início > textos Ano XX - 23 de julho de 2019



QR - Mobile Link
OS PROBLEMAS PROFISSIONAIS A ENFRENTAR NO TRABALHO II

OS PROBLEMAS PROFISSIONAIS A ENFRENTAR NO TRABALHO II

APRENDIZ 6 - UNIVERSITÁRIO - JOÃO GRANJA VERSUS ROBERTO JUSTUS

São Paulo 24/04/2009 (revisto em 14/08/2009)

Referências: Os Problemas Profissionais a Enfrentar no Trabalho, O Profissional Submisso e a Mediocridade Reinante nas Empresas, Relações Humanas, Apadrinhamento, Propaganda Enganosa, Publicidade e Marketing (Mercadologia), O Deslumbrante Aspecto Visual e a Baixa Qualidade do Produto, Desperdício, Contabilidade de Custos, Planejamento Tributário = Menor Custo = Menor Preço ao Consumidor = Menor Tributação.

Por Américo G Parada Filho - Contador CRC-RJ 19750

OS PROBLEMAS PROFISSIONAIS A ENFRENTAR NO TRABALHO

No Programa “Aprendiz 6” da Rede Record de Televisão veiculado em 23/04/2009 aconteceu algo semelhante ao descrito no texto original sobre Os Problemas Profissionais a Enfrentar no Trabalho.

Um dos concorrentes do Programa, “jovem e impetuoso”, como observou Brito Júnior no Programa “Hoje em Dia”, resolveu reclamar da possível preferência dada à outra equipe concorrente que na disputa apresentou um trabalho visualmente melhor, porém, com conteúdo técnico inferior ao da sua equipe. Neste caso, o concorrente estava reclamando de eventual apadrinhamento ao grupo concorrente ou a algum de seus componentes.

O VISUAL É MAIS IMPORTANTE QUE A QUALIDADE DO PRODUTO

O “visualmente melhor” geralmente tem a preferência dos profissionais de propaganda, publicidade e mercadologia (“marketing”), sem que atentem para a verdadeira e necessária qualidade do produto que está sendo introduzido no mercado. Em razão dessa generalizada opção pelo melhor visual, em muitos produtos a embalagem tem custo superior ao do seu conteúdo, o que é sinônimo de desperdício.

Para reduzir o desperdício de dinheiro com o custo das embalagens, no ano de 2009, uma das empresas fabricantes de amaciantes para ser usado na lavagem de roupas estava anunciando que seu produto agora era concentrado em embalagem bem menor que a anterior. Explicava o fabricante que a menor embalagem com o mesmo rendimento da anterior permitia a economia no custo de fabricação com diminuição do preço ao consumidor.

Essa mesma preferência pelo mais requintado visual, independentemente do seu exorbitante custo, acontece na maior parte em lojas de “Shopping Center”, o que significa maior preço a ser pago pelo consumidor. Havendo maior custo e maior preço de venda também há maior tributação. Portanto, evitar o desperdício é uma das formas de Planejamento Tributário.

Essas lojas com visual melhor são preferencialmente destinadas às classes média e alta. Os profissionais de marketing partem do pressuposto que os preços superiores aos das lojas de bairros, por razões lógicas, serão absorvidos com satisfação pelos consumidores. É como consumir um bolo todo enfeitado (mais caro), deixando de lado o mesmo bolo sem enfeite (mais barato). Uma dessas razões do elevado preço ao consumidor praticado nos shoppings está no custo do aluguel, muitas vezes mais caro que o das lojas nas ruas dos bairros. Por isso, os produtos vendidos nas ruas dos bairros são invariavelmente mais baratos. Quando algum consumidor das classes sociais inferiores reclamam do preço mais alto no shopping, o vendedor antigamente argumentava: “É preço de shopping!!”. Agora foram proibidos de proferir tal frase.

Para evitar essa comparação entre os preços das lojas populares e o das destinadas às classes superiores, são usadas denominações diferentes como marca do produto oferecido, embora a empresa fabricante seja a mesma. Ou seja, existem marcas diferentes para serem vendidas para classes sociais diferentes, assim como existem os recintos diferentes em que são vendidas as diversas marcas.

Veja o texto O Desperdício Impedindo a Produtividade e a Lucratividade.

PROPAGANDA ENGANOSA

Esses foram exemplos das possíveis formas utilizadas pelas agências de propaganda para conquistar aqueles consumidores que dão maior valor ao visual, muitas vezes em detrimento da verdadeira qualidade do produto.

O escrito não significa dizer que genericamente todos os produtos vendidos pelas lojas populares sejam melhores que os das de shopping. Mas, para desespero dos profissionais do ramo publicitário, a insuficiente qualidade de alguns produtos vendidos nos shoppings muitas vezes deixa o comprador deveras insatisfeito. Quando o produto tem essa falsa qualidade, ocorre o que se convencionou chamar de “propaganda enganosa”, aquela que apresenta determinado produto com suposta qualidade que ele efetivamente não tem.

Para se livrarem de eventuais problemas com a propaganda enganosa, as emissoras de televisão que vendem espaço para produtores independentes, antes de iniciada a exibição, colocam um alerta dizendo que “o programa a seguir é uma produção independente sendo, portanto, de exclusiva responsabilidade de seus idealizadores”. Ou seja, a emissora como mera mercenária (mercantilista), exime-se da responsabilidade de verificar a qualidade ou a veracidade daquilo que será propagado, vendido ou exibido.

Como “o povo tem memória fraca”, pois esquece rapidamente dos fatos passados, os profissionais dos meios de comunicação (mídia) deixam transparecer que o eventual ônus da propaganda enganosa é somente da empresa que oferece o produto. Mas, o órgão privado de autorregulação da propaganda, sem o necessário poder de polícia (poder somente exercido por órgãos governamentais) diz que os locutores ou apresentadores do produto não devem dizer que “eu usei e aprovei”, porque, se não for verdade, estará sujeito às mesmas responsabilidades legais atribuídas ao vendedor do produto anunciado.

Veja a texto Ministério Investiga Propaganda Enganosa

O VISUAL DOS SITES NA INTERNET

Essa forma enganosa de apresentar visual bonito para produto sem qualidade também é o procedimento que pode ser observado navegando-se na Internet. Existem sites muito bem elaborados dizendo que determinadas empresas e suas equipes de consultores têm amplo conhecimento profissional, com ampla experiência e capacidade técnica, que na realidade não têm.

Alguns desses profissionais, quando não conseguem resolver alguma questão para a qual mencionam estar capacitados, escrevem para o site do COSIFE solicitando informações de como solucionar o problema colocado por um de seus clientes. Embora estejam cobrando pelas informações que serão fornecidas aos clientes, alguns não querem pagar pelas elucidações obtidas. Outros, para que não sejam identificadas suas empresas e seus respectivos sites, remetem as questões ao COSIFE através de provedores que fornecem emails gratuitos e utilizam nomes falsos, podendo ser configurado como crime de falsidade ideológica, segundo o artigo 299 do Código Penal, onde se lê:

Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular.

Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.

Por isso sempre digo ao responsável pela confecção do site do COSIFE, a Megale Mídia Interativa Ltda, que o mais importante nos sites não é a sua beleza estética, mas, sim, o seu conteúdo bem fundamentado.

Corroborando com o escrito é possível observar que alguns sites sem relevante beleza estética são os que apresentam gratuitamente importante conteúdo especialmente para estudantes e recém-formados.

O EXEMPLO DO APRENDIZ 6

Como base nesse conceito de que o visualmente melhor, sem conteúdo técnico, que pode denegrir a imagem das empresas de modo geral, o concorrente demitido no Programa Aprendiz 6 de 23/04/2009 talvez tivesse razão quando alegou que foi dada preferência a outra equipe concorrente que apenas tinha se preocupado com a qualidade visual em sua apresentação ao público. A principal argumentação feita pelo concorrente “demitido” era a de que o trabalho feito por sua equipe tinha vasto conteúdo técnico e, por isto, o relatório feito pelo seu grupo era mais elucidativo.

Entretanto, os publicitários quase sempre dizem que o consumidor deve ser convencido com poucas palavras, sem delongas. Por esse motivo os “slogans” devem ter no máximo oito palavras. Diante dessa teoria considera-se que o consumidor geralmente despreza os longos ou pormenorizados detalhes técnicos, deixando-se iludir pelo melhor visual e por frases de efeito ilusório imediato.

Segundo o dicionário Michaelis-UOL, SLOGAN é a frase concisa (breve, pequena), de fácil percepção e memorização, que resume as características de um produto ou serviço, ou uma de suas qualidades ou ponto de venda, usada e repetida inalteradamente nos anúncios de uma firma (empresa)

Então, por falta de espaço para as elucidações técnicas, um bom "slogan" pode se apresentar como verdadeira propaganda enganosa.

CONTABILIDADE DE CUSTOS

Diante do nervosismo provocado pela tensão enfrentada diante da rispidez do apresentador do Aprendiz 6, o concorrente demitido talvez não tenha encontrado palavras para explicar o que realmente queria dizer.

O verdadeiro problema não foi devidamente abordado porque o publicitário apresentador do programa, dizendo-se ofendido, mudou o rumo da discussão que devia ser especialmente técnica e passou a ser meramente de caráter pessoal.

Provavelmente o concorrente demitido queria dizer que a falta de conteúdo técnico, agravado pelos excessivos gastos com as apresentações, feiras, congressos, seminários, palestras, incluindo as nababescas despesas com propaganda e publicidade e com as mordomias exigidas pelos irresponsáveis executivos aventureiros elevaram significativamente os custos de empresas que atualmente estão em regime falimentar ou pré-falimentar.

A entrada em regime de insolvência pode acontecer com quaisquer tipos de entidades com ou sem fins lucrativos se os seus custos forem superiores aos de suas concorrentes. As empresas com maiores custos fatalmente terão suas vendas reduzidas pela impossibilidade de concorrer em preços ao consumidor, inutilizando assim as despesas ou os “investimentos” em propaganda e publicidade. Dessa forma, os sonhados lucros com a venda dos produtos, serão transformados em amargos prejuízos.

No caso das entidades sem fins lucrativos, os gastos nababescos ou o desvio de valores para outras finalidades muitas vezes escusas geram programas inacabados (interrompidos), tal como acontece em muitas obras públicas. Como consequência, os custos tornam-se superiores aos previstos nos projetos que justificaram os investimentos programados. Dessa forma, transforma-se em desperdício o investimento dos recursos financeiros que se acreditava serem suficientes.

O CONTADOR ESPECIALIZADO EM CUSTOS

Então, para evitar uma eventual insolvência, torna-se necessário que os executivos ou administradores das empresas consultem um contador especializado na contabilidade de custos para que, como base na capacidade média de produção, possa estabelecer a receita média e os respectivos custos de produção. Com base no lucro bruto inicial projetado, deduzidos os tributos indiretos incidentes, serão calculadas as despesas máximas de administração, de distribuição e de vendas, estabelecendo-se, assim, o eventual lucro que poderá ser obtido e dele deduzidos os impostos diretos.

Portanto, ao contador especializado em custos não basta ser profundo conhecedor da contabilidade e da legislação pertinente. É preciso conhecer também toda a estrutura produtiva da empresa em que está trabalhando.

O MAU EXEMPLO DEIXADO PELAS “MULTINACIONAIS” NORTE-AMERICANAS

Foram os citados valores exorbitantes despendidos por executivos e governantes megalomaníacos que levaram grande parte das principais empresas norte-americanas à insolvência (regime pré-falimentar).

As nababescas despesas das empresas estadunidenses, incluindo a sonegação fiscal com a utilização de paraísos fiscais, somadas ao trilhão de dólares anuais queimados pelos seus governantes com as guerras contra países como Coréia, Vietnam, Afeganistão, Irã e Iraque, em que as forças armadas nacionais ou os guerrilheiros nacionalistas ou patriotas são chamados de terroristas, redundaram na situação de bancarrota de um país que era a tido com a maior potência financeira mundial.

Diante da insolvência norte-americana, que gerou a chamada Crise Mundial, a principal medida governamental de repressão aos executivos megalomaníacos e de conscientização da população ianque foi a de que os gastos ou custos não podem ser desmedidos e desperdiçados a ponto de serem considerados completamente irresponsáveis os seus gestores tanto no âmbito familiar como no empresarial ou governamental.

O PROFISSIONAL SUBMISSO E A MEDIOCRIDADE REINANTE NAS EMPRESAS

A opção pela contratação ou manutenção de profissionais que não questionam as determinações de suas chefias ou de seus patrões é basicamente a razão da mediocridade que se observa nas empresas e também no serviço público.

A mediocridade prevalece exatamente porque os controladores das grandes empresas e os patrões nas pequenas e médias preferem o trabalhador submisso que não pensa, apenas age (executa, por isso é chamado de “executivo”). Os empresários preferem aquele profissional que executa o trabalho que lhe foi determinado e que não tenha capacidade para descobrir eventuais irregularidades cometidas.

O profissional com capacidade de enxergar as coisas erradas pode ser uma grande ameaça à empresa e aos seus dirigentes, se estes estiverem praticando atos escusos.

É preciso ficar claro que o profissional competente e pensante é uma constante ameaça ao seu chefe, que pode ser demitido se for evidenciada a sua inferioridade técnico-profissional.

Outra forma de transformar a empresa ou órgão público em “cabide de emprego” é através da contratação ou nomeação de apadrinhados para os mais importantes cargos ou funções.

Diante dessa realidade, muitos consultores em relações humanas no trabalho têm se manifestado nos meios de comunicação explicando principalmente aos recém-formados que em nada será favorecido ao remeter cópias de seu currículo técnico e profissional para empresas por intermédio da Internet.

Por quê?

Porque a maior parte das empresas prefere contratar profissionais recomendados por alguém de suas relações, o que inegavelmente tem transformado as empresas em “cabide de emprego”. Esse apadrinhamento sempre aconteceu no serviço público, podendo ser observado também nas empresas estatais, principalmente nas privatizadas, e nas demais entidades com ou sem fins lucrativos.

As próprias emissoras de televisão, diuturnamente durante sua programação, mostram que foram transformadas em “cabide de emprego”. Basta o telespectador observar que, principalmente nas novelas, significativa parte dos atores de hoje são filhos, netos dos antigos atores ou amigos dos antigos produtores. Esse apadrinhamento também acontece na música e obviamente na política, no judiciário e em todos os demais setores produtivos ou não.

Em virtude desse apadrinhamento muitas empresas fecharam suas portas por dois motivos básicos: Os apadrinhados geralmente são incompetentes; e recebem salários mais elevados que os profissionais competentes que são contratados para fazer ou orientar o trabalho que seu superior não tem capacidade técnica para executar.

Outro fato importante: o não-apadrinhado geralmente é demitido depois de ter conseguido resolver o problema para o qual foi contratado. E se não resolveu o problema, será substituído por outro ou por empresa terceirizada que se apresente para resolvê-lo. Alguns dos demitidos, depois são contratos como empresários ou consultores terceirizados.

Diante do que foi veiculado pela emissora de televisão em questão, o citado concorrente demitido no Aprendiz 6, que teve sua imagem pessoal e profissional denegrida, provavelmente jamais conseguirá emprego em qualquer outra empresa. Talvez tenha que optar pela sobrevivência como profissional liberal, prestando serviços a entidades que não tenham conhecimentos dos fatos veiculados pelo citado programa.

CONCLUSÃO

Na verdade, ambos debatedores podem ser considerados ao mesmo tempo vitoriosos e perdedores, tanto Roberto Justus como João Granja.

Se a intenção era verdadeiramente a de causar polêmica como forma de promover o programa veiculado, aumentando sua audiência, ambos foram vitoriosos.

Pelo que se observou na Internet, o programa foi bastante comentado. Naturalmente esse foi o motivo da nova apresentação do concorrente demitido no Programa “Hoje em Dia”, também da Rede Record, na manhã do dia seguinte.

Olhando-se sob outro aspecto da questão, o grande problema a ser enfrentado posteriormente será o da análise positiva ou negativa feita pelo telespectador:

a) - Se o telespectador achar que o Roberto Justus deixou de ser justo, o programa pode ser desmoralizado e assim poderá perder audiência.

b) - Se o João Granja for considerado um profissional de “pavio curto”, daqueles que inconsequentemente reagem a tudo e a todos, nunca mais conseguirá emprego.

Desta forma, ambos podem ser considerados como derrotados. Talvez em razão dessa celeuma (alvoroço, tumulto, discussão acalorada ou apaixonada de pessoas que trabalham juntas) Roberto Justus tenha se transferido para o SBT - Sistema Brasileiro de Televisão comandado por Silvio Santos.