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A LÓGICA PERVERSA DO SISTEMA FINANCEIRO BRASILEIRO

A LÓGICA PERVERSA DO SISTEMA FINANCEIRO BRASILEIRO

POBRES BANCOS

São Paulo, 17/05/2012 (Revisado em 18/05/2012)

Referências: Altas Taxas de Juros, Oligopólio para Espoliação Popular, os Banqueiros e a Contabilidade Criativa (Fraudulenta), os Lobistas e os Falsos Representantes do Povo Regiamente Pagos pelos Bancos e pelos demais Empresários, Capitalistas Neoliberais e Especuladores - os Anarquistas. Privatização dos Lucros e Socialização dos Prejuízos.

POBRES BANCOS

Texto [em preto] escrito por Vladimir Safatle, que escreve às terças-feiras, no caderno Opinião do Jornal Folha de SP. Publicado em 08/05/2012. Texto recebido por e-mail do SINAL - Sindicato dos Funcionários do Banco Central do Brasil. Aqui com negritos e com subtítulos, anotações e comentários [em azul] por Américo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19750.

LÓGICA PERVERSA

Quando o governo resolveu, enfim, denunciar a "lógica perversa" que guia o sistema financeiro brasileiro, era de esperar que os consultores e economistas regiamente recompensados pelos bancos aparecessem para contemporizar. Como em uma peça de teatro na qual as máscaras acabam por cair, foi isto o que ocorreu.

Pobres Bancos: Alguns zelosos funcionários de banqueiros associados à FEBRABAN saíram em defesa de seus patrões mediante a publicação de "Manifesto contra a Presidenta Dilma Russef". Porém, foram imediatamente desautorizados. Afinal, os banqueiros não são burros. É melhor fazerem-se de mortos, tal como fizeram os banqueiros islandeses. Veja o texto A Lição Democrática da Islândia

OLIGOPÓLIO PARA ESPOLIAÇÃO POPULAR

Há algo de cômico em ver adeptos do livre mercado e da concorrência procurando argumentos para defender uma banca de oligopólio especializada em espoliar os brasileiros com "spreads" capazes de deixar qualquer banco mundial corado de vergonha.

O mesmo foi feito pelos economistas laureados com Prêmio Nobel de Economia em 2010 quando publicaram a tese em defesa da privatização dos lucros e da socialização dos prejuízos como está sendo feito na Europa. Os ricos quebram os países e pobres trabalhadores são intimados a pagar a conta. Veja o texto Reforma Trabalhista - Caminhando para o Trabalho Escravo.

NO BRASIL OS BANCOS LUCRAM MAIS

Se os bancos brasileiros estão entre os que mais lucram no Universo, é porque nunca precisaram, de fato, viver em um sistema no qual o poder estatal impediria a extorsão institucionalizada à qual ainda estamos submetidos.

No mundo inteiro, o sistema bancário faz jus à frase do dramaturgo Bertolt Brecht: "O que é roubar um banco se você imaginar o que significa fundar um banco?".

Quis dizer: "ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão", diz o velho ditado popular.

A MÁFIA DOS BANQUEIROS E AS SUAS ESPECIALIDADES OPERACIONAIS

Nos últimos anos, vimos associações bancárias com comportamentos dignos da máfia, pois são especializadas em maquiar dados e balanços, criar fraudes, ajudar a evasão fiscal, operar em alto risco e passar a conta para a frente, além de corromper entes públicos.

Crimes cometidos ou intermediados pelas instituições do sistema financeiro brasileiro e mundial: Manipulação das Demonstrações Contábeis, Contabilidade Criativa - Contabilidade Fraudulenta, Evasão Cambial ou de Divisas, Sonegação Fiscal, Lavagem de Dinheiro em Paraísos Fiscais, Ocultação de Bens, Direitos e Valores - Blindagem Fiscal e Patrimonial, Fraudes Contábeis e Financeiras das Multinacionais, Corrupção por meio de Lobistas.

AUSTERIDADE SÓ PARA OS TRABALHADORES

Mas a maior astúcia do vício é travestir-se de virtude. Assim, o sistema financeiro criou a palavra "austeridade" a fim de designar o processo de assalto dos recursos públicos para pagamento de rombos bancários e "stock-options" de executivos criminosos, com a consequente descapitalização dos países mais frágeis.

Regra básica da dita austeridade: Os megalomaníacos detentores do poderio econômico podem continuar gastando de forma nababesca como gastavam os antigos senhores feudais mediante a espoliação de seus vassalos. Somente os trabalhadores devem pagar a conta.

O TRABALHADOR É SEMPRE O CULPADO

Se não tivemos algo da mesma intensidade no Brasil, vemos agora um processo semelhante do ponto de vista retórico. Assim, os "spreads" bancários seriam o resultado indigesto do risco alto de inadimplência, já que a população brasileira teria o hábito pouco salutar de não pagar suas dívidas e se deixar endividar além da conta.

Como mostraram em suas teses os três agraciados com o Prêmio Nobel de Economia em 2010, somente os trabalhadores são os culpados do descompasso nos Estados Unidos e na Europa porque gozam do "muito elevado" IDH - Índice de Desenvolvimento Humano. Para tais economistas ortodoxos (de extrema-direita) os trabalhadores devem ser tratados como meros escravos. Ou seja, devem perder todos os seus direitos socais (trabalhistas e previdenciários) e também devem perder os demais benefícios pagos pelos empregadores como, por exemplo, plano de saúde, vale refeição, vale transporte, cesta básica, entre outros. O pior é que os governantes europeus (falsos representantes do povo) acham que de fato é esse o caminho para a reversão dos problemas econômicos enfrentados pelos países chamados de desenvolvidos.

JUROS ALTOS: UM REMÉDIO AMARGO PARA O POVÃO

Neste sentido, os lucros bancários seriam (vejam só vocês) o remédio amargo, porém necessário, até que a população brasileira aprenda a viver com o que tem e assuma gastos de maneira responsável. O mais impressionante é encontrar pessoas que se acham capazes de nos fazer acreditar nessa piada de mau gosto.

De fato os economistas laureados com o Prêmio Nobel de 2010 têm essa mesma opinião.

IRRACIONAIS SÃO OS ESPOLIADORES DO POVO

A verdade é que quanto menos poder e margem de manobra o sistema financeiro tiver, melhor é a sociedade. Há sempre aqueles "consultores" que dirão: "É fácil falar mal dos bancos", apresentando o espantalho do populismo. A estas pessoas devemos dizer: "Sim, é fácil. Ainda mais quando não se está na folha de pagamento de um". Já sobre o "risco" do populismo, pobres são aqueles para os quais a defesa dos interesses econômicos da população sempre é sinal de irracionalidade.

Pelo contrário, irracionais são os espoliadores do povo.