início > textos Ano XX - 16 de julho de 2019



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CRISE ARGENTINA

CRISE ARGENTINA

O TERRORISMO VEICULADO PELOS MERCENÁRIOS DA MÍDIA

Publicado em dezembro de 2001 (Revisada em 16-09-2016)

Referências: Golpe Militar de 1964 Versus Golpe Parlamentar Contra Dilma Russeff em 2016, Globalização dos Mercados, Altas Taxas de Juros fixadas pelo COPOM - Comitê de Política Monetária em Benefício do Grande Capital Especulativo, vindo de Paraísos Fiscais que abrigam Sonegadores de Tributos. O Terrorismo Veiculado Pelos Mercenários da Mídia. Lavagem Cerebral promovida pelos Meios de Comunicação e pelas Igrejas.

Por Américo G Parada Fº - Contador Coordenador do COSIFE

EFEITO ORLOFF: EU SOU VOCÊ, AMANHÃ

Diziam os magnânimos da economia brasileira que a crise Argentina poderia afetar o Brasil, com o famoso “efeito Orloff”. Se isso for verdade teríamos saques, convulsão social, um prenúncio de guerra civil, estado de sítio (suspensão temporária de direitos e de garantias individuais) e a renúncia de FHC. Nada aconteceu, mas, tudo isto poderia acontecer depois do Golpe Parlamentar deferido contra Dilma Russeff, diziam os inimigos do PSDB.

Quem acredita nisso? Obviamente ninguém.

O POVO BRASILEIRO É ORDEIRO, MUITAS VEZES CONFUNDIDO COM CORDEIRO

Todos sabem que desde 1964 os meios de comunicação, por imposição de nossos governantes, fizeram uma tremenda lavagem cerebral em nosso Povo a ponto deste, mesmo com a alta taxa de desemprego, sem direitos trabalhistas e com baixos salários, continuar achando que de fato houve grandes progressos sociais no Brasil nestes últimos anos de governo neoliberal, que promoveu a venda do patrimônio público para pagar juros (quando devia fazê-lo produzir para pagar os mesmos juros) e se rendeu incondicionalmente à globalização. Ficamos sem o patrimônio e com a dívida e continuamos tendo a obrigação de pagar altos juros aos especuladores e sonegadores de tributos.

Na Argentina do final de 2001, o povo se rebelava contra tudo isso, saqueando lojas e promovendo grande distúrbio. Os ônibus levavam cartazes em que se lia algo como: comprar produtos brasileiros significa desemprego na Argentina. Dirigentes argentinos proferiam publicamente palavras de ordem contra o Brasil em rede internacional. E nós continuávamos a comprar tradicionais produtos argentinos: “brasileiro é tão bonzinho” já dizia a comediante. Só em dezembro de 2001 o governo brasileiro começou a campanha em favor dos produtos brasileiros.

No Brasil, ao contrário, durante anos do Governo FHC incentivou as importações e até subsidiou o preço do dólar por longo período (não tão grande como os argentinos) para facilitar as importações pelos mais endinheirados, o que consequentemente prejudicou as exportações brasileiras.

Diante disto, muitas fábricas exportadoras fecharam por aqui. Disso resultou déficits anuais na balança comercial (Balanço de Pagamentos = Contabilidade Nacional) e mais empréstimos externos, com elevação da dívida brasileira que quadruplicou nos últimos sete anos do Governo FHC.

Na verdade, ao contrário do que fez, o governo brasileiro devia pelo menos ter feito propaganda contra as importações.

E o povo brasileiro?

Bem, o povo brasileiro ficou na frente da televisão assistindo a esnobação das elites, esperando que tudo caia do céu. E, em favor de certos governos sempre favoráveis aos grandes capitalistas contribuíam as igrejas, fazendo um perfeito serviço de lavagem cerebral do seus fiéis.

A ATUAÇÃO DOS MERCENÁRIOS DA MÍDIA

Os funcionários do Banco Central e da Receita Federal faziam greve no Brasil e ninguém tomava conhecimento. Os servidores públicos ficaram 8 anos sem os reajustes salariais previsto na Constituição Federal de 1988. Em 2016, Michael Temer queria fazer o mesmo por 20 anos, desta vez alterando a nossa Carta Magna, sabendo que tem maioria absoluta no Congresso Nacional.

Por sua vez, os meios de comunicação, para não perderem as verbas da publicidade governamental, sempre ficam silenciosos. Na era de FHC o Presidente do Banco Central vinha a público e dizia que aquela autarquia funcionava melhor (parecia não saber que os funcionários estavam em greve). Na realidade, muito pelo contrário, os citados órgãos estavam sendo desmantelados, principalmente os quadros de fiscalização, onde estavam sendo colocadas pessoas sem as qualificações técnicas dos Auditores Fiscais com formação acadêmica em Ciências Contábeis, únicos profissionais devidamente habilitados e com competência legal para fiscalizar registros contábeis.

De outro lado, o Governo de São Paulo mandava enfeitar as estatísticas da criminalidade; os institutos de pesquisa publicavam resultados falsos; policiais moravam em favelas ao lado dos bandidos e foram punidos porque fizeram greve por melhores salários. Com policiais não têm direito à greve, suas esposas saíam às ruas. E todas as demais greves são consideradas ilegais pelo Poder Judiciário. Por muito menos, em países da América Latina haveria uma grande convulsão social. Era o que esperavam os adversários do PSDB a partir da deposição de Dilma Russeff em 2016.

A LAVAGEM CEREBRAL FEITA PELA TELEVISÃO

Será que lá na Argentina e nos demais países sulamericanos o Povo não têm televisão, nem emissoras de rádio?

Não foi à toa que depois de 1964, apesar da pobreza reinante, o Brasil passou a ter no mundo o segundo maior índice de aparelhos de televisão por habitante. Por sua vez, o jornalismo impresso estava fora dos planos governamentais, o MOBRAL foi um fracasso. O povo não lê. As escolas produzem alfabetizados que apenas sabem desenhar o nome. Foi justamente por isso que os filmes passaram a ser dublados. Os analfabetos funcionais nada entendem porque os professores não comentam os temas atuais. Os alunos apenas sabem algo sobre o período em que existia a escravidão.

A razão da rebelião dos negros na África do Sul e na Rodésia foi justamente em razão dessa segregação social, não apenas racial. Rebelaram-se porque não sofriam a lavagem cerebral dos meios de comunicação. Lá, os brancos (opressores) não sabiam que o rádio e a televisão são primordiais na doutrinação do Povo, assim como também são as igrejas.