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MITO OU VERDADE: CHINA SERÁ A MAIOR POTÊNCIA

MITO OU VERDADE: CHINA SERÁ A MAIOR POTÊNCIA

A CHINA JÁ É A TERCEIRA POTÊNCIA MUNDIAL EM PIB

São Paulo, 24/04/2009 (revisto em 15/08/2009)

Referências: Contabilidade de Custos, Exploração da mão-de-obra semi-escrava, Redução de Custos de Produção, Competitividade em preços com menor Qualidade dos Produtos, Maior Rentabilidade e Lucratividade. A Derrocada Financeira Norte-Americana, Risco Brasil x Risco USA. Alto Nível de Poluição Ambiental com Sérios Problemas Ambientais. Indústrias Altamente Poluidoras. Miséria e Baixo Salário Médio. A Competitividade dos Paraísos Fiscais Industriais. Estados Unidos como Emissor do Papel Moeda Mundial, Moeda-Padrão.


CHINA JÁ É A TERCEIRA POTÊNCIA EM PIB

Por Américo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19750

Grande parte das empresas norte-americanas e as demais dos países considerados desenvolvidos transferiram suas fábricas para a China para que pudessem reduzir seus custos de produção. E a redução desses custos está principalmente centrada no menor custo da mão-de-obra chinesa. Ou seja, o trabalhador chinês, em razão da ausência de legislação trabalhista e previdenciária e por aceitar trabalhar mais horas por menor salário, tornou-se vítima da semi-escravidão.

Assim, mediante o sacrifício de seu povo, a China tornou-se a maior credora dos Estados Unidos da América porque a maior parte de sua produção é exportada para consumo do povo estadunidense. Em virtude dessa produção aliada à exportação, tornou-se a terceira potência mundial em PIB - Produto Interno Bruto.

Por ser a maior credora dos ianques, a China é a principal financiadora do déficit orçamentário e do déficit do Balanço de Pagamentos dos norte-americanos, o qual também é provido por outros países credores como, por exemplo, o Brasil, o Japão, a Rússia, a Índia e ainda os países produtores de petróleo filiados à OPEP, entre outros.

Todos esses países credores possuem elevadas Reservas Monetárias em dólares em seus respectivos Balanços de Pagamentos. Não havendo onde investir essas Reservas, os países credores investem suas reservas em títulos públicos norte-americanos, emitidos com baixíssima taxa de juros.

O déficit interno norte-americano existe porque os impostos cobrados são insuficientes para pagamentos de suas necessidades orçamentárias. É gasto perto de um trilhão de dólares anuais somente com as guerras.

O déficit externo norte-americano existe porque, em razão dos altos salários do seu povo, a produção de bens de consumo foi transferida para o exterior, especialmente para a China.

Como os Estados Unidos não tem condições de competir em preços com os demais países, em razão do alto salário pago em seu território, suas exportações ficam reduzidas a poucos produtos de alta tecnologia. Por sua vez, os governantes norte-americanos interpõem restrições a essas exportações de produtos avançados para que os demais países não tenham condições de competir com eles.

Diante dessa crise financeira enfrentada pelos ianques somente lhes resta a diminuição dos salários de seu povo. Para esse fim, basta gerar artificialmente grande massa de desempregados e, depois de reativada a economia, contratá-los novamente com salário menor, tal como foi feito no Brasil. A criação de enorme índice de desempregados também gera o artificial enfraquecimento dos movimentos sindicais.

Sobre esses fatos, veja a seguir os textos obtidos na Internet.


MITO OU VERDADE: CHINA ESTÁ SE PREPARANDO PARA SER A NÚMERO UM DO MUNDO?

Com 5 mil anos de história, chineses interpretam o tempo de forma diferente e têm jeito único de fazer negócios

MSN - Dinheiro & InfoMoney em 17 abril 2009

Em 2007, o PIB (Produto Interno Bruto) chinês cresceu 13%, segundo revisão final da National Bureau of Statistics of China, agência do governo responsável pelas pesquisas em âmbito econômico. No ano passado, o país, já mostrando sinais dos efeitos da crise mundial, registrou um percentual menor, de 9%. Era a primeira vez, desde o fim dos anos 70, que a evolução do indicador ficava abaixo da média de 9,7%.

Desde que iniciou as reformas e o processo de abertura de mercado, a China tem atingido "sucesso", define o próprio Banco Mundial. Milhões de pessoas deixaram a linha da miséria e o país asiático, sozinho, foi responsável por mais de 75% da redução da pobreza entre os países em desenvolvimento, nos últimos 30 anos.

NOTA DO COSIFE: Observe que a palavra “sucesso” foi colocada entre aspas pelo articulista porque o dito sucesso é relativo. O sucesso financeiro é real, mas, o sucesso social está longe de ser atingido. A China tem mais de um bilhão de miseráveis, por isso o consumo interno é muito baixo e o sucesso financeiro só aconteceu mediante as exportações das regiões consideradas como paraísos fiscais, onde não são cobrados tributos das multinacionais e a livre exploração da mão-de-obra não está sujeita a legislação trabalhista semelhante à brasileira. Por outro lado, podemos notar que grande parte das empresas instaladas na China foi expulsa de outros países porque eram altamente poluidoras. Essa poluição foi perfeitamente observada pelos atletas olímpicos que foram a Pequim (Beijing) em 2008.

Segundo o site Chinability, que reúne estatísticas sobre a nação, foi entre 1983 e 1985, quando os primeiros investimentos estrangeiros foram feitos na China, que o crescimento do PIB passou a ter dois dígitos de forma relativamente estável, embora em 1989 e 1990 tenha registrado uma desaceleração significativa.

O mito e os fatos

Mais recentemente, a expansão econômica, de tão assustadora, suscitou especulações e teses de que a China será, no futuro, a potência mundial, em substituição aos Estados Unidos. O economista e professor de MBA Executivo da BBS (Brazilian Business School), Ricardo Della Santina Torres, é um dos que apostam nessa mudança.

"A aspiração dos chineses procede [em relação à liderança mundial], e eles possuem as condições econômicas, no que se refere à força de trabalho e à dimensão territorial, para estarem no topo. Graças ao crescimento vertiginoso dos últimos dez anos, a China passou de décima economia do mundo para a terceira. Foi um salto quântico, inclusive em termos de importância para os demais países", explica ele.

NOTA DO COSIFE: Considerando-se que a China tem um bilhão e trezentos milhões de habitantes (quase 7 vezes a população brasileira), quando o povo chinês tiver o salário médio igual ao do trabalhador brasileiro (que é considerado muito baixo), já será a maior potência mundial em PIB.

Um império em queda?

Torres defende seu ponto de vista com um argumento principal: a história do mundo é feita de ciclos. Até a Segunda Guerra Mundial, a moeda de reserva era a libra esterlina. Em 1947, no pós-guerra, os Estados Unidos anunciaram o Plano Marshall, para reconstruir os países aliados europeus que estavam devastados. O apoio se deu até 1952 e seu valor superou US$ 10 bilhões. Para muitos economistas, o plano de recuperação da Europa foi responsável por colocar os americanos no topo do mundo.

"Agora, com a crise [risco sistêmico proveniente de falências encadeadas], podemos observar mudanças. Por exemplo, na reunião do G-20, um tema debatido foi a substituição do dólar como moeda de troca global por uma cesta de moedas, que seria composta por, entre outras, Euro [moeda dos países europeus], Yuan [moeda chinesa], libra esterlina [moeda inglesa] e até o real [moeda brasileira]... Até 15 anos atrás, as pessoas achavam que o dólar era seguro e não imprimia risco. Mas a crise deixou claro que o dólar envolve muito risco".

NOTA DO COSIFE: Veja o texto intitulado Risco Brasil Versus Risco USA.

Na opinião do professor da BBS, a diferença entre a atual crise e as anteriores é que, apesar de terem tido um grande alcance, estas últimas nunca abalaram tanto as grandes potências. Desta vez, os emergentes se comportaram melhor. E mais: a estrutura monetária foi posta em xeque. Daí a crença de que, talvez, os Estados Unidos não saiam da crise do mesmo tamanho que antes. "Os governos estão tentando viabilizar uma maneira mais clara e transparente de conduzir as operações financeiras", afirma.

NOTA DO COSIFE: Vertiginosa queda no montante do PIB norte-americano poderá ocorrer se for muito grande o índice de desemprego, o qual redundará na diminuição do salário médio dos ianques. O peso dos salários no PIB estadunidense chega a 50% deste, enquanto que no Brasil não alcança 30%. Na China o peso dos salários no PIB é bem inferior ao do Brasil.

O economista enfatiza o trabalho do filósofo e historiador Will Durant, que, em 1955, previu que a China seria a primeira potência do mundo em 2020, ultrapassando assim o poderio econômico americano. Mas ele é até mais otimista. Aposta que isso pode acontecer em 2014 ou 2015.

Na sombra dos americanos

Já o ex-diplomata e membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional, da USP (Universidade de São Paulo), Amaury Porto de Oliveira, afirma que a China não tomará o lugar dos Estados Unidos. "Se os projetos em curso tiverem sucesso, forem levados adiante, se a infraestrutura do país for modernizada, e se o governo conseguir levar desenvolvimento à região oeste da nação, então, em 2020, a China terá uma economia coerente", defende.

Para ele, hoje a China é um país com dimensões continentais, e uma população enorme, mas sem coerência alguma. "Em relação à costa leste, que é desenvolvida, o oeste é super atrasado". Ao lembrar que o governo chinês está tentando investir mais em transporte e telecomunicações, Oliveira diz que a reestruturação do país lembra o que os EUA fizeram no século 19, com a "Marcha para o Oeste". "O desenvolvimento da região oeste foi a base do progresso americano ao longo do século 20", avalia.

Então, de acordo com o especialista em China, se, dentro dos próximos quatro anos, os chineses obtiverem sucesso com essa segunda "marcha para o oeste", é provável que, daqui a 10 ou 20 anos, o país tenha uma economia condizente com sua extensão territorial e população. "Será um mercado nacional finalmente coeso", explica. Mas longe da primeira colocação.

NOTA DO COSIFE: A China só alcançará a primeira colocação se houver o aumento do salário médio de sua população. Se isso ocorrer, ou seja, se o trabalhador chinês tiver salário médio igual ao dos brasileiros, a China perderá parte da sua atual competitividade em preços com os demais países.

Grandes aliados

Hoje, do ponto de vista do ex-diplomata, EUA e China estão fadados a caminhar de mãos dadas, principalmente agora, com a crise. Os chineses dependem da atual potência mundial, por conta das exportações. Já os americanos precisam da China pelo fato de ela ser a principal financiadora do déficit público norte-americano. Do contrário, de onde viriam os recursos que estão sendo alocados para os bancos americanos nos planos de resgate?

NOTA DO COSIFE: Além do financiamento do seu déficit interno e externo, os Estados Unidos ainda dependem da mão-de-obra semi-escrava chinesa para que seu povo possa consumir a preços baixos. Se aumentar vertiginosamente o salário médio dos chineses, os ianques podem enfrentar elevados índices de inflação.

"Quando Hillary Clinton (atual secretária de Estado dos EUA) foi a Pequim, disse justamente que China e EUA estavam no mesmo barco, e que, portanto, tinham de remar juntos, para não afundar".

História programada?

Oliveira não duvida, entretanto, da capacidade de planejamento dos chineses. "Estamos falando de uma civilização rica, berço de uma cultura milenar, que não surgiu ontem. São 5 mil anos de experiência. E essa experiência acumulada faz a diferença".

Para Ricardo Torres, os chineses interpretam o tempo de uma forma diferente do resto do mundo. Além disso, eles não acatam as teorias econômicas externas, tendo a própria maneira de conduzir os negócios. "Foi na China que nasceu o papel-moeda", lembra.

Em sua opinião, a relação de interdependência com os americanos não se confronta com a ascensão do país. O economista afirma ainda que apesar de atualmente a China ser detentora da maior reserva de dólares do mundo, com US$ 2 trilhões, ela está, aos poucos, realizando a transição para euros. "Mas poucas pessoas estão falando disso".

A crise e a China

Dados divulgados recentemente revelaram que a economia chinesa registrou seu menor crescimento em 17 anos, no primeiro trimestre deste ano, com uma expansão do PIB de 6,2%.

O governo chinês já anunciou diversas medidas para conter os efeitos da crise financeira internacional [provocada pelos Estados Unidos da América]. As autoridades destinaram 4 trilhões de iuanes (cerca de US$ 585 bilhões) para facilitar a capacidade de concessão de empréstimos por parte de instituições bancárias e elevar a demanda doméstica.

NOTA DO COSIFE: O aumento do consumo interno na china pode acarretar o aumento do salário médio.

Em 12 de abril [de 2009], o banco central da China anunciou também que aumentará seu apoio ao setor agrícola e às pequenas e médias empresas com dificuldades financeiras. Os créditos concedidos nos primeiros três meses de 2009 se situaram em 4,58 bilhões de iuanes (US$ 670 bilhões), segundo cifras divulgadas pela autoridade monetária.

Há quem aposte que o país asiático será o primeiro a sair da crise, dada a força de sua economia. É o caso do Danske Bank, cujos analistas afirmaram, em relatório divulgado no início de fevereiro, que "a China poderá ser uma das primeiras economias a se recuperar da recessão vigente", citando a tendência declinante dos estoques, tanto das matérias-primas quanto dos produtos finais, como um dos pilares sustentadores da tese de que a retomada teria começado.

Uma coisa é certa: o fato de, ao término da cúpula do Grupo dos 20, no início de abril [de 2009], o mundo terá voltado suas atenções a uma possível solução no âmbito do G-2 [China e Estados Unidos] já não deixa dúvidas do peso da economia chinesa.


NEM CRISE POLÍTICA, NEM FINANCEIRA! RISCO DA CHINA É COLAPSO AMBIENTAL

Por: Equipe InfoMoney - Site InfoMoney - 15/06/2007

Com o crescimento considerável da economia chinesa nos últimos tempos e a importância do país para a saúde dos mercados globais, os investidores passaram a especular sobre o motivo que poderia causar o fim do crescimento extraordinário da China. Os analistas do Citigroup divulgaram sua aposta nesta sexta-feira (15/06/2007).

O consenso do mercado aponta diretamente para questões como uma crise política ou um estouro de uma eventual bolha financeira do país. O Citi considera eventos desta magnitude como passíveis de manobras de reestruturação, classificando-os como de reflexo temporário.

NOTA DO COSIFE: Torna-se importante acrescentar que em 2009 o Citibank necessitou de alguns bilhões de dólares de empréstimos do governo norte-americano, obviamente financiado pelos chineses, para se manter fora do regime falimentar causado pelo risco sistêmico (falências encadeadas) sofrido pelos ianques.

Meio-ambiente: a grande ameaça!

O fator que pode provocar danos irreversíveis na visão divulgada é atribuído aos impactos ambientais das operações pela China. O primeiro reflexo sentido no caso de um eventual colapso ambiental seria o rápido crescimento dos custos produtivos; tanto para indústrias de manufatura como para produções agrícolas. O crescimento nestes custos contribuiria significativamente para um aumento da inflação em nível global.

NOTA DO COSIFE: Durante a Olimpíada de 2008 foi facilmente observado o altíssimo índice de poluição atmosférica na região em que eram realizados os jogos, fato bastante comentando pelos esportistas brasileiros. O custo do saneamento ambiental e o gerado pelo aumento do salário médio dos chineses podem acarretar grande surto inflacionário principalmente nos Estados Unidos, que não tem condições de substituir tais importações enquanto o salário médio no mundo for inferior ao de seu povo. Por isso, os Estados Unidos precisa urgentemente reduzir o salário médio pago em seu território.

O governo do país [da China] estimou que o custo ambiental representou no mínimo 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto) chinês de 2004. Na projeção para este ano [2007], o custo ambiental acumulado no período de reforma deve compor ao menos um terço do PIB esperado para o final de 2007.

China já enfrenta conseqüências

O meio-ambiente chinês já demonstra os efeitos da deterioração, com o escurecimento do céu, conseqüências na qualidade das águas, constante aridez climática no norte do país e inundações nas regiões ao sul; além da degradação dos solos para plantio.

O governo do país reconhece o desafio que tem pela frente, com debates constantes a respeito de temas como o crescimento sustentável. O problema continua sendo de implementação; se não se pode controlá-lo antes de tomar grandes proporções, terão de enfrentar a cada dia um reflexo negativo ainda maior.

NOTA DO COSIFE: O alto índice de poluição na China se deve especialmente à instalação indiscriminada de empresas altamente poluidora que não são aceitas em outros países. Algumas delas foram expulsas do Brasil.