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ANO NOVO, VIDA NOVA

ANO NOVO, VIDA NOVA

E PROBLEMAS SEM SOLUÇÃO VIÁVEL

São Paulo, 2 de janeiro de 2003 (Revisado em 16-09-2016)

Referências: Desemprego, Supervalorização da Moeda Nacional, Paraísos Fiscais, Internacionalização do Capital, CC5, Terceirização, País do Futuro, Sonegação Fiscal, Dívida Externa.

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

Com a posse no Brasil do primeiro presidente vindo das classes mais pobres da população, parece que o próprio povo está tendo mais ânimo e mais otimismo no tão propalado “País do Futuro”. Até algumas pessoas que não votaram no presidente Lula estão-se dizendo confiantes numa real mudança, tão prometida por governantes anteriores e nunca realizada.

Parece que a intenção básica é a reativação de diversos segmentos da economia que se encontravam estagnados pelos altos juros e pelas altas taxas cobrados pelo nosso sistema financeiro, pela manutenção das baixas taxas do dólar que impedia as exportações e que subsidiava as classes mais ricas na importação de supérfluos, além de incentivar a remessa de lucros e pela especulação financeira do capital nacional que foi internacionalizado através das famosas contas “CC5” (de residentes no exterior que realmente moram aqui).

O interessante é que tanto o presidente Lula como os seus assessores têm evitado falar como será feita ou incentivada a nacionalização do capital nacional que se encontra escondido em paraísos fiscais. É claro que esse capital foi escondido no exterior justamente em razão de um possível radicalismo que fosse implantado por um governo de esquerda e para evitar o pagamento de impostos. Mas, também é óbvio que na conjuntura econômica mundial atual o radicalismo é impossível. Porém, os reacionários de extrema direita de muito vêm propalando o perigo do fatídico comunismo ou socialismo daninho que nunca se conseguiu implantar nem aqui, nem em qualquer outro país.

Na verdade, o comunismo, o socialismo e a estatização implantada em diversos países tiveram como princípio básico e emergencial acabar com a crescente miséria implantada no país em razão da concentração da riqueza nacional nas mãos de uma esmagadora minoria elitista e preconceituosa que ficaria realizada se fosse possível a implantação de um regime escravocrata.

Será muito difícil que o novo governo consiga pelo menos convencer esse tipo de “elite”, que na verdade nada tem de elite, para que contribua para o progresso do país e para a melhoria das condições de vida do nosso povo. Por isso, o novo governo preferiu optar pelo evidente clientelismo do projeto chamado de “Fome Zero”, quando deveria chamar-se “Desemprego Zero”.

Para implantar o “Desemprego Zero”, o novo governo não pode contar com as empresas estatais para a geração de empregos (porque foram privatizadas) e também não pode contar com os empresários que cobram preços em dólar e pagam salários em mil-réis (e naquele tempo o povo ganhava bem e os níveis de miséria eram bem inferiores aos atuais). Os governantes também não podem utilizar os municípios, os estados e a união como contratadores de mão-de-obra porque se encontram impedidos pela lei de responsabilidade fiscal que claramente privilegia as elites financeiras e empresariais e a terceirização da mão-de-obra, onde só ganha o intermediário, que logicamente pertence à elite radical de nosso país.

Todos nós sabemos que o maior dos problemas brasileiros é a sonegação de impostos, que se tornou mania nacional desde o pequeno até o grande empresário, incluindo os multinacionais.

Os pequenos e médios empresários até que têm certa razão em sonegar porque são vítimas de um sistema tributário nacional que privilegia somente a elite e os grandes empresários com incentivos fiscais. E são justamente estes os que mais deveriam contribuir com o pagamento de tributos. Além de menores impostos, essa elite privilegiada e os grandes empresários ainda contam com empréstimos de órgãos governamentais com juros subsidiados, o que os pequenos e médios não têm.

Fatalmente Fidel Castro diria que o atual problema brasileiro não tem solução, principalmente se considerarmos que o governo de FHC deixou como herança uma legislação que impede a governabilidade e ainda deixou uma dívida externa que ninguém sabe onde foi investida e que transformou o Brasil em colônia do capitalismo internacional, sob o comando do FMI (leia-se Estados Unidos da América).