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A RACIONALIZAÇÃO NA INDÚSTRIA

A RACIONALIZAÇÃO NA INDÚSTRIA

A REDUÇÃO DE CUSTOS COM A MAIOR PRODUTIVIDADE É GASTA COM MORDOMIAS

São Paulo, 30 de outubro de 2003 (Revisado em 16-09-2016)

Referências: Formação de Cartéis, Falta de Nacionalismo e Patriotismo, Os Inescrupulosos Empresários de Grande Porte são os Maiores Sonegadores de Tributos. Preconceito e Segregação Social.

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

A REDUÇÃO DE CUSTOS COM A MAIOR PRODUTIVIDADE É GASTA COM MORDOMIAS

Os grandes chavões do mundo industrializado atual (em 2003) são a produtividade e a qualidade. A qualidade tem deixado a desejar, mas produtividade tem reduzido preços e vem maximizando lucros.

Enquanto isso ocorre, as máquinas, grandes impulsionadoras da produtividade, têm reduzido os empregos e os salários, mesmo nos países em que a mão-de-obra é excessivamente barata como no Brasil.

Segundo notícia veiculada pelo Jornal da RedeTV, o Banco Interamericano de Desenvolvimento concluiu que o Brasil foi o campeão do desemprego na década de 1990 e somente durante os oito anos do governo FHC foram perdidos 20 milhões de postos de trabalho.

Diante da conjuntura econômica e social reinante naquela época, foi possível perceber que as grandes indústrias estavam preocupadas em somente reduzir seus custos com a mão-de-obra humana, mediante a introdução de novos métodos mecanizados de fabricação, que passaram a produzir mais com menor custo e gerando muito desemprego. Por sua vez, o resultado da redução dos custos operacionais com a demissão de trabalhadores com baixa qualificação técnica passou a ser gasto com mordomias para os executivos apadrinhados pelos controladores das empresas.

Os industriais pareciam somente interessados em vender quinquilharias de má qualidade do que produzir bens duradouros. Afinal, a revolução tecnológica tem feito com que esses produtos (ditos avançados) fiquem rapidamente obsoletos.

Esta talvez seja uma tática para acabar com as pequenas empresas que se dedicam às assistências técnicas que durante anos substituíam peças dos produtos defeituosos, tornando-os novamente utilizáveis por outros longos anos.

No setor automobilístico ainda existem as indústrias alternativas de peças, mas no ramo da eletrônica não. Tudo vira sucata imprestável rumo a um lixão. O maior problema enfrentado pelos ambientalistas está justamente no descarte dos produtos eletrônicos de pouca duração.

Do outro lado, os grandes empresários dizem que é preciso que os preços sejam baixos para que a reposição de bens de consumo predomine sobre os que necessitem de conserto. O custo da mão de obra a ser paga pelo conserto, torna-se maior ou igual  que o produto novo. É preciso produzir coisas de preço baixo  porque em grande parte dos países o poder aquisitivo popular também é baixo e somente uma minúscula parcela da população tem capacidade financeira de consumir produtos de alto preço com verdadeira tecnologia avançada.

Mas, ainda existe um novo problema para os ambientalistas: não há espaço em lixões para armazenar tanto material obsoleto.

Sendo assim:

Somente a contabilidade de custos pode explicar isso.

Mas existem dois grandes atrativos para tirar as indústrias dos grandes centros consumidores. São eles a isenção ou redução de tributos e a mão-de-obra barata, quase escrava.

Porém, inegavelmente o principal desses motivos é a paranóia pelo não pagamento de impostos a qualquer custo, mesmo que isso custe mais caro, quando a fraude é descoberta pela autoridade fiscalizadora. É como um sujeito que prefere pagar barato e comer mal, quando poderia pagar um pouco mais, comer bem e, assim, evitar doenças e a sua própria morte prematura.

Paranóia é uma psicopati. Caracteriza-se pelo aparecimento de ambições e de suspeitas que se acentuam, evoluindo para delírios persecutórios e de grandeza estruturados sobre bases lógicas.

Essa linda definição foi tirada do Dicionário Aurélio. Mas, a realidade é essa mesmo.

Os grandes empresários têm sido vítimas de verdadeira paranóia pelo não pagamento de tributos, haja vista a grande proliferação dos paraísos fiscais pelo mundo afora. Sem os impostos, a governabilidade vai sucumbir e a anarquia vai prosperar. Fatalmente voltaremos à antiguidade quando os mais fortes exploravam os mais fracos pela força militar ou paramilitar como aquela tão comum no período em que era explorada a escravidão. Nessa época no Brasil existia o coronelismo e, bem antes dos descobrimentos marítimos, na Europa existia o feudalismo, ainda existente em monarquias, condados, grão-ducados, principados, emirados, sultanatos, entre outros tipos de regimes totalitários como as ditaduras impostas a muitos países pelos norte-americanos e pelos seus aliados do Primeiro Mundo.

A realidade nos mostra que tem muita coisa errada, como por exemplo:

Por que as plataformas de petróleo da Petrobrás iam ser produzidas em Cingapura?

É sabido que o maior centro de consumo desses equipamentos de extração de petróleo e a melhor tecnologia estão no Brasil, no Mar do Norte, no Golfo do México, na Venezuela e no Mar Vermelho e, sendo assim, não há razão para construí-las noutro local tão distante. Só o frete necessário ao transporte dessas plataformas já seria imenso, fora os demais custos operacionais.

Sendo as plataformas das Petrobrás e as do Mar do Norte as que mais necessitam de tecnologia avançada, por que elas seriam produzidas tão longe?

O mais lógico seria construí-las no Brasil, onde as condições climáticas são mais favoráveis à produção, os salários são bem mais baixos e as indústrias ficariam próximas das regiões consumidoras e das produtoras dos principais insumos e dos engenheiros e cientistas que as projetaram.

A resposta para essa questão é fácil de prever. Cingapura é um paraíso fiscal. A mudança do local de fabricação faz parte da paranóia dos citados sonegadores de tributos, especialmente dos corruptos de plantão.

Outra questão: Sendo a Rússia, o Brasil e a Austrália os maiores produtores de minério de ferro e que possuem as maiores reservas do minério nessa ordem, por que as principais usinas siderúrgicas não estão instaladas nesses três países? Por que o Japão, não possuindo ferro nem carvão, possui tantas usinas siderúrgicas e está entre os maiores produtores de aço?

E o mesmo acontece com a Inglaterra, com os Estados Unidos e com outros países grandes produtores do aço. O custo da mão-de-obra japonesa, inglesa e norte-americana é pelo menos dez vezes maior do que na Rússia e no Brasil.

Deve sair mais barato trazer carvão da Inglaterra ou da Polônia para o Brasil do que transportar minério de ferro do Brasil para a Europa, sendo que em razão da mão-de-obra mais barata os perfilados de aço têm custo mais baixo aqui, mesmo que se considere como salários os encargos trabalhistas e previdenciários e o frete de ida aos grandes centros consumidores.

Outras questões interessantes:

Preconceito, Nacionalismo ou Máfia? Talvez os três juntos. Vejamos o que diz o “Aurélio”.

NACIONALISMO é a exaltação do sentimento nacional; preferência marcante por tudo quanto é próprio da nação à qual se pertence; nacionalismo é patriotismo. É ainda a doutrina que subordina toda a política interna de um país ao desenvolvimento do poderio nacional; é a doutrina política que reivindica para um povo o direito de formar uma nação politicamente organizada (especialmente num Estado soberano); é a política de nacionalização de todas as atividades de um país - indústria, comércio, serviços, artes, esportes, entre outros; e é a tendência ou o processo histórico da época moderna, pelo qual os diversos povos ou nações têm formado unidades políticas ou Estados independentes.

PRECONCEITO é a idéia preconcebida, o julgamento ou a opinião formada sem se levar em conta os fatos que os possa contestar. Preconceito é a intolerância, o ódio irracional ou a aversão a outras raças, credos, religiões, entre outras coisas.

MÁFIA é uma sociedade secreta que foi acusada de participação em numerosos crimes, com a utilização da chantagem, de ameaças físicas e de suborno de autoridades. Máfia é um grupo criminoso bem organizado.

Miremo-nos no exemplo da Europa, que se une econômica e monetariamente como forma de competir com países com dimensões continentais e com imensas riquezas naturais. A América do sul pode se transformar numa região tão próspera como os Estados Unidos, como os principais países da Europa ou como o Japão porque possui os minerais estratégicos que eles não possuem, além de grandes áreas cultiváveis.

O que nos falta talvez seja o NACIONALISMO e a racionalização de nossos planos de desenvolvimento, que devem ser estruturados pelo poder público para melhor aproveitamento de nossas potencialidades, sem deixá-los a mercê de interesses estranhos à nação, mesmo quando em mão de brasileiros.