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CPI DO BANESTADO - CONTAS CC-5 MOVIMENTARAM US$ 124 BILHÕES

CPI DO BANESTADO - CONTAS CC5 DE NÃO-RESIDENTES NA LAVAGEM DE DINHEIRO

PARAÍSOS FISCAIS - Delegado da Polícia Federal: contas movimentaram US$ 124 bi

Agência Senado - 30/07/2003

Policial federal que investigou remessas ilegais por meio das contas CC-5 depõe durante quase doze horas e revela as ações do crime organizado


SUSPEITAS José Castilho Neto (de costas) criticou, várias vezes, o que classificou
de "operação abafa", destinada a impedir o andamento das suas investigações

A remessa de recursos para o exterior por meio de contas CC-5 se transformou, segundo o delegado da Polícia Federal José Castilho Neto, em uma "lavanderia de dinheiro mundial". Em depoimento que só terminou às 21h30 de ontem à CPI do Banestado, o delegado disse que, em menos de dez anos, a partir da década de 90, foram movimentados US$ 124 bilhões por meio dessas contas, a maior parte de forma irregular.

Por considerar que o crime financeiro serve como base para toda a criminalidade, Castilho, que investigou o caso nos Estados Unidos, saudou a criação da comissão parlamentar de inquérito, que, bem conduzida, na sua opinião, será "a CPI das CPIs", pois terá condições de levantar provas documentais inclusive para as CPIs anteriores que detectaram a lavagem de dinheiro.

Ele ofereceu à comissão o relatório da Operação Macuco, que investigou o caso, entregue em 2002 à direção da Polícia Federal. O delegado disse suspeitar que o relatório nem sequer foi lido, já que nele, declarou, estão identificados graves problemas e as soluções para combatê-los.

José Castilho Neto informou que, nas duas vezes em que esteve em Nova York para investigar as contas da agência do Banestado, obteve colaboração das autoridades locais, conseguiu a quebra do sigilo bancário e teve acesso a um banco de dados sem precedentes que mapeia a movimentação fraudulenta de bilhões de dólares.

Esse banco de dados é um grande golpe no crime organizado no Brasil. Ele dá acesso a toda a bandalheira que sabemos que acontece neste país – declarou.

Para o delegado, o cruzamento das informações desse banco de dados vai permitir que se monte uma base documental sólida, capaz de produzir provas contra criminosos, principalmente aqueles ligados à corrupção pública. Ele pediu agilidade nos trabalhos da comissão de inquérito, pois os caminhos para as investigações estão abertos.

As autoridades americanas estão à disposição, investigando brasileiros. Estamos perdendo tempo – alertou.

EM TEMPO: O Sr. Américo Garcia Parada Filho foi convidado para a audiência pública da CPI do Banestado, no Senado Federal, e está previsto para meados de agosto, conforme já noticiado pela Agência Senado no dia 25/07/2003. (Leia a Notícia)