início > textos Ano XX - 21 de agosto de 2019



QR - Mobile Link
QUESTÃO DE MENTALIDADE

QUESTÃO DE MENTALIDADE

São Paulo, meados de 2002.

Ao mesmo tempo em que ocorre a falsificação material e ideológica da escrituração contábil de grandes empresas norte-americanas, aqui no COSIFE ELETRÔNICO, estamos introduzindo manual ou curso sobre Planejamento Tributário no Brasil, que discorre sobre as principais práticas utilizadas nos últimos anos para evitar ou postergar o pagamento de impostos.

E qual é a diferença básica entre as fraudes norte-americanas e as brasileiras?

A diferença básica é que lá nos States as fraudes visam o aumento dos lucros enquanto aqui no Brasil as fraudes visam a redução do imposto a pagar, isto é, no Brasil as fraudes visam reduzir o lucro tributável.

E porque lá é diferente? Seria a mais pura mania de grandeza?

Na verdade é uma questão de mentalidade (o conjunto dos hábitos intelectuais e psíquicos de um indivíduo, ou de um grupo).

Os empresários brasileiros do passado tinham a mentalidade diferente da de hoje em dia. Antes, eles queriam mostrar que tinham maior número de empregados, que pagavam melhores salários, entre outras coisas (mania de grandeza). Hoje eles querem mostrar apenas que pagam menos impostos, apesar dos altos lucros que dizem ter (é mais importante sonegar impostos do que servir à pátria). Falta nacionalismo.

E porque os empresários norte-americanos aumentam seus lucros artificialmente, mesmo sabendo que vão pagar mais impostos?

Primeiramente porque tanto lá como aqui os impostos só revertem em favor dos mais ricos. A diferença básica é que lá o salário é justo, o povo não é escravo dos empresários. Lá os empresários ganham dinheiro vendendo produtos e serviços para a população do país. Aqui os empresários ganham dinheiro exportando para outros países. O povo brasileiro fica somente com as migalhas, quando sobram migalhas.

De outro lado, as fraudes norte-americanas para aumentar o lucro têm a finalidade mercadológica. Dizendo ter mais lucros, as empresas atraem mais investidores entre a população. Aqui no Brasil os empresários não querem a participação do povo em seu capital. As Bolsas de Valores são como uma mesa de pôquer com meia dúzia de apostadores principais e uma considerável platéia de especuladores ou meros jogadores em um cassino um pouco diferente dos demais. 

Por sua vez, o sistema tributário de lá é diferente do brasileiro. Nos States as empresas pagam os principais impostos. Aqui no Brasil quem paga é o povo, porque os principais impostos são indiretos. Até na arrecadação do imposto de renda no Brasil, as pessoas físicas pagam mais do que o conjunto das pessoas jurídicas, o que não acontece lá.

Parece que do exposto chegamos a conclusão que, apesar das fraudes contábeis, os empresários norte-americanos são mais nacionalistas que os brasileiros. Lá eles pagam mais impostos e ainda aumentam seus lucros e conseqüentemente oneram seus custos com mais imposto, além de pagar salários mais altos para o seu povo (os imigrantes ganham mal).

Aqui no Brasil, ao contrário, os empresários, além de contarem com menores impostos e maiores incentivos fiscais, ainda tiram do povo ao vender sem a emissão de notas fiscais. Outro detalhes, aqui geralmente os imigrantes ganham bem.

E onde está o prejuízo do povo?

O principal prejuízo é que a população paga o imposto embutido no preço das mercadorias (ICMS e IPI, entre outros), mas o governo não o recebe em razão da não emissão das notas fiscais pelos empresários (sonegação de impostos).

Existe no Brasil a apropriação indébita dos impostos por parte dos empresários, que direta ou indiretamente são nossos governantes e políticos, ditos representantes do povo. Ou seja, aqui no Brasil eles governam e legislam em causa própria, haja vista que agora querem fórum especial para julgar seus crimes, que assim, obviamente ficarão sem condenação, sem penalidades.

Infelizmente é essa a realidade. Todo o dinheiro ganho no mercado paralelo ou informal brasileiro é remetido para o exterior pelos empresários e volta ao Brasil como investimento estrangeiro, devidamente lavado em paraísos fiscais, inclusive para comprar empresas estatais.