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QUE RISCO TÊM OS PAÍSES QUE SUSTENTAM A EUROPA DESDE 1492?

QUE RISCO TÊM OS PAÍSES QUE SUSTENTAM A EUROPA DESDE 1492?

RISCO BRASIL, RISCO AMÉRICA LATINA, RISCO ÁFRICA, RISCO TERCEIRO MUNDO

São Paulo, 31/12/2018 (Revisada em 02/01/2019)

Referências: Dívida Externa, Risco Brasil, Colonialismo, Neocolonialismo Privado, Corrupção, Lavagem de Dinheiro em Paraísos Fiscais, Sonegação Fiscal, Blindagem Fiscal e Patrimonial.

A VERDADEIRA DÍVIDA EXTERNA DOS PAÍSES COLONIZADOS

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

Mesmo depois de tanto levarem as riquezas naturais dos países do Terceiro Mundo, os tidos como países hegemônicos, também chamados de ricos e desenvolvidos atualmente são os maiores devedores, portanto os mais pobres, segundo dados do FMI e da ONU. Veja em A Crise de Insolvência dos Países Europeus.

Mas, os credores desses países (que de fato não são ricos, sempre foram pobres, por isso usaram de armas para colonizar) não são os Países do Terceiro Mundo.

Os credores dos países desenvolvidos estão incógnitos (como sócios ocultos, titulares de ações ao portador) em empresas fantasmas (offshore) constituídas por "laranjas" ou testas de ferro em Paraísos Fiscais. E, todo esse dinheiro roubado, considerando-se a sua origem que foi a colonização, pertence aos países do Terceiro Mundo (o colonizado e neocolonizado, agora por empresas privadas).

Para transferência da titularidade dessas riquezas terceiro-mundistas para paraísos fiscais, durante séculos armazenadas pelos países ricos e desenvolvidos, pelos membros daquele tal capitalismo bandido dos barões ladrões foi idealizada a chamada de Globalização e de Autorregulação dos Mercados. Em razão disto, aconteceu a proliferação dos paraísos fiscais a partir da década de 1970 e principalmente depois da extremista frente neoliberal abraçada por Ronald Reagan (nos Estados Unidos) e por Margaret Thatcher (na Inglaterra).

Assim, por meio da formação de gigantescos cartéis internacionais administradores de marcas e patentes, todos aqueles membros do capitalismo bandido agora estão sub-repticiamente (de forma furtiva ou ilícita) estabelecidos em Paraísos Fiscais, com suas empresas multinacionais ou transnacionais formadoras dos ditos cartéis que dominam os produtos mais vendidos nos supermercados, dominando também a venda de automóveis, caminhões e muitos os produtos industrializados com as nossas matérias-primas e com o capital que nos foi e continua sendo roubado mediante o que se convencionou chamar de CANIBALISMO ECONÔMICO.

Então, para que o Terceiro Mundo possa reaver uma pequena parcela de todo esse gigantesco patrimônio roubado na forma de vários tipos de riquezas, bastaria que os governantes de todos esses países espoliados confiscassem os investimentos vindos de (ou idos para) paraísos fiscais.

Assim fazendo, os atuais governantes do Terceiro Mundo estariam prestando também um inestimável serviço aos povos do Primeiro Mundo, sabendo-se que todos aqueles que têm dinheiro sujo em paraísos fiscais, imediatamente transferiria sua titularidade para empresas em seus países de origem, tal como vem tentando fazer Donald Trump contra os empresários norte-americanos que passaram a produzir na China e como tentou fazer a nossa Lei 13.254/2016, sancionada por Dilma Russeff, cuja operacionalidade foi regulamentada pela IN RFB 1.627/2016. Veja em Anistia a Sonegadores de Tributos.

Em razão dessa roubalheira inicialmente processada pelos europeus (portugueses e espanhóis), seguida por todos os demais países chamados de desenvolvidos, fatos esses que vêm sendo comentados neste COSIFE desde que o site foi colocado no ar com o atual endereço no início do ano de 1999, torna-se importante a transcrição da Exposição do Presidente da Bolívia EVO MORALES ante a reunião de Chefes de Estado da Comunidade Europeia, em 30/06/2013.

Naquele evento, o Presidente boliviano intima os Chefes de Estado europeus a quitarem a dívida estratosférica que a Europa possui com a América Latina.

Então, com linguagem simples, que era transmitida em tradução simultânea aos Chefes de Estado dignitários da Comunidade Europeia, o Presidente Boliviano conseguiu inquietar sua audiência quando disse:

Aqui eu, Evo Morales, vim encontrar aqueles que participam da reunião.

Aqui eu, descendente dos que povoaram a América há quarenta mil anos, vim encontrar os que a encontraram há somente quinhentos anos.

Aqui pois, nos encontramos todos. Sabemos o que somos, e é o bastante. Nunca pretendemos outra coisa.

O irmão aduaneiro europeu me pede papel escrito com visto para poder descobrir aos que me descobriram. O irmão usurário europeu me pede o pagamento de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei a vender-me.

O irmão rábula europeu me explica que toda dívida se paga com bens ainda que seja vendendo seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu os vou descobrindo. Também posso reclamar pagamentos e também posso reclamar juros.

Consta no Archivo de Indias, papel sobre papel, recibo sobre recibo e assinatura sobre assinatura, que somente entre os anos 1503 e 1660 chegaram a San Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

Saque? Não acredito! Porque seria pensar que os irmãos cristãos pecaram em seu Sétimo Mandamento.

Expoliação? Guarde-me Tanatzin de que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue de seu irmão!

Genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomé de las Casas, que qualificam o encontro como de destruição das Indias, ou a radicais como Arturo Uslar Pietri, que afirma que o avanço do capitalismo e da atual civilização europeia se deve à inundação de metais preciosos!

Não! Esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata devem ser considerados como o primeiro de muitos outros empréstimos amigáveis da América, destinado ao desenvolvimento da Europa.

O contrário seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito não só de exigir a devolução imediata, mas também a indenização pelas destruições e prejuízos. Não

Eu, Evo Morales, prefiro pensar na menos ofensiva destas hipóteses.

Tão fabulosa exportação de capitais não foram mais que o início de um plano ‘MARSHALLTESUMA’, para garantir a reconstrução da bárbara Europa, arruinada por suas deploráveis guerras contra os cultos muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, do banho cotidiano e outras conquistas da civilização.

Por isso, ao celebrar o Quinto Centenário do Empréstimo, poderemos perguntar-nos:

Os irmãos europeus fizeram uso racional, responsável ou pelo menos produtivo dos fundos tão generosamente adiantados pelo Fundo Indoamericano Internacional?

Lastimamos dizer que não.

Estrategicamente, o dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em armadas invencíveis, em terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo, sem outro destino que terminar ocupados pelas tropas gringas da OTAN, como no Panamá, mas sem canal.

Financeiramente, têm sido incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de cancelar o capital e seus fundos, quanto de tornarem-se independentes das rendas líquidas, das matérias primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Este deplorável quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e os juros que, tão generosamente temos demorado todos estes séculos em cobrar.

Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus as vis e sanguinárias taxas de 20 e até 30 por cento de juros, que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos adiantados, mais o módico juros fixo de 10 por cento, acumulado somente durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça.

Sobre esta base, e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, informamos aos descobridores que nos devem, como primeiro pagamento de sua dívida, uma massa de 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambos valores elevados à potência de 300. Isto é, um número para cuja expressão total, seriam necessários mais de 300 algarismos, e que supera amplamente o peso total do planeta Terra.

Muito pesados são esses blocos de ouro e prata. Quanto pesariam, calculados em sangue?

Alegar que a Europa, em meio milênio, não pode gerar riquezas suficientes para cancelar esse módico juro, seria tanto como admitir seu absoluto fracasso financeiro e/ou a demencial irracionalidade das bases do capitalismo.

Tais questões metafísicas, desde logo, não inquietam os indoamericanos. Mas exigimos sim a assinatura de uma Carta de Intenção que discipline os povos devedores do Velho Continente, e que os obrigue a cumprir seus compromissos mediante uma privatização ou reconversão da Europa, que permita que a nos entregue inteira, como primeiro pagamento da dívida histórica.