1% da riqueza do planeta.

Os resultados de uma pesquisa divulgada ontem mostram que os países de renda média e com nível de crescimento elevado ainda precisam avançar muito antes de atingir patamar de prosperidade semelhante ao das nações mais ricas.

Os adultos com patrimônio de mais de US$ 2.200 estão na metade superior da escala mundial de riqueza, enquanto aqueles que detêm patrimônio superior a US$ 61 mil constituem os 10% mais ricos da população mundial, de acordo com dados compilados pelo Instituto Mundial de Pesquisa Econômica do Desenvolvimento, parte da Universidade das Nações Unidas (Finlândia).

Para integrar o 1% de adultos mais ricos do planeta, uma pessoa precisa deter patrimônio superior a US$ 500 mil, algo que 37 milhões de adultos conseguiram.

A riqueza mundial está tão concentrada na mãos de tão poucas pessoas que, se a renda mundial fosse distribuída de maneira equitativa, cada pessoa disporia de ativos da ordem de US$ 20,5 mil.

Quase 90% da riqueza do mundo está sob o controle de moradores da América do Norte, Europa e dos países de renda elevada na região Ásia-Pacífico, como o Japão e a Austrália.

Embora a América do Norte abrigue apenas 6% da população adulta mundial, ela responde por 34% do patrimônio domiciliar total. Quase um terço (32,6%) da riqueza dos 10% mais ricos fica nos EUA.

O Brasil possui 1,3% da riqueza mundial - abaixo, portanto, do que representa a sua população: 2,8%. Os 10% mais ricos do Brasil têm 1,5% do patrimônio dos 10% mais ricos do mundo. Quando a comparação é feita em relação aos 10% mais pobres, os brasileiros dessa faixa possuem 1,9% do patrimônio.

A concentração de renda nos países varia de maneira considerável, com os 10% mais ricos detendo 70% da riqueza dos EUA, ante 61% na França, 56% no Reino Unido, 44% na Alemanha e 39% no Japão.

De acordo com Anthony Shorrocks, diretor do instituto de pesquisa, o número de indivíduos com alto patrimônio em um país depende das dimensões da população, do patrimônio médio e do nível de desigualdade patrimonial.

"A China não obteve posição forte entre os países mais ricos porque o patrimônio médio dos chineses é modesto e a distribuição da riqueza é equilibrada, sob os padrões internacionais".

À medida que os países enriquecem, suas populações alteram a maneira pela qual detêm seu patrimônio, de acordo com o estudo.

Nos países em desenvolvimento, os imóveis e as outras formas de propriedade física, especialmente terrenos e ativos agrícolas, são importantes, enquanto a poupança em forma monetária é mais comum nos países de renda média.

Apenas em determinados países desenvolvidos, tais como os Estados Unidos e o Reino Unido, onde os setores financeiros são avançados, existe um forte apetite por deter patrimônio em forma de ações e de outros instrumentos financeiros mais sofisticados.

As dívidas também costumam ser mais baixas nos países pobres, porque são mais raras as instituições financeiras que permitam que o povo obtenha empréstimos.

NOTA DO COSIFE:

Embora essas estatísticas de 2008, publicadas pela Universidade Federal de Campina Grande,  mostrem situação ruim (exagerada concentração das riquezas nas mãos de pouquíssimas pessoas), os dados computados em 2013 são bem piores. Em 2008 os 2% de seres mais ricos detinham a metade da riqueza mundial. Em 2013 aquela mesma riqueza é detida por 1% dos mais ricos senhores feudais. Isto é, aumentou a concentração da renda mundial, especialmente nesse anos seguintes ao da eclosão da Crise Mundial de 2008 causada pela falência econômica dos Estados Unidos. Atualmente aqueles antigos ricos norte-americanos e europeus estão todos escondidos em paraísos fiscais, para ficarem livres do pagamento de tributos, razão pela qual os países desenvolvidos faliram.

OS TROPEÇOS DA CIÊNCIA TRISTE

OS ECONOMISTAS MAIS ERRAM DO QUE ACERTAM E AINDA DESPREZAM OS RESSENTIMENTOS DE QUEM ACREDITOU NELES

Por Luiz Gonzaga Belluzzo. Publicado em 19/01/2014 por Carta Capital - Economia Científica. Com Notas, anotações e comentários em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

A economia é uma (vá lá) ciência difícil.

O coordenador do COSIFE diria que a economia é a ciência dos sonhos e dos pesadelos. O economista, olhando para sua bola de cristal, sonha com o que deveria acontecer e depois tem o pesadelo de ver que tudo deu errado.

Keynes dizia que os requerimentos exigidos do bom economista eram muitos:

  1. Deve combinar os talentos do “matemático, historiador, estadista e filósofo (na medida certa).
  2. Deve entender os aspectos simbólicos e falar com palavras correntes [nada de economês].
  3. Deve ser capaz de integrar o particular quando se refere ao geral e tocar o abstrato e o concreto com o mesmo voo do pensamento.
  4. Deve estudar o presente à luz do passado tendo em vista o futuro. Nenhuma parte da natureza do homem deve ficar fora da sua análise.
  5. Deve ser simultaneamente desinteressado e pragmático: estar fora da realidade e ser incorruptível como um artista, estando embora, noutras ocasiões, tão perto da terra como um político.

No livro [Como os Economistas Trabalham e Pensam], Mary S. Morgan conta a história da “evolução” da dita ciência econômica. Diz que a partir de suposições teóricas discutíveis, a longa e controvertida caminhada da Economia Política para a “economia científica”, ficou concentrada na construção de modelos formais, ou na utilização de técnicas econométricas, para demonstrar relações de determinação entre variáveis.

O modelo macroeconômico contemporâneo não foi capaz de realizar a delicada operação sugerida por Keynes de "integrar o particular quando se refere ao geral e tocar o abstrato e o concreto com o mesmo voo do pensamento".

O exemplo mais notável desse fracasso do conhecimento teórico e da transmissão desse conhecimento foi sintetizado na resposta que o agraciado com o Nobel Robert Lucas deu à indagação da rainha Elisabeth II, depois da eclosão da Crise Mundial de 2008. Em visita à London School of Economics a rainha perguntou por que os economistas não haviam previsto a crise. Lucas respondeu em um artigo na revista The Economist em 2009:

"A crise não foi prevista porque a teoria econômica prevê que esses eventos [negativos] não podem ser previstos". Isto é, sonham somente com eventos positivos e acordam com o pesadelo dos resultados negativos alcançados com a aplicação prática de seus dogmas.

Os economistas parecem desprezar às mágoas da gente leiga, ainda que instruída e letrada nas coisas da ciência. Prosseguem impávidos, construindo os seus “modelos”, errando mais do que acertando as suas previsões, lançando recomendações e julgamentos peremptórios sobre as políticas econômicas, em geral sugeridas, ou até mesmo conduzidas por outros economistas. Há razões para suspeitar que, com essa atitude, preparam o terreno onde hão de brotar e vicejar mais ressentimento e indignação de quem neles acredita.

A estirpe dos [..] mais eminentes economistas modernos procura demonstrar a harmonia do capitalismo. Ou seja, procura demonstrar a equivalência de poder entre os protagonistas das relações de mercado e a existência de forças compensatórias e “automáticas” que não só impediriam a ocorrência das crises como também colocariam todos diante de oportunidades iguais mediante a livre concorrência. Assim, tais economistas trataram de demonstrar o caráter harmônico do capitalismo e a justiça natural da concorrência em todas as esferas da vida e, portanto, postularam a impossibilidade das crises. Porém, elas ocorrem mais comumente do que seria o normal ou aceitável.

Alexander Rosenberg, conhecido filósofo da ciência, interpelou as pretensões científicas da economia. No seu  livro [...] conclui que, na contramão da trajetória de outros saberes, a economia é insensível às mudanças de paradigma que afetam as demais ciências e tornam obsoletas ou imprestáveis certas categorias do entendimento. Isto é, as teorias econômicas foram transformadas em dogmas (conhecimentos imutáveis ou "imexíveis", como diria determinado sindicalista pouco letrado).

Lucas é o pai dos Modelos Dinâmicos Estocásticos de Equilíbrio Geral, cujo desempenho de predizer tem sido mais do que deplorável. Em sua formulação original, o modelo simplesmente só consegue obter um equilíbrio único com a exclusão do crédito e dos bancos de seu conjunto de variáveis.

Diante da crise financeira de 2008, outros pais da matéria empenharam-se em dar tratos à bola e se entregaram a calistenias matemáticas para incluir o crédito e os bancos em seus modelos amarrados em toscos supostos.