início > textos Ano XX - 18 de abril de 2019



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O ESCÂNDALO DO DOSSIÊ DO PSDB

o Escândalo do dossiê do psdb


Revista revela conluio da imprensa para prejudicar Lula e o PT

Reportagem de capa da revista Carta Capital revela o submundo da trama armada por um delegado da Polícia Federal, em conluio com alguns dos principais veículos de comunicação do país – entre eles a TV Globo e os jornais Folha de S.Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo – para prejudicar o PT e a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas do primeiro turno.

A revista conta em detalhes como os meios de comunicação omitiram as informações de como o delegado Edmilson Pereira Bruno obteve e repassou, aos próprios jornalistas, as fotos do dinheiro apreendido com duas pessoas ligadas ao PT num hotel de São Paulo. Bruno chegou a confessar sua ação criminosa aos repórteres, afirmando que irá forjar um roubo para justificar o fato de a imprensa estar de posse das imagens.

Embora a confissão tenha sido gravada em áudio, sem que ele soubesse, nenhum veículo a publicou. Alguns – como a Folha e o Estadão – ainda produziram textos procurando inocentá-lo pelo vazamento das fotografias.

Leia abaixo os trechos iniciais da matéria, transcritos pelo site do PT. A reportagem completa está na revista Carta Capital que chegou às bancas em 13/10/2006;


OS FATOS OCULTOS

A mídia, em especial a Globo, omitiu informações cruciais na divulgação do dossiê e contribuiu para levar a disputa ao 2º turno

Por Raimundo Rodrigues Pereira - Revista Carta Capital  - Edição 415 de 13/10/2006

Pode-se começar a contar a história do famoso dossiê que os petistas teriam tentado comprar para incriminar os candidatos do PSDB José Serra e Geraldo Alckmin pela sexta-feira 15 de setembro (2006), diante do prédio da Polícia Federal, em São Paulo. É uma construção pesada, com cerca de dez pavimentos, de cor cinza-escuro e como que decorada com uma espécie de coluna falsa, um revestimento de ladrilho azul brilhante, que vai do pé ao alto do edifício, à direita da grande porta de entrada. Dentro do prédio estão presos Valdebran Padilha e Gedimar Passos, ligados ao Partido dos Trabalhadores e com os quais foi encontrado cerca de 1,7 milhão de reais, em notas de real e dólar, para comprar o tal dossiê. Mas essa notícia é ainda praticamente desconhecida do grande público.

É por volta das 5 da tarde. A essa altura, mais ou menos à frente do prédio, que fica na rua Hugo Dantola, perto da Ponte do Piqueri, na Marginal do rio Tietê, na altura da Lapa de Baixo, estaciona uma perua da Rede Globo. Ela pára entre duas outras equipes de tevê: uma da propaganda eleitoral de Geraldo Alckmin e outra da de José Serra.

Com o tempo vão chegando jornalistas de outras empresas: da CBN, da Folha, da TV Bandeirantes. E a presença das equipes de Serra e Alckmin provoca comentários. Que a Rede Globo fosse a primeira a chegar, tudo bem: ela tem uma enorme estrutura com esse objetivo. Mas como o pessoal do marketing político chegou antes? Cada uma das duas equipes tem meia dúzia de pessoas. A de Serra é chefiada por um homem e a de Alckmin, por uma mulher. As duas pertencem à GW, produtora de marketing político. Seus donos foram jornalistas: o G é de Luiz Gonzales, ex-TV Globo, e o W vem de Woile Guimarães, secretário de redação da famosa revista Realidade, do fim dos anos 1960. Entre os jornalistas, logo se sabe que foi Gonzales quem ligou para a Globo, avisando do que se passava na PF.

E quem avisou Gonzales? Foi alguém da Polícia Federal? Foi alguém do Ministério Público, de Cuiabá, de onde veio o pedido para a ação da PF? Uma fonte no Ministério da Justiça disse a Carta Capital que as equipes da GW chegaram à PF antes dos presos, que foram detidos no Hotel Ibis Congonhas por volta da 6 da manhã do dia 15 e demoraram a chegar à sede da polícia. Gente da equipe da GW diz que a empresa soube da história através de Cláudio Humberto, o ex-secretário de imprensa do ex-presidente Collor, que tem uma coluna de fofocas e escândalos na internet e que teria sido o primeiro a anunciar a prisão dos petistas.

Pode ser que sim, o que apenas leva à pergunta mais para a frente: quem avisou Cláudio Humberto? Mesmo sem ter a resposta, continuemos a pesquisar nessa mesma direção: a de procurar saber a quem interessava a divulgação da história do dossiê e como essa divulgação foi feita. Para isso, voltemos à região do prédio da PF duas semanas depois.

É 29 de setembro, vésperas da eleição presidencial, por volta das 10h30 da manhã. Sai do prédio da PF na Lapa de Baixo o delegado Edmilson Pereira Bruno, 43 anos, que estava de plantão no dia 15 e foi o autor da prisão de Valdebran e Gedimar. Ele convida quatro jornalistas para uma conversa: Lílian Cristofoletti, da Folha de S.Paulo, Paulo Baraldi, de O Estado de S.Paulo, Tatiana Farah, do jornal O Globo, e André Guilherme, da rádio Jovem Pan. Bruno quer uma conversa reservada e propõe que ela seja feita a cerca de um quarteirão dali, na Bovinu’s, uma churrascaria. Um dos jornalistas argumenta que ali “só tem policial”. O grupo acaba conversando perto da Faculdade Rio Branco, que não se avista da frente da PF, mas é também ali por perto. Ficam na rua mesmo. O delegado não sabe, mas sua conversa está sendo gravada.

Bruno diz que quer passar para os jornalistas cópia das fotos do dinheiro apreendido com os petistas, que estavam sendo procuradas há muito, por muita gente. Leva um CD com as imagens; 23 fotos; e três CDs em branco para que eles copiem as imagens de modo a que cada um tenha uma cópia. Fala que eles devem dizer “alguém roubou e deu para vocês”, para explicar o aparecimento das fotos. Diz que ele próprio vai dizer coisa parecida a seus chefes na PF, que os jornalista é que roubaram: “Doutor, me furtaram. Sabe como é que é, não dá para confiar em repórter”. Recomenda que as fotos sejam editadas em computador com o programa Photoshop para tirar detalhes, como o nome da empresa na qual as cédulas foram fotografadas,a fim de despistar a origem do material.

Algumas pessoas têm a fita de áudio com a conversa do delegado Bruno com os quatro repórteres. Mais pessoas ainda a ouviram. Uma delas é o repórter Luiz Carlos Azenha, que tornou público vários de seus trechos no seu site pessoal na internet “Vi o mundo, o que nunca você pode ver na tevê” (http://viomundo.globo.com/). Azenha, que é repórter da TV Globo, não quis dar entrevista a Carta Capital. Pediu para que se procurasse a emissora. Para o que mais interessa ao desenrolar da nossa história, dos trechos da fita, deve-se destacar a preocupação de Bruno em fazer com que as fotos chegassem no dia ao  Jornal Nacional. “Tem alguém da Globo aí?”, pergunta ele. Um dos quatro responde: “Não é o Tralli? O Tralli está muito visado”, Bruno diz, referindo-se a César Tralli e ao incidente, conhecido de muitos, de esse repórter da TV Globo ter podido acompanhar, praticamente disfarçado de Polícia Federal, a prisão de Flávio Maluf, filho de Paulo Maluf.

Mas a preocupação principal de Bruno é a que ele reitera nesse trecho: “Tem de sair hoje à noite na TV. Tem de sair no Jornal Nacional”.

As fotos são divulgadas, como veremos no capítulo seguinte, com imenso destaque, no dia 29, vésperas das eleições, repita-se, no JN. Mas não apenas no JN. Veja-se a Folha de S.Paulo, por exemplo, Lá também a divulgação foi, pelo menos na opinião de alguns, espetacular: “Que primeira página mais linda, a de 30/9. É por isso que eu não consigo me separar da Folha”, escreveu o leitor Euclides Araújo, no dia seguinte. “A glosa, a irreverência, a fina ironia falaram mais alto, mostrando aquela montanha de dinheiro em cima e, embaixo, Lula, sendo abraçado por uma mão morena e cobrindo o rosto, como se fosse um meliante, conduzido ao distrito, tentando esconder a identidade. O que eles querem, o Pravda ou o Granma? Valeu, Folha!”

A Folha publicou, com grande destaque na primeira página, a foto na qual o dinheiro está empilhado de forma que as notas apareçam com a frente voltada para cima, que é a que mais dá a impressão da “montanha de dinheiro” citada pelo admirador do jornal. E não divulgou que as fotos lhe tinham sido passadas por um policial visivelmente emprenhado em fazer com que elas tivessem um uso político claro, de interferir no pleito de 1º de outubro.

A Folha também tinha a fita de áudio, que foi levada por sua repórter. A editora-executiva do jornal, Eleonora de Lucena, não quis responder por que omitiu as informações dessa fita, a nosso ver tão relevantes. Alguns dos quatro repórteres que receberam as fotos do delegado Bruno, ouvidos para esta matéria, disseram em defesa da tese de que o áudio não deveria ser divulgado, com o argumento de que o jornalista deve preservar o sigilo da fonte, com o que concordamos. Mas perguntamos a Eleonora: por que ela não deu a informação de que se tratava de uma intervenção política no processo eleitoral, publicando os trechos da fita de áudio, que tornam isso explícito, mas sem citar o nome da fonte?

O mais curioso, para dizer o mínimo, é que a Folha publica, junto com as fotos do dinheiro, uma matéria (“Imagens foram passadas em sigilo à imprensa”) na qual conta o que o delegado Bruno disse depois, na tarde do mesmo dia 29, ao conjunto de jornalistas, na frente da PF. No texto, assinado pela repórter do jornal que recebeu as fotos de Bruno pela manhã, se diz: “O delegado Bruno disse, ontem, em coletiva à imprensa, q2ue o CD com as fotos havia sido furtado de sua sala, na PF – e que ele estava sendo injustamente acusado de ter repassado o material aos jornalistas”. Pergunta-se: qual é o sentido de publicar uma informação que a jornalista sabia que é evidentemente mentirosa e, no caso, ainda ajudava o policial a tentar enganar a própria imprensa?

O Estado de S.Paulo do dia 30 publica a mesma foto, das notas em posição de sentido. E com um texto, assinado por Fausto Macedo e Paulo Baraldi, ainda mais incrível, também para dizer o mínimo. O texto é praticamente uma diatribe contra o PT e em defesa de José Serra. Diz que a publicação das fotos é a abertura “de um segredo que o governo Lula mantinha a sete chaves”. Diz que o dinheiro vinha de quem “pretendia jogar Serra na lama dos sanguessugas”. É também uma espécie de defesa do delgado Bruno, em favor do qual são ditas algumas mentiras. O texto diz que as fotos foram feitas por “um policial da Delegacia de Crimes Financeiros (Delefin)”, na sexta-feira dia 15 de setembro. E que o delegado Bruno comandou uma perícia nas notas, a serviço da Polícia Federal, na sala da Protege AS, Proteção de Transporte de Valores, em São Paulo. De fato, como se saberia no mesmo dia 30 em que o texto de Macedo e Baraldi sai publicado, as fotos foram feitas pelo próprio delegado Bruno, depois de enganar os peritos que analisavam as notas, dizendo-se autorizado pelo comando da PF. Pela infração, o delegado está sendo investigado por seus pares.

Tanto o Estado como a Folha dividem a primeira página do dia 30 entre a notícia das fotos do dinheiro e uma outra informação espetacular: a da queda do Boeing de passageiros da Gol com 154 pessoas, depois de um choque com o Legacy da Embraer, o jatinho executivo a serviço de empresários americanos. No dia 29, no Jornal Nacional, da Globo, no entanto, não há espaço para mais nada: a tragédia do avião da Gol não entra; o noticiário eleitoral, com destaque para a foto do dinheiro dos petistas, é praticamente o único assunto.

É uma omissão incrível. O Boeing partiu de Manaus às 15h35, hora de Brasília. Deveria ter chegado a Brasília às 18h12. Quando o JN começou, a notícia do desastre já corria o mundo. No site Terra, por exemplo, às 20h10 uma extensa matéria já noticiava que o avião da Gol havia desaparecido nas imediações de São Félix do Araguaia, na floresta amazônica; e a causa apontada era o choque com o avião da Embraer.

Qual a razão da omissão do JN? A emissora levou um furo, como se diz no jargão jornalístico, ou decidiu concentrar seus esforços no que lhe pareceu mais importante?

Qualquer que seja o motivo, o certo é que a questão da divulgação das fotos mobilizou a cúpula do jornalismo da tevê dos Marinho. Como vimos, Bruno fora informado pelos jornalistas que Bocardi, da TV Globo, estava entre os jornalistas diante da PF no dia 29. Bocardi é Rodrigo Bocardi, repórter da TV Globo, que atendeu Carta Capital com muita má vontade. Disse que a matéria acabara sendo apresentada por César Tralli e não por ele; e não quis dar mais informações. De alguma forma, no entanto, tanto a fita de áudio como a conversa de Bruno com os jornalistas quanto ao CD com imagens do dinheiro foram passados à chefia de jornalismo do JN em São Paulo e de lá foram levadas a Ali Kamel, no Rio.

Kamel é uma espécie de guardião  da doutrina da fé, o Raztinger da Globo, como dizem ironicamente pessoas da organização dos Marinho, que criticam o excesso de zelo deste que é um editor em última instância de todo o noticiário político da emissora carioca. A crítica lembra o papel do cardeal Joseph Raztinger, atualmente papa Bento XVI, no papado de João Paulo II.

Compreende-se por que a decisão sobre o que fazer com o áudio e com as fotos tivesse de ser tomada pelas mais altas autoridades da emissora. Se divulgasse o conteúdo exato das duas informações, a Globo estaria mostrando que o delegado queria usar a emissora para os claros fins políticos que manifesta e que a emissora tinha feito a sua parte nesse projeto. A saída de Kamel – aparentemente, segundo relato de terceiros, ouvidos por Carta Capital, já que ele mesmo não quis se manifestar – foi a de omitir qualquer referência à existência do áudio: “Não nos interessa ter essa fita. Para todos os efeitos, não a temos”, teria dito Kamel. A informação complicava a Globo. A informação sumiu.


CARTA CAPITAL DENUNCIA JORNALISTAS E VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO

por Gravatai Merengue - Extraído do site IMPRENSA MARRON em 23/10/2006, publicado em 17/10/2006

Sempre que alguém fala nesse tipo de coisa, logo a opinião é desmentida, em geral transformando o ‘denunciante’ em algum adepto de mirabolantes teorias conspiratórias. Não se entra no objeto da queixa, por automática classificação do acusador como provável maluco.

Mas o jornalista Raimundo Pereira, da Carta Capital, não pode ser chamado de louco, nem dele pode ser dito que esteja a soldo de algum partido político.

Sua reportagem, cujas denúncias podem ou não ser verídicas, apresenta objetividade cristalina. Quem quiser refutá-la, terá de fazê-lo mantendo o mesmo alto nível. Não dá para desmenti-lo na base da desqualificação automática.


O 1º GOLPE DE ESTADO JÁ HOUVE. E O 2º?

Por Paulo Henrique Amorim - site “Coversa Afiada” (do portal iG) - Veja a íntegra do artigo.

Principais tópicos:

1) As equipes de campanha de Alckmin e de Serra (da empresa GW) chegaram ao prédio da Polícia Federal, em São Paulo, antes dos presos Valdebran Padilha e Gedimar Passos;

2) O delegado Edmilson Bruno tirou fotos do dinheiro de forma ilegal e a distribuiu a jornalistas da Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, do jornal O Globo e da rádio Jovem Pan;

3) O delegado Bruno contou com a cumplicidade dos jornalistas para fazer de conta que as fotos tinham sido roubadas dele;

4) O delegado Bruno procurou um repórter do Jornal Nacional para entregar as fotos: “Tem de sair à noite na tevê. Tem de sair no Jornal Nacional”;

5) Toda a conversa do delegado com os jornalistas foi gravada;

6) No dia 29, dois dias antes da eleição, dia em que caiu o avião da Gol e morreram 154 pessoas, o Jornal Nacional omitiu a informação e se dedicou à cobertura da foto do dinheiro;

7) Ali Kamel, “uma espécie de guardião da doutrina da fé” da Globo, segundo a reportagem, recebeu a fita de áudio e disse: “Não nos interessa ter essa fita. Para todos os efeitos não a temos”, diz Kamel, segundo a reportagem;

8) A Globo omitiu a informação sobre a origem da questão: 70% das 891 ambulâncias comercializadas pelos Vedoin foram compradas por José Serra e seu homem de confiança, e sucessor no Ministério da Saúde, Barjas Negri;

9) A Globo jamais exibiu a foto ou o vídeo em que aparece Jose Serra, em Cuiabá, numa cerimônia de entrega das ambulâncias com a fina flor dos sanguessugas;

10) A imprensa omitiu a informação de que o procurador da República Mario Lucio Avelar é o mesmo do “caso Lunus”, que detonou a candidatura Roseana Sarney em 2002, para beneficiar José Serra. (A Justiça, depois, absolveu Roseana de qualquer crime eleitoral. Mas a campanha já tinha morrido.)

11) Que o procurador é o mesmo que mandou prender um diretor do Ibama que depois foi solto e ele, o procurador, admitiu que não deveria ter mandado prender;

12) Que o procurador Avelar mandou prender os suspeitos do caso do dossiê em plena vigência da lei eleitoral, que só deixa prender em flagrante de delito.

13) Que o Procurador Avelar declarou: “Veja bem, estamos falando de um partido político (o PT) que tem o comando do país. Não tem mais nada. Só o País. Pode sair de onde o dinheiro?”

14) A reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira conclui: “Os petistas já foram presos, agora trata-se de achar os crimes que possam ter cometido.”

Pois é…

E por falar em repercussão, até o jornal argentino Clarín falou a respeito.

Entonces…

Os veículos envolvidos nessa denúncia precisam, com urgência, rebater as acusações. Não é possível que permaneçam nesse silêncio sepulcral, ignorando a mais séria, contundente e fundamentada acusação dos últimos tempos.

Sim, é verdade que o Governo precisa se explicar. E a mídia cobra explicações. Da mesma forma que ela própria, a imprensa, precisa também se explicar.

Uma coisa é ter liberdade, o que é saudável para uma democracia, mas outra coisa - e bem diferente - é se julgar acima do bem e do mal. Isso só prejudica a credibilidade.

Veja também: Paulo Henrique Amorim Traz a Gravação do Delegado

Veja a transcrição do momento em que o delegado da Polícia Federal entrega o CD com as fotos para alguns jornalistas.


RESPOSTA A ALI KAMEL: TARTUFO TRABALHA NA GLOBO?

Ao ler sua contestação à reportagem de capa da semana passada haverá quem suponha que não ouviu a gravação feita por um de seus subordinados.


Por Redação Carta Capital - edição 416 - 25/10/2006 (extraído do site em 23/10/2006)


O texto assinado por Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo, em anúncio pago pela emissora e veiculado na edição impressa, é, no mínimo, escorregadio ao tentar desqualificar as perguntas de CartaCapital que na semana passada se negou a responder. Kamel escorrega. E falseia.


Em comunicado remetido pela Central Globo de Pesquisa e Recursos Humanos, enviado a todos os usuários do e-mail do departamento de Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Recife, lê-se que “a revista enviara um questionário, cujo teor não deixava dúvidas de que estava mal-intencionada: as perguntas partiam sempre de premissas falsas e se referiam a episódios que nunca existiram”.


Tartufo, aquela definitiva personagem de Molière, não faria melhor na sua infinita hipocrisia. É invenção de CartaCapital que 70% das ambulâncias da Planam foram liberadas durante o governo FHC e que a Globo cuidou de não mencionar o fato? E é invenção nossa que até hoje o JN não destacou um repórter para investigar as relações de Barjas Negri com Abel Pereira? E é que pelo menos uma reportagem foi produzida sobre Abel Pereira, e editada, e até hoje não foi ao ar?

Por aí iam as perguntas de CartaCapital. Um dos princípios que norteiam o nosso trabalho é a fidelidade canina à verdade factual, a qual, dizia Hannah Arendt, quando omitida jamais será recuperada. Dizia também: “Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a relatar o que acontece, e que acontece porque é”. CartaCapital não esmorece na determinação de relatar o que acontece.

O texto de Ali Kamel alega isenção e objetividade, mas só ilude os desavisados, os mesmos que o JN busca alcançar. Como se sabe, o apresentador do jornal, William Bonner, iguala o telespectador-padrão a Homer Simpson, o simpático simplório do desenho animado. Esse desprezo pela platéia não é incomum no jornalismo brasileiro, muito pelo contrário. E é a razão primeira da decadência da nossa mídia.

Que ela sempre e sempre tenha prestado serviço ao poder é fato, mesmo porque é um dos rostos do próprio. Só para citar eventos mais ou menos recentes, ou nem tão remotos, basta recordar o golpe de 1964, o golpe dentro do golpe de 1968, a campanha das Diretas Já, as eleições de 1989. Mas se a questão moral sempre foi secundária, bastante secundária, para os patrões, vale sublinhar que já houve mais qualidade profissional.

Nunca houve tamanho desrespeito pelos leitores, ouvintes, espectadores. Desmoralização abissal e aviltamento progressivo da língua portuguesa, bela, forte, dúctil. A comparação entre o nosso jornalismo e o de muitos outros países é insustentável.

Claro que não é lícito condenar a Globo, bem como outros órgãos, e empresas, da mídia, por suas simpatias políticas. Insuportável é a tentativa de esconder a parcialidade por trás de uma neutralidade que os comportamentos traem a cada passo.

Jornalismo é informação e opinião. CartaCapital não hesita em manifestar as suas opiniões, neste momento, na escolha nítida de uma candidatura em lugar de outra, porque respeita seus leitores, a nação e o País. Quanto a Ali Kamel, experimentamos a impressão de que não ouviu a gravação da conversa dos repórteres com o delegado Bruno. Ainda que, a esta altura, ela seja do conhecimento até do mundo mineral.


A Isca


Por Sérgio de Souza  - Jornalista - Revista Caros Amigos - Informativo Eletrônico nº 263 - 04/10/2006

Os primeiros a morder foram os beldroegas que correram afanosos disputar um dossiê posto a leilão por dois malandrões mais do que manjados - um ainda está em cana, o outro livre por ter-se disposto à alcagüetagem, prática institucionalizada desde a criação da delação premiada, essa excrescência jurídica que ajuda a rebaixar ainda mais a moral tanto dos que violam as leis quanto dos que as defendem por dever de oficio.


Dois malandrões do mesmo sangue, pai e filho, célebres pela projeção que lhes deu a atuação no lucrativo comércio de ambulâncias. Jogaram a isca e meia dúzia de petistas tão otários como inescrupulosos – liderados por um presidente de partido que sempre cultivou o exercício doentio da fofoca e que transpira obtusidade quando se manifesta verbalmente – a morderam com gosto, provocando de tucanos de rapina, dos quais suspeita-se tenham participado da preparação de tão atraente isca, um mergulho em esquadrilha, ensaiadamente histérico, sobre a candidatura à presidência da Republica que não admitem seja vitoriosa.


Aqueles otários, seu orientador e outros babões que não resistiram ao melado do poder e se lambuzaram vergonhosamente, revelando primarismo político, são dignos daquilo a que estão sujeitos – a lei e o limbo.


Já o povo dançou. Uma parte pequena, porém suficiente para definir os números em 1 de outubro, também mordeu a isca. Mas quem a aproveitou mesmo, transformando-a em um banquete, foram os patrões do jornalismo e seus contratados de confiança. Estão transbordantes de alegria, enquanto se preparam para a segunda rodada, que, pelo visto, tende à carnificina.


Parciais inconfessos, arrotando uma independência engana-trouxa, os jornalões e as semanais ricas selecionaram ardilosamente os assuntos que mais dividendos trariam aos candidatos conservadores e mais prejuízos levariam aos candidatos chamados populares. E aí entra “o dossiê”, a gota d’água que guindou, do ambiente derrotado dos tucanos para a segunda rodada das eleições, o representante das classes bacanas.


Qual jornalão, ou qual semanal, ou estação de televisão, ou de rádio, estará investigando a origem desse “documento”? E ele existe mesmo? Então pai e filho, malandrões, algemados ou não, às voltas com sanguessugas e ambulâncias, ainda arrumaram um tempinho para produzir um dossiê de supostas 2000 páginas que ninguém ficou sabendo ainda o que revelariam? Só os dois, os dois sozinhos? E, sozinhos, oferecem o “comprometedor” calhamaço em leilão para a impoluta imprensa pátria?


E a Policia Federal flagra os otários petistas com o dinheiro pronto para comprar o “bilhete premiado”, assim, tão fácil? Um passarinho me contou? Será? Ou terá sido uma ave de porte maior?


E a grana, o milhão e 700, veio dos cofres de quem? Os otários terão que responder, afinal, é “uma dinheirama”, disseram “analistas” políticos da tevê maior e gente como esse senador que se enrascou, não faz tanto tempo, numa encrenca de bilhões envolvendo as santas contas CC-5.


E durante a batalha da segunda rodada, nossos ínclitos meios de comunicação conseguirão saber (e transmitir) se pai e filho estavam ligados ao “serviço de inteligência” tucano? Parece que não. Nem os meios de comunicação, nem o “serviço de inteligência” petista, devidamente nocauteado na primeira rodada. E o procurador, esse, a quem serve? Quando derrubou Roseana Sarney no “Caso Lunus”, foi de muita ajuda a Serra. E agora?

Perguntas não faltam. Faltará quem as responda?


A farsa nossa de cada dia

Por Guilherme Scalzilli é historiador e escritor - Revista Caros Amigos - Correio Eletrônico - Informativo nº 264 de 11/10/2006

Há evidências de contaminação política na grande imprensa desde a posse de Lula. O problema de realçá-la retrospectivamente, à luz de posturas vigentes durante a gestão FHC, consiste em enfrentar o malicioso argumento de que contextos diversos pressupõem abordagens desiguais dos contemporâneos. Alguns colunistas evitam o dilema, alegando que a averiguação de eventuais desvios do governo atual independe de parâmetros morais fornecidos pelos antecessores. Portanto, não seria relevante que a imprensa tenha agido de forma diferente no passado.

A idéia é falsa porque tenta retirar o foco dos jornalistas, eximindo-os de responsabilidades no complexo sistema gerador da corrupção. Numa democracia plena, certas convicções não podem estar sujeitas a conveniências. Um repertório de valores manchado por contradições serve à impunidade e à manipulação, justificando as piores violências – se hoje condenamos o que ontem era razoável, e vice-versa, qualquer absurdo futuro se torna viável. Todos sabem disso, claro. Mas preferem refugiar-se num moralismo cínico, subitamente cego e imediatista por exigências do momento. E é difícil combatê-lo, sob o risco de ser tachado de corrupto ou censor.

O chamado “escândalo do dossiê” resolve esse problema de modo exemplar. Agora não se trata de cobrar coerência entre comportamentos separados pelo esquecimento e pela obsolescência característica do periodismo. O proselitismo político emerge no calor do próprio noticiário.

Não resta dúvida de que a histeria em torno do suposto dossiê teve a finalidade imediata de abafar a famosa entrevista à IstoÉ, na qual os Vedoin, chefes da máfia das ambulâncias, envolveram José Serra e Barjas Negri no esquema criminoso. Os sinais do acobertamento são evidentes. Dos três possíveis crimes envolvidos (tentativa de compra de falso testemunho, denunciação caluniosa e lavagem de dinheiro), dois dependem da veracidade das informações prestadas pelos entrevistados. Apenas o último delito, no entanto, foi investigado pela imprensa, que ignorou todas as denúncias. As indignações transferiram-se imediatamente para o PT, poupando Serra e Negri de constrangimentos.

A gritaria dos moralistas de ocasião diluiu as flagrantes incongruências que seu “jornalismo” exibiu na cobertura do episódio. Jefferson, Waldomiro, Buratti, Karina e assemelhados eram informantes confiáveis. Os Vedoin, não. Quando personagens obscuros, ou mesmo delinqüentes confessos, depõem contra petistas, considera-se justificável divulgar suas acusações: as denúncias possuiriam relevância e publicá-las seria eticamente tolerável, tratando-se de fontes identificadas. Quando alguém bole com tucanos poderosos, essa lógica desaparece: os Vedoin não possuem credibilidade, a IstoÉ deveria ter checado as informações previamente. A ninguém ocorreu algo semelhante quando a revista Veja propagou as estapafúrdias teorias dos dólares trazidos de Cuba em caixas de uísque.

O jornalismo oposicionista cobra rigor nas apurações sobre a origem do dinheiro que pagaria o dossiê. Novamente, “a população tem o direito de saber” – argumento que sustentou a sanha investigativa contra os acusados de mensalão e do caixa dois. Mas não pareceu tão importante devassar Antero Paes de Barros e Eduardo Azeredo com a mesma fúria, esclarecer as ligações do PSDB com Marcos Valério ou descobrir a origem do depósito que o caseiro Francenildo recebeu, através do pai, na véspera de seus depoimentos contra Palocci. Tampouco existe o mesmo “interesse público” em determinar se o governador eleito do principal Estado do país esteve envolvido com uma quadrilha que, segundo o próprio Ministério Público, operava desde 1998. Lula sabia. Serra não.

Conturbar a disputa paulista às vésperas da votação seria oportunismo eleitoral. Tamanha cautela não vale para o petista Humberto Costa, candidato ao governo de Pernambuco. E definitivamente não se aplica a Lula. É assombroso constatar que o desprezo conferido às fotos comprometedoras de Serra com os Vedoin foi acompanhado de grandes esforços para expor as ligações do presidente com os acusados pelo dossiê. Enquanto os tucanos apareciam como vítimas de um ardil sujo, petistas viraram gângsters ordinários, condenados publicamente por “admitirem conhecer” pessoas ligadas aos suspeitos. Tudo isso em plena fase de investigações, sem qualquer conclusão oficial.

Enxergou-se na demora em apurar o caso uma atitude politizada da Polícia Federal, mas ninguém estranhou as semelhanças entre o episódio atual e o de março de 2002, quando o mesmo Serra foi beneficiado por uma ação da PF contra Roseana Sarney. Dois episódios similares, em muitos sentidos.

Não divulgar fotos do dinheiro recém-apreendido é condescendência das autoridades. Mas revelar a íntegra do dossiê seria abuso. A atuação de membros do governo na campanha de Lula constitui falta gravíssima; já o procurador que manifesta inclinações partidárias e ordena prisões infundadas está no pleno gozo de suas atribuições.

E assim vamos aplaudindo o teatro de aberrações em que se transformou o jornalismo brasileiro. Não importa como o adjetivemos, de meramente tendencioso a golpista; sua utilidade para a propaganda política está bem protegida pelas chantagens de uma pseudo-ética ocasional e dissimulada. Obtusos somos nós, que o questionamos.


O QUE ALCKMIN FEZ DE BOM...

"A INGENUIDADE DO CIDADÃO BRASILEIRO" - POLÍTICA É ISSO!!!

Endereçamentos obtidos em mensagem que transitava na internet

ROMBO DE 1,2 BILHÃO NAS CONTAS DO ESTADO
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1160666-EI306,00.html

AJUDANDO OS ALIADOS
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u76962.shtml

INGERÊNCIA NAS LICITAÇÕES DA NOSSA CAIXA
http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=258037

MAIS FAVORECIMENTOS POLÍTICOS:
http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=257278

USANDO A GRANA PRA BANCAR SUA REVISTINHA
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u77210.shtml

AJUDANDO O FILHÃO:
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI957775-EI306,00.html

AJUDANDO A ESPOSA LÚ
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u77217.shtml

MAIS DA PATROA LÚ
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u77176.shtml

FAZENDO SUCESSO COM O BEM PÚBLICO:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u117502.shtml

UM GRANDE HOMEM, UMA GRANDE HISTÓRIA
http://www.consciencia.net/brasil/03/cardoso.html

BARRANDO UMA DAS 69 CPI's
http://www.estadao.com.br/ultimas/nacional/noticias/2006/mar/28/345.htm