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A SEGREGAÇÃO SOCIAL DOS MENOS FAVORECIDOS

A ELITE É CONTRA O ROLEZINHO DOS SUBURBANOS

MANDELA LUTOU PELO FIM DO APARTHEID, MAS ELE CONTINUA

São Paulo, 15/01/2014 (Revisado em 10-07-2018)

Referências: Segregação Social, Preconceito e Discriminação, Escravidão e Semiescravidão dos guetos, favelas e comunidades da periferia das Metrópoles, a Ação da Extrema-Direita Oposicionista aos Governos Populares, Socialismo Participativo versus Capitalismo Excludente.

A SEGREGAÇÃO SOCIAL DOS MENOS FAVORECIDOS

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFe

Mesmo na África do Sul, apesar de décadas de luta ideológica para tirar os pobres da miserabilidade imposta pelos ricos, o Apartheid ainda se faz presente, assim como no mundo inteiro.

Na contramão do que tentou fazer o saudoso MANDELA, no Brasil estamos chegando ao Ápice da Segregação Social: A elite brasileira é contra o rolezinho dos suburbanos moradores da periferia ou dos guetos ou comunidades, antes conhecidas como favelas porque eram totalmente desorganizadas ou desestruturadas.

UM LUGAR SÓ PARA POBRES E OUTRO SÓ PARA RICOS

Em texto antigo sobre o preconceito e a discriminação (segregação social) comentou-se que a construção do "Piscinão de Ramos", na cidade do Rio de Janeiro, aconteceu justamente para que os suburbanos não invadissem as praias frequentadas pela elite Carioca.

Pelo visto, na cidade de São Paulo vão urgentemente construir áreas de lazer nos bairros periféricos, com muitos quiosques para abrigar os camelôs ao seu redor. Seria um grande esforço para evitar que a mocidade da periferia passe a invadir os luxuosos centros comerciais frequentados pela elite paulistana.

O mesmo tipo de discriminação acontece em vários outros setores, inclusive na saúde e na educação.

Na saúde, por exemplo, ficou patente que os médicos elitistas desprezam os seres menos favorecidos e por isso estão lutando para que o governo não consiga médicos para o melhor atendimento à população da periferia das metrópoles e das cidades longínquas.

Embora, os ricos não queiram deixar os pobres frequentarem os seus guetos de máxima prosperidade, do outro lado, lá na periferia ou nos subúrbios, os menos favorecidos sempre recebem com galhardia os políticos da extrema-direita que acintosamente representam os economicamente poderosos e até votam neles. Nesses mesmos redutos de empobrecidos vítimas dos detentores do poderio econômico, os filhos destes (os riquinhos) também são muitos bem recebidos, especialmente quando vão visitar os pontos de vendas controlados pelos narcotraficantes.

PRISIONEIROS DE SI MESMOS

Devido a essa sempre alimentada segregação social, atualmente a elite intelectual e econômica brasileira e ainda a classe média alta estão prisioneiras de si mesmas.

Como foi explicado no texto em que se compara o Socialismo Participativo versus Capitalismo Excludente, aproveitando o dito em uma entrevista pelo presidente uruguaio, o socialista Pepe Mujica, os ricos e emergentes, não somente lá no Uruguai como aqui no Brasil, estão cada vez mais aprisionados em suas mansões e em condomínios fechados, tal como acontecia na Idade Média em que predominava o Regime Feudal, semelhante ao coronelismo implantado no Brasil durante o Império.

O pior é que a classe média remediada também está ficando aprisionada em seus lares, tal como ficam os ricos e emergentes quando são condenados pelos seus crimes.

O mesmo aconteceu na África do Sul. Diante perseguição aos pretos, os brancos não mais podiam sair nas ruas. Isto também acontecia na Idade Média quando os nobres (ricos), para se deslocarem de uma cidade para outra, eram obrigados a levar suas "escoltas armadas" (exércitos paramilitares), assim como já se verifica nas rodovias brasileiras para proteger o transporte de cargas valiosas.

Observe que os bandidos menos favorecidos roubam cargas transportadas por rodovias, roubam bancos e seus caixas eletrônicos, vendem drogas especialmente para os ricos e emergentes, nas manifestações públicas depredam os bens que são ou eram de ricaços, como o prédio que abriga o prefeito de São Paulo. Assim desafiam e agridem as unidades policiais civis e militares que foram destacadas pelo governo estadual ou municipal para proteger apenas as classes sociais superiores.

Protegidos por essas forças policias e pelo poder judiciário (mais precisamente pelas leis vigentes, cumprida à risca pelos juízes), os bandidos de alta estirpe fraudam em licitações públicas, desviam dinheiro do orçamento público (federal, estadual e municipal) para suas ONG - Organizações não Governamentais de fachada (que verdadeiramente não existem, ou melhor, que nada fazem pelo Povo), servem apenas para desviar o dinheiro público para os bolsos dos bandidos mais favorecidos pela legislação vigente. Os menos favorecidos são mais rapidamente julgados e presos com o máximo rigor do STF - Supremo Tribunal Federal.

Progressivamente, a cada dia que passa, mais dinheiro é despendido com cuidados para garantir a segurança das classes sociais mais abastadas. Muitos já compraram helicópteros para ir de suas residências aos seus locais de trabalho, inclusive prefeitos e governadores, que eleitos pelo Povo sem fraude no escrutínio porque as urnas são eletrônicos, mesmo assim visivelmente não têm o apoio da maioria da população. Por sua vez, os bandidos, sempre mais bem aramados pela indústria bélica, já derrubaram helicópteros militares. Logo, logo, estarão derrubando os helicópteros privados.

Afinal, para vender armas para os governos e para os ricos, primeiramente a indústria bélica é obrigada a dar armas (amostras grátis) para os bandidos dos guetos empobrecidos pelo empresariado e para os grupos de oposição aos governos direitistas ou esquerdistas. De idêntico modo os norte-americanos deram armas para o Iraque guerrear contra o Irã que tinha armas russas. Findo o duelo de titãs, o Iraque perdeu a guerra e por isso Sadan Russein foi crucificado pelos ianques.

Diante desse aprisionamento dos ricos brasileiros em seus redutos de máxima riqueza e segurança privada apoiada pelas forças governamentais estaduais e municipais, eles brevemente serão obrigados a fazer o que fizeram os mais ricos sul-africanos, em sua maioria descendentes de holandeses, misturados com franceses e alemãs. Para não serem expulsos, os brancos permitiram que os representantes dos pretos, digo, dos pobres passassem a governar aquele País.

No Brasil a coisa segue por semelhante caminho.

Em princípio as manifestações em 2013 surgiram em razão do alto custo de vida impingido principalmente às classes sociais menos favorecidas. É fácil notar que a cesta básica consumida pelos mais pobres sempre tem reajustes bem superiores a infração média apurada pelos gestores de nossa política econômica. Assim sendo, fica fácil perceber que a inflação enfrentada pelos mais ricos é bem inferior à média adotada como oficial.

Na verdade a inflação é provocada artificialmente pelos mais influentes investidores em títulos públicos, que também são os principais controladores das grandes empresas. Desse modo, os Lobistas do Grande Capital passam a dizer que a taxa de juros deve ser aumentada, sob o pretesto de combater a inflação, mas obviamente para favorecer os causadores dessa mesma inflação. Então, entra em cena o COPOM - Comitê de Política Monetária satisfazendo as exigências dos grandes investidores e dos banqueiros.

Ao aumentar o Gasto Público com o pagamento de juros, em mesmo valor o governo federal passa a reduzir seus gastos em saúde e educação ou diminui o dinheiro que seria gasto para combater os mais ricos sonegadores de tributos. Ou seja, para pagar os juros exigidos pelos detentores do poderio econômico, o governo federal diminui os gastos públicos com a "máquina estatal" necessária para combater os indivíduos e as empresas causadores de todos os males impingidos aos menos favorecidos.

Ao tentarem invadir o Congresso Nacional, em meados de 2013, os manifestantes estavam tentando atacar aqueles políticos de oposição ao governo que fazem o possível e até o impossível para emperrar a PAUTA de discussões importantes que há anos estão pendentes de aprovação. Pelo contrário, eles sempre aprovam rapidamente coisas muitas vezes supérfluas, obviamente de seus respectivos interesses particulares.

Torna-se importante relembrar que logo a seguir o Congresso Nacional votou a aprovou diversas projetos de leis remetidos pelo Governo Central que estavam parados há anos, inclusive o Congresso Nacional votou diversas Propostas de Emenda Constitucional (PEC).

Desse modo iam bem as manifestações regionais, sempre contra a classe politica, contra a corrupção, logicamente em razão do destaque que os meios de comunicação deram ao Mensalão do PT, para que fosse engavetado o Mensalão do DEM em Brasília e o do PSDB em Goiás e Minas Gerais. Assim, a mídia desviou a ira popular apenas contra corrupção no governo federal. Somente depois de terminadas as manifestações surgiram as acusações sobre o Mensalão do PSDB em São Paulo, denunciadas pelos dirigentes da Siemens, o que também foi abafado pela Mídia.

Prestando a atenção em cenas mostradas pela televisão, os manifestantes de meados de 2013 perceberem que os mais ricos brasileiros estabelecidos na região da Avenida Paulista, em São Paulo, estavam se apossando das manifestações para fazerem campanha contra o governo federal.

Então, imediatamente os organizadores (esquerdistas) deixaram claro que não queriam atingir somente o governo federal, mas sim os políticos do Congresso Nacional e os governantes estaduais e municipais de extrema-direita, os verdadeiros causadores do caos social em que vivemos decorridas muitas décadas desde a proclamação da república.

O problema a ser enfrentado é que muitos desses pobres, tanto no Brasil como no exterior, se deixam subornar pelos Lobistas do Grande Capital, inclusive na hora de votar. Por isso, muitos dizem: Queremos os Ricos no Governo porque eles já são ricos e assim não precisam roubar.

Porém, podemos afirmar sem medo de errar que os ricos são os que mais roubam, não somente no Brasil como no mundo inteiro.

SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA A SEREM INVESTIGADOS

Para demonstrar o elevado grau de SEGREGAÇÃO SOCIAL existente principalmente na capital do Estado de São Paulo, surgiu o ROLEZINHO.

Atualmente no Brasil os ricos ficam cada vez mais aglomerados em seus diminutos espaços, tal como aconteceu com os brancos na África do Sul.

E os bandidos da mais alta estirpe também se encondem nesses mesmos condomínios em que se concentram as riquezas legais e em maior número as ilegais.

Na Idade Média os nobres, agora representados pela nossa oligarquia, abrigavam-se nos castelos com seus exércitos paramilitares. Agora todos eles ficam abrigados em condomínios fechados.

A LEGISLAÇÃO PENAL É FRACA

Então, os que podem pagar para aparecer, compram espaços nas telinhas das emissoras de televisão para pedir que as leis sejam mais rígidas na punição aos malfeitores. Porém, os riquinhos já têm seus exércitos particulares e tal como os narcotraficantes e as milícias, não precisam de leis, ou melhor, desprezam as leis existentes. Eles têm suas próprias leis e até já aplicam a pena de morte, especialmente contra os menos favorecidos que guindaram para a criminalidade por falta de oportunidades de trabalho.

Sobre esse tema (falta de oportunidades de trabalho), veja o texto denominado A Geração Perdida, escrito em 15/05/2003, meses depois da posse de Lula como Presidente da República.

Por sua vez, a polícia prende e os juízes soltam. Por quê?

Os juízes alegam que as leis aí estão para serem cumpridas.

Por sua vez, os riquinhos na televisão dizem que elas precisam ser alteradas. Precisam ser mais fortes, mais contundentes. Querem a pena de morte somente para os pobres.

Por que a LEGISLAÇÃO não é alterada?

Porque em tese a Lei não é simplesmente alterada. Quase sempre é sancionada outra Lei mais recente que revoga a anterior sobre o mesmo tema ou sob idêntica ementa. Mas, as leis podem sofrer inclusões ou exclusões parciais em seu texto.

Entretanto, o que se queria dizer não é exatamente o descrito no parágrafo anterior. O que se pretende destacar é que grande parte das leis vigentes foram votadas por bandidos, que em maioria nas casas legislativas votaram as leis que os bandidos financiadores de suas campanhas políticas queriam que fossem aprovadas. Assim sendo, os lobistas corruptores, seus patrões e os fraudadores em licitações públicas nunca são presos.

Dizem que no Brasil só vão presos os PPPP ou 4P: Pobres, Pretos, Prostitutas e Petistas.

Em suma, o tiro saiu pela culatra. Por quê?

Porque a fraca legislação vigente foi aprovada por políticos da extrema-direita que defendem os interesses mesquinhos dos endinheirados justamente para que os todos-poderosos bandidos não corressem o risco de ir para a cadeia.

Então, como todos os direitos são iguais perante a Lei, obviamente os bandidos de baixa estirpe se aproveitam da legislação vigente em prol da impunidade dos bandidos bem aquinhoados.

A CULPA É DOS NEOLIBERAIS

As principais mudanças observadas no mundo a partir da década de 1970 aconteceram com base nas teorias neoliberais da globalização e da consequente autorregulação dos mercados pelas classes empresariais dominantes.

Essa autorregulação pode ser chamada de ANOMIA, substantivo feminino que significa a ausência de leis, de normas ou de regras de organização. Assim, esse poder de autorregulação foi concedido aos detentores do poderio econômico, que também passaram a administrar os bens públicos mediante concessão, terceirização ou privatização.

O grande problema é que os bandidos que se instalaram na periferia das metrópoles também estão fazendo sua própria autorregulação. Por isso os aquinhoados neoliberais estão clamando por legislação mais rígida principalmente contra aqueles menos favorecidos seguidores do neoliberalismo.

Em complementação à citada definição, em Sociologia, ANOMIA é a situação em que há ausência ou enfraquecimento das normas que garantem a coesão social. Portanto, nem todos os direitos são iguais.

No Wikipédia há definição cientificamente diferente, que pode ser bem mais abrangente do que a encontrada no Dicionário Aurélio. Vejamos:

A anomia é um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno. A partir do surgimento do Capitalismo, e da tomada da Razão, como forma de explicar o mundo, há um brusco rompimento com valores tradicionais, fortemente ligados à concepção religiosa.

A Modernidade, com seus intensos processos de mudança, não fornece novos valores que preencham os anteriores demolidos, ocasionando uma espécie de vazio de significado no cotidiano de muitos indivíduos. Há um sentimento de se "estar à deriva", participando inconscientemente dos processos coletivos ou sociais: perda quase total da atuação consciente e da identidade.

Este termo, [ANOMIA], foi cunhado por Émile Durkheim em seu livro O Suicídio. Durkheim emprega este termo para mostrar que algo na sociedade não funciona de forma harmônica. Algo desse corpo está funcionando de forma patológica [doentia] ou "anomicamente" [completamente desgovernada]. Em seu famoso estudo sobre o suicídio, Durkheim mostra que os fatores sociais - especialmente da sociedade moderna - exercem profunda influência sobre a vida dos indivíduos com comportamento suicida.

Segundo Robert King Merton, anomia significa uma incapacidade de atingir os fins culturais. Para ele, ocorre quando o insucesso em atingir metas culturais, devido à insuficiência dos meios institucionalizados, gera conduta desviante. O seu pensamento popularizou-se em 1949 graças ao seu livro: Estrutura Social e Anomia.

A teoria da anomia de Merton explica por que os membros das classes menos favorecidas cometem a maioria das infrações penais, e crimes de motivação política (terrorismos, saques, ocupações) que decorrem de uma conduta de rebeliões, bem como comportamentos de evasão como o alcoolismo e a toxicodependência.

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