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A DESIGUALDADE NORTE-AMERICANA NÃO É FRUTO DA CRISE DE 2008

A DESIGUALDADE NORTE-AMERICANA NÃO É FRUTO DA CRISE DE 2008

A CRISE DA CLASSE MÉDIA NOS STATES É FRUTO DE UM FENÔMENO DE LONGO PRAZO

São Paulo, 11/04/2014 (Revisado em 12-04-2014)

Referências: Globalização, Autorregulação dos Mercados, Liberalismo, A Teoria Neoliberal e Aumento da Miserabilidade no Mundo, Empobrecimento do Trabalhador Norte-Americano, A Derrocada Financeira Causada pela Especulação e pela Fraudes das Multinacionais e Companhias Abertas.

A INFLUÊNCIA DO NEOLIBERALISMO INTRODUZIDO POR RONALD REGAN

A DESIGUALDADE AMERICANA

Por Luiz Gonzaga Belluzzo. Publicado 01/02/2014 por Revista Carta Capital - Economia - Liberalismo. Com edição do texto original em preto e a colocação de subtítulos, comentários, anotações e explicações adicionais em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

A PROSPERIDADE CONSEGUIDA POR FRANKLIN ROOSEVELT

A história narrada teve início logo depois da eclosão da Crise de 1929, também acontecida em razão da insana especulação no Mercado de Capitais sediado em Wall Street.

Em seu livro A Consciência de um Liberal, Paul Krugman apelidou de “Grande Compressão” o período de intensa redução das desigualdades encravado entre os anos 1930 e início da década dos 1960. Esse fenômeno foi sustentado por quatro forças:

  1. A sindicalização incentivada por Roosevelt impulsionou a elevação dos salários reais.
  2. O Social Security Act de 1935 fortaleceu o consumo de massa ao proteger os mais débeis dos problemas criados pela insegurança econômica.
  3. A elevação da carga tributária e o caráter progressivo dos impostos transferiram renda dos mais ricos para os mais pobres e remediados.
  4. A baixa intensidade da concorrência externa permitiu às empresas manter os investimentos no âmbito doméstico e abiscoitar os lucros proporcionados pela sustentação da demanda interna.

A arquitetura capitalista desenhada nos anos 30 sobreviveu no pós-Guerra e, durante um bom tempo, ensejou a convivência entre estabilidade monetária, crescimento rápido e ampliação do consumo dos assalariados e dos direitos sociais.

Entre 1947 e 1973, na era do Big Government, como a denominou o economista keynesiano Hyman Minsky, o rendimento real da família americana típica praticamente dobrou. O sonho durou 30 anos e as classes trabalhadoras gozaram de uma prosperidade sem precedentes.

O DESASTRE NEOLIBERAL IMPOSTO POR RONALD REGAN

A pretexto de reduzir o papel do Estado na economia, as políticas neoliberais destravaram as forças da desigualdade.

Nos Estados Unidos, entrou em voga nos anos 80 a “economia da oferta” e sua filha dileta, a curva de Laffer, que preconizavam a redução de impostos para os ricos “poupadores” e empresas.

Os adeptos da supply side economics ["Lei da Oferta e da Procura"] decretaram a ineficácia dos sistemas de tributação progressiva da renda, que, segundo eles, promoviam o desincentivo à produção e à poupança geradora de novo investimento.

A macroeconomia de Ronald Reagan defendia a tese do “gotejamento”: as camadas trabalhadoras e os governos receberiam os benefícios da riqueza acumulada livremente pelos abonados empreendedores sob a forma de salários crescentes e aumento das receitas fiscais.

A enrolação do gotejamento não entregou o prometido.

A ENORME ASCENSÃO DOS PARAÍSOS FISCAIS

A migração da grande empresa para as regiões de baixos salários, a desregulamentação financeira e a prodigalidade de isenções e favores fiscais para as empresas e para as camadas endinheiradas não promoveram a esperada elevação da taxa de investimento no território americano e, ao mesmo tempo, produziram a estagnação dos rendimentos da classe média para baixo, a persistência dos déficits orçamentários e o crescimento do endividamento público e privado.

A procissão de desenganos foi acompanhada da ampliação dos déficits em conta corrente [importações superiores às exportações] e da transição dos Estados Unidos de país credor para devedor, devido aos elevados déficits no Balanço de Pagamentos.

A crise da classe média americana não é fruto da Grande Recessão, iniciada em 2008, mas é um fenômeno de longo prazo.

Desde 1973 até 2010, o rendimento de 90% das famílias americanas cresceu 10% em termos reais, enquanto os ganhos dos situados na faixa dos super-ricos – a turma do 1% superior – triplicaram.

Pior ainda: a cada ciclo a recuperação do emprego é mais lenta e, portanto, maior é a pressão sobre os rendimentos dos assalariados.

Para conseguir um novo emprego, o trabalhador deve se sujeitar a um salário bem mais baixo, exatamente como vinha acontecendo no Brasil desde 1990 até 2002.

Os lucros foram gordos para os senhores da finança e para as empresas empenhadas no outsourcing [Terceirização da Produção] e na “deslocalização” das atividades para as regiões de salários “competitivos”.

Essa política econômica liberal de Ronald Regan em prol do 1% mais favorecido, reduzindo seus tributos, gerou o elevado déficit orçamentário norte-americano (déficit interno), diretamente gerado pela redução da arrecadação de tributos.

Por sua vez, a redução da alíquota da tributação em bases universais (sobre os lucros obtidos no exterior pelas empresas), tornou-se num incentivo fiscal para que as empresas exportadoras transferissem suas fábricas para países com mão de obra mais barata, gerando o empobrecimento do trabalhador norte-americano.

Essa política econômica contrária à parcela menos favorecida da população gerou déficits no Balanço de Pagamentos (déficit externo), gerando também uma contundente redução da produção interna especialmente destinada ao atendimento da demanda dos trabalhadores.

Assim, as importações passaram a ser superiores às exportações justamente porque as empresas exportadoras transferiram suas fábricas para a Ásia.

EMITINDO DINHEIRO SEM LASTRO PARA SALVAR OS PEQUENOS INVESTIDORES

Essa política de salvamento das instituições financeiras falidas na realidade começou com George Bush (o filho), em 2008, e foi também perseguida por Barack Obama porque não havia outra solução viável.

Obama e seus economistas salvaram Wall Street da derrocada financeira, mas não responderam às demandas dos americanos atormentados, em sua maioria, pelas perspectivas de um crescimento pífio do emprego e dos salários, porque o que antes era produzido nos Estados Unidos passou a ser importado especialmente da Ásia.

A falência do meramente especulativo mercado de capitais estabelecido em Wall Street causou sérios danos aos pequenos poupadores norte-americanos, especialmente aos Fundos de Pensão que tinham os trabalhadores como contribuintes e futuros beneficiários.

Portanto, era preciso salvar a poupança dos trabalhadores para evitar a futura miséria causada pelos profissionais de Wall Street. Em razão dessa bancarrota causada pelos profissionais de Wall Street, surgiu o movimento "Occupy Wall Street" = Queremos a Intervenção Governamental no Mercado de Capitais.

De outro lado, os especuladores (os principais ganhadores) estavam escondidos em paraísos fiscais, o que os deixava totalmente isentos de tributos e das responsabilidades pelos danos causados à economia norte-americana.

A SOLUÇÃO PARA OS DÉFICITS INTERNO E EXTERNO

É fato que a política econômica de Bush e Obama foi menos contundente do que deveria ser, razão pela qual a produção em território ianque continua estagnada.

Conforme foi escrito em textos elaborados pelo coordenador deste COSIFE, desde 2008, Obama deveria ter estatizado as empresas que fecharam suas portas, reativando-as para geração de produção e emprego. Essa produção interna evitaria as importações, assim minimizando o elevado déficit no Balanço de Pagamentos.

Por sua vez, esse mesmo aumento da produção interna geraria arrecadação de tributos, reduzindo os déficits orçamentários.

Por isso Paul Krugman menciona que, a partir dessa Derrocada Financeira Norte-Americana, a lenta recuperação da economia americana não consegue oferecer aos seus cidadãos soluções críveis para atenuar as desgraças da anomia social e da destruição dos nexos básicos da sociabilidade, inclusive os familiares.

OS PROBLEMAS CAUSADOS PELA GLOBALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO

A extrema mobilidade do capital financeiro e, ao mesmo tempo, a centralização do capital produtivo à escala mundial, foi o que transferiu a produção para fora dos países desenvolvidos.

Essa convergência da produção interna para o exterior suscitou os surtos intensos de demissões de trabalhadores, a eliminação dos melhores postos de trabalho, a maníaca obsessão com a redução de custos que só prejudicou a classe média e os menos favorecidos nos agora falidos países desenvolvidos.

No Brasil, de 1990 até 2002 foi exatamente isto que aconteceu. As políticas econômicas impostas por nossos gestores monetários de plantão, tinham o intuito de criar desemprego para enfraquecimento dos sindicatos e para evitar o consumismo dos trabalhadores, o que gerou a criminosa economia informal que se verifica nos guetos de extrema pobreza, agora chamados de comunidades pacificadas.

Tudo isto também deve acontecer nos países desenvolvidos.

OS PROBLEMAS CAUSADOS PELOS AVANÇOS TECNOLÓGICOS

Inegavelmente os avanços tecnológicos e outros tipos de circunstâncias causaram o Desemprego Estrutural e Conjuntural mencionado em texto publicado pelo coordenador deste COSIFE em 08/10/2004.

Não se trata de nenhuma inevitabilidade tecnológica. Foram, de fato, gigantescos os avanços que proporcionaram a redução do tempo de trabalho exigido para o atendimento das necessidades, reais e imaginárias, da sociedade.

Assim, a redução de custos para maximização dos lucros foi importante nessa reviravolta que muito sacrificou os trabalhadores, especialmente os menos qualificados, que se tornaram os principais desempregados.

Mas os resultados mesquinhos ou insatisfatórios em termos de criação de novos empregos, assim como a ausência de melhora das condições de vida só podem ser explicados pelo peculiar metabolismo das economias capitalistas, sob o império da competição desbragada e das finanças globais desreguladas.

De fato os governantes de todos os países deveriam ter impedido que os avanços tecnológicos fossem utilizados somente em detrimento dos trabalhadores, quando na realidade deveriam ser utilizados em favor destes justamente porque são os principais consumidores dos produtos originados desses avanços. Sem a demanda dos consumidores não haverá motivo para produzir.

O mais razoável seria ouvir os sindicalistas que bradavam pela redução das jornadas de trabalho, exatamente no sentido de evitar o desemprego em massa, que resultou na miserabilidade e na criminalidade que se vê nas favelas. As fábricas se transformaram em ilhas de prosperidade, cercadas de favelas por todos os lados.

Dessa criminalidade reinante são maiores prejudicados (vítimas) justamente os médios e altos funcionários dos causadores desse desregramento social, que se transformou em verdadeira segregação social.

Sobre esse tema, A Elevada Carga Horária dos Trabalhadores, seria importante a leitura de texto assinado por Paul Krugman (Prêmio Nobel de Economia em 2008), denominado "A Eutanásia do Rentista", transcrito a seguir.

A EUTANÁSIA DO RENTISTA

O FIM DO DIREITO NATURAL A BONS RETORNOS DE CAPITAL COM JUROS ALTOS NÃO SERÁ ACEITO GRACIOSAMENTE

Por Paul Krugman - publicado 03/02/2014 por Carta Capital - Economia - Teoria Geral. Com edição do texto original em preto e com comentários, anotações e explicações adicionais em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

O PLENO EMPREGO E A DISTRIBUIÇÃO DA RENDA NACIONAL

Um leitor citou recentemente John Maynard Keynes:

Os principais erros da sociedade econômica em que vivemos são seu fracasso em oferecer pleno emprego e sua distribuição arbitrária e desigual de riqueza e rendas”.

É claro que essa também é uma citação perfeita para nosso tempo. Está no último capítulo da Teoria Geral, o qual definitivamente suporta uma releitura à luz dos debates atuais. O que Keynes descreve nesse capítulo é basicamente uma condição da estagnação secular – de retornos de investimentos constantemente baixos, combinados com um excedente crônico de poupança. Ele acreditava, em 1936, que essa seria a situação dos negócios durante as décadas seguintes, e é claro que errou nisso.

Mas não errou sobre a possibilidade dessa situação, e desde que Larry Summers, o ex-secretário do Tesouro Norte-Americano, se revelou um estagnacionista secular algum tempo atrás, a visão de que talvez estejamos nela agora tornou-se corrente dominante.

BAIXAS TAXAS DE JUROS SIGNIFICAM A MORTE DOS RENTISTAS

O que mais impressionou, lendo o que Keynes escreveu, foram seus comentários sobre as taxas de juro e o retorno do capital: baixas taxas de juro, ele sugeriu, “significariam a eutanásia do rentista e, consequentemente, a eutanásia do poder opressor cumulativo do capitalista para explorar o valor da escassez de capital”. Na verdade, pelo menos por enquanto, os lucros continuam altos – mas a renda dos títulos está muito baixa. Isto está acontecendo nos países desenvolvidos.

No Brasil as taxas de juros só estiveram verdadeira baixas durante o Governo Lula, sem a necessidade de implantação de um novo e mirabolante Plano Econômico.

O que Keynes não disse, mas hoje parece óbvio, é que os rentistas provavelmente não aceitarão sua eutanásia graciosamente. E aí, Krugman afirmaria, repousa a explicação definitiva para o persistente clamor por arrocho monetário (altas taxas de juros) apesar das economias fracas e da baixa inflação.

Krugman descreveu em diversas ocasiões como os defensores do dinheiro justo estão constantemente mudando de argumentos – tem a ver com a inflação; não, tem a ver com o funcionamento robusto do mercado; não, tem a ver com estabilidade financeira –, mas sempre seguem com a mesma conclusão: as taxas têm de subir já.

Este é o brado dos economistas que se esforçam no convencimento da opinião pública, sempre em defesa dos interesses mesquinhos de seus patrões.

Em 06/04/2014, em entrevista publicada pela Globo News, Delfim Netto disse:

Economia não é uma ciência; é uma Disciplina.

Ou seja, durante o seu estudo acadêmico, o futuro economista é disciplinado ou doutrinado a acreditar em algo que não tem como demonstrar ser verdadeiramente aplicável.

Então, Delfim Netto deixou escapulir: O Economista Nasceu para Mentir.

Diante desse constante brado pelo aumento das taxas de juros, estamos ouvindo ... as vozes dos rentistas – e daqueles economistas que, explícita ou implicitamente, trabalham para os donos do poderio econômico – pedindo seu direito natural de ganhar bons retornos mesmo que o recurso financeiro deles não seja mais escasso, na verdade. Eles não estão dispostos a aceitar graciosamente sua eutanásia, por isso sempre reclamam por taxas de juros mais elevadas.

EXPLORANDO O TRABALHO ESCRAVO

Não ... se trata da sinopse do filme Trapaça (American Hustle). É um comentário sobre o interessante artigo de James Surowiecki na The New Yorker sobre o culto aos longos períodos de trabalho [que culmina no Trabalho Escravo ainda explorado por muitos empresários]. Não discordo exatamente de seu argumento, mas colocaria a ênfase de modo um pouco diferente.

Em primeiro lugar, ele tem razão para o que chama de trabalhadores do conhecimento. Apenas diria trabalhadores de elite em geral. Esses trabalhadores possuem atualmente todos os costumes e os traços comportamentais do Povo que no decorrer do tempo mudaram.

Então, Paul Krugman cita um exemplo por ele observado no decorrer desses anos de profunda experiência profissional:

Quando eu era criança em Long Island, havia uma clara hierarquia de classes nos horários do transporte coletivo.

Os primeiros trens enchiam-se de trabalhadores braçais; quanto mais tardio o trem, mais ternos elegantes, com executivos que começavam seu dia às 9h30 ou 10 horas.

Hoje é o contrário: há muitos ternos ambiciosos nos primeiros trens, e os mais tardios são muito mais misturados.

Então, de que se trata?

Surowiecki enfatiza os incentivos dos empregadores, e sua dificuldade para levar em conta as consequências negativas sobre a produtividade, que obviamente gerará desemprego e a consequente diminuição do consumo popular.

Logo, a produtividade em tese reduziria as vendas por falta dos consumidores que estariam desempregados.

Minha sensação, porém, é de que o fator mais importante ... é a sinalização feita por Surowiecki, a qual é o centro da questão.

Trabalhar um número insano de horas é um sinal de compromisso, de disposição a sacrificar-se pelo emprego; a destruição pessoal proporcionada por essa prática não é um defeito, é característica básica de determinados trabalhadores extremamente cumpridores do seu dever cívico e profissional.

Para ser justo, minha opinião é em parte moldada pela experiência pessoal.

Nunca trabalhei em um banco de investimentos, graças a Deus.

Na verdade, a única vez em que tive um emprego com um horário regular que exigia que eu vestisse terno todos os dias foi no período em que trabalhei para o Conselho de Assessores Econômicos do presidente Reagan, de 1982 a 1983.

Mas naquele tempo a importância do desconforto como prova de seriedade era avassaladoramente óbvia.

Se você fosse ambicioso, usaria um terno de lã com colete todos os dias.

Em Washington, DC, em julho, [em pleno verão] isso é completamente maluco, mas esse era o ponto.

O sujeito que trabalha de forma insana também é maluco. O pior é que, ao ficar doente, será demitido e nunca mais conseguirá um novo emprego.

Veja o texto denominado Management Doentio - A Gestão Empresarial como Doença Social.

A ESTAGNAÇÃO SECULAR

PROBLEMA CRÔNICO: EXCESSO DE POUPANÇA E POUCAS OPÇÕES DE INVESTIMENTO

Por Paul Krugman. Publicado em 21/02/2014 por Carta Capital - Economia - Análise. Com edição do texto original em preto e com comentários, anotações e explicações adicionais em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

Alguém pergunta a Paul Krugman o que ele acha da crise turca. E ele responde:

Turquia? Quem estava prestando atenção na Turquia?

Algumas pessoas estavam, é claro, porque é seu emprego.

O Fundo Monetário Internacional divulgou há pouco mais de um mês os resultados de sua última consulta do Artigo IV, relatórios regulares que deveriam fornecer uma espécie de sistema de advertência precoce. Ele mencionou algumas preocupações.

Por exemplo, segundo o FMI:

Na Turquiao aspecto mais preocupante é a ampliação da posição em moedas estrangeiras de curto prazo das corporações não financeiras. Esta saltou de 78 bilhões de dólares em 2008 para 165 bilhões hoje”.

Isto é, depois da eclosão da Crise Mundial de 2008, diante do "Risco Sistêmico" da ocorrência de falências encadeadas, de fato poderiam falir dezenas de grandes empresas, centenas de outras empresas não tão grandes e milhares de empresas de médio porte. Tudo isso aconteceu mais desgraçadamente nos países de desenvolvidos.

Mas o FMI continuou a analisar os relatórios e sugeriu que os riscos na Turquia não eram grandes, entre outras coisas, porque “o regime de câmbio flutuante reduz a probabilidade de um ajuste muito grande e abrupto na taxa de câmbio”.

Do ponto de vista qualitativo, esta crise turca parece uma clássica crise de mercados emergentes: os investimentos vêm de uma enxurrada de fundos estrangeiros, assim há um aumento acentuado da dívida em moeda estrangeira do setor privado, e então o dinheiro especulativo estrangeiro escondido em paraísos fiscais deu meia-volta e fugiu.

Do ponto de vista quantitativo, esta crise turca não deveria ser tão ruim: a dívida externa pública é de apenas 40% do Produto Interno Bruto (ou era, antes que a moeda da Turquia, a lira, despencasse), e supostamente as empresas turcas não estão tão alavancadas. Por outro lado, existe uma crise política, assim como monetária.

Alguém acrescenta: Ah, e o contágio entre os mercados emergentes?

Lindo. Tudo isso acontece com a recuperação no Ocidente ainda muito fraca e o crescente risco de deflação.

Em uma coluna recente intitulada “O mundo corre o risco de choque deflacionário enquanto BRICS furam as bolhas de crédito”, Ambrose Evans-Pritchard, editor de economia internacional de The Telegraph, foi mais elaborado em sua prosa sobre isso do que eu estou disposto a escrever: essas economias ou são razoavelmente pequenas (Turquia, África do Sul) ou não estão tão fortemente endividadas (como a Índia). Mas isso definitivamente não é o que precisamos agora.

E também não é realmente um acidente. Se você levar a sério a estagnação secular, como deveria, então temos um problema crônico de poupança demais correndo atrás de pouquíssimas oportunidades de investimento, o que significa que as pessoas só se sentem prósperas quando o dinheiro pensa ter encontrado um maior número de bons lugares do que realmente existem, e descobre isso suficientemente rápido, com efeitos nocivos.

Tendo coisa mais importante para analisar, Paul Krugman resolveu falar sobre o empobrecimento da Classe Média nos STATES.

Uma das coisas estranhas sobre os Estados Unidos há muito tempo é o imenso leque de pessoas que se consideram da classe média, e estão se iludindo.

Trabalhadores mal remunerados que seriam considerados pobres pelos padrões internacionais, por exemplo, com rendas abaixo da mediana, de todo modo se consideram classe média baixa.

Pessoas com renda 45 vezes maior que a mediana se consideram no máximo classe média alta.

Mas isso pode estar mudando.

Segundo uma nova pesquisa PEW, houve aumento acentuado no número de pessoas que se chamam de classe baixa. E um aumento um pouco menor no número que se considera média baixa, e, por isso, nesta altura as categorias “baixas” combinadas estão perto da pluralidade da população. Na verdade, aproximando-se talvez de 47%.

Paul Krugman diz que em sua opinião, trata-se de um desenvolvimento muito significativo da miserabilidade. A política de incrementação da pobreza que vem ocorrendo desde os anos 1970 repousou na crença popular de que os pobres são "Aquela Gentalha" [os latinos ou hispânicos], não como nós, verdadeiros americanos trabalhadores.

Esta crença está fora de contato com a realidade há décadas, mas só hoje a realidade parece estar se impondo. O que isso realmente significa é que os conservadores que afirmam que defeitos de caráter são o motivo da pobreza, e que os programas contra a pobreza são ruins porque facilitam demais a vida, hoje estão falando para um público com grande número de norte-americanos que Não estavam entre "Aquela Gentalha" [os hispânicos], que agora percebem estar entre os que às vezes precisam de ajuda da "Lei de segurança social", que tenta ajudar quem está perto da irremediável pobreza, tal como está fazendo o "Programa Bolsa Família" no Brasil.

Em razão dessa derrocada social, em 2012 Miami foi apontada pela Revista Forbes como A Cidade Mais Miserável dos Estados Unidos.

Para os americanos, antigamente situados entre os 86% acima da "mediana ou 2º quartil", atualmente poderíamos dizer:

- Se vocês ainda pensam que são classe média alta, realmente não têm ideia de quanto empobreceram (muitos daqueles agora estão entre os 47% abaixo da "mediana"), principalmente neste século XXI, quando as grandes empresas norte-americanas faliram devido as suas fraudes contra investidores ou fugiram para paraísos fiscais para sonegar tributos e explorar o trabalho escravo.

Veja o texto denominado O Capitalismo Bandido dos Barões Ladrões.