início > textos Ano XX - 25 de abril de 2019



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O FRACASSO DO CAPITALISMO NEOLIBERAL GLOBALIZADO

O FRACASSO DO CAPITALISMO NEOLIBERAL GLOBALIZADO

A LIQUIDAÇÃO CHAMADA BRASIL

Texto escrito em setembro de 1998, revisado e publicado em 2000 (Revisado em 11-03-2019)

  1. O FRACASSO DO CAPITALISMO NEOLIBERAL GLOBALIZADO
  2. O ERRO DO CAPITALISMO ESTATAL
  3. A LIQUIDAÇÃO CHAMADA BRASIL
  4. O PODER DOS BANCOS CENTRAIS
  5. NEOCOLONIALISMO PRIVADO - CANIBALISMO ECONÔMICO
  6. A MANIPULAÇÃO OU SONEGAÇÃO DO DEPÓSITO COMPULSÓRIO
  7. O MONTANTE DOS RECURSOS FINANCEIROS INFORMAIS NOS PARAÍSOS FISCAIS
  8. INFLAÇÃO DE EXPECTATIVA
  9. MANIPULAÇÃO DAS COTAÇÕES NAS BOLSAS DE VALORES
  10. O PREÇO DAS ESTATAIS BRASILEIRAS
  11. AUMENTOS DE PREÇOS APÓS AS PRIVATIZAÇÕES
  12. MANIPULAÇÃO DOS RECURSOS E DOS PREÇOS
  13. A BURRICE NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
  14. PERSEGUIÇÃO AO SINDICALISMO
  15. A FALÁCIA DO CUSTO BRASIL
  16. OS NOVOS EVANGÉLICOS
  17. O SUPÉRFLUO VALE MAIS
  18. COMUNISMO É ESCRAVIDÃO
  19. CAPITALISMO É LIVRE INICIATIVA
  20. O TRABALHADOR ATUAL VALE MENOS QUE OS ESCRAVOS
  21. TRABALHADOR NÃO PODE SONEGAR IMPOSTOS
  22. VOLTANDO À ESCRAVIDÃO
  23. A CONCENTRAÇÃO DA RENDA OU A INVERSÃO DE VALORES
  24. O PRESIDENTE ANALFABETO
  25. AS INJUSTIÇAS DO CAPITALISMO
  26. QUE REGIME ECONÔMICO É O NOSSO?

Veja também:

  1. A DERROCADA FINANCEIRA NORTE AMERICANA - 2009
  2. ESTATIZAÇÃO (nos Estados Unidos) - A DERROTA DO CAPITALISMO PRIVADO - 2009
  3. O DÓLAR FURADO - 2009
  4. OS ESTADOS UNIDOS E A CONVERSÃO DE SUA DÍVIDA - 2009
  5. A INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL NORTE-AMERICANO - 2008 - 2009
  6. O DESASTRE CAMBIAL BRASILEIRO - 1999

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

1. O FRACASSO DO CAPITALISMO NEOLIBERAL GLOBALIZADO

A desintegração da Rússia após a queda do regime comunista (Folha de São Paulo - Dinheiro - 18/08/98), o crescente nível de desemprego na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil, o fracasso econômico e social dos chamados “tigres asiáticos”, a crise japonesa, o aumento da pobreza e da criminalidade no mundo e a diminuição da expectativa de vida na Rússia pós-comunista e nos países do Terceiro Mundo são as inequívocas provas do fracasso do capitalismo neoliberal globalizado, que ouso chamar de CAPITALISMO PRIVADO.

Naquela época da Europa próspera, sem desemprego e com desenvolvimento social e tecnológico (das boas escolas às ótimas universidades, da boa alimentação aos excelentes hospitais, dos ótimos automóveis aos aviões supersônicos, das rádios às televisões estatais, dos grandes centros de cultura e dos ótimos salários), prevalecia o CAPITALISMO ESTATAL, tal como no Brasil, antes de FHC.

2. O ERRO DO CAPITALISMO ESTATAL

O grande erro existente no Capitalismo Estatal estava na escolha dos administradores das empresas, instituições e demais órgãos públicos. Para essa primordial função de bem administrar os políticos escolhiam entre os seus partidários um dos seus mais importantes cabos eleitorais (apadrinhados), quando deveriam ser escolhidos os funcionários concursados desses mesmos órgãos públicos, eleitos por todos os demais servidores da entidade a ser administrada, tal como acontece nas verdadeiras sociedades de capital aberto (aquelas que não têm uma única pessoa ou um único grupo empresarial como controlador).

Os servidores públicos e os demais funcionários das estatais, por exemplo, sabem muito bem quem entre os seus colegas de trabalho tem a verdadeira competência para bem administrar. Esta é a chamada "administração profissional", que as empresas familiares passaram a adotar para não falir. Tiraram a administração das mãos de seus patriarcas (neste caso, os políticos) e de seus herdeiros (que neste caso são os cabos eleitorais dos políticos (os apadrinhados), os quais se aproveitam da balbúrdia reinante para administrar as entidades públicas em seu próprio proveito).

3. A LIQUIDAÇÃO CHAMADA BRASIL

Depois de implantada a chamada globalização, isto é, depois da ascensão do neoliberalismo implantado por Ronald Reagan e Margaret Thatcher, sob a alegação de que "o Estado é mau administrador" (o Estado não administra; quem administra são as pessoas), as empresas estatais foram vendidas ou concedidas para quem não tinha o dinheiro necessário para comprá-las, nem a necessária experiência para administrá-las. Eram meros aventureiros que queriam enriquecer subornando políticos que os apadrinhassem.

Existiam outros jargões como: O Capital Não Têm Pátria. Por sua vez, os anarquistas contrários a cobrança de tributos e favoráveis á autorregulação dos mercados diziam: Se há governo, sou contra! 

Os "compradores" das estatais pediram o dinheiro emprestado aos banqueiros privados ou ao próprio governo (o Estado). Por sua vez, o Governo emprestou o dinheiro aos entes privados por intermédio dos bancos estatais e dos fundos de pensão, a maioria deles patrocinados pelo Estado ou por empresas estatais e por seus respectivos empregados (servidores).

Foi a “Liquidação Chamada Brasil” mencionada pelo economista e professor Paulo Nogueira Batista Jr em texto publicado pelo Jornal Folha de São Paulo em 23/07/1998.

Os neoliberais cultuavam a livre iniciativa, contudo, os empregados das empresas estatais privatizadas não podiam adquiri-las ou quando podiam, a participação permitida era minoritária (insignificante).

4. O PODER DOS BANCOS CENTRAIS

Também depois da globalização, os Bancos Centrais perderam o seu real poder e sua verdadeira função de autoridade monetária, se não, vejamos:

Considerando que pelo menos dois terços (66%) da moeda norte-americana circula pelo mundo (fora dos Estados Unidos), conforme estimativas feitas pelos próprio governo norte-americano (pode ser muito mais ou muito menos do que o previsto, eles não sabem ao certo), perguntamos aos “economistas de plantão” formados lá no exterior:

Como os norte-americanos fazem o seu próprio controle monetário?

Resposta: Eles dizem que fazem, mas, não fazem. Com todo esse dinheiro circulando fora das fronteiras norte-americanas é impossível fazer qualquer controle.

Então, voltamos a perguntar: Se eles não fazem, por que devemos fazer?

Resposta: Na verdade, quem faz o controle monetário para os “States”, são os bancos centrais dos países que têm grandes reservas monetárias em dólares. Eles não podem deixar o dólar desvalorizar, porque perderiam toda sua poupança (as reservas) e os banqueiros também.

Neste site do COSIFE veja o texto sobre BALANÇO DE PAGAMENTOS - Contas Nacionais - Reservas Monetárias.

Qual a diferença da nossa dívida externa em relação à dos “States”?

A dívida externa dos EUA é meio circulante (o papel moeda em circulação no mundo - “as verdinhas” - são bônus perpétuos sem data de vencimento e sem o pagamento de juros) e a nossa dívida é baseada em contratos de empréstimos ou financiamentos e na captação investimentos diretos ou indiretos, mediante a emissão de títulos com o pagamento, em ambos os casos, de altas taxas de juros.

5. NEOCOLONIALISMO PRIVADO - CANIBALISMO ECONÔMICO

Melhor explicando podemos dizer que, para pagar suas importações, os USA - EEUU emitem o tal papelzinho carimbado com tinta verde e letras pretas (não pagam juros).

Nós, se não tivermos dólares para pagar as importações, firmamos contratos de financiamento ou emitimos títulos para captar o dinheiro (pagando altas taxas de juros).

Os ianques, quando captam, emitindo títulos, pagam juros baixos; quando aplicam, querem juros altos. Aplicam o que se convencionou chamar de NEOCOLONIALISMO PRIVADO.

Nossas reservas monetárias assim como a dos demais países ficam depositadas lá, a juros baixos, financiando o déficit público norte-americano, ao mesmo tempo em que aqui são pagos juros altos para manutenção dessas mesmas reservas monetárias. Aliás, Paulo Guedes, empossado como Ministro de Jair Bolsonaro falou sobre isto em 2019.

Os altos juros que pagamos eram e ainda são os principais causadores o nosso constante déficit orçamentário, tal como disse Lara Resende também em 2019 e artigo publicado pelo jornal Valor Econômico.

Esses juros pagos aos credores internacionais (brasileiros sonegadores de tributos com empresas fantasmas em paraísos fiscais) automaticamente voltam ao Brasil como empréstimo ou investimento novamente aumentando nossas reservas monetárias.

Conclusão, antes de 2004 parte de nossas reservas monetárias eram originárias no nosso próprio déficit público. Ou seja, anulando os juros pagos aos ditos investidores estrangeiros, relativos às reservas monetárias que entraram como empréstimo ou investimento, nós não tínhamos déficit público nem reservas. Trata-se, portanto, daquela fraude apregoada pela defensora da Auditoria da Dívida Pública.

Se essas reservas saíssem do Brasil como resgate do investimento ou do empréstimo efetuado pelos estrangeiros, aí sim o verdadeiro déficit público aparecia quando fosse maior do que as reservas evadidas.

6. A MANIPULAÇÃO OU SONEGAÇÃO DO DEPÓSITO COMPULSÓRIO

No momento de se efetuar o controle monetário de nada adiantava o Banco Central reduzir ou elevar o percentual do “depósito compulsório” para controlar a quantidade da moeda (meio circulante) depositado bancos.

Quando o Banco Central elevava o percentual, como fez o brasileiro no início do “Plano Real”, os banqueiros inventam formas alternativas para não efetuar o depósito do “compulsório”.

Entre essas formas estava a transferência do saldo da conta corrente dos depositantes para um fundo de investimento ou para uma caderneta de poupança.

Se em razão disso o Banco Central estabelecesse que um determinado percentual do patrimônio dos fundos de investimentos ou da caderneta de poupança também devia ser depositado como “compulsório”, o dinheiro era transferido para uma subsidiária daquele banco sonegador constituída num paraíso fiscal (ou para um fundo de investimento no exterior), porque nos paraísos fiscais geralmente não há depósito compulsório e nem Banco Central.

7. O MONTANTE DOS RECURSOS FINANCEIROS INFORMAIS NOS PARAÍSOS FISCAIS

Sobre os recursos que estão circulando sem controle nos paraísos fiscais, Celso Furtado já havia falado em entrevista à Revista ISTOÉ e depois escreveu texto publicado pelo jornal Folha de São Paulo.

Ainda sobre os recursos financeiros que estão circulando sem controle nos paraísos fiscais, Celso Ming escreveu breve artigo no JT (Jornal da Tarde). Por sua vez, a jornalista Cari Rodrigues vivia fazendo reportagens para a Folha de São Paulo a esse respeito; o mesmo fazia depois que se transferiu para a Revista Época.

"De nada adiantava diminuir ou aumentar a taxa de juros. Verdadeiramente o capital não entrava nem saía".

Foi o que mencionou um dos funcionários do Banco Central do Brasil durante um seminário realizado em 1992 na ESAF - Escola de Administração Fazendária. Naquele mencionado seminário estavam altos funcionários da Receita Federal, do Banco Central e da CMV - Comissão de Valores Mobiliários discutindo as formas de combate à Evasão de Divisas através da Lavagem de Dinheiro.

No mesmo seminário discutia-se a intercâmbio de informações entre órgãos já previsto no artigo 28 da Lei 6.385/1976, cujo teor era ignorado pelos que queriam impedir a plena fiscalização dos crimes praticados por intermédio do sistema financeiro brasileiro.

Novo seminário com a mesma finalidade foi realizado em 1995. Depois foi sancionada a Lei 9.613/1998 de combate à Lavagem de Dinheiro. Somente em 2001 foram expedidas leis complementares 104 e 105 que flexibilizaram os chamados sigilos fiscal e bancário.

Naquele seminário, o funcionário do Banco Central tinha razão ao dizer que as reservas monetárias não eram alteradas. Afinal, para onde iria as divisas evadidas? Ainda não existem investimentos em marte ou na lua.

Quando o dinheiro saía do Brasil, imediatamente voltava como Capital Estrangeiro. O mesmo acontecia com as reservas monetárias evadidas de outros países como o Japão, o México, os tigres asiáticos ou qualquer outro. Eram simples exemplos de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

Portanto, segundo aquele servidor do Banco Central, a saída com a respectiva entrada das divisas não geravam problemas monetários e sim problemas fiscais, conforme mencionaram os dirigentes do Banco Central na Cartilha editada em novembro de 1993 denominada o Regime Cambial Brasileiro.

As reservas monetárias dos países credores geralmente vão diretamente para financiar o déficit público norte-americano que se tornaram constantes a partir de 1971.

8. INFLAÇÃO DE EXPECTATIVA

Como antes de 2003 o Brasil não possuía elevadas reservas monetárias (vivia pedindo empréstimos ao FMI), não investia suas minguadas reservas. Mas, os sonegadores brasileiros compravam essas reservas obtidas no FMI para efetuar a lavagem do seu dinheiro ilegal (informal). Depois de passar por um paraíso fiscal, as reservas monetárias evadidas voltavam como capital estrangeiro para o próprio país de onde saiu (lavagem de dinheiro).

O dinheiro era investido nesses mesmos países de onde saíram simplesmente porque na Europa e nos Estados Unidos não havia lugar para ele. Era tudo um jogo de pôquer com cartas marcadas, a mais pura especulação, tal como aquela inflação em que vivíamos, que o coordenador deste COSIFE ousou chamar de INFLAÇÃO DE EXPECTATIVA.

Os empresários aumentavam antecipadamente os preços em 20% porque havia uma propalada expectativa de inflação de 15%. No mês seguinte, aumentavam antecipadamente em 30%, porque havia expectativa de 20% de inflação e assim por diante.

Eram os "economistas de plantão" com seus canudos escritos em inglês que calculavam essas estimativas e lançavam os boatos que provocavam a inflação.

Se todos aqueles economistas de plantão dissessem que a inflação ia cair, ela caia. Se dissessem que ia haver recessão, ela aconteceria. Não era uma questão de lógica científica. Era apenas uma questão de expectativa em razão dos boatos que circulavam no mercado financeiro.

Todos começavam a se proteger do que diziam os boatos dos gestores da economia. Naquele tempo, o governo provocava inflação para pagar menos por suas contas, que não eram corrigidas. Era também uma forma de reduzir os salários dos trabalhadores, assim como os proventos dos aposentados.

Diante do exposto, podemos concluir que economia é uma ciência inexata, cujas teorias devem ser totalmente refeitas.

9. MANIPULAÇÃO DAS COTAÇÕES NAS BOLSAS DE VALORES

Esse mesmo tipo de manipulação (ou expectativa) descrita também acontecia nas bolsas de valores.

Exemplo: Várias empresas lançam um trilhão de ações a US$ 1.00 cada uma.

No dia seguinte, um ou vários especuladores (que podem ser os próprios acionistas controladores de cada uma das emitentes das ações) resolviam comprar uma única ação de cada uma de suas empresas lançadoras por US$ 2,00 cada (o especulador, para manipular o preço, compra através de uma corretora e vende para ele mesmo por intermédio de outra corretora, como fazia o Nahas).

A partir dessa negociação fajuta, os “profissionais de mercado” passam a dizer que todas as ações juntas passaram a valer US$ 2 trilhões.

Na semana seguinte aqueles mesmos acionistas controladores ou os especuladores fazem nova operação de compra de uma única ação de cada uma das empresas pelo preço unitário de US$ 4.00.

Novamente os “profissionais de mercado” passam dizer que o valor da “carteira de ações” passou a ser de US$ 4 trilhões, o que aumentaria também o “Índice Bovespa” (Ibovespa), se, por exemplo, as ações fossem negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo.

No mês seguinte, o acionista controlador de uma das empresas, depois de ter contabilizado gastos com mordomias e na manutenção de suntuosos escritórios, carrões, helicópteros, jatinhos e festanças em clubes de golfe ou cassinos, resolve vender o controle acionário de sua empresa.

Feita a avaliação, os técnicos chegam a conclusão de que o valor patrimonial de cada ação é de apenas US$ 0.50, em razão dos gastos ou prejuízos citados.

Diante dessa avaliação o patrimônio daquela empresa passaria a valer a metade do que captou no lançamento de suas ações. A consequente queda do preço da ação no pregão da bolsa também provocaria a queda do índice “Ibovespa”.

Se considerarmos que todos os demais empresários também gastaram os recursos de suas empresas da mesma forma ou construindo monumentos sem nenhum valor comercial ou produtivo, tais como os altos e suntuosos prédios (com elevados custos de manutenção), é claro que cairia o valor de mercado de todas as ações. É o que eles chamam de “Crash”.

Como demonstramos no exemplo hipotético, no período de pouco mais de um mês, as ações nunca valeram o que os “profissionais de mercado” diziam que valiam, porque aquele era valor da negociação de uma única ação no pregão, enquanto que o verdadeiro valor patrimonial e contábil era outro, bem menor do que o captado no lançamento das ações. Tal exemplo não é uma estimativa. É uma pequena amostragem do que acontecia e ainda acontece na prática.

10. O PREÇO DAS ESTATAIS BRASILEIRAS

No caso das Estatais Brasileiras, o que aconteceu com o preço das ações foi o inverso. As ações valiam bem mais do que o preço pelo qual foram vendidas.

O preço de uma empresa é determinado basicamente de duas formas:

  1. a primeira, tradicional e tecnicamente mais perfeita, é feita com base nos elementos contábeis e patrimoniais, avaliados pelo “preço de mercado” dos ativos e com base na provisão de passivos (que o Luiz Nassif, em seu artigo de 23/06/98 na Folha de São Paulo, chamou de Valor de Reposição, como consta do art. 183 da Lei 6404/76 - a Lei das Sociedades por Ações); e
  2. a segunda, introduzida pelos economistas, que leva em conta apenas o cálculo matemático-financeiro da taxa de retorno de um investimento.

Nesta última forma são estipulados apenas o prazo e a taxa de juros que o comprador quer como retorno para o seu investimento, comparados com a capacidade da empresa de gerar esse retorno no prazo previsto (rentabilidade).

No caso das estatais brasileiras, nossos governantes optaram por esta segunda forma. 

Por esse motivo, o preço das estatais era menor, quanto menor fosse a rentabilidade das mesmas e quanto mais longo o prazo para retorno do investimento, não importando o real valor de seu patrimônio e o que seria necessário gastar ou investir para se colocar uma empresa idêntica em operação, começando do nada.

Além dos Ativos e Passivos, na avaliação contábil e patrimonial de uma empresa deve ser levado em conta também alguns valores, que não foram apurados nas estatais e que geralmente não estão contabilizados nas empresas de modo geral.

Trata-se do “fundo de comércio”, que é o valor das marcas e patentes (o logotipo PETROBRAS, por exemplo), do local onde a empresa está estabelecida ("passa-se o ponto" - quando isso é importante para o desenvolvimento e o sucesso do negócio), do monopólio que detém, da tecnologia que possui, da qualidade das instalações, entre outros valores.

Deve ser levado em conta também o fato da empresa estar em condições de operar imediatamente ou já estar operando, com quadro técnico-profissional selecionado, contratado e operacionalmente ativo. 

Quando se constitui uma empresa, começando do nada, o custo pré-operacional é geralmente muito alto. Pré-operacional é o período em que não são geradas receitas; apenas prejuízos - gastos a amortizar -, por isso os compradores preferem mais uma empresa em operação em vez de instalar uma nova.

Ao adquirir uma empresa em funcionamento, o investidor pode pagar mais por ela, caso existam eventuais benefícios fiscais setoriais ou regionais entre outros, tais como prejuízos acumulados e créditos tributários de contribuição social a compensar em razão desses mesmos prejuízos, que serão dedutíveis do imposto e da contribuição a pagar futuramente à razão de 30% do lucro líquido em cada período fiscal.

Podem existir, ainda, créditos tributários de IPI e ICMS.

Havendo esses créditos, o comprador ficará bastante tempo pagando menos impostos, o que aumentará a acumulação de lucros.

11. AUMENTOS DE PREÇOS APÓS AS PRIVATIZAÇÕES

As nossas estatais sempre tiveram prejuízos porque o preço dos serviços prestados e dos produtos fabricados por elas era muito baixo, se comparados com os de empresas no exterior e com os preços de agora, depois de privatizadas.

Um exemplo: uma assinatura de telefone antes da privatização custava R$ 0,50 por mês. No inicio do ano 2001 passou a custar por volta de R$ 20,00 por mês. No ano 2000 essa assinatura custava por volta de R$ 15,00 por mês.

Ao contrário do que nossos governantes prometiam, depois das privatizações os preços aumentaram substancialmente. O pedágio nas estradas paulistas que era de R$ 2,80 passou para R$ 5,40 no final de 2000. Em meado desse mesmo ano, havia aumentado para R$ 4,80. E isso aconteceu em todos os setores da economia. É o famoso ajuste de preços numa economia de mercado. E quando será feito o ajuste dos salários?

O nosso povo não ganha o suficiente para pagar preços idênticos aos cobrados nos países do Primeiro Mundo pelos mesmos serviços ou produtos. E aqui ainda existiam os preços políticos (abaixo do custo) para empresas nacionais e multinacionais.

No segmento de energia elétrica, por exemplo, no Brasil utiliza-se da hidroelétrica, mais barata do que a termoelétrica e a atômica usadas nos Estados Unidos, na Europa e na Rússia.

No Brasil, os preços são menores porque os custos são mais baixos, além do que, lá no exterior os salários são mais altos, excetuando-se os da Rússia.

12. MANIPULAÇÃO DOS RECURSOS E DOS PREÇOS

Nosso grande problema sempre foi o desvio de recursos financeiro feitos pelos administradores nomeados pelos políticos e pelos empresários que os elegem. Esses desvios são feitos de diversas formas através do mercado financeiro e também mediante o superfaturamento das compras e subfaturamento das vendas - preços políticos ou subsidiados.

Com a privatização, obviamente os preços deveriam subir, como efetivamente subiram. Aumentaram os preços no atacado, mais não deixaram que fosse aumentado o preço no varejo, como, aliás, já vinham fazendo muitas empresas multinacionais.

A coca-cola em lata no Carrefour passou a custar mais barato para o consumidor do que o preço que o fabricante cobrava do pequeno empresário - varejista. Com essa política de preços, os pequenos empresários obviamente faliram, porque com a nova política de preços implantada sua margem de lucro bruto não era suficiente para cobrir seus custos.

13. A BURRICE NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Por outro lado, é lamentável perceber que os meios de comunicação, vulgarmente chamados de “mídia”, contribuíram decisivamente para a aceitação do capitalismo neoliberal globalizado como um avanço para o mundo no novo século.

Alguns contrários escreveram, gritaram e debateram essa nova ordem econômica, mas foram considerados loucos ou idiotas.

Então, agora, depois da desgraça financeira e da desvalorização cambial, acontecida no Brasil em 1999, algum prejudicado perguntaria:

Será que os profissionais dos meios de comunicação fizeram isso por ignorância (burrice)?

Não. Não fizeram por burrice. Apenas foram regiamente pagos para isso. Afinal, estamos numa economia de mercado, num sistema capitalista. Importantes são os lucros e os bens materiais que eles podem comprar e não “os ideais, a pátria e a família”, como cantou Belchior em sua "Balada de Madame Frigidaire".

14. PERSEGUIÇÃO AO SINDICALISMO

A aceitação da globalização aconteceu graças a uma campanha intermitente nos meios de comunicação, que, entre outras coisas, gerou o enfraquecimento do sindicalismo.

Nos jornais televisivos, com maior penetração nas diversas classes sociais, os trabalhadores em greve sempre foram tratados como inconsequentes e até foram vistos como uma espécie de criminosos (bandidos), como fazem agora com os “sem terra”, com os “perueiros” e com os camelôs.

Por isso, os grevistas foram severamente punidos com demissões por suas reivindicações por intermédio de paralisações.

Agora em 1999, esses mesmos formadores de opinião querem disseminar que o desemprego nada tem a ver com o aumento da criminalidade.

Foi a partir daquele momento de demissões e perseguições ao sindicalismo que muitos trabalhadores ficaram temerosos, resolveram não mais participar das manifestações. Com isso, as agora minorias reivindicadoras passaram a ser radicalmente punidas.

15. A FALÁCIA DO CUSTO BRASIL

Na falta de substanciais contingentes de oposição antes de 2003, nossos governantes, apoiados ou conduzidos pelo “lobby” do patronato, foram sancionando leis que reduziram os direitos dos trabalhadores, sob a alegação de que precisávamos reduzir o “Custo Brasil”. Foi a época em que, quando alguém denunciava irregularidades, o denunciante era punido e o denunciado ficava impune.

A partir dessa verdadeira lavagem cerebral, imposta pelos meios de comunicação, financiada pelas empresas anunciantes, o capitalismo, um pouco desgastado nos anos de 1960 a 1980 em razão do sucesso das estatais, voltou com toda força nos anos 1990 em razão do proposital desleixo dos políticos com a coisa estatal.

Os meios de comunicação conseguiram convencer os mais pobres de que o socialismo era coisa ruim para eles. Disseram que o neoliberalismo era a salvação; que a “economia de mercado” geraria empregos e bons salários, assim como a privatização das empresas estatais. Tudo mentira.

Logo após de iniciadas as privatizações ocorreram demissões em massa, que geraram os altos índices de desemprego e a redução dos salários. Foram demitidos os técnicos e contratados os cabos eleitorais dos políticos que promoveram as privatizações.

“No cassino global, só os ricos ganham. Aos demais” só resta “a ilusão e a pobreza” (Frei Betto - Estadão de 03/05/95).

16. OS NOVOS EVANGÉLICOS

Tal como os “novos evangélicos”, que se espalharam por todos os cantos, a nova ordem econômica conquistou multidões. Mas, essas multidões, empobrecidas, desempregadas, sem verbas para educação e saúde, acuadas em seus guetos, não conseguem enxergar que foram iludidas, justamente por falta de educação, de cultura e de esclarecimentos por parte de quem realmente deveria esclarecer, orientar. Essas outrora minorias, que hoje são maioria absoluta, estão espremidas nas favelas e nos bairros pobres da periferia das grandes cidades, onde as antigas e tradicionais igrejas católica e protestante não mais conseguem penetrar.

Os salões dos “novos evangélicos” neoliberais estão lotados de pessoas dispostas a dar tudo que conseguem ganhar para obter o amparo místico e a solução divina para seus problemas, enriquecendo seus pastores.

O amparo místico também é vendido na televisão e é obtido por linha telefônica e cobrado por minuto, como num taxímetro.

O infeliz acredita cegamente em seus exploradores e não acredita em quem realmente os quer tirar da miséria. Endeusa aqueles que só constroem para os mais ricos. Repudia aqueles que lhes oferece saúde, educação, moradia digna e saneamento básico. Acredita no que diz que faz, mas não fez ou, se fez, fez pouco e gastou muito em propaganda, para financiar a lavagem cerebral.

17. O SUPÉRFLUO VALE MAIS

Estamos no mundo em que tem muito valor o supérfluo e nenhum valor o essencial.

O indivíduo prefere comprar um carro que um teto para morar. E, na maioria das vezes, o automóvel custa mais caro do que o imóvel.

O governo, sob a batuta dos “lobistas”, diminui os impostos incidentes sobre os supérfluos vindos do exterior ou dos fabricados aqui, que somente os mais ricos podem comprar, mas não isenta de impostos a “cesta básica”, que somente os mais pobres consomem. Isto, os meios de comunicação não apregoam e ninguém consegue enxergar.

O Brasil exporta alimentos sem cobrar impostos, enquanto que os nossos famintos são obrigados a pagá-los, se quiserem comer.

Porém, o castelo de cartas marcadas, de sonhos e de ilusões está ruindo. Na Rússia, Clinton, que só pensa em clitóris, pede sacrifício pelo capitalismo. Implora friamente que o povo russo faça mais sacrifícios para que os ricos fiquem cada vez mais ricos. Dessa forma, prega a concentração da riqueza e não a distribuição da renda, característica básica da política social de seu país.

Então, perguntamos: Devemos fazer mais sacrifício ainda?

Só se o povo se tornar escravo.

18. COMUNISMO É ESCRAVIDÃO

Antes, diziam que o comunismo russo era a escravidão. Diziam que, se o comunismo fosse implantado no Brasil, os indivíduos teriam de andar com roupas iguais às dos outros, como um uniforme. 

Pois é. A lavagem cerebral foi tão grande, que nem mesmo o indivíduo mais atento, consegue perceber que, há muitos anos, nas ruas vemos diariamente a maior parte da população usando calças de brim azul (“jeans”), camisetas e tênis, tanto os homens como as mulheres (“unisex”). Entretanto, o comunismo nunca foi implantado aqui. Ao contrário, foi perseguido durante décadas.

E, para conseguir um desses símbolos do capitalismo, que antes eram do comunismo, alguns chegam até a matar.

Como escreveu Saulo Ramos, com outras palavras, na Folha de São Paulo: na Rússia neoliberal, aumentou a miséria, a concentração da renda nacional, a mortalidade infantil, o banditismo, o tráfico, a corrupção, a inflação e a criminalidade. Ninguém quer pagar os impostos estabelecidos. Todos querem a informalidade. Eles não estavam preparados para essa nova ordem econômica.

E o Brasil obviamente também não está.

19. CAPITALISMO É LIVRE INICIATIVA

Do lado de cá, no mundo capitalista, principalmente no Brasil, os trabalhadores paulatinamente perdem seus direitos trabalhistas para que sejam reduzidos os gastos da previdência social oficial e o tal do “Custo Brasil”, que ninguém sabe explicar o que é ou qual é.

O salário mínimo em dólares no ano 2000 era um quarto do valor de quando foi instituído. No mesmo período o PIB brasileiro cresceu sete vezes. Isto significa que o salário mínimo deveria ser 28 vezes maior do que era no ano 2000. Ou seja, o salário mínimo deveria ser igual ao que é pago aos trabalhadores nos países do primeiro mundo. Sem isso nunca chegaremos lá.

Na verdade, estamos retornando ao antigo regime de escravidão, disfarçado em “livre iniciativa” (nova denominação dada ao subemprego).

Quanto maior o desemprego, maior o subemprego, ou seja, prospera a livre iniciativa.

Quanto maior o desemprego, menor é o salário, prospera a miséria.

20. O TRABALHADOR ATUAL VALE MENOS QUE OS ESCRAVOS

O preço de um escravo antes de 1888, se investido no mercado financeiro no ano 2000, renderia uns R$300,00 por mês para um investidor comum . Para um banqueiro ou agiota renderia R$ 1.500,00. Ou seja, por baixo, o valor de um escravo renderia o dobro do salário mínimo no ano 2000. E para o banqueiro, 10 vezes o salário mínimo. Isto significa que um trabalhador que ganhe o salário mínimo hoje vale bem menos do que um escravo daquela época.

A escravidão agora não é só para os negros caçados na África, mas, para todos os pobres trabalhadores nascidos aqui.

21. TRABALHADOR NÃO PODE SONEGAR IMPOSTOS

No Brasil, não é combatida a sonegação dos empresários. Os governantes dão incentivos fiscais e anistias para eles. Dizem que é a “guerra fiscal”.

O trabalhador não tem direito de optar pela sonegação. Quando recebe o salário, o imposto já vem descontado pela fonte pagadora, inclusive sobre os serviços prestados por autônomos (sem carteira assinada) e pelas empresas prestadores de serviços, que são geralmente de pequeno porte. Por isso, muitos preferem receber “por fora”, na informalidade, contribuindo para que seus patrões possam sonegar mais. Afinal, contribuindo ou não, com a reforma previdenciária de FHC, os trabalhadores morrerão antes de ter direito à aposentadoria.

22. VOLTANDO À ESCRAVIDÃO

Sobre a escravidão e a discriminação social, Christian Barnard, o famoso médico sul-africano dos transplantes de coração, naquela época em que esteve no Brasil, a um jornalista da revista ISTOÉ disse que o “apartheid” na África do Sul não era tão grave como no Brasil. Lá, eram dois milhões de brancos subjugando 20 milhões de negros. Aqui, era um milhão de ricos explorando 100 milhões de pobres.

Essa discriminação já pode ser sentida e vista até em alguns hospitais públicos brasileiros. Já existe diferenciação de tratamento entre pobres e ricos. Os ricos não enfrentam filas, como acontece nos bancos com os clientes verdadeiramente preferenciais.

Herbert de Souza, o Betinho, escreveu em 08/10/96, para a Folha de São Paulo: “o apartheid social em escala mundial é a cara visível do capitalismo global. Essa realidade nunca esteve tão clara”. “A riqueza se concentrou, a miséria se expandiu”. “Estamos avançados nesse caminho da empresa sem trabalhador, da economia sem empregos, do consumidor sem renda”.

23. A CONCENTRAÇÃO DA RENDA OU A INVERSÃO DE VALORES

Mesmo nos Estados Unidos, os salários não têm acompanhado os aumentos de preços.

Exemplo: um famoso “Mustang cor de sangue”, da música de Marcos Vale, que na década de 1960 custava por volta de US$ 2,500.00 (lá - sem os impostos), hoje custa mais de US$ 25,000.00. Nesse período, lá nos “States” o carro aumentou de preço mais de 1.000%, enquanto que, no mesmo período de tempo, os salários (também lá) não tiveram 100% de aumento.

Esses aumentos de preços dos carros foram colocados em sua maior parte em supérfluos e principalmente no grande “circo” das corridas de automóveis com suas equipes e autódromos milionários.

Outro exemplo: um surfista profissional ou qualquer outro atleta profissional ganha bem mais do que qualquer trabalhador da indústria ou do comércio, tanto lá como aqui. 

Os nossos profissionais dos meios de comunicação dizem que “é uma vergonha” os políticos e os funcionários públicos ganharem até R$ 20 mil por mês (Boris Casoi no Jornal da Record e, antes, no SBT). No entanto, a grande maioria dos que colocam a cara na “telinha” ganha muitas vezes mais do que isso.

Dizem que os servidores do governo devem ganhar pouco porque é o “contribuinte” (de impostos) quem paga. Contudo, não dizem que eles (os da “telinha”) ganham muito porque é o consumidor dos produtos anunciados quem paga (ou seja, quem paga os altíssimos salários dos profissionais de televisão são os mesmos contribuintes de impostos e também os que não ganham o suficiente para pagar impostos, mas que compram os produtos anunciados, onde o imposto já está incluso).

Os meios de comunicação propagam e convencem que a Rússia comunista era obsoleta (Rosana Hermann em “Business” da TV Manchete, em 14/09/98).

Não dizem, porém, que a estação orbital usada pelos americanos é russa, porque a deles (americanos) caiu na Austrália por não conseguirem desenvolver a tecnologia necessária para mantê-la em operação.

Também não dizem que foram sempre os americanos que correram atrás dos avanços tecnológicos militares e espaciais dos russos e que correm atrás da tecnologia do álcool e da exploração de petróleo em águas profundas desenvolvidos no Brasil. E que correm atrás da tecnologia dos “microships” japoneses e da tecnologia digital dos holandeses e japoneses.

24. O PRESIDENTE ANALFABETO

Dizem, ainda, que o LULA não tinha competência para governar. Entretanto, não dizem que Ronald Reagan não conseguia entender o que lia. Era um ANALFABETO FUNCIONAL. Necessitava que seus assessores gravassem em vídeo cassete programas para lhe explicar os fatos corriqueiros do dia a dia e fazê-lo entender o conteúdo dos documentos que devia assinar.

E tal presidente, quase analfabeto, governou a maior economia mundial por dois mandatos. Conseguiu governar porque tinha ótimos assessores, assim como LULA inegavelmente os teve. Se compararmos os conhecimentos político-econômicos e sociais de LULA com os de Reagan e com o de muitos outros governantes norte-americanos e brasileiros, poderemos concluir pela superioridade do nosso simplório torneiro mecênico.

Também não dizem os meios de comunicação que lá nos Estados Unidos da América cresce a miséria. Para eles, miserável é aquele que ganha menos de US$ 800.00 por mês (são menos de 10 milhões para uma população que é quase o dobro da nossa). No Brasil, nessa condição de miseráveis, temos mais de 95% da população (uns 140 ou 150 milhões). Dizem que tudo em Cuba é ruim, mas não comparam a forma de vida do povão de lá com seu semelhante no Brasil, que vive muito pior.

O nosso presidente reeleito em 1998 dizia que é democrata, mas usa do abuso do poder político e econômico, dentre outras coisas, para ter mais tempo no rádio e na televisão do que os outros candidatos. Governa por intermédio de Medidas Provisórias. Prometia resolver o problema do desemprego em mais quatro anos de mandato. Porém, não cumpriu a promessa de dobrar o salário mínimo, o mais baixo da América Latina e menor do que o de Portugal (US$ 600,00), países estes que não têm os recursos econômicos que tem o Brasil (nós estamos entre as 10 maiores economias mundiais. Eles, não).

25. AS INJUSTIÇAS DO CAPITALISMO

Nosso presidente reeleito em 1998 também admitia que o G7 (grupo dos 7 países de maior poderio econômico) precisava fazer alguma coisa para conter a selvageria do neoliberalismo, a globalização, à qual entregou o nosso país, cedendo o controle do patrimônio estatal, cujos recursos obtidos nas privatizações foram gastos no pagamento de juros aos “agiotas internacionais” e no salvamento de banqueiros nacionais (ligados a políticos amigos e parentes seus).

Em razão dos desequilíbrios causados pelo neoliberalismo, em quase todos os países da Europa o povo, na década de 1990, elegeu os socialistas em substituição aos neoliberais.

Na Rússia neoliberal falida, a solução para a crise foi colocar de volta no comando da nação os agora chamados de neocomunistas, segundo eles, partidários de um comunismo mais brando, mais próximo do capitalismo.

Em razão da insanidade do capitalismo selvagem implantado no mundo e da inversão de valores que disso resultou, podemos ver que até “o historiador britânico Quentin Skinner, que se diz não-marxista, defende o pensamento de Marx como crítica às injustiças do capitalismo” (Maria Lúcia Pallares-Burke - Folha de São Paulo - 16/08/98).

26. QUE REGIME ECONÔMICO É O NOSSO?

Na confusão causada pela globalização, ninguém mais entende exatamente o que é capitalismo, socialismo ou comunismo ou qual seria o melhor regime econômico a ser adotado.

O povo está confuso e mal informado. Não sabe optar. Prefere dizer que não vota em mais ninguém. Na “Hora H”, os eleitores acabam votando naquele que as pesquisas dizem que vai ganhar, para não perderem o voto, conforme lhes ensinaram os coronéis nordestinos. 

A confusão sobre as diferenças entre capitalismo, socialismo e comunismo fica bem maior, se lembrarmos que, certa vez, nos tempos do milagre brasileiro, Ferreira Neto, em seu antigo programa na TV Record, entrevistou um ministro japonês, colega do nosso Sujiaki Ueki, que traduzia o que ele falava.

Perguntou-lhe, o entrevistador, qual era o segredo do capitalismo japonês.

O ministro nipônico respondeu que um país como o Japão, em que a massa de salários correspondia a 70% do PIB, não podia ser considerado capitalista.

Segundo o ministro japonês, capitalista era o Brasil, em que a massa de salários era inferior a 30% do PIB. Nos Estados Unidos e na Europa a massa salarial está próxima dos 60% do PIB, afirmou.

Afinal, qual o regime econômico implantado no Brasil?

Dizem que é capitalista, mas o país não tem capital.

Também não têm capital o pequeno empresário exportador, que faliu em razão da supervalorização de nossa moeda.

Alguns empresários reclamam das regalias e dos incentivos ao capital estrangeiro.

O patrimônio estatal outrora existente foi vendido para pagar juros, quando devia produzir para pagar esses mesmos juros.

Do outro lado, justamente onde todos acreditavam que o regime é capitalista, o ministro japonês nos fez acreditar que ele é puramente socialista, porque, lá, há distribuição de renda, aqui não.

Sabidamente no Brasil o regime não é comunista, mas, tal como nos Estados Unidos, a maior parte da população, usa algo parecido com o uniforme de brim azul-anil, usado na China Comunista pelos seguidores de Mao-Tse-Tung.

O Brasil também não é socialista, porque no país não há uma justa distribuição de renda, nem salários dignos para a maior parte da população. E, ainda tem as verbas destinadas à educação e à saúde desviadas para o pagamento de juros aos especuladores nacionais e internacionais.

Do exposto, podemos chegar a conclusão que o Brasil tem um regime econômico “sui generis” ou indefinido, que ainda não tem nome. Felizmente, para os britânicos, não é esta a “terceira via”.

Algum “economista de plantão”, desses cheios de diplomas de universidade do exterior, precisa escrever uma tese sobre isso, já que o idiota aqui não tem competência legal para isso, por ser um insignificante e humilde contador e ainda por cima “vagabundo”, segundo o presidente reeleito pelo PSDB com o apoio político e financeiro dos partidos de Antônio Carlos Magalhães (PFL), de Paulo Maluf e Celso Pitta (PPB), de Orestes Quércia (PMDB) e mais um monte de pequenos partidos, estes realmente de aluguel.

Veja os textos recentemente escritos:

  1. A DERROCADA FINANCEIRA NORTE AMERICANA - 2009
  2. ESTATIZAÇÃO (nos Estados Unidos) - A DERROTA DO CAPITALISMO PRIVADO - 2009
  3. O DÓLAR FURADO - 2009
  4. OS ESTADOS UNIDOS E A CONVERSÃO DE SUA DÍVIDA - 2009
  5. A INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL NORTE-AMERICANO - 2008 - 2009
  6. O DESASTRE CAMBIAL BRASILEIRO - 1999