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O PODER DA OPINIÃO PÚBLICA

O PODER DA OPINIÃO PÚBLICA

A CREDIBILIDADE DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO - OS ANARQUISTAS  MERCENÁRIOS DA MÍDIA

São Paulo, 3 de outubro de 2002 (Revisado em 27-10-2014)

Referências: Eleição Presidencial de 2002

O PODER DA OPINIÃO PÚBLICA

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

As eleições do ano 2002 mostraram claramente como pode ser grande o poder da opinião pública sobre os meios de comunicação, vulgarmente conhecidos como “mídia”. E os principais alvos da opinião pública foram inegavelmente a televisão e os políticos.

Note-se que na eleição presidencial de 1989 a TV Globo apoiou abertamente o presidente eleito Collor de Melo, atacando direta ou indiretamente o candidato Lula sob todos os ângulos.

O principal argumento baseava-se na falta de instrução do torneiro mecânico sindicalista (ex-deputado federal), motivo pelo qual também foi atacado pelo ex-Ministro José Serra na eleição de 2002.

Desta vez o Supremo Tribunal Eleitoral julgou o preconceituoso ataque sem enquadra-lo como crime previsto na Constituição Federal, mas deu a Lula oito minutos de direito de resposta durante o horário de Serra no último dia de propaganda eleitoral do primeiro turno de 2002. O mesmo não aconteceu relativamente aos ataques sofridos nas eleições anteriores.

OS ANARQUISTAS  MERCENÁRIOS DA MÍDIA

Em 1989, os meios de comunicação chegaram a apregoar certa declaração do presidente da FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo quando dizia que se Lula fosse eleito, oitocentos mil empresários saíram do Brasil.

É interessante notar que, pouco antes dessa declaração, o Banco Central do Brasil, que tinha como presidente o banqueiro Elmo Camões, havia criado o “Mercado de Câmbio de Taxas Flutuantes” que permitiu a internacionalização do capital nacional através das famosas contas CC5, mantidas em estabelecimentos bancários por não residentes no Brasil.

Essa internacionalização do capital fatalmente contribuiu para o crescimento da dívida pública brasileira principalmente no que se refere aos créditos estrangeiros, que na realidade são em grande parte de brasileiros, excetuando-se evidentemente os oferecidos por organismos internacionais.

A PERDA DE CREDIBILIDADE DA TV GLOBO

Parece evidente que a partir do impedimento de Collor de Melo a Rede Globo começou a perder a hegemônica audiência que tinha. Muitos analistas acham que essa perda de audiência se deu principalmente em razão da manipulação da opinião pública em favor de presidente destituído e também em razão de alguns outros fatores menos importantes.

Nas eleições de 1993 e 1997 a Globo também cometeu o mesmo erro, dando nítida preferência a FHC e, por essa razão, continuou perdendo audiência, em conseqüência da forte campanha de boca em boca dos anônimos formadores de opinião alinhados aos partidos de esquerda.

O CRESCIMENTO DAS DEMAIS EMISSORAS DE TELEVISÃO

As outras emissoras de televisão também contribuíram para essa perda de audiência da TV Globo, procurando oferecer aos demais candidatos melhor atenção, sem a acintosa demonstração de preconceitos. Isso fez aumentar a credibilidade das concorrentes, que passaram a ter ótimas audiências nos debates que promoveram.

Outra razão do aumento de audiência das emissoras concorrentes da TV Globo foi o constante fornecimento de mão de obra para a “toda poderosa”, que passou a compra-la mediante a contratação dos apresentadores dos programas com maior audiência nas adversárias.

O RIDÍCULO A QUE SE EXPÕEM AS CELEBRIDADES

De outro lado, também perderam o poder de manipulação da opinião pública os atores, cantores, apresentadores de televisão e esportistas.

Isso foi sentido claramente na eleição de 2002, como também aconteceu em outras eleições, quando alguns partidos lançaram candidatos atuantes nos meios de comunicação e nos esportes e poucos foram eleitos.

A IMPORTÂNCIA DO OMBUDSMAN

Infelizmente as emissoras de rádio e televisão não têm a figura do “OMBUDSMAN”, que é um funcionário designado para receber e investigar reclamações dos cidadãos contra órgãos governamentais, contra a atuação de empresas e contra a radicalização da opinião de órgãos de comunicação. Esse funcionário tem plenos poderes e não pode ser destituído de seu cargo durante o período para o qual foi designado.

Essa figura adotada por alguns jornais (e por órgãos públicos) é interessante porque a chamada “mídia” de certa forma é intocável sob o aspecto da censura pública e por isso pode ser até mais forte do que algumas autoridades constituídas, que muitas vezes se submetem ou se curvam à capacidade de manipulação da opinião pública que inegavelmente têm os meios de comunicação. Isso se verifica principalmente no nordeste brasileiro onde as oligarquias são detentoras do poder político e econômico e são proprietárias de quase todos os meios de comunicação.

A CREDIBILIDADE DOS INSTITUTOS DE PESQUISAS

Na mesma trilha da Rede Globo de Televisão estão indo os institutos de pesquisas de opinião pública. Eles estão perdendo a credibilidade em parte em razão dos altos custos das pesquisas, o que os têm levado a efetuar trabalhos superficiais e de resultado duvidoso. E ainda existe a suspeita de que muitos dos resultados dessas pesquisas sejam manipulados.

As falhas puderam ser observadas principalmente nas pesquisas eleitorais e nas de audiência das emissoras de televisão. Mais uma vez os institutos de pesquisas não conseguiram apurar o esperado crescimento do Partido dos Trabalhadores, que era tido como certo até pelos opositores, porque vem ocorrendo paulatinamente desde 1989 quando Lula foi candidato pela primeira vez ao cargo de presidente da república.

Os erros na apuração da preferência popular ficaram bastante evidentes em diversos casos, principalmente nas eleições desde o ano 2000, a partir de quando o eleitor não mais está optando pelo chamado “voto útil”, “para não perder o voto”, tal como lhes ensinaram as elites oligárquicas nordestinas.

Por sua vez, os erros de atribuir excessiva audiência para a TV Globo ficaram comprovados quando a emissora tida como líder de audiência passou a regularmente contratar os líderes de audiência de suas concorrentes.

CONCLUSÃO

Do exposto, podemos concluir que, nas regiões sul e sudeste, a população em média mais esclarecida ou mais aculturada já não se deixa tão facilmente enganar. O poder da opinião pública pode ser notado não só na avaliação dos meios de comunicação como também dos meios políticos. Isto pode ser sentido vendo-se o grande crescimento dos partidos de esquerda e a progressiva queda da hegemonia da TV Globo.

Assim, a opinião pública pode fazer surgir um novo tipo de populismo tão combatido e execrado nos tempos do “getulismo” (período de governo de Getúlio Vargas como presidente da República ou de seu domínio na política brasileira).

Essa nova forma de populismo vem sendo observada desde as “diretas já” e do advento dos famosos “caras pintadas”, que foram tão importantes na destituição do presidente Collor de Melo. Agora, parece que os partidos de esquerda também estão conseguindo movimentar as massas no sentido de conseguir apoio para suas pretensões ideológicas, agora não tão radicais como antes, mas ainda em benefício das classes menos favorecidas.

Entretanto, podemos observar também que as oligarquias principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste ainda vêm praticando em seu proveito próprio o populismo, política fundada no aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo como forma de manipulação da população para perpetuarem o seu poder político e econômico regional e tentando impô-lo para toda a nação.