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LULA DEFENDE MUDANÇAS NA ORDEM ECONÔMICA DURANTE DISCURSO

LULA DEFENDE MUDANÇAS NA ORDEM ECONÔMICA DURANTE DISCURSO

CONTABILIDADE PÚBLICA - GASTOS PÚBLICOS

São Paulo, 14 de junho de 2004 (revisado em 02/07/2008)

Fonte: REVISTA ÉPOCA ONLINE - 14/06/2004

Durante discurso na cerimônia de inauguração da XI Conferência da Unctad, o organismo das Nações Unidas (ONU) para o comércio e desenvolvimento social, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu mudanças na ordem econômica para diminuir as barreiras impostas pelo FMI - Fundo Monetário Internacional, que impedem o crescimento dos países em desenvolvimento.

O presidente brasileiro disse, na segunda-feira, dia 14/06/2004:

- Nos últimos cinco anos, 55 países cresceram menos de 2% ao ano, 23 viram regredir as suas riquezas e somente 16 tiveram crescimento acima de 3%.

Disse ainda que o comércio não deve ser a única fonte para alcançar o desenvolvimento mundial:

- É preciso investir em infra-estrutura – frisou o presidente brasileiro, lembrando que as últimas 'receitas' econômicas subestimaram o papel do investimento público no desenvolvimento, além de exigirem 'sacrifícios adicionais' dos países que já estavam 'exauridos'.

Ao dizer que os países ricos continuam cada vez mais ricos enquanto os países pobres continuam cada vez mais pobres, Lula voltou a pedir que os países ricos reduzam as barreiras contra os produtores dos países em desenvolvimento. Para ele, o desenvolvimento das nações não depende apenas do comércio, mas de ações políticas que ajudem a repartir a riqueza mundial.

O presidente comparou os anos 60, quando foi criada a Unctad, em que os países mais pobres tinham uma renda per capita de US$ 212, enquanto que os mais ricos tinham uma renda per capita de US$ 11.400, com os dias atuais. Hoje, 40 anos após a criação do organismo, os países mais pobres têm uma renda per capita de US$ 267, enquanto os mais ricos tem uma renda de US$ 32.400.

Afirmou também:


- Os países pobres estão precisando fazer sacrifícios num momento em que já estão exauridos.

Lula aproveitou o momento para defender um novo plano Marshall para recuperar a economia mundial.

- No final da segunda grande guerra, houve o Plano Marshall que recuperou os países arrasados pela guerra, que trouxe de volta a prosperidade, os empregos, a paz e o progresso. E agora estamos na mesma situação, precisando novamente de uma ajuda internacional para as nações em desenvolvimento.

Para Lula, os organismos internacionais devem ampliar seu foco para socorrer os países pobres. Ele pediu o fim das barreiras comerciais que prejudicam os países em desenvolvimento e sugeriu a criação uma nova geografia comercial no mundo para conseguir uma relação mais justa entre ricos e pobres.

- A globalização pode ser um instrumento de desenvolvimento, desde que seus benefícios sejam repartidos entre todos - destacou Lula em seu discurso, que durou pouco mais de 15 minutos.

LULA PEDE COMPROMISSO MUNDIAL CONTRA FOME

O presidente brasileiro não esqueceu do plano de combate mundial da fome, o Fundo Ibas, que propôs em Genebra no começo do ano, com o apoio da Índia e África do Sul, e que acabou recebendo o apoio de Kofi Annan, secretário geral da ONU, do presidente Jacques Chirac, da França, e Ricardo Lagos, presidente do Chile. Ele afirmou que o projeto será lançado no dia 20 de setembro em Nova York e pretende discutir, com a ajuda dos organismos internacionais, do setor privado e das Ongs, como será o socorro aos mais pobres.

Lula pediu, ainda, um compromisso mundial para a eliminação da fome, a redução da pobreza e a promoção do desenvolvimento sustentável. Ele defendeu que essa deve ser uma preocupação de todas as nações, mesmo das mais ricas. E afirmou:

- Trata-se de um imperativo se quisemos garantir a paz e o efetivo compromisso dos direitos humanos. Tenho um compromisso de vida com o combate à fome, e esse objetivo constitui prioridade de meu governo tanto no plano interno como externo.