início > textos Ano XXI - 15 de novembro de 2019



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MATAR OU MORRER?

MATAR OU MORRER?

NA CASA DO BOM HOMEM, QUEM NÃO TRABALHA NÃO COME

São Paulo, 21/02/2002 (Revisado em 27-10-2014)

Referências: Pena de Morte. Máxima do capitalismo: quem não produz, não tem direito a comer.

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

Um indivíduo que ficou conhecido como Coronel Ubiratã foi condenado a mais de 600 anos de prisão por ter sido considerado o responsável pelo “massacre do Carandiru”. Polêmico, desafiou as autoridades ao desfilar na parada de 7 de setembro de 2001, mesmo depois de condenado.

Disse ele no Programa Notícias em Debate na TV Brasil de Santos - SP no dia 07/02/2002 que “na casa do bom homem, quem não trabalha não come”. Queria dizer que é necessário dar trabalho aos prisioneiros para que possam de fato ser reintegrados à sociedade.

Dizemos nós que o dito pelo coronel é nada mais do que a máxima do capitalismo: “quem não produz, não tem direito a comer”. Da mesma forma, em toda guerra só existe uma lógica, que é a de “matar ou morrer”. Foi o que fez o coronel no Carandiru.

Essa é a função da polícia no confronto com os bandidos. Se não for assim, o policial sempre entra em desvantagem, principalmente quando tem em seu poder armamentos inferiores ao dos bandidos.

Não era isso o que ocorria durante o regime militar implantado em 1964. Naquela época as pessoas desapareciam simplesmente por discordar política e ideologicamente dos donos do poder (e sem nenhum julgamento).

Então perguntamos: Quantos daqueles criminosos foram condenados pelos massacres cometidos? A resposta é óbvia: nenhum.

Voltamos a perguntar: Por que o coronel foi condenado, se estava cumprindo o ser dever e ordens superiores? Por que seus superiores não foram condenados também?

O citado coronel fatalmente também seria condenado ou punido se não tivesse cumprido as ordens ou se tivesse deixado os bandidos morrerem no incêndio que eles mesmos provocaram. Parece evidente que foi escolhido como “bode expiatório”. Afinal, como diz o velho ditado, “a corda sempre arrebenta do lado mais fraco”.

Dentro dos argumentos para sua condenação, também deveriam ser condenados os dirigentes norte-americanos pelos massacres no Afeganistão, no Vietnã, na Coreia, no Iraque, no Camboja e no Laos. Mas, eles são o lado mais forte, por isso são intocáveis.

Por que ninguém conseguia condenar Pinochet? Simplesmente porque ele também era o lado mais forte.

Assim sendo, podemos concluir que no Brasil o lado mais forte é o dos bandidos. Eles têm entidades que os protegem e condenam seus perseguidores. O pior é que os bandidos brasileiros não estão somente nas classes mais pobres da população. Eles estão também e principalmente nas classes mais ricas, o que inclui as classes políticas, econômicas e alguns membros do judiciário.

É justamente por influência de alguns políticos, empresários e juízes que não temos a pena de morte prevista na Constituição Federal. Se houvesse a verdadeira justiça, eles seriam os primeiros a morrer. Legislaram em seu próprio proveito.

NOTA DO COSIFE:

Quando foi escrito este texto ainda não existia o CNJ - Conselho Nacional de Justiça que passou a averiguar a corrupção aceita por alguns juízes.