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BANCO CENTRAL PERDE APOSTA E PAGA

BANCO CENTRAL PERDE APOSTA E PAGA

SWAPS CAMBIAIS - UM FALSO SEGURO PAGO PELO POVO

São Paulo, 7 de novembro de 2002 (revisto em 26/07/2006)

Referências: Desfalque no Tesouro Nacional - Balanço de Pagamentos, Reservas Monetárias, Dívida Externa e Interna, Bolsas de Valores e de Mercadorias e Futuros e Mercado de Balcão das Instituições Financeiras, Cassino Global, Mercado de Capitais, SWAP, Ataque Especulativo, Crimes contra Investidores, Salário e Inflação. Desvio de Dinheiro dos Cofres Públicos.

  1. SWAPS CAMBIAIS - UM FALSO SEGURO PAGO PELO POVO
  2. OS AUMENTOS DE SALÁRIOS COMO CAUSADORES DA INFLAÇÃO
  3. CONCLUSÃO NÃO CONCLUÍDA

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

1. SWAPS CAMBIAIS - UM FALSO SEGURO PAGO PELO POVO

Segundo Edna Simão em reportagem publicada pelo Jornal do Brasil de 01/11/2002, o Governo FHC teve prejuízo inédito em contratos de swaps em setembro de 2002. Esses contratos de swaps baseavam-se no preço do dólar e foram vendidos pela autarquia federal para rolagem de dívidas por curto prazo, gerando prejuízo de R$ 12,3 bilhões em razão do ataque especulativo que elevou abruptamente o preço da moeda norte-americana no citado mês.

Mais uma vez a história se repetiu. Idênticos prejuízos voltaram a acontecer quando um funcionário de carreira do Banco Central foi nomeado pela Presidenta Dilma Russeff como Presidente na nossa autarquia federal incumbida da gestão de nossa Política Monetária. Ela quis agradar os adversários do nosso Povo e eles a depuseram.

Veja em SWAPS CAMBIAIS - Um Falso Seguro Pago pelo Povo.

Pergunta-se:

Se o Governo FHC tinha dinheiro fácil para que os operadores do Banco Central na qualidade de apostadores pudessem brincar no grande cassino global (que é o mercado de capitais), pergunta-se:

Por que sempre alegou não ter dinheiro para aumentar o salário mínimo e para promover a justiça social?

Daí nos resta outra pergunta:

Por que o Banco Central deixou os especuladores manipularem o preço do dólar, criando condições artificiais de oferta e procura no mercado de capitais?

Por que não os enquadrou na Lei 7.913/1989 (que dispõe sobre ação por danos causados a titulares de valores mobiliários e a investidores do mercado) e na Lei 8.137/1990 (que dispõe sobre os crimes contra a ordem econômica e tributária e os praticados por servidores públicos)?

Por que os dirigentes do Banco Central do Brasil mais uma vez durante o Governo FHC deixaram os especuladores engendrarem verdadeiro desfalque nas finanças públicas? Ou seja, Desfalque no Tesouro Nacional.

São perguntas difíceis de responder, embora não tenha sido a primeira vez que tais fatos ocorreram. Todos devem lembrar de Salvadore Cacciola, dono do Banco Marka, envolvido com a CPI do Sistema Financeiro, que investigou a "ajuda"  (desvio = desfalque) de R$ 1,6 bilhão do Banco Central para os bancos Marka e FonteCindam, após a maxidesvalorização do real em 1999.

É importante salientar que tais benesses oferecidas aos dois bancos resultaram na condenação de vários dirigentes da citada autarquia federal pelo Poder Judiciário.

Diante dos fatos ficam as dúvidas na cabeça do povo e muitas delas indescritíveis. Resta-nos a colocação mais branda: Má gestão ou simples Desfalque nos Cofres Públicos?

2. OS AUMENTOS DE SALÁRIOS COMO CAUSADORES DA INFLAÇÃO

Dizem os gestores de nossa política econômica que o aumento de salários e o conseqüente aumento do consumo geram inflação. Não são os aumentos de preços ao consumidor causados pelos aumento do custo operacional das empresas. E o custo operacional foi causado pelos altos juros fixados pelos membros do COPOM - Comitê de Política Monetária.

Pergunta-se: Por que o povo norte-americano tendo o maior salário médio do mundo, e sendo consumista por excelência, não sofre com a inflação em seu país? 

Dizem que o motivo de não haver inflação nos STATES é a alta capacidade de produção e a concorrência.

Então, por que não aproveitamos a lição e promovemos o aumento de nossa produção e a consequente geração de empregos?

Seria ótima forma de acabar com o caos econômico e social existente no Brasil. Mas, pelo contrário, os nosso economistas de plantão criaram desemprego e o aumento das favelas e da consequente criminalidade.

Por que nossos dirigentes preferem gerar empregos no exterior, importando produtos e bens de produção que podem ser fabricados aqui?

Para não gerar empregos para os descendentes dos ex-escravos da nossa vira-lata e colonial elite oligárquica.

Por que subsidiaram as classes mais ricas na importação de supérfluos e nas viagens de turismo no exterior, quando mantiveram por longo tempo a paridade da moeda nacional ao dólar?

Justamente para gerar empregos para os menos favorecidos brasileiros.

Por que permitiram a indexação ao preço do dólar de produtos que não são importados pelo Brasil (açúcar, álcool, soja, carne, entre muitos outros)?

Seria justificável essa indexação se os salários do nosso povo também fossem indexados até torná-los iguais aos pagos nos países do primeiro mundo importadores dos citados produtos brasileiros.

Por que exportamos preferencialmente produtos in natura, quando podemos exportar produtos acabados com valor agregado produzido com mão-de-obra nacional?

Justamente para gerar empregos para os menos favorecidos brasileiros.

Por que há tanto dinheiro disponível para ser perdido no mercado financeiro e de capitais e não há dinheiro para ser investido na melhoria das condições de vida do povo brasileiro?

Justamente para gerar empregos para os menos favorecidos brasileiros.

Por que os mutuários do SFH pagam mais juros do que os grandes empresários que pedem dinheiro emprestado ao BNDES?

Trata-se de um problema de máxima Segregação Social.

Por que são dados incentivos fiscais para empresas nacionais e multinacionais e não são dados incentivos fiscais aos mutuários do SFH?

Pelo menos poderia ser permitida a dedução dos encargos financeiros na declaração do imposto de renda dos mesmos. Mas, os subsídios só foram dados depois da introdução do Minha Casa, Minha Vida.

Por que de 1967 a 1985 os mutuários do SFH pagavam correção monetária e altos juros ao BNH - Banco Nacional da Habitação - e os banqueiros pagavam juros baixos e não pagavam a correção monetária quando recebiam empréstimos do Banco Central?

Trata-se de um problema de máxima Segregação Social.

Por que é tão difícil para um idoso conseguir uma aposentadoria de um salário mínimo e é tão fácil desviar milhões da previdência social, conseguindo judicialmente indenizações milionárias que o INSS paga e os indenizados nunca recebem?

Trata-se de uma Máfia que se dedica especialmente aos Desfalque nos Cofres Públicos, que também pode ser denominado como Desfalque no Tesouro Nacional.

Por que é tão difícil conseguir verbas para construção de casas populares e é tão fácil obter dinheiro para obras faraônicas notadamente super avaliadas?

Trata-se de um Cartel de Empreiteiras de Obras Públicas que se especializaram em Fraudes em Licitações, razão pela qual foi sancionada a Lei no Governo FHC, tendo em vista que a corrupção de políticos e se servidores públicos era enorme em governos anteriores. Tudo isto nos foi mostrado na Operação Lava Jatos na Operação Zelotes. Portanto, isto vem acontecendo desde o Golpe Militar de 1964.

Veja informações complementares em As Licitações Públicas e as Privatizações, escrito em 25/03/2004.

3. CONCLUSÃO NÃO CONCLUÍDA

Pois é. Tal como as questões acima formuladas, existem dezenas de outras perguntas que ninguém se digna a responder.

Parece que a Constituição Federal de 1988 e o dito pela atriz Regina Duarte durante a propaganda política do senador José Serra à presidência da República nos dão o direito de fazer tais insinuações. É uma questão de democracia e de direito à livre expressão.

Afinal foi o que alegaram a atriz e o senador depois de terem incitado verdadeiro golpe contra as instituições democráticas em outros países, inclusive ofendendo os dirigentes da Argentina e da Venezuela.

E, José Serra, depois de nomeado em 2016 por Michael Temer como Ministro das Relações Exterior, continuou com tal pregação contra países sul-americanos e africanos que celebraram importantes acordos comerciais com o Brasil durante o Governo Lula.