início > textos Ano XX - 18 de abril de 2019



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BRASILEIRO CHEGA A PAGAR O DOBRO DE IMPOSTO DE RENDA DO AMERICANO

Brasileiro chega a pagar o dobro de IMPOSTO DE RENDA do americano

PESSOAS FÍSICAS PAGAM BEM MAIS QUE PESSOAS JURÍDICAS

Estado de São Paulo - 01/11/2001

Mesmo sem qualquer alteração na tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física, o contribuinte brasileiro já é um dos mais punidos no mundo. Na média, quem tem renda próxima aos R$ 10 mil mensais chega a pagar duas vezes mais imposto do que um americano ou oito vezes mais do que um japonês. Este é um dos principais dados de pesquisa realizada pela consultoria Ernst & Young em 33 países, que põe o Brasil em 15.º lugar no ranking dos impostos mais baixos.

O problema nem é a posição, é a diferença. No Japão, campeão da lista, e nos Estados Unidos, o imposto cobrado significa média mensal de US$ 72 e US$ 360, respectivamente. No Brasil, alcança US$ 772, ou porcentual de 20% sobre os rendimentos – que no Japão é de 2,6% e nos EUA, de 9,6%. A diferença dos 27,5% descontados em folha e os 20% constatados pela pesquisa fica por conta das deduções, como gastos com dependentes e médicos. Mesmo nesse aspecto, o tributarista Ives Gandra vê diferenças gritantes entre o sistema americano e o brasileiro.

“Aqui, você só pode deduzir até R$ 1,7 mil com escola, enquanto nos Estados Unidos o contribuinte deduz toda a despesa”, compara. “Como qualquer boa escola custa muito mais do que isso, parece que a idéia é estimular o investimento na burrice.” Para ele, não há termo de comparação entre o sistema dos dois países. “Nos Estados Unidos, a alíquota é menor, as deduções são maiores e o serviço público muito melhor”, resume.

Mesmo em relação a outros países, o sistema tributário brasileiro fica em desvantagem, segundo a pesquisa da Ernst & Young. A Argentina, por exemplo, é a segunda colocada em impostos baixos. Ela é seguida por Hong Kong, França, Coréia do Sul e Estados Unidos.