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A INFLAÇÃO E A PRODUÇÃO INSUFICIENTE

A INFLAÇÃO E A PRODUÇÃO INSUFICIENTE

NÃO HAVERÁ INFLAÇÃO QUANDO A DEMANDA FOR SATISFEITA COM PRODUÇÃO

São Paulo, 15/02/2011 (Revisado em 18/02/2011)

Referências: Políticas de Combate à Inflação, PDP - Política de Desenvolvimento Produtivo, Produção é o melhor veneno contra a inflação, Lei da Oferta e da Procura, Trabalho em Regime de Semi-escravidão - sem direitos sociais - trabalhistas e previdenciários. Trabalho Escravo = Segregação Social. Déficit Fiscal e Dívida Externa, Importação e Exportação, Bancarrota Norte-americana em 2008 - Crise Mundial. Desvalorização do Dólar.

PDP - POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO PRODUTIVO

Texto publicado pelo Jornal de Floripa em 14/02/2011.

Governo deve definir até abril segunda etapa da PDP

A segunda etapa da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), que tem por objetivo impulsionar o desenvolvimento do setor industrial, deverá ser definida dentro de 60 dias, disse nesta segunda-feira [14/02/2011] o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho [Doutor em Economia e Professor da UNICAMP].

Ele reconheceu que existem pressões sobre o custo da atividade produtiva, mas afirmou que o governo vem fazendo um esforço no plano fiscal para controlar a inflação. "A presidenta (Dilma Rousseff) não quer prejudicar os investimentos", disse. Na avaliação de Coutinho, a segunda edição do PDP deve impulsionar ainda mais o crescimento econômico do País.

O presidente do BNDES participou de encontro com representantes da indústria na sede regional da Confederação Nacional da Indústria (CNI). No encontro, foram discutidas propostas do setor para, eventualmente, serem inseridas no PDP. De acordo com o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, até o próximo dia [01/03/2011], a indústria deverá apresentar ao governo um texto final com as sugestões do setor.

NOTA DO COSIFE: por Americo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19.750

CONTRARIANDO A MESMICE DOS ECONOMISTAS ORTODOXOS

Deixando de lado a mesmice dos economistas de outrora, tão fieis à ultrapassada "Bíblia" ainda seguida pelos ortodoxos, o presidente do BNDES repetiu o que vem sendo escrito neste site do COSIFE.

Deixou claro que o investimento na produção é a melhor forma de se evitar a inflação, o que é óbvio, mas grande parte dos consultores econômicos não defende essa tese. Preferem optar pela estagnação, que se resume na redução da produção e na repressão ao consumo, o que historicamente tem causado a inflação no Brasil, inclusive mediante a artificial geração de desemprego, conforme ocorreu durante o Governo FHC. Os conservadores são contrários ao consumo popular. Por isso optam pelo desemprego para que os trabalhadores fiquem impedidos de consumir.

LEI DA OFERTA E DA PROCURA

O site do COSIFE tem afirmado que só existirá a inflação quando a pressão pelo consumo for alta e o segmento industrial não quiser produzir o suficiente para satisfazer a demanda. Isto significa que, produzindo-se o desejado pelo consumidor, nunca haverá inflação. É a tese básica defendida pela chamada de "Lei da Oferta e da Procura". Isto é, quando a procura aumenta, se não houver oferta (produção), haverá inflação.

A BANCARROTA NORTE-AMERICANA

Nos Estados Unidos não existe inflação, ou melhor, ela é irrisória apesar do elevadíssimo consumo popular. Assim acontece porque a demanda é sempre satisfeita com a produção ou importação de bens que o povo deseja comprar. Entretanto, o excesso de importações provocou o imenso déficit interno e externo norte-americano que levou aquele país símbolo do capitalismo à bancarrota no final de 2008.

Por quê?

INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL E DA PRODUÇÃO NORTE-AMERICANA

Porque as empresas norte-americanas passaram a produzir na China e em outros países em que é permitida a exploração do trabalho em regime de semi-escravidão. Por esse motivo, aumentaram as importações e o desemprego nos Estados Unidos.

Como as principais empresas estadunidenses foram internacionalizadas em Paraísos Fiscais, aconteceu o déficit interno por falta de arrecadação de tributos. Por sua vez, as importações bem maiores que as exportações causaram o grande déficit externo dos ianques. As exportações tornaram-se inferiores às importações porque foram reduzidas em razão dos altos salários recebidos pelos norte-americanos não descendentes de latino-americanos, africanos e asiáticos. Os altos salários do trabalhador, os altos custos de produção, os nababescos gastos (desperdícios) dos executivos (capatazes dos acionistas controladores) e as fraudes contábeis e financeiras das grandes empresas impedem a competitividade da produção norte-americana no mercado internacional.

Como resultado desse descompasso promovido pelo excesso de importações, pela falta de arrecadação tributária e pela falta de competitividade aconteceu a bancarrota que gerou a Crise Mundial de 2008.

OS ESTADOS UNIDOS DE ONTEM E O BRASIL DE AMANHÃ

Isto significa que o acontecido nos Estados Unidos pode vir a acontecer no Brasil se o nosso país continuar a exportar essencialmente matérias-primas e a importar produtos acabados (industrializados). Por isso o presidente do BNDES pretende elevar substancialmente a produção industrial brasileira não somente para o mercado externo. É importante que o trabalhador brasileiro tenha capacidade de consumir para que absorva a produção em tempos de crise internacional, tal como aconteceu em 2009.

Para evitar o problema enfrentado pelos Estados Unidos, o governo brasileiro precisa promover a nacionalização das empresas brasileiras que foram internacionalizadas. A internacionalização teve como finalidade principal  a de esconder lucros em Paraísos Fiscais, tal como também foi feito pelas empresas norte-americanas. Foi assim que a sonegação fiscal causou o déficit interno e externo dos nossos "irmãos do norte".

O AUMENTO DA TAXA DE JUROS

O mais importante no pronunciamento do presidente do BNDES foi quando se manifestou, indiretamente ("nas entrelinhas"), contra a elevação da taxa de juros promovida em janeiro de 2011 pelo novo presidente do Banco Central do Brasil (Tombini). Aliás, o sempre desejado aumento das taxas de juros é fato comum que nos leva a crer que os presidentes da nossa autoridade monetária lá estão somente para defender os interesses mesquinhos dos capitalistas e dos especuladores do sistema financeiro, entre eles os banqueiros.

Mas, o novo presidente do Banco Central, dizem, está a salvo dessa suspeita porque é funcionário daquela autarquia federal, devidamente admitido por concurso público, como também mencionou a Revista Por Sinal de janeiro de 2011, editada pelo SINAL - Sindicato dos Funcionários do Banco Central.

Porém, há algo a ponderar. O novo presidente da nossa autoridade monetária (Tombini) fez exatamente aquilo que faria o ex-presidente (Meirelles). Fato interessante é que, como Meirelles, Tombini também foi elogiado por FHC em novembro de 2010 e agora provavelmente será bem mais enaltecido. Ou seja, desde sua posse fez tudo aquilo que os detentores do poder econômico queriam que fizesse.

Afinal, o aumento das taxas de juros é a principal forma de devolver aos detentores do poder econômico os tributos por eles pagos. Assim, os encargos tributários passam a esvaziar somente os bolsos dos restantes 97% da população (Classes B C, D e E), enquanto os 3% mais ricos (Classe A) tornam-se isentos de tributação porque indiretamente tiveram seus tributos restituídos por intermédio altas taxas de juros pagas sobre o capital por eles investido em títulos públicos.

A MELHOR POLÍTICA DE COMBATE À INFLAÇÃO

No tópico anterior foi escrito o termo indiretamente porque na verdade o presidente do BNDES nada disse sobre o absurdo aumento da taxa de juros acontecido em janeiro de 2011. Apenas mencionou que vai dar ênfase à segunda etapa da PDP - Política de Desenvolvimento Produtivo que tem como finalidade o aumento da produção para que sejam satisfeitas as necessidades do povo brasileiro. Essa é evidentemente a melhor política de combate à inflação.

Dizer que o aumento da taxa de juros combate a inflação é a mais pura balela. Os Estados Unidos nunca pagou altas taxas de juros e justamente por esse fato nunca teve altos índices de inflação.

De outro lado, o presidente do nosso Banco de Desenvolvimento também está preocupado com a nossa competitividade no mercado internacional que tem sido abalada pela desvalorização do dólar no mercado de capitais pelo mundo afora, razão pela qual muitos exportadores brasileiros têm deixado de exportar em dólares, passando a fixar o preço da produção em nossa moeda (o Real). Aliás, é importante enfatizar que, diante da desvalorização do dólar, exportar com preços em dólares e manter esses dólares numa conta corrente bancária no exterior (conforme permite o governo brasileiro) é sinônimo de perder dinheiro a curto e longo prazo.

Ao contrário do desejado pelo presidente do BNDES, o aumento da taxa de juros estabelecido pelo Banco Central fará com que os produtores apliquem seu capital de giro na ciranda financeira, deixando de produzir os bens de consumo que a população almeja. Assim sendo, como sempre ocorreu no Brasil em épocas em que a taxas de juros eram elevadas, a inflação tenderá a voltar.

CONCLUSÃO

A melhor política econômica para obrigar os empresários a produzirem é a de diminuição da taxa de juros, assim como, a de promover o aumento do preço do dólar. Como o Brasil possui elevadas reservas em dólares, não deve deixar que o dólar desvalorize. A desvalorização do dólar significa a perda de nossa poupança, significa a perda das nossas reservas monetárias em dólares que podem "virar pó", como dizem os especuladores do mercado de capitais. Por sua vez, o aumento da produção para consumo interno, inibirá quaisquer pressões inflacionárias.

Assim como já estão fazendo algumas empresas brasileiras, o nosso governo deve utilizar as reservas monetárias para a compra de empresas estrangeiras, principalmente aquelas que já estejam estabelecidas no Brasil.

OUTROS TEXTOS SOBRE O TEMA

Governo e indústria discutem estratégia para aumentar competitividade de produto brasileiro

Por Marli Moreira - Repórter da Agência Brasil - 14/02/2011 - Edição: Lana Cristina

São Paulo – Governo e indústria discutiram hoje (14), na capital paulista, um conjunto de medidas que visam a recuperar as exportações de manufaturados. O objetivo é frear o aumento da concorrência dos importados no mercado doméstico e, ao mesmo tempo, melhorar a competitividade do país no exterior.

Essa foi uma das principais questões debatidas no encontro que contou com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

Segundo Pimentel, até meados de abril, será definida a segunda edição da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) para direcionar os rumos da atividade produtiva no longo prazo.

Ele classificou como “excelente” o resultado do diálogo que vem sendo mantido por 14 representantes do setor privado e 15 da área governamental. “Muitas sugestões dos empresários deverão ser agregadas ao esforço que o governo vem fazendo em defesa das nossas cadeias produtivas”.

Pimentel não adiantou que ações farão parte da PDP, mas sinalizou que elas deverão buscar a inovação tecnológica e uma maior qualificação da mão de obra. Até o anúncio da nova PDP, o governo vai continuar ouvindo as lideranças do setor privado.

A expectativa do ministro é de que neste ano sejam alcançados pelo menos US$ 10 bilhões de saldo positivo na balança comercial. “Não podemos ficar passivos. Nós temos que avançar na direção de defender a nossa indústria e recuperar o espaço que tínhamos na exportação de manufaturados”.

Para Pimentel, o país está preparado para uma defesa comercial de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), mas tem que ter uma estratégia para aumentar as exportações. “Vamos defender as nossas indústrias dos ataques que fogem às regras da OMC', afirmou.

O ministro informou ainda que algumas das propostas discutidas na reunião com os empresários já estão inseridas na Medida Provisória do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que deve ser publicada, na próxima quarta-feira (16).

Programa de desenvolvimento produtivo sairá em 60 dias

Segundo presidente do BNDES, programa terá políticas gerais e também focalizadas, para setores que estão passando por dificuldades para avançar, afetados pelo câmbio valorizado

Por Ricardo Leopoldo e Anne Warth - Agência Estado - 14/02/2011

SÃO PAULO - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou nesta segunda-feira, 14, que o Programa de Desenvolvimento Produtivo (PDP) 2, da presidente Dilma Rousseff, estará pronto em 60 dias. Coutinho afirmou que o PDP terá políticas gerais, mas também focalizadas, porque há setores que estão passando por dificuldades para avançar em matéria de competitividade, já que são afetados pelo câmbio valorizado.

Foi para discutir essas questões e receber colaborações dos empresários, a maior parte deles do setor industrial, que Coutinho compareceu hoje ao Fórum Nacional da Indústria, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo. O presidente do BNDES destacou que a política do governo é de manter com rigor a estabilidade de preços. "A presidente Dilma já afirmou que o combate à inflação é prioritário", disse Coutinho, sem fazer comentários sobre a atuação do Banco Central (BC).

Coutinho comentou ainda que o governo está dedicado ao controle das contas públicas a fim de continuar com o programa de investimentos neste ano, sobretudo os relacionados ao Programa de Aceleração do crescimento (PAC). "A presidente Dilma já deixou claro que os investimentos serão mantidos. A melhor forma de combater a inflação no longo prazo é ampliar a capacidade de produção e de oferta de produtos na economia", afirmou.

Política definitiva

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, disse hoje que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, garantiu que o Programa de Sustentação de Investimento (PSI) será prorrogado e se tornará uma política definitiva do governo federal.

Atualmente, o programa permite a compra de máquinas e equipamentos a juros fixos de 5,5% ao ano, financiamentos com prazo de dez anos e carência de dois anos para o início do pagamento. O PSI fez parte do pacote de medidas criado para combater os efeitos da crise internacional e deveria ser extinto no próximo dia 31 de março.

De acordo com Albert, as condições do financiamento vão mudar e as novas ainda não foram definidas, mas as propostas deverão ser entregues até 28/02. Também de acordo com ele, Pimentel já adiantou que não será possível manter os juros em 5,5% ao ano. "Isso ainda é uma incógnita. Ele só falou que os juros não vão continuar em 5,5% ao ano, o que é péssimo para nós. Serão maiores", afirmou. Ele disse ainda que "o ministro Pimentel falou que não vai ser mais uma tentativa de sustentar os investimentos, vai ser uma coisa perene e não vai mais precisar ser renovada a cada seis meses".