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INFLAÇÃO EM RITMO ELEITORAL

INFLAÇÃO EM RITMO ELEITORAL

CRESCIMENTO NACIONAL & ESTABILIDADE MONETÁRIA

São Paulo, 11/06/2013 (Revisado em 15-06-2013)

Referências: Discussões sobre o que provoca a inflação, os ortodoxos não se entendem, os progressistas são mais sensatos, o capitalismo não está trabalhando, Especulação, Trapaças Financeiras.

INFLAÇÃO EM RITMO ELEITORAL

Por Paulo Vasconcellos - Repórter da Equipe Editorial da Revista Por SINAL nº 41 - maio de 2013, distribuída em junho pelo SINAL - Sindicato dos Funcionários do Banco Central do Brasil. Com edição do texto, anotações e comentários em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

Manchete da Revista Por Sinal:

Com o olhar já posto nas eleições de 2014, oposição acompanha com lupa a política econômica do governo Dilma. Qualquer elevação de preço vira “ameaça de surto inflacionário”

INICIADA CAMPANHA PARTIDÁRIA PARA 2014

A mais de um ano e meio da eleição presidencial de 2014, a campanha começa a esquentar não só com a mudança do tom nos discursos dos virtuais candidatos oposicionistas, mas também nas conversas em torno da formação de alianças e no clima de palanque que inflama qualquer cerimônia de inauguração de obra.

QUEM NÃO SOUBE  GOVERNAR, ADORA CRITICAR O QUE VEM DANDO CERTO

A política econômica do governo Dilma Rousseff está na mira da oposição [partidos políticos contrários à política econômica adotada pelo governo federal de melhorar as condições de sobrevivência do Povo], que acompanha com lupa dois índices em especial:

  1. a taxa de crescimento do país; e
  2. os indicadores de um novo surto inflacionário.

Por mais que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, insista que a inflação está controlada e que o Banco Central continua ativo e vigilante, não há elevação de preço nos supermercados que não atice os ânimos oposicionistas e embale o noticiário econômico dos jornais a serviço dos anunciantes de grande porte.

INFLAÇÃO SÓ PARA OS MAIS POBRES

É interessante observar que a inflação não se verifica naqueles produtos consumidos pelas classes sociais mais abastadas. A inflação só acontece nos produtos de consumo popular, principalmente na área dos supermercados.

Veja no texto denominado O Fantasma da Inflação, o tópico DIEESE: Inflação para Pobres sobe Mais do que para Ricos.

A CESTA BÁSICA SEMPRE APRESENTA OS MAIORES ÍNDICES DE INFLAÇÃO

A Cesta Básica é sempre a principal vítima do cartel de supermercados. A Cesta Básica sempre apresenta os maiores índices de inflação, que é festivamente apregoada pelos meios de comunicação ("mídia")a pedido de seus anunciantes.

A TÁTICA DOS PARTIDOS DE OPOSIÇÃO AO GOVERNO FEDERAL

Isto é, os partidos de oposição ao governo federal estão utilizando a mesma tática usada no passado quando a inflação era também provocada artificialmente.

É possível observar atualmente, tal como outrora, que determinados produtos oferecidos naqueles primeiros dias de cada, em que o povão recebe seu salário, os preços são maiores que nos demais dias de cada mês.

RACIONAMENTO NOS SUPERMERCADOS

Observa-se também que vários produtos tem seu consumo limitado a poucas unidades por consumidor. Assim, o trabalhador é obrigado a levar vários de seus familiares para que cada um chegue ao caixa com a quantidade limitada.

Evidentemente, trata-se da mesma tática utilizada no passado para provocar a corrida aos supermercados e assim estimular a artificial inflação.

O consumidor, ao chegar em casa, telefona para os parentes e amigos, aconselhando-os a correrem aos supermercados porque determinada mercadoria está racionada, o que pode significar que vai faltar ou que vai ter seu preço aumentado.

PRONUNCIAMENTO DE DILMA RUSSEFF

No fim de março de 2013, a pressão dos partidos de oposição no sentido de induzir a opinião pública a um entendimento errôneo levou a presidente Dilma a se inflamar com uma suposta manipulação das declarações que havia dado sobre a inflação num encontro dos representantes dos países emergentes que integram o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul = países mais ricos do mundo em reservas minerais), realizado em Durban, na África do Sul, quando disse não concordar com políticas de combate à inflação que implicam na redução do crescimento econômico e na penalização dos trabalhadores.

Como o mercado financeiro e de capitais, aliado aos partidos de oposição,  interpretou a declaração da Presidenta como uma ingerência sobre a autoridade monetária e reduziu as suas expectativas sobre a retomada [do criminoso aumento] da taxa de juros, Dilma voltou à carga com artilharia pesada: “Foi uma manipulação inadmissível de minha fala. O combate à inflação é um valor em si mesmo e permanente do meu governo”, afirmou a presidente.

No que se refere à ingerência sobre a autoridade monetária, veja os textos denominados:

Veja ainda o texto em que Delfim Netto menciona que o combate à inflação não está restrito a um simples aumento da taxa de juros.

"A presidenta Dilma Rousseff sabe que não será reeleita com inflação alta. Inflação alta mata o projeto de redistribuição de renda porque corrói os salários. Por isso o governo está ajustando os mecanismos. Ainda não está muito claro qual a taxa de juros que pode prevalecer e qual o modelo do Banco Central. Há pressão inflacionária externa com o custo das commodities e pressão inflacionária interna com os salários, mas a inflação ainda não fugiu da meta. Está acima do centro da meta, mas ainda dentro da meta", diz Laura Barbosa de Carvalho, professora da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Esta é a opinião também de Fernando Ferrari Filho, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

"A inflação atual não é preocupante. Primeiro, porque, mesmo que anualizada e que atinja o topo do intervalo superior, 6,5%, é menor do que a inflação média do período de metas de inflação, 1999-2012, que é da ordem de 6,7% ao ano. Segundo, porque ela não é necessariamente de demanda", afirma. Para Ricardo Picolli, da Gerência Técnica em Porto Alegre do Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições Não Bancárias (GTPAL/Desuc) do Banco Central, há uma overdose de atenção sobre a inflação. "Em 2012, ela fechou ainda dentro da meta. A questão principal é por que ainda temos inflação. O momento no Brasil é de desemprego mais baixo do que na Alemanha. Nossa inflação é consequência de políticas econômicas e estruturação social. Ela não é uma benesse, mas é necessária no momento", completa.

O SINAL não está alheio a esse debate. Segundo Aparecido Francisco de Sales (Sinal-SP), professor convidado no MBA em Banking da Universidade São Caetano do Sul e membro do conselho editorial da revista Por Sinal, "é prematuro afirmar que há descontrole inflacionário. Basta consultar o Boletim Focus, publicado pelo Banco Central, que consolida a opinião dos economistas do sistema financeiro: a previsão é que a inflação continue com a tendência de convergência para o centro da meta”. Sales acredita que os mecanismos utilizados pelo BC, junto a uma comunicação adequada, possam reduzir a ansiedade do mercado (manipulado banqueiros e pelos 20 mil maiores de detentores de títulos públicos) por aumento de juros, "que viria prejudicar ainda mais a já incipiente capacidade de investimentos governamentais".

A frase em negrito imediatamente acima, subliminarmente tentou dizer que os juros pagos aos mais ricos detentores de títulos públicos saem das verbas oriundas dos impostos arrecadados que seriam destinadas às necessidades dos mais pobres brasileiros.

Para o diretor de Relações externas do SINAL, o também economista José Ricardo da Costa e Silva, a inflação não assusta, mas preocupa, pois tem estado persistentemente em patamares elevados, apesar do baixo nível de atividade da economia brasileira.

"No ano passado, vimos um fenômeno que não víamos há tempo: a estagflação, que é o elevado aumento nos preços combinado com o baixo nível de atividade, embora não se tenha observado o aumento no desemprego típico da estagflação", avalia.

Logo, o aumento de preços ao consumidor de baixa renda está sendo manipulado pelo cartel de supermercados, na tentativa de desqualificar o presente governo e eleger seus pares nas próximas eleições.

DISCURSO INFLACIONÁRIO = MANIPULAÇÃO DA OPINIÃO PÚBLICA

Não é o que leem os leitores dos principais jornais brasileiros. Vejamos o que escrevem:

"Este é o pior momento da inflação em 2013. Se você está sentindo um peso no bolso na hora de fazer as compras, principalmente de alimentos, não é impressão sua. A inflação de alimentos está em 12,5% e, em março, pode chegar a 13% ou passar desse patamar no acumulado em 12 meses. E o IPCA cheio deve estourar o teto da meta. Este é o pior momento, mas ao longo do ano, a inflação tende a cair. A de serviços também está alta, em 8,7%", escreveu a colunista Míriam Leitão em seu blog no jornal O Globo do dia 13 de março de 2013.

"Também as pressões inflacionárias que começam a crescer em razão de descompassos de oferta em mercados importantes serão enfrentadas com medidas paliativas, como redução de impostos na ponta do consumo. Até mesmo a política de superávit fiscais primários, que tem permitido uma redução continuada da dívida pública, será imolada no altar da reeleição", escreveu o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso, na coluna que assina a cada duas semanas no jornal Folha de S. Paulo.

Por trás do discurso inflacionário, mal se esconde a tentativa de minar o governo petista às vésperas de uma eleição em que a oposição tem poucas fichas para se apresentar como alternativa.

Há menos de um mês, o principal candidato oposicionista, o tucano Aécio Neves, alertava que a inflação voltou – sem lembrar que, em 2002, antes de Fernando Henrique Cardoso passar o bastão a Luiz Inácio Lula da Silva, ela chegou a mais de 12%. O senador do PSDB disse ainda que há descontrole fiscal porque, segundo ele, o superávit ficou em 2,8% e foi “maquiado”.

'Em prol da governabilidade, o PT maculou um projeto para o país e manteve o tripé macroeconômico, mas o conservadorismo em alerta não admite que o Brasil, socialmente, está mudando", diz Fernando Ferrari Filho.

RECADO À SOCIEDADE CIVIL ENDINHEIRADA

Até agora, o governo Dilma Rousseff limitou-se a ensaiar uma resposta mais de discurso do que na prática. Num encontro com empresários e economistas, promovido pela Câmara de Comércio França-Brasil em São Paulo, em 22 de março de 2013, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fez questão de salientar que a autoridade monetária já havia dado um recado à sociedade ao manifestar a sua preocupação com o nível e a resistência da inflação, mas que diante das incertezas tem atuado com cautela.

"Ações foram tomadas, mas é plausível afirmar que outras poderão ser necessárias. Para decidir sobre isso, o Banco Central irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico", disse Tombini.

"O foco da política monetária tem sido e continuará a ser exclusivamente a manutenção da estabilidade de preços. A sociedade brasileira sabe que taxas de inflação elevadas geram distorções na economia, elevam os prêmios de risco, deprimem os investimentos, subtraem o poder de compra de salários e reduzem o potencial de crescimento da economia", continuou a dizer Tombini.

SEMPRE AGINDO EM PREJUÍZO DOS TRABALHADORES

Na realidade, para que se tenha o total controle dos índices inflacionários é preciso ficar de olho nas ações maquiavélicas do CARTEL de supermercados. Afinal, este é o ramo de negócio que tem maior poder de manipulação dos preços ao consumidor no sentido de provocar uma falsa inflação.

Essa ramo de atividade tem esse poder de manipulação da opinião pública porque negocia produtos e mercadorias estritamente necessárias em todos os lares. O Povo pode deixar de comprar quase tudo que se encontra à venda, menos a comida.

Dessa manipulação, aproveitam-se os partidos políticos que fazem oposição ao governo federal. Em suma, fazem oposição ao povo brasileiro. É no bolso do povão que a inflação mais pesa.

COMPARANDO-SE O PRESENTE COM O OCORRIDO NO PASSADO

O que os indicadores registram é que oscilações inflacionárias têm sido constantes na História recente do "nosso" País e que os números atuais talvez não sejam suficientes, por enquanto, para acender a luz vermelha.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a “inflação oficial” do País, por ser usado como base para as metas do governo, passou de 0,60%, em novembro, para 0,79%, em dezembro, fechando 2012 em 5,84%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2011, a inflação oficial avançara 6,50% e, em dezembro do mesmo ano, 0,50%.

Em dez anos de sequência histórica, a inflação anual do ano passado foi a quinta mais baixa. Vejamos.

O índice, em 2003, foi de 9,30%, depois de ter chegado a 12,5%, em 2002.

Em 2004 caiu para 7,60%. Baixou mais ainda, para 5,69%, em 2005.

Em 2006 foi a mais baixa nos últimos dez anos: 3,14%. No ano seguinte subiu para 4,46%.

Em 2008 atingiu 5,90% e, em 2009, voltou a recuar, agora para 4,31%.

Em 2010 chegou a 5,91%. E fechou 2011 em 6,50%.

DE OLHO NOS JUROS - OS LOBISTAS DO GRANDE CAPITAL FICAM ATENTOS

Apesar desse desempenho, o barulho em torno da inflação cresce, principalmente às vésperas das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), que define a taxa básica de juros, a Selic, a cada 45 dias. É com base nela que praticamente todas as demais taxas de juros são calculadas, desde a remuneração da poupança até a prestação do carro.

Uma Selic baixa significa a possibilidade de juros mais baixos para toda a economia. Já uma Selic nas alturas joga para cima todos os demais juros do país.

Em outubro de 2012, o Banco Central reduziu a taxa Selic ao nível mais baixo da história: 7,25% ao ano.

Em abril de 2013, quando a inflação bateu levemente o teto da meta, decidiu aumentar a taxa mais 0,25%.

É importante não esquecer que, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a Selic chegou a 45%.

QUANDO MAIOR A TAXA DE JUROS MAIOR É A INFLAÇÃO

De olho no nosso passado podemos observar que nos períodos de altas taxas de juros, sempre foram altíssimos os índices de inflação.

Isto só não aconteceu durante o governo FHC porque espertamente os gestores de nossa política econômica causaram um elevado índice de desemprego (cerca de 20%). Para causar o desemprego, estimularam as importações e desestimularam as exportações, mediante a manutenção do REAL supervalorizado. Então, como não havia emprego, também não havia salário. E, sem salário, não há consumo. Sem consumo, não há inflação. Pode até ocorrer a deflação.

Por que sempre há inflação quando é aumentada a taxa de juros?

Primeiramente observe que nos países desenvolvidos o povo é essencialmente consumista, por isso desfrutam do mais elevado IDH - Índice de Desenvolvimento Humano. Embora, o consumo seja excessivamente elevado, por lá nunca houve grandes surtos de  inflação e a taxa de juros paga por eles sempre foi baixa.

Então, vejamos um exemplo do que acontece no Brasil.

Se os empresários solicitam empréstimos bancários para manutenção de seu capital de giro, obviamente o custo do dinheiro obtido será maior e também obviamente será maior o custo operacional da empresa, o qual será repassado para os produtos e mercadorias vendidas ao consumidor. Assim acontece a inflação. Em síntese, a alta taxa de juros eleva o custo operacional do empresariado, o que gera maiores preços de venda ao consumidor.

Portanto, é a mais pura mentira dizer que aumento da taxa de juros combate a inflação.

Na prática acontece o seguinte.

Com o aumento da taxa de juros, os empresários que têm dinheiro disponível deixam de aplicar na produção para aplicar na "ciranda financeira". Logo, a falta de produção para pleno atendimento da demanda vai gerar inflação. Mais, uma vez o aumento da taxa de juros provocará a inflação.

Assim sendo, a melhor medida a ser aplicada pelos gestores de nossa economia é a redução da taxa de juros para que os investimentos sejam direcionados para a produção (e não à ciranda financeira). Em suma, para que não haja inflação é preciso o pleno atendimento às necessidades de consumo ou da demanda popular.

De outro lado, em épocas passadas em que o empresariado não queria produzir, o dinheiro por eles aplicado em títulos públicos, era aplicado na criação de empresas estatais que tinham a função que produzir o que o empresariado não queria produzir.

Logo, se o empresariado deixar de produzir com o intento de gerar inflação, obviamente o governo será obrigado a novamente estatizar toda a economia, tal como foi feito durante os governos militares.

Dessa maneira, o que os partidos de oposição estão querendo fazer (inflação artificial = manipulada), resultará num tiro que sairá pela culatra do resolver, matando o próprio empresariado, que novamente seria substituído por empresas governamentais.

Ou seja, se mais uma vez a iniciativa privada se recusar a investir na produção, o governo será  novamente obrigado a promover a estatização da economia, tal como fizeram os governos militares a partir de 1964 e, antes deles, os presidentes de João Goulart e Getúlio Vargas.

A TAXA SELIC E A INFLAÇÃO DURANTE O GOVERNO LULA

Na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva a Taxa SELIC oscilou entre 26,5% (herdada de FHC) e 8,75% (no final do governo Lula).

A Taxa Selic (média das taxas praticadas na negociação de títulos públicos custodiados no SELIC - Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é importante porque define o custo do dinheiro no Brasil, ou seja, o rendimento que os donos do dinheiro – bancos e investidores (cerca de 20 mil magnatas) – terão em cada tipo de investimento.

Investir na produção trás riscos para o empresariado. Assim sendo, com a Taxa Selic muito alta, quem tem dinheiro para investir escolhe colocá-lo em opções que remuneram de acordo com a taxa básica de juros, como os títulos da dívida pública.

Aplicar em Títulos Públicos é um tipo de investimento que não traz grandes riscos ao investidor e ainda propicia margens de lucro atrativas (aumentando os custos de produção = gerando aumento da inflação).

Quando a Selic está baixa, a rentabilidade cai. Assim, o investidor que quiser fazer dinheiro (ganhar mais) com seu dinheiro procura outras opções (como, por exemplo, aplicar na produção e não na especulação financeira).

Nem precisa ser contador para que se possa entender essa lógica básica da Contabilidade de Custos.

A ATUAÇÃO DO COPOM SOB A PRESSÃO DOS LOBISTAS DO GRANDE CAPITAL

No penúltimo encontro, realizado nos dias 6 e 7 de março de 2013, o Copom optou por manter a Selic em 7,25%, embora o IPCA, medido pelo IBGE, tenha registrado alta de 0,6% e a inflação acumulada para os últimos 12 meses, de 6,31%, tenha ficado muito perto da meta.

A reação dos detentores do Grande Capital desta vez foi mais barulhenta com a publicação da ata do Copom porque, apesar de ter identificado que a inflação está espalhada e resistente, o documento recomenda que a política monetária deve ser usada com cautela.

Vejamos as reações dos representantes do Grade Capital.

"A ata do Copom tem um parágrafo surrealista. O BC admite que a inflação pode se acomodar em patamar mais alto. Dito isso, a conclusão só pode ser elevação de juros, a ferramenta que se tem para lutar contra o problema", escreveu Míriam Leitão, no jornal O Globo, em 17 de março de 2013 em defesa dos detentores do Grande Capital.

"A ata do Copom confunde mais do que explica", insistiu o âncora e comentarista econômico Carlos Alberto Sardenberg, na rádio CBN, também representando os detentores do Poderio Econômico.

CONSULTANDO A VELHA E ROTA BÍBLIA DOS CONSULTORES ECONÔMICOS

Vejamos a opinião de que defende o Povo.

"Quando se eleva a taxa de juros, você combate a inflação que vem por aumento da demanda (segundo a velha e rota Bíblia). Porém, a inflação no Brasil, atualmente, resulta de uma alteração estrutural da distribuição de renda em direção ao setor de serviços (inclusive com salários melhores) ou de pressões localizadas de custos. Não resulta deste excesso de demanda”, disse o economista Pedro Paulo Bastos, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ao Jornal do Brasil.

E identificado Professor ainda critica os usuários da velha e rota Bíblia:

“Economistas que defendem a elevação da Selic mesmo quando a inflação não é de demanda, mas de custos, defendem o interesse de quem perde lucro com os juros menores".

Até o Delfim Netto fez essa mesma crítica. Veja no texto intitulado Lobistas do Grande Capital Querem Aumentar a Taxa de Juros - Nada Pelo Aumento da Produção e Tudo pela Especulação Financeira.

PERDAS E GANHOS - OS BANQUEIROS SEMPRE GANHAM

É o caso dos bancos. Sete meses depois de a presidente Dilma Rousseff ir à TV revelar a posição do governo contra os juros altos, parte dos maiores bancos em operação no país anunciou demissões e queda nos lucros.

Então, penalizando os trabalhadores, os banqueiros aumentaram seus lucros

O Itaú Unibanco encerrou o ano passado com lucro líquido de R$ 13,594 bilhões, queda de 7% em relação ao ano anterior, mas ainda assim o segundo melhor resultado da instituição na História, atrás apenas de 2011, quando ganhou R$ 14,621 bilhões.

O Banco do Brasil fechou o ano com lucro líquido de R$ 12,2 bilhões, uma alta de 0,7% em 12 meses e o maior lucro da história do banco.

O Bradesco teve, em 2012, lucro de R$ 11,38 bilhões, cerca de 3% acima da cifra registrada um ano antes.

Já o Santander Brasil fechou com lucro líquido de R$ 6,329 bilhões, um recuo de 5% sobre 2011.

No ano em que acirrou a disputa com os bancos privados, a Caixa Econômica Federal teve lucro de R$ 6,1 bilhões, resultado 17,1% maior do que no ano anterior e recorde histórico do banco estatal.

O HSBC Brasil teve lucro líquido de R$ 1,3 bilhão em 2012, queda de 2,6% ante o ano anterior.

Para compensar, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander encerraram o ano com tarifas e preços dos serviços reajustados em 16%, 8% e 11%, respectivamente, penalizando principalmente os pequenos tomadores de empréstimos, os trabalhadores.

O dinheiro que ano após ano enchia os cofres dos bancos brasileiros tinha sua origem nos juros altos, materializado na taxa Selic. Em 2010, eles ficaram entre os mais rentáveis do planeta.

Segundo uma pesquisa da revista inglesa The Banker, a rentabilidade média dos bancos do brasileiros alcançou 32% sobre o capital – menor apenas que a dos bancos do Paquistão, com 36,4%.

No total, os lucros bancários representaram 5% dos lucros totais dos mil maiores bancos globais, de acordo com o levantamento. Em 2007 tinham sido de 3%.

De 2000 a 2010, a soma do lucro dos bancos brasileiros, de acordo com o levantamento do blog do bancário Eduardo Diniz, feito com base em balanços oficiais à disposição na internet, teve como resultado R$ 269.345.377 bilhões. Nada menos de 33% foram conquistados apenas nos últimos dois anos.

Em 2010 os bancos lucraram aproximadamente R$ 46 bilhões. Em 2009, algo em torno de R$ 41 bilhões.

Seis bancos abocanharam 95% do lucro: Itaú-Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, CEF e HSBC.

  1. o Itaú lucrou R$ 10,06 bilhões, em 2009, e R$ 13,3 bilhões, em 2010;
  2. no Banco do Brasil o lucro foi de R$ 10,1 bilhões, em 2009, e de R$ 11,7 bilhões, em 2010;
  3. no Bradesco, R$ 8,01 bilhões e R$ 10,02 bilhões;
  4. no Santander, R$ 5,5 bilhões e R$ 3,86 bilhões;
  5. na Caixa, o lucro foi de R$ 3,0 bilhões, em 2009, e R$ 3,7 bilhões, em 2010;
  6. o HSBC, que lucrou R$ 766 milhões, em 2009, e R$ 1,2 bilhão, em 2010;
  7. os demais bancos lucraram R$ 3,6 bilhões, em 2009, e R$ 2,6 bilhões, em 2010.

Nos últimos anos, nosso sistema bancário tornou-se um dos mais sólidos do mundo, e está entre os que mais lucraram”, afirmou Dilma Rousseff na mensagem em que anunciava a guerra aos juros altos.

Isso tem lhes dado força e estabilidade, o que é bom para a economia, mas isso também permite que eles deem crédito melhor e mais barato aos brasileiros”. Afinal, “a taxa básica Selic está caindo, a economia se mantém estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade seus compromissos, completou a Presidente.

NOVOS TEMPOS - BRASIL NO 1º MUNDO? SÓ COM JUROS BAIXOS

Foi assim que Dilma justificou a batalha do spread contra os bancos privados, que então começava a ser travada pelo Palácio do Planalto por meio dos dois maiores bancos públicos do país: Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

Spread é o termo em inglês utilizado pelo mercado financeiro para se referir à diferença entre os juros que os bancos pagam ao captar dinheiro (em geral, com uma taxa próxima à Selic) e os juros que cobram para emprestar esse mesmo dinheiro.

É dessa diferença que bancos e instituições financeiras retiram parte de seu lucro, e todos os economistas concordam que o spread praticado no Brasil está entre os maiores do mundo.

Em abril de 2012, antes das medidas do governo, o spread brasileiro estava em 27%. Em setembro de 2012, caiu para 22%, de acordo com dados do Banco Central.

Os números do spread são obtidos pela média entre os juros praticados por todos os bancos e todas as linhas de crédito existentes no país, dos mais altos (cheque especial e cartão de crédito) aos mais baixos, como o crédito consignado.

Países com nível de desenvolvimento semelhante ao Brasil, como México, Argentina, Índia ou África do Sul, sustentam spreads de 3% ou 4%.

AS OPINIÕES DOS SENSATOS

Em tempos de crise global e recessão, a preocupação deve ser a atividade econômica e o nível de emprego. A maioria dos bancos centrais está com as atenções voltadas para a atividade econômica, à custa da inflação, civilizada, naturalmente. No Brasil, não está sendo diferente. A prioridade deve ser colocar o país nos trilhos do crescimento sustentável”, diz Fernando Ferrari Filho.

Há uma pequena margem para aumentar a taxa de juro, como querem os monetaristas, mas o melhor seria o governo aumentar massivamente no investimento no setor produtivo”, sugere Ricardo Picolli.

Pode-se controlar a inflação, eliminar, não. O governo desonerou a folha de diversos setores da economia, da cesta básica, do preço da energia elétrica e a inflação mostra-se resistente. Os empresários têm embolsado a redução que deveria ser repassada aos preços finais, ou seja, aumentado a margem de lucro”, diz Aparecido Sales.

Falta às autoridades deixar claro que não optaram por mais desenvolvimento e menos estabilidade de preços. Este dilema inflação x crescimento só existe no curtíssimo prazo. No médio e no longo, não. No longo prazo o que garante inflação baixa é a certeza de que no futuro haverá inflação baixa. Então precisamos mudar os sinais emitidos pela atual administração e dar tranquilidade à população (e aos agentes econômicos) quanto ao compromisso desta administração com a estabilidade de preço”, reforça José Ricardo Costa e Silva.

Tanto o governo como o Banco Central estão atentos à inflação, mas é preciso considerar que houve mudança de regime. Antes de 2003, a inflação era controlada pelo câmbio [os gestores de nossa política econômica acreditavam que o aumento do preço do dólar provocaria aumento de preços ao consumidor interno, o que não aconteceu no final do Governo FHC e no início do Governo Lula]. Ainda antes de 2003, os juros altos atraíam capital externo e ajudavam a combater a inflação [Na realidade a alta taxa de juros ajudava na captação de dinheiro para reduzir o Déficit Público = Falta de Arrecadação em razão da Sonegação Fiscal. Naquela época, a inflação foi combatida com desemprego = Ausência de Consumo]. Era a âncora cambial, que funcionava mais do que o crédito. O Novo governo a partir de 2003 mudou de regime e desvalorizou o câmbio para trazer mais competitividade para a indústria. A mudança trouxe efeitos na inflação em 2012, que ainda prevalecem. A partir de 2003 os importados ficam mais caros e os contratos indexados. Agora, a inflação passou a ser uma preocupação menor. Aceitou-se uma taxa maior por causa das mudanças. A ideia de que ou cresce a economia ou gera inflação não faz muito sentido. Num ano pré-eleitoral como o de 2013 tem que controlar a inflação para não matar o crescimento”, adverte Laura Barbosa de Carvalho.

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