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A MÁSCARA DAS ESTATÍSTICAS

A MÁSCARA DAS ESTATÍSTICAS E A FARSA DAS PREVISÕES

SUL E SUDESTE PERDERAM PARTICIPAÇÃO NO PIB EM 2010

São Paulo, 01/12/2012 (Revisado em 15-09-2018)

Referências: Os Números Mágicos São Manipulados, Manipulação de Dados e da Opinião Pública pelos Mercenários da Mídia.

A MÁSCARA DAS ESTATÍSTICAS

  1. OS NÚMEROS MÁGICOS E A FARSA DAS PREVISÕES
  2. O LIVRO DO ECONOMISTA BERNARD MARIS
  3. AS PREVISÕES SEMPRE ESCONDERAM A BANCARROTA DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS
  4. TEORIA DA CONSPIRAÇÃO CONTRA OS PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFe

1. OS NÚMEROS MÁGICOS E A FARSA DAS PREVISÕES

No início do ano de 2007, em razão das especulativas notícias publicadas pela impressa brasileira sobre o crescimento recorde da Argentina e da Bolívia, resolveu-se escrever o texto denominado A Máscara das Estatísticas - Os Números Mágicos e a Farsa das Previsões em que se tentou desmistificar ou desmitificar a propaganda enganosa dos meios de comunicação de que o Brasil ia mal durante o Governo Lula.

Mais uma vez as previsões dos pessimistas opositores ao governo federal falharam. Em 2011 o Brasil tornou-se a 6ª potência mundial em PIB e em 2008 os Estados Unidos não mais pôde esconder a sua bancarrota que se arrastava desde a década de 1970.

Em 2007, quando foi escrito o mencionado texto, os meios de comunicação de modo geral diziam que a Argentina e a Bolívia estavam melhor que o Brasil porque o percentual de crescimento daqueles países estava perto de 10% ao ano, enquanto o do Brasil era inferior a 4%.

A lógica é simples. Para se saber a verdade, basta que se use os números absolutos de cada país e não os percentuais de crescimento dos números absolutos de cada país.

Se o Brasil tivesse, por exemplo, o PIB de $1000 bilhões e a Argentina tivesse o PIB de $200 bilhões, 4% de $1000 é igual a $40 (crescimento do Brasil em valor) e 10% de $200 é igual a $20 bilhões (crescimento da Argentina em valor). Portanto, em números absolutos o Brasil cresceu 2 vezes (200%) mais que a  Argentina.

Em relação à Bolívia a situação seria ainda pior porque o PIB boliviano seria um décimo do PIB argentino. Então, 10% de $20 bilhões é igual a $2 bilhões. Logo, em números absolutos o Brasil cresceu 20 vezes (2.000%) mais que a Bolívia.

Essa é a máscara proporcionada pelas estatísticas. A forma ou modo de colocação ou de análise dos números ou dados pode alterar sensivelmente o diagnóstico final. Se tal método fosse usado na medicina, o paciente são e salvo poderia ser considerado doente terminal e o doente em estado grave poderia ser considerado são e salvo.

Isto significa que, diante das potencialidades do Brasil e de outros países com equivalentes reservas minerais, áreas cultiváveis e recursos naturais para geração de energia, países como os demais sul-americanos jamais chegarão a ter o seu PIB - Produto Interno Bruto superior ao do Brasil. Pelos mesmo motivos, os países europeus estão sendo ultrapassados pelo Brasil, restando apenas a Alemanha a ser deixada para trás. A Rússia, por exemplo, tem condições de ficar na frente do Brasil. A China e Índia devem ficar sempre na frente do Brasil por causa da enorme população dos dois países.

Essas características comuns aos mencionados países foi a base da tese defendida pelo inglês Jim O'Neil (Grupo Financeiro Banco Goldman Sachs) em estudo realizado em 2001, denominado "Building Better Global Economic BRICs", que estabeleceu os atuais BRICS como as principais potências mundiais em breve futuro.

Enfim, este foi um simples exemplo do que as estatísticas podem mascarar, tornando-se "números mágicos" dos quais podem ser tiradas diversas conclusões, inclusive as erradas ou desvirtuadas.

Muitos dos repórteres e jornalistas são facilmente enganados porque não são especializados nessa área contábil, econômica, administrativa e estatística. Apenas relatam as verdades (ou mentiras) que lhes foram ditas, muitas vezes invertendo seus verdadeiros valores, dependendo de quando quer pagar quem está fornecendo a falsa informação para ser veiculada como verdadeira.

Na condição de semelhante exemplo de crescimento estatal, no final deste texto foi colocada uma planilha em que se demonstra em quantos anos e a que taxas anuais de crescimento dos PIB dos entes federativos brasileiros (Estados e o Distrito Federal) alcançariam o PIB do Estado de São Paulo, supondo-se que este cresceria somente a 1% ao ano.

2. O LIVRO DO ECONOMISTA BERNARD MARIS

O subtítulo A Farsa das Previsões baseava-se num livro editado na França em 1990 de autoria do professor de economia da Universidade de Toulouse (França), Bernard Maris.

Sobre aquele lançamento literário, um artigo de Napoleão Saboya, publicado em 1992 pelo Estadão, comentava e ridicularizava, com base no tal livro de Maris, o fracasso das estatísticas e previsões feitas pelos ditos consultores econômicos dos países desenvolvidos, que também servia de carapuça aos também fracassados consultores que militavam no antro do FMI - Fundo Monetário Internacional e no Brasil até 2002.

Torna-se importante relembrar que os ditos como "importantes" dirigentes do FMI foram os principais artífices dos desastres econômicos ocorridos na América do Sul nas décadas perdidas de 1980 e 1990. Depois que deixaram de prejudicar os chamados de países em desenvolvimento, os antigos países desenvolvidos quebraram.

Veja também o disseram, no texto Os Mitos Defendidos pelos Capitalistas Sobre a União Europeia, os economistas progressistas franceses em seu manifesto denominado "O Capitalismo Não Está Trabalhando - Outro Mundo É Possível".

3. AS PREVISÕES SEMPRE ESCONDERAM A BANCARROTA DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS

Diante das advertências de Benard Maris, não foi a toa que todos os países desenvolvidos chegaram à bancarrota a partir da crise mundial de 2008 provocada pelos neoliberais norte-americanos.

Afinal, eles não poderiam eternamente sobreviver mediante a colonização dos países do Hemisfério Sul e da Ásia. E a crescente população desses países foi definitivamente influente nessa mudança de posições. Atualmente a América do Norte e a Europa têm no máximo 20% da população mundial.

O mesmo tipo de bancarrota enfrentada pelos países desenvolvidos a partir de 2008 aconteceu na América do Sul nas mencionadas décadas perdidas de 1980 e 1990 sob as inconsequentes imposições dos dirigentes do FMI - Fundo Monetário Internacional. Até parecia que eles estavam agindo de forma a evitar que os países desenvolvidos tivessem como concorrentes os chamados de subdesenvolvidos, agora chamados de emergentes - em desenvolvimento.

Não mais podendo mentir, porque a bancarrota (falência econômica) os desmascarou, agora os europeus reconhecem a supremacia dos BRICS - Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul porque são os países com grande área territorial, com grandes reservas minerais e com enorme produção agrícola e pecuária. Esses cinco países, juntos, têm quase a metade da população mundial.

4. TEORIA DA CONSPIRAÇÃO CONTRA OS PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS

Para tal finalidade de impedir o crescimento da América Latina, bastava fomentar a miséria e a consequente insatisfação popular, gerando guerras civis como as fomentadas pelos norte-americanos no Oriente Médio e na África. Afinal, eles vivem da produção e exportação de armas, logo, precisam criar mercados para suas armas. Entregam armas a preços baixos para guerrilheiros e bandidos urbanos para que possam vender armas caríssimas para os governos (polícias e exércitos).

A partir de 2011, na Europa os dirigentes do FMI passaram a fazer o mesmo que fizeram na América Latina. O intuito era o de evitar que a União Europeia se torne mais importante que os Estados Unidos da América.

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