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A INFLAÇÃO PROVOCADA PELA EXPECTATIVA E PELO ABUSO DO PODER ECONÔMICO

A INFLAÇÃO PROVOCADA PELA EXPECTATIVA E PELO ABUSO DO PODER ECONÔMICO

A INFLAÇÃO E A CONTABILIDADE DE CUSTOS

São Paulo, 10/10/2021 (Revisado em 13/10/2021)

Referências: Especulação, Inflação de expectativa, indústria enfrenta alta dos custos de produção e tem dificuldade em repassar para preços. O Fantasma da Inflação Novamente. Crimes contra a economia popular, contra as relações de consumo e contra a ordem econômica e tributária.

SUMÁRIO:

  1. A INFLAÇÃO PROVOCADA PELA EXPECTATIVA E PELO ABUSO DO PODER ECONÔMICO
    1. O FANTASMA INFLAÇÃO NOVAMENTE
    2. O GOVERNO QUERENDO REDUZIR O SALÁRIO DOS TRABALHADORES
    3. INCENTIVOS FISCAIS À POUPANÇA NA CLASSE MÉDIA
    4. A INFLAÇÃO IMPEDINDO A APLICAÇÃO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS
    5. INFLAÇÃO DE EXPECTATIVAS
    6. A CONTABILIDADE DE CUSTOS
  2. INDÚSTRIA ENFRENTA ALTA DE CUSTOS, MAS TEM DIFICULDADE EM REPASSAR PARA PREÇOS - publicado em 19/03/2011 pelo ESTADÃO.

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

1. A INFLAÇÃO PROVOCADA PELA EXPECTATIVA E PELO ABUSO DO PODER ECONÔMICO

  1. O FANTASMA INFLAÇÃO NOVAMENTE
  2. O GOVERNO QUERENDO REDUZIR O SALÁRIO DOS TRABALHADORES
  3. INCENTIVOS FISCAIS À POUPANÇA NA CLASSE MÉDIA
  4. COMBATE Á FRAUDES E CRIMES CONTRA INVESTIDORES
  5. A INFLAÇÃO IMPEDINDO A APLICAÇÃO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS
  6. INFLAÇÃO DE EXPECTATIVAS
  7. A CONTABILIDADE DE CUSTOS

Este texto foi redigido com base em outro publicado em 22/03/2011. Veja os comentários do coordenador deste COSIFE na página indicada.

1.1. O FANTASMA INFLAÇÃO NOVAMENTE

Na década de 1980, principalmente, o Brasil era vítima de altos índices de inflação. Ninguém queria explicar a verdadeira razão da ocorrência. Os economistas governamentais de plantão juravam que os trabalhadores eram os principais causadores da inflação porque não investiam. Preferiam consumir.

No Governo FHC foi promovido o Desemprego em massa, para combater a inflação. O mesmo foi feito quando Michel Temer conseguiu infiltrar-se como vice-presidente e ainda após a deposição de Dilma Russeff. Paulo Guedes dizia o mesmo quando era Ministro da Economia no Governo Bolsonaro.

Pergunta-se: Como investir, se o salário não era e ainda não é suficiente para compra dos alimentos recomendados pelos nutricionistas?

Justamente em razão dos altos índices de inflação, o trabalhador simplesmente preferia gastar o mais rapidamente possível para o seu rico DINHEIRINHO não fosse comido (corroído) pela inflação que inegavelmente era gerada por empresários e por governantes inescrupulosos.

1.2. COMO O GOVERNO CONSEGUIU REDUZIR O SALÁRIO DOS TRABALHADORES

Para que os PROVENTOS dos trabalhadores fossem artificialmente reduzidos, os economistas de plantão durante o Governo Militar iniciado em 1964, passaram a DOLARIZAR os preços das matérias-primas e dos demais insumos usados na mercadorias e nos produtos mais necessários aos trabalhadores. Obviamente, a moeda brasileira (quaisquer que fossem) seria automaticamente desvalorizada.

Segundo aqueles economistas de plantão (principalmente Mário Henrique Simonsen e Delfim Netto) a dolarização impediria a inflação. Porém, os salários não foram dolarizados. Logo, a inflação só passou a existir para os assalariados.

Como os trabalhadores são os principais consumidores, enriquecedores de seus PATRÕES, obviamente a economia ficou estagnada naquelas décadas perdidas de 1970, 1980 e 1990. e o mesmo vem acontecendo durante os Governos de Temer e Bolsonaro.

Observe que Michel Temer (com Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda ou da Economia) voltou a utilizar a DOLARIZAÇÃO como forma de evitar a inflação. Mas, obviamente, tal como no passado acima comentado, a dolarização foi um enorme desastre e só serviu para a artificial redução dos PROVENTOS dos trabalhadores, assim gerando extrema MISÉRIA. Então, Bolsonaro (com Paulo Guedes), não sabendo o que fazer, simplesmente adotou com sua a retrógada tese daqueles antiquados economistas escravocratas, que foram laureados com o Prêmio Nobel de Economia em 2010.

Veja um resumo (sinopse) da tese por eles defendida no texto Reforma Trabalhista - Caminhando para o Trabalho Escravo.

1.3. INCENTIVOS FISCAIS À POUPANÇA NA CLASSE MÉDIA

Durante o governo militar iniciado em 1964, mais precisamente em 1967, foi criado o Fundo de Investimento DL 157 exatamente para que os trabalhadores pudessem investir parte do seu Imposto de Renda em ações negociadas na Bolsa de Valores.

Obviamente, esses trabalhadores eram somente aqueles que ganhavam mais de dois salários mínimos. Entretanto, para infelicidade geral desta Nação de Trabalhadores enganados, os bancos incumbidos de administrar essa riqueza, passaram a FURTAR os resultados obtidos, que seriam dos trabalhadores.

Veja em FRAUDES E CRIMES CONTRA INVESTIDORES principalmente por meio de operações simuladas e dissimuladas realizada nos Mercados Financeiro e de Capitais.

1.4. COMBATE Á FRAUDES E CRIMES CONTRA INVESTIDORES

A partir de 1984 a ESAF - Escola Superior de Administração Fazendária (de ordem superior, no Governo João Figueiredo) começou a organizar cursos de reciclagem para Auditores Fiscais da Receita Federal, para que eles tivessem condições técnico-científicas para fiscalizar os Mercados financeiro e capitais. Foi assim que o coordenador deste COSIFE foi convidado (pelos dirigentes da FIPE e da FIPECAFI) para ministrar tais cursos que aconteceram de 1984 a 1998 (durante 14 anos). Daqueles aprendizados resultaram várias leis agora existentes. Vejamos algumas delas.

A Lei 7.913/1989 foi sancionada para punir os manipuladores das cotações nas Bolsas de Valores (especuladores). O Código Civil de 2002 passou a definir como fraudulentas as OPERAÇÕES SIMULADAS. Por sua vez, a Lei Complementar 104/2001, que alterou o CTN - Código Tributário Nacional passou a definir como fraudulentas as OPERAÇÕES DISSIMULADAS.

Todas essas operações fraudulentas são utilizadas como formas de SONEGAÇÃO FISCAL (Lei 4.729/1965 e Lei 8.137/1990). Muitas dessas operações fraudulentas também resultam em FRAUDES CAMBIAIS para EVASÃO DE DIVISAS (artigo 21 e 22 da Lei 7.492/1986 - Lei do Colarinho Branco).

Ainda com a mesma finalidade foi sancionada a Lei 9.613/1998 (Lavagem de Dinheiro Sujo do Caixa Dois) e promulgadas as Lei Complementares 104 e 105 de 2001 no sentido da flexibilização dos sigilos bancário e fiscal que pudessem ser punidos os FRAUDADORES.

1.5. A INFLAÇÃO IMPEDINDO A APLICAÇÃO DA CONTABILIDADE DE CUSTOS

Como a própria inflação impedia a utilização da CONTABILIDADE DE CUSTOS, ninguém a praticava. Afinal, era trabalho inútil.

Para corrigir os preços a serem cobrados dos consumidores bastava que os empresários (PATRÕES) corrigissem as suas tabelas de preços com base na cotação do dólar ou com base nas previsões de inflação mensalmente veiculadas pelos economistas nos meios de comunicação.

Por medida de segurança, os empresários usavam o dobro do percentual veiculado pelos economistas, razão pela qual em 1990 era assim que a inflação acontecia. Quando Collor de Melo assumiu o Governo em março de 1990, a inflação estava em 80% ao mês.

Os consultores econômicos de modo geral diziam e ainda dizem que a principal a razão da existência da inflação (sempre repetindo) é o salário do trabalhador e os encargos sociais patronais (trabalhistas e previdenciários).

Mas, a CONTABILIDADE DE CUSTOS nos ensina que todos os custos empresariais devem ser repassados ao consumidor final. Portanto, é mentira quando os PATRÕES dizem que as empresas pagam muitos impostos. As empresas são meras agentes arrecadadoras de tributos pagos pelo consumidor final. Assim sendo, os empresários (os PATRÕES) só pagam tributos quando estão na condição de consumidores.

Justamente por ainda pensarem da mesma forma, os indiretos patrões desses consultores econômicos queriam uma Reforma Trabalhista, com redução ou eliminação dos DIREITOS SOCIAIS DOS TRABALHADORES para transformá-los em escravos ou semi-escravos. É preciso salientar que escravo não recebe salário para consumir. Por isso houve estagnação da economia mundial durante a IDADE MÉDIA, quando prevalecia o REGIME FEUDAL. Naquela época os VASSALOS produziam apenas para deleite de seus patrões.

No Brasil os Senhores Feudais eram chamados de CORONÉIS, enquanto na Inglaterra já existia a Revolução Industrial. A Independência do Brasil foi reconhecia pela Inglaterra para que eles pudessem levar daqui as matérias-primas necessárias à sua Segunda Revolução Industrial.

Então, por aqui a inflação sempre existiu, porque tornou-se rotina estabelecer os preços internos com base nos produtos importados. São esses os preços adotados como lógicos pelos nossos economistas ortodoxos (arcaicos), É o que vem acontecendo paulatinamente e chegou novamente ao seu ápice com Michel Temer, que deixou essa honraria (neste caso, distinção que enobrece um escravocrata) para Jair Bolsonaro.

A bem da verdade é preciso deixar claro que na terra dos antecedentes de MICHEL TEMER, 75% da população vive na extrema miséria, o que também acontece na Síria. E quando os mais ricos daquelas bandas ficam doente, eles têm no Brasil os hospitais que lá não têm.

Veja o texto Queremos os Ricos no Governo.

Entre os defensores de tais teses esdrúxulas (escravocratas) estão os citados economistas que receberam o Prêmio Nobel de Economia em 2010. Eles pregam claramente a diminuição dos direitos sociais dos trabalhadores, dizendo que estes abusam desses direitos. Donde se depreende que, adotando como normais as práticas escravagistas de seus patrões (os mais ricos extremistas de direita), querem de fato transformar os trabalhadores em escravos.

Veja o texto Reforma Trabalhista - Caminhando para o Trabalho Escravo.

1.6. INFLAÇÃO DE EXPECTATIVAS

Por que a inflação era de expectativa?

Porque, não sabendo o que dizer, os consultores anunciavam suas projeções de índices de inflação futura sempre mais elevados. Assim, o empresariado aumentava os preços de seus produtos pelo dobro da inflação anunciada. Logo, a inflação acontecia sempre de forma mais galopante, alimentada pelos próprios consultores que diziam estar envidando esforços para combatê-la.

Como nada dava resultado no combate à inflação, os gestores de nossa política econômica simplesmente adotaram uma tática suicida. Acabaram com a produção e com o consumo no Brasil. Para isso, como anunciou o Ministro Rubens Recúpero ("pela parabólica") na TV Globo, criaram uma nova moeda e incentivaram a importação pela classe social mais rica mediante a supervalorização de nossa moeda.

Em razão dessa supervalorização da nossa moeda (US$ 1,00 era igual a R$ 1,00), durante o Governo FHC, as empresas exportadoras fecharam suas portas e demitiram seus funcionários. Assim, houve o desemprego em massa, cuja taxa chegou a 20% com a consequente redução do consumo, o que gerou mais desemprego ainda.

Obviamente, sem produção e sem consumo, o caos econômico e social provocado pelas medidas de combate, acabou com a inflação. Mas, quebrou o Brasil, que ficou extremamente endividado. Como as exportações eram menores que as importações, aconteceu o déficit externo (déficit no Balanço de Pagamentos) contrabalançado pela contratação de empréstimos externos. É o que vem acontecendo com os países desenvolvidos desde a década de 1980, que desde aquele início do NEOLIBERALISMO de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, têm suas importações superiores às exportações. Os empresários partidário do neoliberalismo foram explorar o trabalho escravo em países asiáticos, especialmente nas antigas colônias inglesas, cujos territórios foram devolvidos à China.

Em tese, a inflação verdadeiramente só existirá quando a oferta de produtos ao consumidor não for suficiente para atender à demanda (ao consumo). Por isso os gestores de nossa política econômica, daquela década perdida, dizimaram a galinha dos ovos de ouro do capitalismo, ou seja, exterminaram o consumidor brasileiro, criando alto índice de miséria que pôde ser observado com o aumento das favelas, da criminalidade e da economia informal.

Veja o texto A Economia Informal e a Autorregulação dos Mercados

Em 2011, um grupo de desafetos da política governamental, adotada para tirar os trabalhadores da miséria, tentou e  novamente conseguir justificar a volta da inflação sob a alegação de que os salários e o pleno emprego eram os vilões.

1.7. A CONTABILIDADE DE CUSTOS

Num texto obtido na Internet em 2011, podemos observar claramente que os executivos (verdadeiros capatazes dos acionistas controladores das empresas) ou os seus patrões nunca mencionam a utilização da contabilidade de custos em suas empresas.

Na verdade são poucas as empresas que a adotam. Por esse motivo não conseguem enfrentar a concorrência e ficam sem saber quais dos seus produtos estão de fato apresentando prejuízos.

Tais empresários na verdade querem aumentar seus preços simplesmente porque alguns foram de fato aumentados. Então, como alguma matéria-prima aumentou 20%, acham que os preços de venda de seus produtos também devem aumentar em 20%.

Não é bem assim que os custos de manifestam na prática, como pode mostrar a contabilidade de custos, se científica e tecnicamente for adotada.

Exemplo simplório:

Se o preço de venda ao consumidor de determinado produto for igual a R$ 100,00 (100%) e determinada matéria-prima utilizada consome 5% (R$ 5,00) de seu preço final (ao consumidor), significa que aquele aumento de preço da matéria-prima influenciou com um aumento de 1% no preço final.

Por quê?

Porque, sendo o consumo daquela matéria-prima correspondente a 5% do preço ao consumidor (100%), os 20% de acréscimo na matéria-prima corresponderão a 20% sobre 5% = 1% do preço final.

De forma semelhante é calculado o índice de inflação oficial. Ele é calculado pela média dos aumentos acontecidos.

Supondo-se que para fabricação daquele determinado produto só houve aquele mencionado aumento de preço, o seu preço final só deve ser aumentado em 1%, ou seja, em vez de vendido por R$ 100,00, o produto será vendido por R$ 101,00.

Mas, por ignorância técnica e científica, os despreparados empresários (sem estudos) querem aumentar aquele produto em 20%. Isto é, querem passar a vender aquele mesmo produto por R$ 120,00 com ganho extra de R$ 19,00. Talvez ajam dessa forma não por mera burrice, mas, sim,  por esperteza. Afinal, usando tal raciocínio equivocado passam a ter mais lucro. Então, a publicação feita pelo jornal serve como uma falsa justificativa para o aumento de preço pretendido.

A bem da verdade, o que mais pressiona o preço final de um produto não é a matéria-prima. O que mais interfere no preço final é o lucro do fabricante e os lucros dos intermediários. Quanto maior for o número de intermediários até a chegada do produto ao consumidor, maior será o seu preço final. Esse custo de intermediação, incluindo os tributos, geralmente chega de 80% a 100% do preço final do produto em si. Isto significa que no momento em que sai da produção e é colocado no estoque para venda (comercialização) o produto tinha o preço de R$ 20,00 e depois poderá chegar ao consumidor por R$ 100,00 (cinco vezes mais = 500%), adicionando outros fatores como os gastos com propaganda, almoxarifados, transporte e ainda as mordomias dos controladores e de seus executivos (CEO).

Essa proporção não acontece com todos os produtos, alguns podem ter carga menor, quando houver alta rotatividade dos estoques. Porém, existem alguns que chegam ao consumidor até 10 vezes mais caros que o seu custo de produção. Geralmente são produtos com baixa rotatividade de seus estoques. Isto é, são produtos que ficam na prateleira por longo espaço de tempo, além de ocuparem maior espaço para armazenamento e exposição ao consumidor.

Veja as "mentiras" (falsas alegações) dos empresários, comentadas no texto publicado em 22/03/2011com base em outro publicado pelo jornal O Estado de São Paulo.em 19/03/2011.