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COMO CEGOS NUM TIROTEIO

COMO CEGOS NUM TIROTEIO

CRIANDO O CAOS ECONÔMICO E SOCIAL

São Paulo, 17/10/2002 (Revisado em 11/08/2012)

Referências:

Por Américo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19750 - Coordenador do site COSIFe

CRIANDO O CAOS ECONÔMICO E SOCIAL

As medidas econômicas adotadas pelo governo federal em 2002 com apoio do PSBD, PFL, PMDB e PPB nos levam a pelo menos duas infelizes conclusões:

1) - ou a experiência tão apregoada por eles para nada serve

2) - ou eles estão de fato querendo criar o caos econômico e social com o intuito de prejudicar a administração de um possível novo governo de oposição (a partir de 2003).

É o lema: Tudo pela manutenção do Poder Político e nada pelo povo brasileiro.

Esqueceram que ainda é o povo quem vota. Não estão levando em conta que a eleição indireta só existiu nos tempos do Regime Militar. Talvez ainda acreditem que seja fácil manipular a opinião pública.

AS ELEIÇÕES DE 2002

Aliás, terminada a apuração do primeiro turno das eleições, em discurso à nação FHC deu as diretrizes do novo golpe que a extrema-direita pretende aplicar ao apregoar que durante o seu governo as forças oposicionistas agora vitoriosas tinham 20% do Congresso Nacional.

Deixou claro que invertidas as posições, a nova oposição, agora de extrema-direita, terá 70% do Congresso.

Parece que queria dizer: se eles forem eleitos, nós não os deixaremos governar.

E é justamente por isso que o vencedor do primeiro turno tem sido tão criticado pela sua nova forma conciliadora e aglutinadora. Não querem que Lula obtenha nos demais partidos os aliados e seguidores que necessita para governar.

Porém, o líder sindical com sua perspicácia provocou a cisão de vários partidos e parece que o PL (seu aliado) logo se tornará o mais forte deles, mediante a debandada de grande parte das fileiras dos quatro grandes e também de alguns pequenos.

Dizem as más línguas que para o bom entendedor meias palavras bastam.

Assim, fazendo-se uma retrospectiva desde que Lula se candidatou à presidência da República pela primeira vez em 1989, podemos notar que nas vésperas das eleições tudo foi feito em prejuízo da futura administração de um vitorioso grupo de oposição.

E isso não ocorreu somente na esfera do governo federal. Nos governos estaduais e principalmente nos governos municipais o mesmo fato tem ocorrido, mesmo sabendo que, se reeleitos, as elites oligárquicas terão que arcar com o caos estabelecido por elas mesmas.

RETROSPECTIVA DE UM DESGOVERNO

Vejamos o que realmente aconteceu nos oito anos de governo de FHC.

Acabou com a inflação, mas também acabou com os empregos, quebrou os empresários brasileiros (principalmente os exportadores, em razão da prolongada paridade cambial, que só beneficiou os mais ricos ao subsidiar as suas importações de supérfluos) e vendeu as empresas estatais (cujos valores irrisórios não foram suficientes para pagar sequer os juros de um ano da dívida externa brasileira).

Do feito, notou-se que o Brasil, que era a oitava potência econômica mundial, no início do governo FHC passou a ser a décima primeira em 1999, com grande possibilidade de descer mais alguns degraus. Chegou à 15ª posição no cenário internacional em 2002.

O país atravessou o citado período de governo com índices de crescimento tão baixos que nunca haviam sido observados antes.

Os empresários e banqueiros que resistiram a tais ataques destruidores contra as instituições nacionais foram obrigados a internacionalizar as suas empresas mediante a submissão a grupos estrangeiros.

Da mesma forma, o Brasil se submeteu ao comando do Fundo Monetário Internacional - FMI e de outros bancos internacionais.

Muitas das empresas privatizadas foram adquiridas por estrangeiros, que simplesmente encerraram suas atividades, para se livrarem da concorrência.

E muitas outras medidas catastróficas foram tomadas, incluindo os constantes aumentos das taxas de juros que só beneficiavam os especuladores, em detrimento da produção nacional e da elevação de forma assustadora de nossa dívida interna e externa.

Para aumentar o escárnio feito pelos especuladores, de forma excessivamente benevolente foram isentados do pagamento da CPMF - Contribuição sobre Movimentações Financeiras. Veja o texto CPMF - O Mal Necessário.

ONDE FOI COLOCADO O DINHEIRO TOMADO POR EMPRÉSTIMO?

Além de tudo isso, ainda restava uma pergunta não respondida:

Onde foi colocado todo o dinheiro de nossa monstruosa dívida interna e externa?

Essa pergunta, em razão da mais pura incompetência, eles não sabem responder.

Se não for por incompetência, então se enquadram em outra hipótese: São verdadeira súcia de malandros.

COMO CEGOS NUM TIROTEIO

Do exposto, podemos concluir que de fato eles sempre se mostraram mais perdidos do que cegos em tiroteio e não fizeram absolutamente nada para minorar os problemas enfrentados pelo povo brasileiro.

Até a estabilidade da nossa moeda (o Real) serviu mais aos credores nacionais e internacionais e aos especuladores do que aos nossos pobres assalariados, aposentados e pensionistas.

E a mais recente prova do desnorteio foi a elevação da taxa de juros e o aumento do depósito compulsório dos bancos justamente após a perda das eleições no primeiro turno de 2002.

Por que não adotaram essas mediadas antes? Ou melhor, bem antes?

De outro lado, essas medidas foram totalmente inócuas, porque as operações de crédito estavam paralisadas e também porque não havia excesso de dinheiro em circulação. Só tentaram criar mais recessão, talvez em prejuízo do novo governo.

A INFLUÊNCIA DO IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO

Por sua vez, as taxas de juros mais altas não trariam novos recursos em moedas estrangeiras em razão do premente atentado dos norte-americanos contra o Iraque, que não deixa de ser uma forma de intimidação ao mundo e ao povo brasileiro no caso da possível eleição de um governo federal de esquerda (comunista), que queira de forma pacífica e diplomática diminuir a força do imperialismo econômico e bélico dos ianques.

Provavelmente vão querer fazer conosco o que fizeram com a Coreia, com o Vietname, com o Irã, com o Iraque e com Cuba.

Será que foi por esse o motivo que FHC reduziu as verbas e os contingentes das forças armadas brasileiras? Talvez tenha sido, para que sejam mais facilmente subjugadas.

Pelo menos a Colômbia vem mantendo 30 anos de guerra contra os esquerdistas ditos traficantes ou contra os traficantes ditos esquerdistas.

Nessa área o Brasil vem perdendo a guerra em pouco espaço de tempo e os traficantes brasileiros ainda nem foram tachados de comunistas, embora sejam as grandes fontes de renda de suas comunidades.

A ECONOMIA INFORMAL E A AUTORREGULAÇÃO DOS MERCADOS

E assim, em razão do descaso das nossas autoridades, os menos favorecidos estão construindo encraves com administração própria nas grandes cidades brasileiras, chegando até a decretar feriados.

A Favela da Rocinha no Rio de Janeiro é o grande exemplo da vitória da iniciativa popular contra os maus governantes extremistas de direita que os quiseram preconceituosamente marginalizar.

Esse grande movimento econômico-social informal e subterrâneo vem ocorrendo com o crescente aumento da criminalidade desde os tempos em que Carlos Lacerda foi governador do Estado da Guanabara (atual cidade do Rio de Janeiro).

Antes dele, existiam apenas pobres trabalhadores que teimavam morar em favelas próximas ao seu local de trabalho. Depois dele e do enorme preconceito por ele implantado, os pobres trabalhadores foram paulatinamente transformados em circunstanciais criminosos. E em razão desse preconceito, verdadeiro apartheid social (segregação), essas mesmas elites burguesas hoje em dia não mais conseguem andar tranquilamente pelas ruas.

Veja também o texto intitulado A Economia Informal e a Autorregulação dos Mercados.