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CARTEL: DEZ MULTINACIONAIS DOMINAM AS PRATELEIRAS DOS SUPERMERCADOS

CARTEL: DEZ MULTINACIONAIS DOMINAM AS PRATELEIRAS DOS SUPERMERCADOS

SEDIADAS EM PARAÍSOS FISCAIS, É DIFÍCIL SABER SE FORMAM GIGANTESCO CARTEL

São Paulo, 19/03/2016 (Revisada em 19-09-2018)

Referências: Desvendada a Rede Capitalista que Domina o Mundo, Paraísos Fiscais Causam da Falência do Sistema Tributário Mundial, As Antigas Potências Mundiais Também Foram Prejudicadas Pelas Fraudes Financeiras das Multinacionais ou Transnacionais.

CARTEL: DEZ MULTINACIONAIS DOMINAM AS PRATELEIRAS DOS SUPERMERCADOS

Texto em letras pretas publicado 18/01/2015 pelo Viomundo, tendo como Fonte o Repórter Brasil, via site do MST. Com comentários e anotações por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE. Veja neste COSIFE o gráfico sobre a atuação das dez corporações.

Dez grandes companhias abocanham de 60% a 70% das compras de uma família e tornam o Brasil um dos países com maior nível de concentração.

Talvez passe despercebido àqueles que vão ao supermercado que um conjunto pequeno de grandes transnacionais concentra a maior parte das marcas compradas pelos brasileiros. Dez grandes companhias – entre elas Unilever, Nestlé, Procter & Gamble, Kraft e Coca-Cola – abocanham de 60% a 70% das compras de uma família e tornam o Brasil um dos países com maior nível de concentração no mundo. O que sobra do mercado é disputado por cerca de 500 empresas menores, regionais.

Quer um exemplo dessa concentração?

Quando um consumidor vai à seção de higiene pessoal de um estabelecimento comercial e pega nas gôndolas um aparelho de barbear Gilette, um pacote de absorventes Tampax e um pacote de fraldas Pampers, ele está comprando três marcas que integram o portfólio da gigante norte-americana Procter & Gamble – que também é dona dos produtos Oral-B, para dentes.

O poder da Unilever

Uma dona de casa vai uma vez por mês ao supermercado fazer as compras para sua família: ela, o marido e duas crianças. Para a cozinha, ela compra Knorr, Maizena, suco Ades e a maionese Hellmann’s. Para a limpeza da casa, sabão em pó Omo e Brilhante. Compra ainda Comfort para lavar a roupa. Passa na área de cosméticos e pega o desodorante Rexona para seu marido, e sabonete Lux para ela. Compra pasta de dente Closeup, a marca preferida da filha.

Quase ao sair do supermercado, o filho liga e diz que quer sorvete. Ela compra picolés Kibon. Todas as marcas adquiridas por ela pertencem à Unilever, que em 2013 foi o maior investidor no mercado publicitário do Brasil, com R$ 4,5 bilhões aplicados. Omo possui 49,1% de participação de mercado em sua categoria, segundo pesquisa do instituto Nielsen em 2012.  A Hellmann´s detém mais de 55% do mercado. A Unilever vende cerca de 200 produtos por segundo no Brasil.

Mercado de bebidas

O que o refrigerante Coca-Cola, o energético Powerade, o suco Del Vale, a água Crystal e o chá Matte Leão têm em comum?

Eles são marcas da Coca-Cola, que apenas no segmento de refrigerantes detém cerca de 60% do mercado nacional. E sabe quando está um dia de calor e você quer tomar uma cerveja? Há uma grande chance de que ela seja produzida pela Ambev, que concentra cerca de 70% do mercado com produtos como Brahma, Antarctica, Skol e Bohemia. A companhia Brasil Kirin (ex-Schincariol) possui pouco mais de 10%, e o Grupo Petrópolis, cerca de 10%.

Quer um chocolate?

Na hora dos desenhos, uma criança se senta à frente da televisão e pede para a mãe alguma coisa para comer. Uma vez no mês, ela decide trocar as frutas por doces. A mãe então oferece algumas opções: um chocolate Suflair ou um Kit Kat? Um chá Nestea ou um Nescau? Um Chambinho ou iogurte Chandelle? Uma bolacha Tostines ou Negresco?

No fundo, ele está perguntando à criança qual marca e linha de produtos da Nestlé ela quer, porque todas acima citadas pertencem à gigante suíça.

O segmento de chocolates é concentrado. Em 2012, uma pesquisa do Instituto Mintel mostrou que ele era dominado por três companhias líderes que possuíam 85% do mercado. Kraft liderava ranking, seguida por Nestlé e Garoto (a empresa Garoto pertencia à Nestlé, mas tem posicionamento independente, e ambas somavam 46% de participação). A Kraft foi desmembrada, em 2012, em duas e a operação de guloseimas passou a se chamar Mondelez International.

NOTA DO COSIFE:

Reminiscências de Fatos Marcantes

A partir da década de 1970, com a extrema liberalidade patrocinada por Ronald Reagan (Estados Unidos) e Margaret Thatcher (Inglaterra), que reduziram os tributos cobrados em bases universais (incidentes sobre lucros obtidos no exterior), as grandes empresas daqueles dois países paulatinamente foram transferindo suas sede para Paraísos Fiscais Cartoriais e suas fábricas para Paraísos Fiscais Industriais asiáticos.

Depois das privatizações ocorridas na Europa, os compradores das antigas estatais daquele continente fizeram o mesmo que norte-americanos e ingleses, provocando a derrocada econômico-financeira dos países desenvolvidos, agravada pela grandiosa especulação que neste Século XXI transformou as Bolsas de Valores em verdadeiros Cassinos.

Os Paraísos Fiscais Cartoriais apenas registram empresas do tipo Offshore que só podem operar fora dos limites territoriais daqueles "países" (Ilhas do Inconfessável) que lhes deram a falsa legalidade ou identidade, sabido que as empresas desses paraísos fiscais são na realidade empresas virtuais (não existem de fato, não existem fisicamente). Suas sedes têm como endereço de referência Caixas Postais em Agências do Correio ou gavetas ou escaninhos em escritórios de representação comercial.

Assim sendo, os consultores ou representantes de dessas empresas formadoras de conglomerados (Cartéis) em todo o mundo passaram a propagar que as empresas familiares, em defesa de seu patrimônio e do futuro de seus herdeiros, deviam migrar para um sistema de administração profissional que ficaria sob a responsabilidade de empresas sediadas nos Paraíso Fiscais (as chamadas de multinacionais).

De início foi difícil convencer aos conservadores patriarcas de que o futuro de suas respectivas empresas familiares estaria garantido se a administração das mesmas fosse transferida para grupos internacionais que assim vinham formando imensos Grupos de Sociedades especializadas em diversos segmentos operacionais e com tentáculos em todos os países.

Veja explicações complementares em Desvendada a Rede Capitalistas Que Domina o Mundo.

Muitos desses patriarcas preferiram vender suas ações para aquelas empresas formadoras de cartéis, porém, restava um grande problema que era o de procurar onde investir o dinheiro obtido com a venda do Patrimônio Familiar.

Então, surgiram bancos de investimentos e depois gerenciadores de fundos e carteiras de investimentos que se propunham a bem administrar a aplicação daquele dinheiro que estava no mercado financeiro local, onde era artificialmente gerada imensa inflação que diariamente corria o poder aquisitivo dos investimentos. Em razão desses fatos, muitos dos nossos endinheirados preferiram investir no exterior, também em paraísos fiscais.

Em síntese, indiretamente o dinheiro captado pelos representantes dos bancos estrangeiros e dos fundos de investimentos registrados no exterior era destinado a empresa controladora daquela mesma empresa brasileira que tinha sido vendida. Logo, os patriarcas brasileiros começaram a entender que bastava trocar as ações possuídas em suas empresas familiares pelas ações da empresa incorporadora.

E foi assim que as grandes empresas multinacionais ou transnacionais atualmente existentes estabeleceram-se em quase todos os países.

De olhos bem abertos para essas ocorrências, os nossos governantes militares a partir de 1970 apreciavam a internacionalização do capital nacional brasileiro e passaram a perceber que se aproximava um enorme tempestade econômico-financeira e institucional.

Então, com base no slogan "Brasil: Ame-o ou Deixe-o", os milicos renderam-se às teorias do Governo João Goulart por eles deposto e passaram a criar as empresas estatais para administrarem os principais segmentos operacionais em território brasileiro.

Foi assim que aconteceu o famoso Milagre Brasileiro que fez o Brasil chegar à posição de 8ª potência em PIB - Produto Interno Bruto sem a utilização do neocolonizador Capital Estrangeiro.

Em meados daquela década de 1970, os militares sentiram que também era preciso fortalecer o sistema financeiro nacional brasileiro que era dominado por bancos estrangeiros.

Então os banqueiros brasileiros incentivados pelo governo militar passaram a criar os grandes conglomerados financeiros atualmente existentes. Depois da utilização dessa tática os bancos estrangeiros podiam participar como investidores com no máximo de 50% do capital de bancos brasileiros.

Somente depois da tal Constituição Cidadã de 1988, foi novamente incrementada a internacionalização do capital nacional em paraísos fiscais.

Isto aconteceu principalmente depois da criação do Mercado de Câmbio de Taxas Flutuantes, que legalizou a atividade dos doleiros para que facilitassem a Lavagem de Dinheiro em paraísos fiscais, fato que foi imensamente aplaudido pelos líderes dos industriais brasileiros, os quais, em 2016 queriam um novo Golpe de Estado, desta feita, sem a participação dos militares.

Mário Amato da FIESP em 1989 chegou a afirmar que, se Lula fosse eleito, 800 mil empresários fugiriam do Brasil. E o Mercado de Taxas de Câmbio de Taxas Flutuantes foi criado pelos dirigentes do Banco Central durante o Governo Sarney exatamente facilitar essa fuga.

Logo depois da posse de Collor de Melo foram iniciadas as privatizações das empresas privadas incorporadas pelo BNDES porque se tornaram inadimplentes. Estavam em regime pré-falimentar. Como ninguém queria comprar essas empresas, elas foram vendidas para multinacionais ou para brasileiros que depois as repassaram para multinacionais.

Então, para evitar a total internacionalização do produzido no Brasil, transformando o nosso país em mera vítima do neocolonialismo praticado pelas multinacionais, o Governo Lula passou a fortalecer o empresariado brasileiro que ainda ousava disputar o mercado internacional contra aquelas multinacionais de paraísos fiscais.

Então, aconteceu o explicado a seguir.

Empresas brasileiras também concentram mercado

A BRF – nascida da união entre Sadia e Perdigão – é líder em vários segmentos das gôndolas: está presente em 28 das 30 categorias de alimentos perecíveis analisadas pelo instituto Nielsen, como massas, congelados de carne, margarinas e produtos lácteos. A BRF está na mesa de aproximadamente 90% dos 45 milhões de domicílios do Brasil. Ela é responsável por 20% do comércio de aves no mundo. Em pizzas, a empresa detém 52,5% do mercado e 60% do de massas congeladas no país.

Outra empresa brasileira com grande presença na mesa dos brasileiros e de outros países é a JBS, dona de várias marcas conhecidas, como Friboi, Seara, Swift, Maturatta e Cabana Las Lilas. Com essa variedade de produtos e a presença em 22 países de cinco continentes (entre plataformas de produção e escritórios), ela atende mais de 300 mil clientes em 150 nações.

Governo brasileiro incentivou concentração empresarial

Para alguns economistas, tem havido um aumento da presença do Estado na economia brasileira, um movimento que ganhou força no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando o BNDES passou a conceder financiamentos a juros mais baixos para promover as chamadas “campeãs nacionais”.

Nesse caso, foi estimulada a fusão entre as operadoras de telefonia Brasil Telecom e a Oi, e a criação da BRF, fruto da união entre Sadia e Perdigão.

Esse movimento de empresas brasileiras mais fortes no exterior cria gigantes, mas não necessariamente essa liderança traz vantagens para os consumidores brasileiros, que continuam com poucas opções quando vão ao supermercado.

Será que essa ação do Estado beneficiou o consumidor final?

NOTA DO COSIFE:

Seja o mercado monopolizado por brasileiros ou por estrangeiros, o consumidor final sempre será o maior prejudicado. O Povo sempre paga a conta, tal como está acontecendo nos países desenvolvidos depois da eclosão da Crise de 2008. A austeridade é obrigatória somente para os mais pobres, que perdem empregos e direitos sociais. Os povos do continente europeu estão sendo transformados no decorrer do tempo em futuros escravos do novo feudalismo local.

A vantagem dessa decisão tomada durante o Governo Lula, de transformar o Brasil em potencia mundial na área de alimentos, foi que as multinacionais do segmento alimentício também passaram a depender do Brasil para ganhar dinheiro no exterior.

em razão desse fato mal entendido por muita gente letrada que se diz inteligente e importante, o Brasil saiu da 13ª posição em PIB em 2002 e em 2010 alcançou a 6ª posição no cenário mundial.

Só chegamos até 6ª posição porque a Inglaterra passou a apresentar seu PIB somado ao da Escócia, Irlanda e Gales.

Tirando-se esses três países do PIB inglês, o Brasil assumiria a 5ª posição. Ou seja, para sacanear o Brasil vale tudo. Vale até manipular para cima o PIB dos ex-países desenvolvidos.

Aliás, torna-se importante lembrar que somadas as Reservas Monetárias de todos os 23 países da União Europeia, elas só chegam a igualar o total das Reservas Monetárias que nunca antes do Governo Lula existiram no Brasil.

Em paralelo, as empresas estatais brasileiras têm ganhado peso. No setor bancário, CEF e Banco do Brasil estão entre as cinco maiores instituições do país, sendo que a Caixa é líder em financiamento habitacional, e o BB, no setor agrícola. Em energia, a Petrobras é a maior empresa do setor, enquanto a Eletrobrás detém a liderança em geração de energia elétrica.

NOTA DO COSIFE:

Cabe destacar também que alguns patriarcas brasileiros, patriotas e nacionalistas, em vez de entregarem suas empresas familiares para multinacionais, as entregaram ao Banco do Brasil, à Caixa e ao BNDES, que as vêm administrando em favor de seus herdeiros e também do Povo brasileiro, como assim decidiram seus originais proprietários.

Mas essa concentração de poder nas empresas públicas é diferente das privadas. Um exemplo está no setor de energia, em que a Petrobras tem tido uma política de reajuste dos preços dos combustíveis alinhada à política de inflação do governo federal.

NOTA DO COSIFE:

Ao mencionar a Política de Inflação do Governo Federal, o articulista do Repórter Brasil queria dirigir-se especialmente aos dirigentes do Banco Central que sempre agem de forma totalmente independente das decisões nacionais.

O Banco Central (independente) inegavelmente representa somente aquele Brasil desfrutado pelo 1% mais rico e pelos serviçais desses mencionados senhores feudais. No total, estes bem aquinhoados brasileiros são apenas 3% da população brasileira.

Portanto, esses privilegiados indivíduos no máximo conseguem eleger vereadores e uns poucos deputados estaduais e federais, enquanto o voto não for distrital. Com tão poucos eleitores (votos) essa privilegiada classe social jamais conseguiu e jamais conseguirá eleger senadores, prefeitos, governadores e presidentes da República.

Por isso, precisam eternamente enganar os eleitores menos favorecidos, mediante corrupção (compra de votos), tendo como agentes os mercenários da mídia que agem como manipuladores da opinião pública.

Empresas estatais bem administradas poderiam render bons lucros, que se tornariam dividendos para o governo federal, que, por sua vez, com esse dinheiro dos lucros, poderia investir em setores essenciais, como saúde e educação.

NOTA DO COSIFE:

Dessa forma sugerida pelo articulista do Repórter Brasil, a estatização da economia simplesmente poderia extinguir a cobrança de tributos, visto que os lucros obtidos pelas estatais, principalmente por meio das exportações, substituiriam os tributos atualmente cobrados. Essa extinção dos tributos resultaria em menor Gasto Público para controle dos impostos atualmente cobrados. Isto reduziria enormemente os Gastos Públicos com a Máquina Estatal.

Os pilantras que optaram pelo Golpe de Estado Branco em 2016, além de serem contrários à estatização da economia, querem tirar do cenário nacional os políticos que, em apenas 15 anos, transformaram o Brasil em Potência Mundial ao lado de Rússia, China, Índia e África do Sul que também são países dependentes das exportações brasileiras.

Os "tucanalhas" querem novamente transformar o Brasil naquela mesma colônia que durante 500 anos, mediante a exploração do trabalho escravo dos nossos 95% menos favorecidos, sustentou todos os países europeus.

Ronaldo Caiado do DEM (líder ruralista), por exemplo, durante a preparação para o Golpe de Estado de 2016, na televisão tentou desmoralizar os nossos governantes federais desde 2003 que foram os que mais fizeram para transformar o Brasil no Celeiro do Mundo.

E, os principais beneficiados por essa política econômica para exportação de alimentos foram exatamente os ruralistas brasileiros de todas as classes sociais. Portanto, é mera canalhice falar mal do governo quem foi o maior beneficiado por ele.