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LOBISTAS DO GRANDE CAPITAL QUEREM AUMENTAR A TAXA DE JUROS

LOBISTAS DO GRANDE CAPITAL QUEREM AUMENTAR A TAXA DE JUROS

NADA PELO AUMENTO DA PRODUÇÃO E TUDO PELA ESPECULAÇÃO FINANCEIRA

São Paulo, 01/04/2013

Referências: Os Capitalistas querem o retorno da Ciranda Financeira - Especulação, A Atuação dos LOBISTAS a serviço do Grande Capital para forçar o COPOM - Comitê de Política Monetária a Aumentar a Taxa de Juros - Taxa SELIC, A Inflação em 2013 aconteceu por mero Preconceito e Discriminação aos Trabalhadores - Segregação Social, Governo Brasileiro  - O Fim do Banco Central Independente.

Índice dos textos desta página:

INFLAÇÃO - POBRE DISCUSSÃO [SOBRE TAXA DE JUROS]

Por Delfim Netto - economista formado pela USP e professor de Economia, ministro de Estado e deputado federal - Publicado pela Revista Carta Capital - Inflação em 23/03/2013. Edição do texto original, com a colocação de negritos e com subtítulos, anotações e comentários em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

A ACERTADA POLÍTICA DE REDUÇÃO DAS TAXAS DE JUROS

Quando, há um ano e meio, o Banco Central do Brasil iniciou o cuidadoso procedimento de redução da taxa de juros por pressão do governo federal, do empresariado nacional e da verdadeira sociedade civil representada pela classe média, o COSIFE esteve entre os multiplicadores desse sensata opinião da necessidade de redução da taxa de juros.

Mas, em contraponto, abriu-se um espaço para a multiplicação de análises feitas por pessoas manipuladoras da opinião pública interessadas em atacar a política governamental. A expectativa dos oposicionistas ao governo central era a de produzir um nível de descrédito capaz de interromper o processo engendrado pelos assessores do governo. Basicamente, as análises favoráveis à manutenção dos altos juros pretendiam convencer a sociedade [o povo] de que sem eles seria impossível controlar a inflação.

A ATUAÇÃO DOS LOBISTAS EM DEFESA DO GRANDE CAPITAL

Na realidade a intenção dos lobistas a serviço dos oposicionistas ao governo federal era a de defender os interesses mesquinhos dos cerca de 20 mil ricos investidores brasileiros e estrangeiros que aplicam suas economias em 80% dos títulos públicos emitidos pelo governo brasileiro.

A TEIMOSIA DO GOVERNO FEDERAL EM DEFESA DA COLETIVIDADE

O governo insistiu, contudo, na política de trazer o juro o mais próximo possível dos níveis internacionais, por entender ter esse um espectro de influência sobre o sistema econômico que transcende seu papel de estabilizar a inflação.

Manter um juro real baixo é fundamental para estimular a retomada dos investimentos privados na produção, deixando de lado a especulação financeira. A manutenção do juro baixo é um fator decisivo para aumentar a capacidade do investimento público nos empreendimentos vitais para a solução dos gargalos logísticos na infraestrutura.

Está mais do que evidente, hoje, que a estratégia do Banco Central nada independente (subjugado ao comando do governo brasileiro) foi correta ao manter a prioridade da política de queda dos juros.

A SANHA DOS QUE FAZEM SUAS APOSTAS NA DESGRAÇA BRASILEIRA

Durante um longo período, houve uma espécie de cabo de guerra entre o setor financeiro e o governo, finalmente vencido por este. A discussão ameaça recomeçar, com a iniciativa de analistas [LOBISTAS] do setor financeiro a prever a alta da taxa Selic para 8,5% até o fim de 2013, o mais tardar no primeiro trimestre de 2014.

Projeções dessa ordem têm pouco valor. É muito difícil fazer previsões dessa natureza por um período superior a um trimestre, ou dois, no máximo. Num primeiro trimestre você tem alguma condição de acertar, num segundo a névoa cresce e num terceiro é noite pura. Estamos a ver apostas avançando quatro ou cinco trimestres.

É tudo torcida! Aliás, é como torcer contra a seleção brasileira para que não seja campeã na Copa do Mundo de 2014. Elas [as torcidas contrárias ao crescimento do Brasil] apenas se inserem nessa pobre discussão que tomou conta do Brasil a respeito da necessidade de aumentar a taxa de juros.

Novamente um cabo de guerra entre o setor financeiro e o governo, o primeiro tentando convencer a sociedade [a opinião pública] de que a taxa real de juros do Brasil está muito baixa; que a inflação está muito alta e que, portanto, só a elevação da Selic produziria o efeito de contê-la.

Na verdade como foi escrito acima, é apenas pressão dos LOBISTAS à serviço do Grande Capital especulativo que querem aumentar seus rendimentos sem nada produzir para consumo popular.

AS SÁBIAS PALAVRAS DO AGORA GRANDE MESTRE DELFIM NETTO

A inflação brasileira claramente tem causas estruturais muito mais complexas do que aquelas passíveis de ser corrigidas simplesmente com a elevação da taxa de juros.

Acontece que muitas pessoas não querem discutir as causas reais, preferem aceitar que existem soluções simples como a defendida pelos sacerdotes do sistema financeiro: se subiu a taxa de inflação, basta elevar a taxa Selic e esperar que esse movimento produza o efeito desejado.

Segundo os falsos especialistas a serviço dos capitalistas, somente o aumento do juro real colocará a inflação nos eixos. O Brasil, à custa de muito sofrimento, já entendeu ser isso absolutamente falso.

OS VERDADEIROS PROBLEMAS BRASILEIROS

Hoje é preciso enxergar a desestruturação de nosso mercado de trabalho. Houve uma verdadeira revolução, quando se atingiu um nível de emprego bastante alto em meio a estímulos a aumentos de salários mínimos, cujo objetivo era melhorar a distribuição de renda (o que foi atingido), mas que se mostraram incompatíveis com o equilíbrio monetário. Agora se trata de balancear esses efeitos: não é possível imaginar que bastaria elevar a taxa de juros para controlar a inflação e fazer o Brasil caminhar para o seu nível de atividade normal.

A INFLAÇÃO COMO FORMA DE PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO SOCIAL

O aumento dos preços ao consumidor, que redundou na inflação, está diretamente ligado à ganância do empresariado controlador das redes de supermercados. Eles querem enxugar do meio circulante a maior quantidade de dinheiro que está nos bolsos dos trabalhadores menos favorecidos que recentemente chegaram à Classe Média.

Na verdade, como o aumento de preços ao consumidor os controladores dos supermercados querem que o povo fique novamente impossibilitado de comprar. Especialmente querem impedir que o povo coma melhor. A inflação não se origina num problema enfrentado pela contabilidade de custos (com o aumento destes). Isto é, não é uma questão econômica. A inflação assim provocada pelo empresariado varejista é fruto de mero preconceito e discriminação social. É segregação social para que o povo não possa melhor sobreviver.

O EMPRESARIADO NÃO QUER AUMENTAR A PRODUÇÃO PARA VENDA AO POVÃO

Há um aparente conformismo com o baixo crescimento da economia brasileira. Para reencontrar o nível de atividade “normal” (crescimento mínimo anual do PIB de 4% a 5%, sustentável, com “viés de alta”) temos de aprofundar as mudanças na direção perseguida pela presidenta Dilma.

Ela quer maior produção para que sejam plenamente atendidos os anseios da população. Mas, o empresariado não quer produzir para vender para o povão. É a velha segregação social.

Seu governo tem enfrentado graves problemas estruturais do País, como o da redução do custo da energia e da taxa de juros real, a batalha dos portos mal administrados pela iniciativa privada e a enormidade do estrangulamento logístico na infraestrutura de transportes, incluindo os elevados pedágios cobrados nas rodovias privatizadas, apanhando aqui, avançando mais adiante, com um saldo inquestionavelmente positivo.

Não é um governo contemplativo, mas um que luta nos campos estrutural e institucional à procura de melhorar a qualidade do mercado de trabalho, formulando um projeto de livre negociação dentro da empresa.

O AUMENTO DA TAXAS DE JUROS É UM DELEITE PARA APENAS 20 MIL CAPITALISTAS

Todos esses são problemas fundamentais. Não significa que a questão dos juros não seja importante, ela produz seus efeitos. É preciso deixar claro, contudo: a vida não se esgota na Taxa Selic e o mundo não acaba nem começa na taxa de juros…

INFLAÇÃO E TAXA DE JUROS - MALA SEM ALÇA

Por Delfim Netto - Publicado por Carta Capital em 01/03/2013. Edição do texto original, com a colocação de negritos e com subtítulos, anotações e comentários em azul por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

A MALA SEM ALÇA DEVE SER ABRAÇADA PARA SER CARREGADA

Quem não depende do “agito” para viver aceita com naturalidade a declaração da autoridade monetária de que não se sente confortável com a inflação, mas que o governo dispõe dos instrumentos para seu controle, a serem acionados em caso de necessidade.

QUEM ESTÁ TORCENDO PELO AUMENTO DA TAXA DE JUROS

Para quem vive da especulação financeira, no entanto, é preciso passar a ideia de que “houve uma mudança importante no comportamento do Banco Central” em relação à inflação. E ele se prepararia para combater a alta da taxa [de inflação] mediante a manipulação dos juros [para cima]. No interesse de aumentar a volatilidade [a evaporação ou anulação dos conceitos anteriormente fixados], acrescenta-se ainda a “sutil” intriga de que a presidenta Dilma não deixaria o Banco Central agir com autonomia na questão da taxa de juros.

A EXPERIÊNCIA POSITIVA VERIFICADA NOS ÚLTIMOS ANOS DESDE 2003

Ora, evidentemente, isso é algo fora de cogitação, especialmente por ser um governo condutor de toda uma política de redução das taxas de juro com muito cuidado e coerência. O Brasil ganhou uma enorme experiência nesse negócio. E a cada tentativa de controlar a inflação só com a elevação da taxa de juros, deu-se muito mal.

A PARTIR DE 2011 O BANCO CENTRAL TEM COMO PRESIDENTE UM DOS SEUS FUNCIONÁRIOS

Segundo Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, e o ministro Guido Mantega, o governo observa o comportamento da inflação, com mais atenção à evolução de algumas de suas causas como, por exemplo, as consequências do aumento do preço dos alimentos causado pelos choques de oferta, inclusive externos, no início do ano. Isso não deixa ninguém confortável, embora seja previsível que o efeito dos choques [redução] da oferta agrícola [em razão das excesso de chuvas no sul e sudeste e das secas no nordeste] tende a amenizar-se nos próximos meses. Outro fator é o comportamento do mercado de trabalho, quando os salários reais crescem acima da produtividade [e da produção necessária ao atendimento da demanda] e há exageros nas correções.

Na realidade, embora tenham de fato existido os problemas climáticos sentidos no início de 2013, que reduziram a produção de alimentos, os aumentos de preços ao consumidor foram provocados pela ganância dos controladores das redes de supermercados e pela segregação social enraizada na mentalidade tacanha de nossa elite empresarial.

NO MUNDO DISCUTE-SE O FIM DA AUTONOMIA DOS BANCOS CENTRAIS

Embora pelo mundo afora exista muita gente importante favorável ao fim da autonomia dos Bancos Centrais, como por exemplo os governantes europeus de viram seus países chegarem à bancarrota por culpa dos privilegiados gestores de suas políticas econômicas, os economistas ortodoxos continuam a defender a tese de que um pequeno corpo de servidores públicos, com meia dúzia de participantes, devem estar acima das decisões nacionais em que existem um presidente, diversos ministros de Estado e toda a máquina estatal pensante. Alguém disso, é inacreditável de se possa aceitar que apenas aquele pequeno grupo de servidores públicos privilegiados estejam acima dos três poderes da Nação: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Veja o texto intitulado Os Neoliberais Decretam o Fim do Banco Central Independente. Na realidade foi o governo, atendendo aos anseios do empresariado e da opinião pública, dos quais participou o COSIFE, quem pressionou as Taxas de Juros para baixo. Veja o texto sobre A Ilegal Atuação do COPOM - Comitê de Política Monetária.

É fora de propósito, contudo, espalhar que o ministro da Fazenda está interferindo na autonomia do Banco Central, ou “vai impedir a subida dos juros, por ser o desejo de Dilma”, como se tem escrito.

São hipóteses comprovadamente absurdas, pois a presidenta antes apoiou claramente a política para reduzir a taxa de juros, com pleno êxito, sem tolher a liberdade do BC na condução da política monetária. Ela mostrou realmente coragem ao enfrentar aquele problema da mudança na caderneta de poupança, as pessoas não tinham tido a disposição de fazer e provou estar correta. Corrigiu a caderneta de poupança, possibilitou uma queda importante na taxa de juros real.

O Brasil experimenta a sua taxa de juro real e nada mudou na condução da política monetária. Se o BC perceber ser essa uma inflação incapaz de se autocorrigir com a velocidade desejada, usará o instrumento natural, os juros… Não há razão alguma para imaginar que mexer na taxa de juros seja uma derrota para o governo.

Do escrito podemos entender que Delfim Netto acredita que os gestores de nossa política econômica não estão dispostos a aumentar a taxa de juros. Isto é, aquela meia dúzia de servidores públicos privilegiados que decidem em nome do COPOM o destino do dinheiro arrecadado como tributos pela Nação brasileira não está disposta a se curvar às pressões dos LOBISTAS a serviço do Grande Capital.

Houve época em que o pagamento de juros aos capitalistas comia bem mais de 60% do arrecadado como tributos pelo Governo Federal, assim como pelos governos estaduais. Atualmente os juros pagos devem ser inferires a 40% do arrecadado. Por isso tem sobrado dinheiro para ser investido no desenvolvimento brasileiro.

A DERROTA DOS LOBISTAS DO GRANDE CAPITAL

Na verdade, o governo já ganhou a batalha: a taxa de juros real, a maior do mundo durante anos seguidos (duas décadas, praticamente carregando aquela “mala sem alça”), está hoje em torno de 2% ao ano. Ainda assim é alta em relação à maioria dos países, cujo juro real é de 2% negativos.

É grande bobagem pensar que o governo não mexe mais nos juros. Se surgir a ameaça de perder o controle da inflação, mexerá na taxa de juros, como faz qualquer governo. Só que agora, no caso brasileiro, a taxa básica está em 7,25%, quando no passado a Selic era de 12,5%, de forma que se tiver, será uma mudança de 0,25 ponto porcentual.

Durante o Governo FHC a taxa de juros chegou a 46%. Em governos anteriores chegou a ser maior.

A PARANOIA DOS INTERESSADOS NO AUMENTO DA TAXA DE JUROS

Por extensão, PARANOIA é a mania de ver problema onde não há. É um transtorno delirante, segundo a psiquiatria. É uma maluquice ou doidice segundo a gíria popular. Assim nos explica o Dicionário Aurélio.

Na verdade, os quase 20 mil capitalistas que investem suas riquezas em Títulos Públicos estão apenas defendendo os seus mesquinhos interesses de fácil aumento de suas fortunas. Não querem sacrificar seus rendimentos, mesmo que seja como forma de contribuir para o satisfatório desenvolvimento nacional brasileiro. Afinal, segundo os neoliberais anarquistas, "Capital não tem Pátria". Logo, para eles, "o povo brasileiro que se dane".

O controle da inflação não depende apenas da taxa de juros; se fosse só com esse instrumento, o Banco Central precisaria produzir uma recessão imensa. A redução da taxa de inflação brasileira, há oito anos em torno de 5,25% ao ano, não é certamente uma tarefa apenas do Banco Central e do ministro da Fazenda. Ela precisa da participação de todo o governo, do aumento de sua eficiência, apoiado em reformas microeconômicas bem focadas. Entram aí a melhor organização de um mercado de trabalho com respeito aos direitos constitucionais dos trabalhadores, onde a negociação salarial dentro da empresa, sob as vistas de comissões de fábrica livremente eleitas e com representatividade, permita preterir os efeitos acumulados pelo corporativismo ao longo de muitos anos, tornando-se um instrumento poderoso de solução dos atritos e, ao mesmo tempo, capaz de promover o aumento da produtividade do trabalho.

CRESCIMENTO ECONÔMICO - O NOSSO DIFERENCIAL

Por Delfim Netto - Publicado por Carta Capital em 22/02/2013.

As formas de relacionamento dos sindicatos de trabalhadores com as empresas, especialmente no setor industrial que começa a dar sinais de reativação dos investimentos, terão influência decisiva na manutenção dos baixos índices de desemprego em 2013, entre nós. Enquanto algumas das mais afluentes economias do mundo fracassaram em 2012 na tentativa de criar (melhor seria dizer, recriar) vagas para reduzir o enorme contingente de 40 milhões de desempregados, com índices de até 25% da força de trabalho, o Brasil terminou o ano com uma taxa de 5,5% de desemprego. E a renda salarial em alta, o que nos colocou em uma situação absolutamente privilegiada diante do mundo. Esse foi o nosso diferencial mais importante, apesar do fraco crescimento do PIB.

A economia está crescendo menos, mas com distribuição um pouco melhor da renda e sem questões graves de emprego em praticamente todas as regiões do País. Há casos localizados, como a redução de vagas (mais de 30 mil postos de trabalho em 2012) em setores da indústria metalmecânica no ABC paulista, causa preocupação maior por serem postos especializados, com produtividade média muito superior à do restante da indústria metalúrgica no Brasil. Era, no entanto, um fenômeno previsível, igual a qualquer lugar do mundo onde o sindicato é muito forte, e as negociações são duras e se realizam em condições sempre difíceis.

Houve um reposicionamento da produção metalúrgica, em geral, e, particularmente, da automobilística, em todo o mundo, pondo em evidência as diferenças entre níveis de salários e de produtividade conforme a região.

Não acontece de modo diferente no Brasil. O trabalhador da indústria no ABC tem piso salarial mensal de 1,6 mil reais. Em Curitiba, em torno de mil reais, uma variação enorme. Não há uma diferença substancial de produtividade nesses setores, mas enquanto o salário médio no ABC é de 4,2 mil reais, em Curitiba é de 2,6 mil. Na indústria em Pernambuco, a situação é ainda mais complicada, e os diferenciais são muito grandes. É o mesmo caso de São José dos Campos, onde o piso é um pouco abaixo de mil reais, mas com salário médio praticamente igual ao de São Bernardo, de 4 mil reais.

Essas circunstâncias, determinadas por inúmeros fatores, produziram a realocação da indústria automobilística e as diferentes situações enfrentadas por elas ao lidar com o ambiente de trabalho.

É por isso que vejo como uma coisa muito inteligente a proposta da CUT de fazer entendimentos nas fábricas, reunindo uma comissão representativa dos trabalhadores, digamos, do “chão de fábrica” (a “peãozada”, de que fala Lula) e os representantes da empresa, para discutir as condições que realmente contam. Por exemplo, como criar um banco de horas, como facilitar formas de preparação profissional, o aprimoramento técnico a ser adicionado, enfim as condições que são próprias e só permitem o entendimento dentro daquela empresa.

Isso é o oposto do que pretendem setores sindicais que cogitam da “instituição de um contrato coletivo nacional”. Não é algo adequado insistir na unificação, uniformizar condições. O que é inteligente é procurar tirar proveito das melhores possibilidades devidas à localização e das produtividades que são totalmente diferentes. Com produtividades diferentes, os salários serão diferentes. Se mantiver essa flexibilidade, é possível encontrar os locais onde se produzirão os automóveis da maneira mais econômica, atendendo não somente o trabalhador da indústria, mas também o consumidor.

Governos, não apenas o federal, mas os estaduais e municipais, não deveriam deixar de aproveitar a situação verdadeiramente privilegiada em que nos encontramos no campo das relações de trabalho para ativar e estimular os entendimentos diretos de sindicatos e empresas, antecipando-se às pressões que estão começando a crescer no mercado de trabalho.

Houve uma mudança importante na estrutura da oferta de mão de obra, especialmente no setor de serviços, onde ela tem sido menor que a demanda e isso acaba mesmo por pressionar a inflação que, obviamente, não interessa a nenhum administrador e muito menos ao consumidor.