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EMPRESÁRIO INESCRUPULOSO DENIGRE A IMAGEM DO BAR LEO

EMPRESÁRIO INESCRUPULOSO DENIGRE A IMAGEM DO BAR LEO

POLÍCIA FLAGRA TROCA DE CHOPE NO BAR LEO

São Paulo, 31/03/2012 (Revisado em 05/06/2012)

Referências: Terceirização, Franquia, Empresas Familiares, Falecimento do Patriarca, Marcas e Patentes, Fechamento de Empresas Tradicionais, Falência Provocada por Incompetentes Empresários. Patrimônio Histórico ou Tradicional. Contabilidade Custos - Quando a Redução de Custos Causa a Insolvência - Falta de Qualidade, A Irresponsável Redução de Custos, Crimes contra o Consumidor - Lei de Proteção do Consumidor - Lei 8.078/1990 e Crime contra a Ordem Econômica e as Relações de Consumo - Lei 8.137/1991, Crime Contra a Economia Popular - Lei 1.521/1951. Inspeção Sanitária - ANVISA - Venda deProdutos Vencidos.

EMPRESÁRIO INESCRUPULOSO DENIGRE A IMAGEM DO BAR LEO

Por Américo G parada Fº - Coordenador do site do COSIFe

PATRIMÔNIO HISTÓRICO DA CIDADE DE SÃO PAULO

O Bar Leo situado na região central da cidade de São Paulo era bastante conhecido pelos cervejeiros. O coordenador do site do COSIFe, por exemplo, embora não seja adepto das bebidas alcoólicas, foi levado por colegas ao Bar Leo em 1967.

Todos diziam que aquele era um tradicional ponto turístico, verdadeiro patrimônio histórico da cidade de São Paulo, tal como acontece com os bares portenhos (de Buenos Aires - Argentina). No Bar Leo não era possível assistir a músicos e dançarinos de tangos, nem de música brasileira ou de qualquer outra, mas, os não apreciadores das bebidas alcoólicas podiam saborear gostosos canapés nos finais das tardes e inícios das noites paulistanas depois do cansativo trabalho diário.

Durante o almoço o bar também era frequentado por pessoas que gostavam decertas comidas, bem diferentes do normal, como o famoso joelho de porco oferecido pelo Leo.

FALECIMENTO DO PATRIARCA

Porém, seu idealizador e proprietário faleceu em 2003. Este é o grande problema das empresas familiares. Os herdeiros nem sempre estão interessados na continuidade do negócio que o patriarca administrava com grande prazer e dedicação. Em muitos casos o próprio patriarca era o culpado da falta de interesse dos seus herdeiros porque não deixava que  participassem ativamente do negócio. Em outros casos, por comodidade os futuros herdeiros eximiam-se da efetiva participação no empreendimento. Talvez esperassem da vida coisa melhor (é o que muitos alegam).

Então, em grande parte dos casos, depois do falecimento do patriarca, os herdeiros vendem a empresa, em outros casos terceirizam franquias ou contratam gerentes para administrarem o negócio. Nesta última hipótese, os herdeiros passam na empresa apenas para buscar o valor do arrendamento ou aluguel contratado.

AS CONSEQUÊNCIAS DA IRRESPONSÁVEL REDUÇÃO DE CUSTOS

Na ânsia de aumentar seus lucros, o gerente ou empresário incompetente e inescrupuloso passa a diminuir a qualidade dos produtos vendidos que geralmente são adquiridos por preços inferiores, mas, são vendidos aos seus clientes pelos mesmos preços ou maiores que antes.

Alguns inescrupulosos chegam a comprar produtos vendidos que são fornecidos por outros empresários da mesma"estirpe" criminosa.

FALÊNCIA À VISTA

Assim, cedo ou tarde o negócio vai pro brejo, com diz o velho ditado popular. Isto é, aquele empresário idiota vai a falência e, ainda, definitivamente comprometerá a imagem pública da empresa que foi conseguida mediante décadas de bom atendimento e com superior qualidade.

Dessa lamentável forma, parece ter chegado ao seu final um tradicional bar paulistano, que completaria 70 anos de existência em agosto de 2012.

Sobre o tema leia a seguir os textos do Estadão sobre o acontecido com o Bar Leo.

POLÍCIA FLAGRA TROCA DE CHOPE NO BAR LEO

Bar Leo vendia chope [considerado inferior] como sendo Brahma

Por BRUNO PAES MANSO, DANIEL TELLES MARQUES, estadao.com.br, publicado em 31/03/2012

O advogado era cliente assíduo do Bar Leo, tradicional reduto de cervejeiros no centro. Gostava do colarinho cremoso que vinha com o chope da Brahma, mas começou a desconfiar da qualidade. Sondou os garçons e, na quinta-feira, confirmou a suspeita: a bebida vendida aos clientes a R$ 6 o copo era mais barata e de qualidade inferior.

Na mesma hora, foi ao Departamento Policial de Proteção à Cidadania (DPPC) para denunciar o crime, com a condição de ficar no anonimato. No fim da manhã de ontem, duas viaturas e cinco policiais foram ao local checar as informações. Encontraram 18 barris do chope da marca Ashby, um dos mais baratos do mercado.

Segundo apuração dos policiais, enquanto o Brahma custa R$ 9,40 o litro, o valor do Ashby é de R$ 5,30. No balcão do bar, a decoração e as propagandas informam que o bar fornece produtos da Brahma. O gerente do Bar Leo, Wilson França de Souza, de 34 anos, que estava no local, foi preso em flagrante. Ainda foram apreendidos dois freezers com comidas vencidas, incluindo molhos, queijo, patês e até refrigerantes.

'Ele vai responder aos crimes de induzir o consumidor ao erro e ofertar produtos de validade vencida, sem informar a origem do produto', afirmou o delegado Marcelo Jacobucci, titular da 1.ª Delegacia de Saúde Pública. Os crimes são inafiançáveis.

A Coordenadoria de Vigilância de Saúde (Covisa) ainda fechou o bar, que só reabrirá regularizado. A representante legal do estabelecimento, Madir Milan, de 77 anos, se apresentou à polícia para esclarecimentos.

Um ano

As notas fiscais apreendidas pela polícia registravam que o Ashby já era vendido no Bar Leo havia pelo menos um ano. Um fornecedor da Brahma, que tinha o Leo como cliente havia dois anos, disse ao Estado que começou vendendo 500 litros mensais. Essa quantidade havia caído para 100 litros havia um ano e meio.

O Estado tentou falar com os responsáveis pelo Bar Leo, mas não obteve resposta. Apenas funcionários estavam no local. Eles disseram que os donos falariam só depois de prestar depoimento. Um dos garçons afirmou que um barril de chope Brahma ainda era comprado quinzenalmente. Era oferecido para os clientes que reclamassem da qualidade. O Bar Leo vai comemorar 70 anos de existência em agosto. Se sobreviver

'PERDEMOS UM PATRIMÔNIO DE SP', DIZ CLIENTE

Por DANIEL TELLES MARQUES e VALÉRIA FRANÇA, estadao.com.br, publicado em 31/03/2012

A notícia da interdição do Bar Leo, no centro de São Paulo, deixou muitos paulistanos chocados. Mais do que clientes, assíduos ou não, muitos frequentadores eram fervorosos admiradores da fórmula de sucesso, construída em cima de um excelente chope, quitutes deliciosos, e um atendimento desleixado, que virou folclore.

'Tomar o chope de pé na calçada, acotovelar-se entre os clientes e gritar por mais um chope faziam parte da tradição do local', diz o economista Daniel Rodrigues Ferreirinho, de 45 anos, que chegou a frequentar o estabelecimento ao menos três vezes por semana, de 1992 a 2008. 'Nunca deixava de comerjoelho de porco na quarta-feira e bacalhau na sexta. Perdemos um patrimônio da cidade'.

O empresário Edgard Bueno da Costa, dono de botecos descolados como o Pirajá e o Original, ficou 'horrorizado' com a notícia. 'Não é possível. O Leo é um monumento da cidade', disse ao saber da notícia na Itália, onde passa alguns dias. 'O Original foi inspirado no Leo'.

O Leo inspirou também o jornalista Otávio Canecchio Neto, então crítico de bares, quando resolveu abrir o Veloso, há sete anos, na Vila Mariana, zona sul da cidade. 'O Leo era um ponto turístico. Inspirou uma geração de paulistanos'.

Mas, desde o fim de 2010, o bar encolheu o horário de atendimento em 30 minutos nos dias de semana e em uma hora e meia nos sábados. Durante o período de fraude, o chope também teve alterações no preço - passou de R$ 5,50 para R$ 6.

O movimento já não era o mesmo. 'Depois da morte do antigo proprietário, em 2003, o negócio foi parar na mão de herdeiros, que não tinham a mesma experiência', diz Canecchio Neto. Nos últimos seis meses, sobrava lugar no salão, anteriormente disputado, especialmente nos sábados.

MEIO CERVEJEIRO ESPECULAVA HÁ ANOS USO DE 'ALTERNATIVOS'

Por COLUNISTA DE CERVEJA DO PALADAR, estadao.com.br, publicado em 31/03/2012

A polícia flagrou fato que já era voz corrente nos bastidores do meio cervejeiro há anos, mas ninguém confirmava. O uso de 'alternativos' vendidos como marcas famosas teria começado, segundo especulam produtores, com a falta de chope para todos os bares no verão. Depois, foi opção para baratear custos.

Além do crime contra o consumidor, a ação policial também revela a pouca atenção que se dá ao que vai no copo de muitos consumidores de chope. Com a bebida servida a temperatura 'estupidamente gelada', fica difícil descobrir se o que tomamos é o que pedimos.

Uma saída é, como ocorreu, um consumidor em dúvida reclamar e a polícia tomar providências - que essa ação seja contínua e a fiscalização, extensiva a outros pontos da cidade. Outra é o apreciador de cervejas buscar novos e diferentes sabores em produções artesanais nacionais ou importadas. Quanto maior a qualidade e diversidade, mais difícil fica a substituição por 'alternativos'. Ou, pelo menos, a diferença é mais fácil de ser notada.

BRAHMA COMPRA E VAI REABRIR BAR LEO

Por DIEGO ZANCHETTA, EDISON VEIGA, estadao.com.br, publicado em 05/06/2012

Em um daqueles casos em que a realidade é mais incrível do que a ficção, tradicional bar paulistano é lacrado por vender gato por lebre - ou chope inferior no lugar da marca top de mercado. A tal marca, em vez de virar as costas para sempre para o bar, surge para salvá-lo do fechamento.

O caso é o do Bar Leo, famoso reduto de cervejeiros no centro de São Paulo. Há dois meses, foi fechado pela polícia por vender chope Ashby como se fosse Brahma. Agora, o Bar Brahma, outro símbolo da boemia da cidade, comprou a casa e pretende reabri-la em breve: com credibilidade restaurada, mesmo nome e, quem sabe, ainda a tempo de comemorar seu 70.º aniversário, em agosto.

A informação circulava pelos botecos descolados desde o último fim de semana. Ontem à tarde, em conversa com o Estado, o proprietário do Bar Brahma, Alvaro Aoas, limitou-se a dizer "que as negociações estão bem avançadas", sem revelar os valores da transação nem o formato da nova gestão. No fim do dia, a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), detentora da marca Brahma, confirmou que o negócio já estava fechado.

"O que posso dizer é que vamos manter e valorizar ainda mais o nome e a história do Bar Leo, que é um patrimônio paulistano", garantiu Aoas."Vamos realçar os valores do Leo, retomar o bar com força, para viabilizar uma recuperação".

Chope "falso"

A notícia comoveu os cervejeiros. Na manhã de 30de março, após denúncia anônima de um advogado que era cliente assíduo do bar, duas viaturas e cinco policiais foram ao Bar Leo. Encontraram 18 barris do chope da marca Ashby, um dos mais baratos do mercado (o litro custa R$ 5,30), vendidos na casa como se fossem Brahma (o litro, no atacado, sai por R$ 9,40).

Toda a comunicação visual do bar fazia referência aos produtos Brahma. O gerente acabou detido, pelos crimes de "induzir o consumidor a erro e ofertar produtos de validade vencida, sem informar a origem do produto". O estabelecimento, desde então, permanece lacrado pela Coordenadoria de Vigilância de Saúde (Covisa).

De acordo com as notas fiscais apreendidas pela polícia, o chope Ashby já era vendido no bar havia pelo menos 1 ano.

Como se trata de um dos estabelecimentos mais antigos e tradicionais de São Paulo, a história virou assunto entre os frequentadores de botecos paulistanos. Clientes diziam que São Paulo havia perdido um "patrimônio" e que o bar precisava "recuperar a dignidade, dar a volta por cima e reabrir".

Com o investimento do Bar Brahma, que se reergueu em 2001 e hoje tem bom público no centro, incluindo turistas, a história do Bar Leo pode ganhar novos capítulos.