início > textos Ano XXI - 16 de outubro de 2019



QR - Mobile Link
NÃO CUSTA LEMBRAR

NÃO CUSTA LEMBRAR

1989 e 2002 - TERRORISMO ELEITORAL CONTRA A ELEIÇÃO DE LULA

São Paulo, 11/11/2002 (Revisado em 26-09-2013)

Referências: A Manipulação da Opinião Pública pela Mídia Mercenária de Extrema-Direita, Terrorismo Eleitoral no Brasil, Preconceito e Discriminação Social contra os verdadeiros representantes dos trabalhadores - os sindicalistas.

NÃO CUSTA LEMBRAR

Por Sérgio de Souza - jornalista - Revista Caros Amigos, publicado em outubro de 2002.

Repito aqui um lembrete feito no pequeno editorial da Caros Amigos de outubro, que está indo para as bancas esta semana. O título é o mesmo e o texto trata do segundo turno das eleições presidenciais de 1989. Lula x Collor.

Quem viveu, viu. No final da campanha de 1989, os números das pesquisas não conseguiam esconder a ascensão irrefreável da candidatura do PT, apesar do apoio maciço dado a Collor pelas "elites" e pelos veículos grandes de comunicação (Roberto Marinho declarou-o abertamente).

A extrema direita já espalhava boatos pelo país afora de que, eleito, Lula confiscaria as cadernetas de poupança, os proprietários das mais simples residências teriam de dividi-las com estranhos, o comunismo seria implantado no Brasil e outras diatribes.

Como nem assim se conseguia inverter a tendência de uma vitória petista, os marqueteiros de Collor tiveram sinal verde para jogar ainda mais pesado. Então contrataram os serviços de uma ex-namorada de Lula para que ela "revelasse" na televisão que fora forçada pelo então namorado a fazer um aborto. O escândalo forjado atingiu em cheio a candidatura do PT.

Logo em seguida vem o último debate.

Na Globo. Lula se mostra constrangido, não havia conseguido assimilar o golpe, mas seu inibido desempenho ainda não é o suficiente para Roberto Marinho, que obriga o obediente departamento de jornalismo da Globo a editar o debate de forma a apresentá-lo no Jornal Nacional inequivocamente favorável a Collor.

Já parecia ser o bastante, mas um último ato de sordidez estava por acontecer: na véspera da votação em segundo turno é anunciado o cerco à casa onde está sequestrado Abílio Diniz, o dono dos supermercados Pão de Açúcar. E, com todo o estardalhaço, mostra-se na televisão, no dia da eleição, a libertação do empresário.

Com o detalhe escabroso: no cativeiro, material de campanha do PT e sequestradores vestindo a camiseta do partido. Tudo devidamente produzido pela polícia, soube-se depois. Assim, no espaço de poucos dias, na reta final da campanha, criaram o clima de terror e intimidação que acabou por dar a vitória a Collor: 53 por cento dos votos contra 47 por cento de Lula.

Agora (novembro de 2002) faltam duas semanas para o segundo turno de uma eleição que pode alterar profundamente, mais do que então, os rumos da história brasileira. O candidato à esquerda conta com apoios e a aprovação da população muito maiores do que em 1989.

Neste momento, Soros na matriz, Fraga na filial, tratam de fazer projeções sombrias sobre a economia brasileira caso se confirme o que está escrito no horizonte eleitoral. O que vem sendo planejado para tentar a reversão do quadro favorável à oposição não se sabe. Sabe-se apenas que as "elites" são capazes de tudo em momentos como esse. Em compensação, sabe-se também que de vez em quando elas podem errar, principalmente por desdenhar a sabedoria popular.