início > textos Ano XX - 16 de julho de 2019



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A INADIMPLÊNCIA E AS FALÊNCIAS ENCADEADAS - RISCO SISTÊMICO

A DERROCADA FINANCEIRA NORTE-AMERICANA

PRIVATIZAÇÃO DOS LUCROS E SOCIALIZAÇÃO DOS PREJUÍZOS

São Paulo, 20/09/2008 (Revisado em 13-09-2018)

A INADIMPLÊNCIA E AS FALÊNCIAS ENCADEADAS - RISCO SISTÊMICO

  1. RAZÕES DA INADIMPLÊNCIA DOS COMPRADORES DOS IMÓVEIS
  2. NOVAMENTE A SOCIALIZAÇÃO DOS PREJUÍZOS

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

1. RAZÕES DA INADIMPLÊNCIA DOS COMPRADORES DOS IMÓVEIS

Diante da grandiosa especulação no Mercado de Capitais e da consequente manipulação de cotações e de resultados, de seu lado os especuladores ficaram podres de ricos e do outro lado os incautos compradores dos imóveis quebraram pois não estavam conseguindo pagar as altíssimas prestações cobradas pelas instituições financiadoras. Afinal, aqueles imóveis foram adquiridos por preços exorbitantes, bem superiores aos que deveriam ser pagos. Obviamente, os lucros nessas operações ficaram com os vendedores dos imóveis ou com os intermediários na compra e venda.

Como muitos compradores de imóveis ficaram inadimplentes porque perderam seus empregos em razão de uma alardeada (ou possível) recessão, os banqueiros ficaram insolventes. Ao não receberem os valores das prestações que deveriam ser pagas pelos compradores dos imóveis, essas Companhias de Crédito Imobiliário e Hipotecário não puderam pagar os juros sobre o dinheiro captado dos investidores (também incautos), que investiram naqueles bancos porque ficaram deslumbrados com as elevadas taxas de juros por eles oferecidas.

Na prática, sempre que determinada instituição financeira está pagando taxas de juros bem superiores às demais, a razão está na sua provável falência. No caso do Brasil essa premissa não é verdadeira. No país paga as maiores taxas de juros do mundo, contudo, os países que quebrados, como os Estados Unidos, pagam taxas de juros bem menores.

Em razão da insolvência dos bancos de crédito imobiliário e hipotecário estadunidenses, aconteceu o tal "Risco Sistêmico" tão alardeados pelos nossos gestores das políticas econômica e monetária. Aconteceram as falências encadeadas que resultaram na Crise Mundial de 2008.

2. NOVAMENTE A SOCIALIZAÇÃO DOS PREJUÍZOS

Nós já vimos a versão original desse filme (da quebra de muitas instituições financeiras) produzido aqui mesmo no Brasil e com direito a muitas reprises (reapresentações).

Porém, quando todas as empresas de crédito imobiliário brasileiras quebraram, nas décadas de 1970 e 1980, quase ninguém sentiu nos seus bolsos porque o governo brasileiro assumiu o ônus de socializar os prejuízos apurados pelos empresários daquele setor operacional.

Aliás, as empresas seguradoras também utilizam esse mesmo tipo de socialização de seus eventuais prejuízos.

Como exemplo pode ser citado o seguro no Ramo de Automóveis. Se o roubo de carros aumentou em relação às estátisticas passadas, resultando em prejuízo para as seguradoras, novos cálculos atuários são feitos.

Desse jeito será aumentado o "Prêmio", valor que deve ser pago pelos próximos segurados. Dessa forma também acontece a socialização dos prejuízos das empresas seguradoras. De forma idêntica, a socialização dos prejuízos feita pelo governo é realizada mediante a cobrança de impostos.

Em suma, o empresariado nunca perde porque somente o Povo paga o prejuízo.

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