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A ELITE BRASILEIRA E O SEU ETERNO COMPLEXO DE VIRA-LATA

A ELITE BRASILEIRA E O SEU ETERNO COMPLEXO DE VIRA-LATA

A MENTALIDADE TERCEIRO-MUNDISTA DOS NOSSOS INTELECTUAIS

São Paulo, 02/05/2015 (Revisado em 22-06-2017)

Referências: Preconceito, Discriminação, Segregação Social, Neocolonialismo do Espírito.

Veja também:

A ELITE BRASILEIRA E O SEU ETERNO COMPLEXO DE VIRA-LATA

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

Em entrevista com Fernanda Mena do jornal Folha de São Paulo, o sociólogo italiano Domenico de Masi diz que a Presidenta Dilma vem sofrendo ataques vingativos dos neoliberais (oposicionistas).

De fato, conforme publicou o site R7.com - Elições 2014 em 26/10/2014, na qualidade "de guerrilheira condenada e presa na ditadura para oito anos no Palácio do Planalto", Dilma Russeff impôs uma grande e humilhante derrota para os nossos elitistas subordinados aos detentores do Poderio Econômico internacional. Eles estão se sentindo como aqueles pobres coitados pernas-de-pau de um time de futebol de várzea que não consegue ganhar um joguinho sequer.

Mas, os nossos oposicionistas são pernas-de-pau de alta classe porque estão apoiados nas muletas (verbas destinadas à corrupção) fornecidas pelo Grande Capital. Os fatos ocorridos desde 2003 têm deixado os membros da nossa "elite" tão desnorteados que se lançaram a dizer besteiras durante a campanha de 2014, por acharem que todos os eleitores são idiotas. O mesmo aconteceu durante as manifestações na Avenida Paulista de 2015, que mais uma vez pregava um Golpe de Estado como o de 1964. Em maio de 2015, os partidos oposicionista voltaram a falar em parlamentarismo, para que possam chegar ao governo, porque o primeiro ministro seria eleito pelo Congresso Nacional, apinhado de falsos representantes do Povo. Logo, voltarão a falar em Monarquia, desprezada até pelos portugueses.

Tal como dizia o dramaturgo, jornalista e escritor Nelson Rodrigues, referindo-se ao Povo brasileiro de modo geral, Domenico de Masi também deixou claro que a Elite brasileira tem mentalidade terceiro-mundista, como aquela pregada pelo colonialismo estratégico, cultural ou do espírito introduzido pelas escolas de idiomas estrangeiros e pelas multinacionais que lhes dão postos de trabalho na qualidade de apadrinhados. Ou seja, a nossa elite poliglota sofre de um imenso Complexo de Vira-Lata.

E de fato essa é a realidade. Desde os tempos do Brasil Colônia, submissa aos nobres europeus, a nossa elite acha que só tem valor aquilo que venha dos chamados de países desenvolvidos. Não consegue enxergar que o Brasil e os demais países do Terceiro Mundo sustentam a Europa desde a época dos descobrimentos marítimos. Desde aquela época os europeus estão falidos.

Veja a seguir o publicado pelo jornal Folha de São Paulo em 02/05/2015.

INTELECTUAL BRASILEIRO TEM MENTALIDADE DE 3º MUNDO

Sociólogo italiano [Domenico de Masi], que concluiu pesquisa sobre visões do Brasil em 2015, afirma que Dilma sofre "vendeta neoliberal"

Por FERNANDA MENA - Publicado em 02/05/2015 por Folha de São Paulo

REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO

Se trabalho é vida e vida é trabalho, o sociólogo italiano Domenico De Masi, com 77 anos de idade, que estuda atividades produtivas na era pós-industrial, paradoxalmente reitera como solução para o crescente desemprego no mundo a antiga reivindicação dos proletários: redução das jornadas.

A CRIATIVIDADE NO TRABALHO VOLUNTÁRIO

O professor da Universidade La Sapienza, em Roma, celebrizou-se por conceitos como "ócio criativo" (aliar trabalho, estudo e lazer a um só tempo) e "teletrabalho" (produção à distância facilitada por meios tecnológicos). É o que faz o coordenador deste COSIFE, principalmente com surgimento da Internet.

TRABALHO CRIATIVO E QUALIDADE DE VIDA

Fã do Brasil e da cultura brasileira, que já destacou como "exemplo" de produção criativa, De Masi esteve em São Paulo para um ciclo de palestras intitulado "Utopia e Realidade: trabalho produtivo e qualidade de vida".

Em entrevista à Folha, ele diz que os brasileiros têm complexo de vira-latas: o país coleciona posições de Primeiro Mundo, mas seus intelectuais só conseguem deixar de enxergar o país como Terceiro Mundo quando confrontados com dados. Leia a seguir.

A MENTALIDADE TERCEIRO-MUNDISTA DOS NOSSOS INTELECTUAIS

Folha - Suas teorias sobre ócio criativo e redução das jornadas de trabalho são, em geral, encaradas como utopia. Essas ideias podem ser aplicadas?

Domenico de Masi - À medida que a tecnologia avança, engole postos de trabalho nas mais diversas áreas. Mas suplanta principalmente os trabalhos executivos, físicos ou intelectuais, que são 77% das atividades laborais do mundo, restando os trabalhos criativos, que correspondem a 33%.

É como se tivéssemos uma mesma torta para dividir por um número crescente de pessoas. O que fazer? Dividi-la em pedacinhos menores para que todos possam comer. Assim funciona com o trabalho. Precisamos reduzir as jornadas de trabalho para que todos possam trabalhar.

O GOVERNO SEMPRE DEVE LIDERAR O DESENVOLVIMENTISMO

Mas não se pode esperar que os setores produtivos estejam dispostos a reduzir jornadas para ter mais funcionários...

Não. Empresas são organizações conservadoras. Olham para trabalho como se fosse a era industrial. Só que apenas 33% da atividade produtiva hoje é braçal, o restante é trabalho intelectual.

Veja em O Estado Empreendedor e a Falta de Iniciativa Privada

Para produzir cem automóveis, antes eram necessárias cem horas. Se hoje são necessárias 50 horas, ou o total de empregados trabalha metade do tempo de antes ou teremos metade dos funcionários. Os que ficarem sem trabalho não poderão mais consumir. E, se não puderem consumir, para quem vou produzir tantos automóveis? A conta não fecha.

Veja em a Crise do Desemprego - Estrutural e Conjuntural.

INVERSÃO DE VALORES: O SUPÉRFLUO VALE MAIS QUE O ESSENCIAL

É esse o motor de muitas das crises econômicas?

Não. Crise é algo transitório. Isso é uma reestruturação mundial da riqueza.

Na Itália, dez pessoas têm a mesma riqueza de 6 milhões. No mundo, 85 pessoas, incluindo 12 brasileiros, têm a riqueza de 3,5 bilhões de pessoas. Esses 85 bilionários podem ter duas, três, dez Ferraris, mas não vão comprar 3,5 bilhões de calças, vestidos e sapatos. O consumo cai, a produção cai junto.

Em síntese: Os ricaços querem matar a galinha dos ovos de ouro do capitalismo. Querem acabar com os consumidores.

TEORIA NEOLIBERAL: TUDO PELOS RICOS E NADA PARA OS POBRES

Como mudar essa reestruturação da riqueza?

Pagando impostos - e impostos altos. Na verdade, a maioria das 85 pessoas mais ricas do mundo é formada por ladrões de impostos. Eles sonegam impostos e, quando pagam, o fazem na Holanda, onde são mais baixos.

São pessoas que financiam campanhas eleitorais em barganha por leis que os favoreçam. E isso alimenta o ciclo da desigualdade.

Veja o texto Paraísos Fiscais Causam a Falência do Sistema Tributário Mundial, onde estão estão escondidas as fortunas dos 85 magnatas citados.

Trata-se de uma luta de classes às avessas?

É uma vendeta. O neoliberalismo da era Thatcher inverteu as coisas: a luta de classes dos pobres contra os ricos se tornou a luta dos ricos contra os pobres.

Repetindo, os ricaços querem matar a galinha dos ovos de ouro do capitalismo. Querem acabar com os consumidores.

Isso ocorre no Brasil também. Os oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso adotaram uma política social-liberal, estabilizaram a economia e iniciaram uma política social. Os oito anos de Lula redistribuíram parte da riqueza que FHC criou, com uma política social-democrata, que permitiu a muitos brasileiros ascenderem.

Hoje, Dilma é vítima de uma vingança neoliberal. Aécio Neves (PSDB) perdeu as eleições, e o movimento neoliberal se voltou contra Dilma, que não é pior que outros presidentes. A corrupção sempre existiu no país. O Brasil tem mil outros problemas para resolver... Há um grande desencontro entre o Brasil real e o Brasil intelectual.

MESMO COM MENOR DESEMPREGO, O PIB NÃO CRESCE

Que desencontro é esse?

O Brasil tem uma taxa de desemprego que é um terço da italiana ou metade da norte-americana...

O COMPLETO DE VIRA-LATAS DA NOSSA ELITE TERCEIRO-MUNDISTA

Mas espera-se um aumento...

No Brasil é assim: se algo vai mal, vai mal; se algo vai bem, no futuro vai piorar (risos). Esse é um pensamento típico dos brasileiros. Confrontadas com a realidade, essas ideias não param de pé.

Terminei uma pesquisa com 11 intelectuais brasileiros sobre como estará o Brasil em 2025. Grande parte desses intelectuais é pessimista.

O PIB brasileiro é o sétimo do mundo, à frente da Itália e da Inglaterra. O Brasil está em quinto em produção industrial. Está em terceiro lugar em acesso à internet, atrás dos EUA e da Suécia. Ou seja, o Brasil ocupa posições de Primeiro Mundo, mas os brasileiros ainda se enxergam como Terceiro Mundo.

Quando esses mesmos intelectuais foram confrontados com dados reais, eles se mostram mais otimistas do que quando discutiram entre si. Os brasileiros têm complexo de vira-lata.

NOTA DO COSIFE:

Os eternos pessimistas sempre alegam o RISCO BRASIL como se de fato ele existisse.

Veja explicações complementares em Risco Brasil: Fusões e Incorporações para Formação de Cartéis - Na Economia, Os Tubarões Estão à Espreita.