início > textos Ano XXI - 18 de novembro de 2019



QR - Mobile Link
A ARGENTINA E A GOVERNABILIDADE

A ARGENTINA E A GOVERNABILIDADE

O Ministro da Previdência e Assistência Social Roberto Brandt no dia 10/01/2002 em programa na Rede Vida de Televisão disse em semelhantes palavras que a Argentina atravessa problemas de governabilidade porque o presidente não tem a maioria e o apoio do Congresso daquele país. As forças políticas estão divididas. Segundo ele, isso não ocorre no Brasil porque FHC tem sido apoiado pelos partidos que têm maioria no Congresso Nacional.

Os partidos que dão sustentação ao governo brasileiro são: o PFL de Marco Maciel (o vice-presidente da República),  de Antonio Carlos Magalhães (ex-presidente do Senado) e de Roseana Sarney (presidenciável); o PPB de Paulo Maluf, de Pitta e de Esperidião Amin; o PMB de Sarney (ex-presidente da República), de Jader Barbalho (ex-presidente do Senado) e de Itamar Franco (também ex-presidente da República); e o PSDB dele mesmo, de FHC (presidente), de Alkimin e de Serra (presidenciável).

Devemos levar em conta ainda que são desses partidos os principais cassados nas esferas federal, estadual e municipal pela prática de crimes e irregularidades diversas. E foram justamente esses os mesmos partidos que apoiaram Collor de Melo e depois o tiraram do Palácio do Planalto.

Isso também significa que um presidente eleito pela esquerda brasileira só conseguirá governar se também tiver a maioria no Congresso Nacional. Essa maioria é muito difícil de conseguir, considerando-se que os Estados do Norte e Nordeste, eternos beneficiários de incentivos fiscais, de subsídios e de verbas a fundo perdido têm absoluta maioria no Congresso desde os idos tempos dos governos militares. E foi justamente a partir dali que foi deixada de lado a representatividade populacional na composição do Congresso Brasileiro. Atualmente o voto de um eleitor de São Paulo vale muito menos do que vale o do eleitor de qualquer Estado do Norte e do Nordeste, onde os índices de pobreza e de analfabetismo são alarmantes e a compra de votos é institucionalizada e não é combatida.

Mais adiante o citado ministro disse algumas frases que denigrem a imagem que se quer passar para a população através da maciça propaganda do governo brasileiro: O Brasil foi durante o século XX o segundo país em crescimento econômico; só perde para o Japão. Crescimento econômico não acaba com a miséria. Países com renda per capita igual a do Brasil têm 10% de pobres. No Brasil, os pobres são 32%, segundo os dados oficiais. Não há razão econômica para que no Brasil haja 22% a mais do que a média dos países com o mesmo nível econômico. Digo mais: o Brasil foi a 8ª economia mundial e nos últimos 7 anos perdeu seu lugar para a Espanha e ainda ficou atrás de países ex-comunistas como a Rússia, a Ucrânia e a China.

Conclusão, a miséria é alimentada pelo preconceito das elites brasileiras, o que também inclui os políticos, principalmente os do norte e do nordeste. A miséria foi o grande presente que nos trouxe o neoliberalismo global.