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A REDUÇÃO DOS JUROS BÁSICOS EM CENÁRIO INTERNACIONAL TURBULENTO

A REDUÇÃO DOS JUROS BÁSICOS EM CENÁRIO INTERNACIONAL TURBULENTO

A MESMICE DOS ECONOMISTAS ORTODOXOS

São Paulo, 01/02/2012

Referências: As Verdadeiras Causas da Inflação, Taxa de Juros para Remuneração de Títulos Públicos, Aplicações Financeiras dos Detentores do Poderio Econômico, Capitalistas, Lobistas e Especuladores, Banco Central do Brasil (perseguir o crescimento econômico e a geração de empregos), COPOM - Comitê de Política Monetária, Combate à Inflação, Remuneração do Capital em Épocas de Crise Monetária Mundial, Bancarrota, Falência Econômica.

Texto [em preto] de autoria do Conselho Regional do Sinal - SP - Sindicato dos Funcionários do Banco Central, publicado em 24/11/2011 por intermédio do boletim "Boca Paulista Eletrônico" nº 44, editado pelo SINAL, recebido por Correio Eletrônico naquela mesma data. O texto aqui reproduzido tem subtítulos, anotações e comentários [em azul] por Americo G Parada Fº - coordenador do COSIFE.

O BANCO CENTRAL DO BRASIL E A CRISE MUNDIAL

O Banco Central vem acompanhando a conturbada situação econômica mundial [Crise Mundial provocada pela Falência Econômica dos Estados Unidos], em um cenário pessimista com retração nas economias centrais [as dos países desenvolvidos], que afeta, inexoravelmente, as condições da [nossa] economia doméstica. Esse cenário torna sem sentido o arrocho na economia brasileira (via juros altos), quando a previsão é que “per si” ela mesma se arrefecerá. Em resumo, sem entrar no vocabulário econômico [embora tenha entrado], não faz sentido manter altas taxas de juros (que têm a função precípua de reduzir a atividade econômica) e medidas de desestímulo ao consumo quando o cenário mundial já implica forte retração na economia brasileira [mediante a redução das exportações para os países que enfrentam a bancarrota - falência econômica na União Europeia].

A ANTIQUADA POLÍTICA ECONÔMICA DAS ALTAS TAXAS DE JUROS

Já vem de longa data nosso histórico de manter os juros básicos da economia em altos patamares. Como dizia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “é muito mais fácil subir juros quando a inflação está alta[ou seja, o problema principal os economistas sempre deixam de lado]. E, poder-se-ia completar, é muito mais confortável, especialmente para os aplicadores [capitalistas e especuladores que garantem a máxima remuneração para seus investimentos mesmo em épocas de recessão]. Se a inflação ameaça subir um pouquinho, adiciona-se mais um pouquinho de juros na economia. Essa é a famosa política de uma nota só [dos economistas ortodoxos, conservadores], a qual resultou em patamares de juros que não se sustentam a longo prazo, desconstruindo a capacidade produtiva e desviando recursos para a especulação com títulos que, ao final, enviam a conta ao Governo (maior tomador de recursos a taxas altas).

A INFLUÊNCIA DOS LOBISTAS NA MANUTENÇÃO DAS ALTAS TAXAS DE JUROS

Não obstante as críticas [dos lobistas]do mercado[de capitais], quando da mudança na tendência de alta da taxa Selic [taxas de juros paga aos investimentos em Títulos Públicos], em 31 de agosto passado [2010], e do posicionamento de muitos agentes econômicos [os patrões dos lobistas do mercado de capitais], a decisão [de se reduzir gradativamente a taxa de juros] se mostrou terrivelmente correta. Ex-dirigentes do BC e economistas [ortodoxos, ultradireitistas] de primeiro escalão, como Armínio Fraga e Gustavo Franco, que inicialmente saíram atacando a “manobra” do BC “que frustrara os ditos "agentes econômicos”, transformaram-se, cerca de dois meses depois, em defensores da medida que tanto criticaram. Esses e outros tantos “analistas [tendenciosos] apostavam [como se estivessem num cassino] numa crise “não tão severa” nas economias centrais, o que já justificaria a decisão do BC como tolice, segundo eles. Erraram feio. (grifo nosso)

O BACEN PELA PRIMEIRA VEZ DIRIGIDO POR SERVIDORES PÚBLICOS

Nesse cenário, a atual diretoria do BC, conduzida por servidores de carreira, acertadamente focou e sintonizou o BC brasileiro com um cenário mundial no qual, implacavelmente, estamos inseridos. Um cenário que, admitamos, encontra-se cada vez mais complicado. Deixada de lado a [arcaica e antiquada] tecla inflação versus juros [tão defendida pelos inescrupulosos neoliberais], nosso BC passou a avaliar prospectivamente a economia como um todo, com foco principal na saúde da macroeconomia e na garantia do poder de compra da moeda, sem destruir a capacidade produtiva brasileira.

A REAÇÃO DOS ECONOMISTAS ORTODOXOS

Há quem diga [Quem? Aqueles mesmos] que a manutenção do sistema de metas de inflação está em jogo. Ninguém admite, mas, repetidamente, se especula. Afinal, depois de mais de 10 anos com esse sistema, não seria o momento de se pensar em algo mais adequado aos interesses dos brasileiros e, principalmente, mais adaptado à economia mundial? Porém, independente do sistema a ser utilizado, o importante é que não se pode colocar na balança do sistema econômico e da vida de cada brasileiro apenas “inflação” e “juros”, como se essas duas variáveis “enchessem barriga” e “inchassem bolsos” (ao menos os nacionais). (grifo nosso)

PRECISAMOS DE POLÍTICAS ECONÔMICAS HETERODOXAS

Por isso, deve-se aplaudir a heterodoxia da direção do BC que, ao enfrentar a crise com métodos dedicados e, sobretudo, críticos [contrários aos métodos anteriormente adotados], mais uma vez encontrou uma solução de benchmarking internacional, surpreendendo positivamente o mundo e, até o momento, garantindo-nos uma situação privilegiada em relação à maioria dos países. As saudáveis medidas macroprudenciais, recentemente determinadas para estimular o consumo, demonstram, cabalmente, os desvarios da política de arranjos e de compadrio [em benefício somente dos capitalistas], estabelecida anteriormente, com os altos juros e a retração do consumo.

DEFINIÇÃO DE BENCHMARKING INTERNACIONAL

Segundo os colaboradores do site Wikipédia, BENCHMARKING é a busca das melhores práticas ... que conduzam a um desempenho superior. É visto como um processo positivo e pró-ativo por meio do qual uma empresa [ou um governo] examina como outra [empresa ou o governo de outro país ou os seus antecessores] realiza ou realizaram uma função específica a fim de melhorar [por máxima experiência - know-how] o como se deve realizar a mesma ou outra função semelhante.

Na verdade, o termo BENCHMARKING exprime uma [nova] filosofia. Este processo não se limita na simples identificação das melhores práticas, mas, principalmente, na sua divulgação através das diversas técnicas do Marketing [Mercadologia: Propaganda e Publicidade Institucionais - veiculadas como forma de esclarecimento à população, ao consumidor]. "Benchmarking é simplesmente o método sistemático de procurar os melhores processos, as ideias inovadoras e os procedimentos de operação mais eficazes que conduzam a um desempenho superior" (Christopher E. Bogan).

ADMINISTRAÇÃO POR OBJETIVOS

Em suma, o Benchmarking pode ser comparado com a Administração por Objetivos. Na década de 1950, com Peter Druker, a Administração por Objetivos surgiu como um método de avaliação e de controle sobre o desempenho de áreas (segmentos operacionais) e organizações (empreendimentos) em crescimento rápido. Porém, muitos administradores deixaram de lado a eficácia, segundo conclusões tiradas em razão do praticado naquela época.

Então, no Brasil atual, com base nos antigos pesadelos de nossos velhos economistas ortodoxos, a partir de 2003 o nosso governo progressista passou a adotar medidas inversas às antigas regras econômicas fracassadas. Como a nova experiência deu certo, os objetivos foram alcançados, tornou-se uma nova filosofia de vida administrativa.

AS VERDADEIRAS CAUSAS DA INFLAÇÃO

Para que de fato não haja inflação é preciso que os empresários produzam o suficiente para atender o aumento da demanda provocada pelas medidas governamentais. Se os empresários, por mero preconceito contra governo de ideologia diferente, deixarem de produzir, obviamente a inflação retornará. Esta é a máxima da chamada "Lei da Oferta e da Procura", que não é uma lei e sim uma teoria econômica. Se houver a procura de produtos pelo povo (os consumidores) e os empresários não os produzirem, fatalmente acontecerá a inflação. Em épocas passadas os empresários não queriam produzir para o consumo popular. Juntamente em razão desse procedimento preconceituoso, acontecia a inflação. Para esses empresários era menos arriscado e mais lucrativo investir em títulos públicos, que pagavam altas taxas de juros. Foi a época da chamada Ciranda Financeira.

Então, com excesso de dinheiro em caixa, porque os títulos públicos eram emitidos apenas para tirar dinheiro de circulação, para evitar a inflação, o governo investia esse excedente na produção por intermédio da criação de empresas estatais. Por isso aconteceu a estatização da nossa economia: porque os empresários não queriam produzir.

Agora, existe um grande argumento para que o governo possa convencer os empresários: Produzam. Se não produzirem, novamente estatizaremos a economia.

Porém, a partir de agora não mais pagaremos aquelas antigas altas taxas de juros comumente pagas pelos países do Terceiro Mundo. Atualmente os endividados e falidos são eles, os países chamados de desenvolvidos.

QUEREMOS O BACEN PERSEGUINDO O CRESCIMENTO ECONÔMICO E A GERAÇÃO DE EMPREGOS

Porém, é nosso dever cobrar maior efetividade do BC em atingir os anseios da população brasileira. E, nesse diapasão, questionar a influência do presidente da autoridade monetária no desestímulo ao projeto do senador Lindbergh Farias que, aprovado na CAE – Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, propunha para a missão do BC não só “assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente” como, também, “perseguir o crescimento econômico e a geração de empregos”, complemento em sintonia com o que prescreve o art. 192 da Constituição Cidadã. [Constituição Federal de 1988] (grifo nosso)

É também nosso dever, portanto, questionar se o Banco Central pode, realmente, deixar de se comprometer com o crescimento econômico do país.


(...)

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