início > textos Ano XXI - 1 de junho de 2020



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A IMPAGÁVEL DÍVIDA DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS

OS ESTADOS UNIDOS E A CONVERSÃO DA SUA DÍVIDA

A EXTINÇÃO DO SISTEMA MONETÁRIO INTERNACIONAL

São Paulo, 28/03/2009 (Revisado em 13-09-2018)

Referências: Crise Mundial ou Internacional, Estados Unidos como Emissor Mundial de Papel Moeda Sem Lastro, Contabilidade Criativa (Fraudulenta), Sonegação Fiscal, Fraudes Contábeis e Financeiras das Multinacionais, Internacionalização do Capital em Paraísos Fiscais, Lavagem de Dinheiro e Ocultações de Bens, Valores e Direitos, Renegociação e Conversão da Dívida, Balanço de Pagamentos, Subfaturamento das Exportações, Superfaturamento das Importações, Comércio Exterior - Importação e Exportação. Matérias-Primas Versus Produtos Industrializados.

7. A IMPAGÁVEL DÍVIDA DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

A única forma dos países desenvolvidos pagarem pela compra das matérias-primas e dos alimentos adquiridos nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento do chamado de Terceiro Mundo, seria mediante a venda de produtos manufaturados e industrializados. Isto veio acontecendo desde os descobrimentos marítimos iniciados em 1492, no século XV, prolongando-se até os dias de hoje.

Até que foi bradado o nosso Grito de Independência, no Brasil era proibida a instalação de manufaturas e indústrias, o que também deve ter acontecido com os demais países do continente americano. As razões dessa proibição eram simples. Como os europeus, já naquela época eram carentes de matérias-primas, era preciso importá-las. Em troca, traziam para o nosso continente produtos manufaturados.

Em suma, eram levados minérios e alimentos e em troca Portugal nos vendia pedra polida e, ainda, cobrava tributos pela exploração do que lhes pertencia (todo o Brasil).

Afinal, as embarcações não podiam vir vazias da Europa para cá porque a falta lastro as fazia naufragar. Como Portugal não tinha muita coisa a oferecer, além de azeitonas, azeite, bacalhau, cortiça, tecidos e bugigangas (adornos), as embarcações vinham cheias de "pedra portuguesa", que passaram a ornamentar a cidade do Rio de Janeiro, depois que se tornou a capital da colônia portuguesa.

Essa prática tão difundida pela nossa Elite Vira-Lata, que considera como melhores as coisas vindas da Europa ou do estrangeiro de modo geral, infelizmente continua até os dias de hoje. Muitos brasileiros ainda são favoráveis a reimplantação da monarquia em nosso País para que o reinado seja entregue a descentes da monarquia portuguesa.

Com o decorrer o tempo, os tais produtos europeus de alta qualidade tornaram-se raros porque consumo interno nos países desenvolvidos aumentou e os preços ao consumidor também. Assim, com o aumento de consumo e de preços, praticamente inexistem excedentes para exportação a preços competitivos no mercado internacional.

Tal sistema ainda funciona como uma espécie de atrativo para o turismo elitista. Poderíamos até dizer que a produção é pequena justamente para valorizar o produto. Em termos econômicos poderia ser afirmado que a produtividade é muito baixa porque muitos desses produtos são manufaturados (não industrializados).

Na prática, considerando-se que em determinados países o povo tem excelente padrão de vida, não há quem queira trabalhar nos setores insalubres e nos demais em que os salários são baixos. Por isso, nesses países é necessária a contratação de imigrantes para realizar as "tarefas menos nobres", os quais se sujeitam ao recebimento de salários insuficientes em relação aos recebidos pelos nativos.

Tendo como motivo principal a baixa distribuição da renda nos países subdesenvolvidos, por causa do baixo salário médio, são poucos os consumidores com substancial poder aquisitivo. Portanto, só resta às multinacionais vender bugigangas aos subdesenvolvidos. Essas bugigangas geralmente são bens de consumo de vida útil bem curta e de necessidade duvidosa, que são lançados anualmente como novos ou mais avançados, embora na realidade não sejam (propaganda enganosa).

De outro lado, os altos salários dos trabalhadores dos países desenvolvidos impedem que exportem para os subdesenvolvidos onde a mão de obra é até 10 vezes mais barata. Assim sendo, somente a pequena quantidade de ricos dos países subdesenvolvidos e dos em desenvolvimento têm condições financeiras para comprar os verdadeiros produtos de alto padrão fornecidos pelos desenvolvidos.

Foi por essa razão que os governantes dos países pobres passaram a substituir as importações pela produção em seu próprio território. Esse é o motivo pelo qual os países ricos tentam impedir que os demais (os pobres) desenvolvam sua própria tecnologia.

Isto significa que os países subdesenvolvidos têm condições de produzir para o seu próprio consumo e também para o consumo dos desenvolvidos, como vem fazendo vários países asiáticos em que povo nem têm direitos trabalhistas e previdenciários.

O que tem levado esses os desenvolvidos à bancarrota é que eles dependem das matérias produzidas pelos subdesenvolvidos para produzir para seu próprio consumo e também para exportação. Dessa forma, o preço final do produto é muito alto, deixando de ser competitivo no mercado internacional. Por isso, as grandes empresas, agora chamadas de multinacionais, passaram a produzir em outros países e especialmente na Ásia. Assim, acentuou a bancarrota dos desenvolvidos.

Por sua vez, em razão da reversão do conceito de país realmente rico, que agora são os detentores de reservas naturais e de terras cultiváveis, as exportações feitas por esses países, que ainda são considerados como subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, estão altamente sujeitas a inadimplência dos antigos países desenvolvidos (os colonizadores e neocolonizadores) que não terão como pagá-las, tal como vem acontecendo com os Estados Unidos desde a década de 1970.

Vejamos a situação lógica de alguns países nesse cenário internacional:

  • Rússia e Brasil - Exportam Matérias Primas e Importam Produtos Acabados
  • Japão e China - Importam Matérias Primas e Exportam Produtos Acabados
  • Estados Unidos - Não há matérias primas para exportar; os altos salários dos trabalhadores provocaram altos custos de produção; a concorrência dos preços menores dos produtos estrangeiros aumentou as importações e reduziu a exportações provocando déficits crônicos nos Balanços de Pagamentos anuais; com a transferência da sede de suas empresas para paraísos fiscais, o EUA deixou de ser exportador de capital, deixando de receber de juros e dividendos; embora em pequeno percentual, passou a pagar juros mediante a emissão de títulos públicos.

Outro fato interessante: Nos países subdesenvolvidos as pessoas que mais tentam impedir o desenvolvimento de tecnologia própria são aquelas que sofrem do chamado “complexo de vira-latas” tão apregoado pelo jornalista, cronista esportivo, escritor, dramaturgo e teatrólogo Nelson Rodrigues.

As pessoas com complexo de vira-latas geralmente acham que os estrangeiros e os produtos importados são sempre melhores que os brasileiros, mesmo quando são criminosamente falsificados no exterior.

PRÓXIMO TEXTO: O ALTO SALÁRIO DO TRABALHADOR NORTE-AMERICANO


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