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O PAPEL DAS FORÇAS ARMADAS

O PAPEL DAS FORÇAS ARMADAS

 

São Paulo, 9 de janeiro de 2003 (Revisado em 16-09-2016)

Referências:

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

Imaginem se o Brasil estivesse na situação do Iraque, do Irã ou do Kwait, países que nacionalizaram a extração de petróleo a revelia dos interesses norte-americanos. Ao contrário do Kwait, o Iraque e o Irã pelo menos têm condições de resistir a ataques, tanto diplomáticos como bélicos.

E o Brasil? O Brasil privatizou as empresas estatais, o que deveriam fazer também o Iraque, o Irã e o Kwait para evitar as constantes ameaças norte-americanas. O mesmo acontece com a Coréia do Norte, a China, o Vietname, o Afeganistão, a Líbia, a Nação Palestina e as demais nações muçulmanas.

É bem verdade que o Brasil tem grandes diplomatas, mas alguns deles não estão interessados em defender os interesses brasileiros. Apenas querem viver bem às custas do nosso povo, de preferência em países desenvolvidos. Por isso, parece lógico que o presidente Lula esteja querendo transformar a diplomacia brasileira em ponto comercial de nossos produtos no exterior. É preciso que façam alguma coisa de útil pelo Brasil.

Quanto às forças armadas, depois do auge em que estiveram até o final do regime militar de 1964, foram relegadas ao segundo plano ou talvez ao último. A verdade é que faz muito tempo que nossas forças armadas estão totalmente abandonadas pelo poder público. Portanto, é louvável que o presidente Lula queira aproveitar os serviços de engenharia do exército, que há décadas foi totalmente abandonado à sua própria sorte.

A constituição brasileira precisa ser alterada para que o governo possa ter mais flexibilidade na utilização das forças armadas para realizar diversas funções que a própria constituição federal não prevê. As forças armadas não podem restringir-se apenas a defender a nação de ataques externos, porque dificilmente estes ocorrerão. Se for somente esta a finalidade das forças armadas, podemos dizer que, na conjuntura atual, elas não servem para nada: é dinheiro mal gasto.

Por isso, parece louvável que o presidente Lula queira utiliza-las na conservação de estradas e rodovias, na conservação e construção de portos marítimos e fluviais e também na manutenção da ordem pública nas grandes cidades assoladas pelo crime organizado que vem utilizando técnicas de guerrilha com armas somente utilizadas em tempos de guerra.

De nada servem as forças armadas apenas fazendo “ordem unida” nos quartéis. É preciso que desenvolvam tecnologia em suas respectivas áreas. A aeronáutica, por exemplo, poderia desenvolver grandes projetos juntamente com a Embraer e na construção e modernização de aeroportos. Por sua vez, a marinha faria o mesmo com a indústria naval, portuária e também na pesca oceânica. O exército, além da engenharia rodoviária, poderia desenvolver tecnologia na construção de veículos bélicos e de transporte pesado, combater o crime organizado, que se tornaria atribuição do governo federal, como o combate à guerrilha praticada pelos narcotraficantes.

O Brasil não se resume apenas no sistema financeiro, como privilegiou o governo FHC e ainda querem privilegiar os meios de comunicação (rádio, imprensa e televisão). A especulação financeira também deve ser tratada como crime contra a ordem econômica nacional, embora o novo presidente esteja adotando uma política branda (que cede facilmente à pressão; mole; flexível).

É preciso que todos os segmentos sejam ativados para que o Brasil possa progredir. E não há progresso sem salários justos, ou seja, devem ser pagos salários de primeiro mundo para que possamos consumir os produtos de exportação brasileiros tal como os trabalhadores dos países desenvolvidos.