início > textos Ano XVIII - 26 de abril de 2017



QR - Mobile Link
AS ELITES GLOBALIZANTES E A EROSÃO DAS NAÇÕES II

AS ELITES GLOBALIZANTES E A EROSÃO DAS NAÇÕES

A NOVA ORDEM MUNDIAL E OS CARTÉIS FORMADOS EM PARAÍSOS FISCAIS

São Paulo, 19/04/2017 (Revisado em 21/04/2017)

Referências: Torna-se cada vez mais explícita a tentativa das elites globalizantes de erodir as principais instituições nacionais, Paraísos Fiscais Causam a Falência do Sistema Tributário Mundial, Desvendada a Rede Capitalista que Domina o Mundo. Colonialismo e Neocolonialismo.

A EROSÃO DAS INSTITUIÇÕES

Texto em letras pretas por Carlos CHAGAS - Gazeta do Povo - Texto Original publicado em Curitiba no dia 20/06/2000. Aqui publicado com negritos e itálicos, com anotações, comentários e subtítulos em letras azuis e com NOTAS por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFE.

A DEMOLIÇÃO DAS NAÇÕES COMO PAÍSES POLITICAMENTE ORGANIZADOS

Brasília (Alô) - Torna-se cada vez mais explícita a tentativa das elites globalizantes de erodir as principais instituições nacionais. Do Poder Judiciário ao funcionalismo público, do Congresso às Forças Armadas, da Previdência Social às universidades públicas e à Constituição, todos esses pilares de sustentação da sociedade organizada enfrentam obscena blitz [demolidora], na qual a mídia mercenária exerce papel fundamental, mas não é a fonte primária. Como mola-mestra e fator maior de propulsão estão os altos comandos globalizantes, lá fora (em paraísos fiscais, onde se formam os cartéis transnacionais acobertados pelos governantes das mais importantes Nações), com seus acólitos e esbirros, aqui dentro.

NOTA DO COSIFE:

Parece que o texto em questão foi escrito nos dias de Governo de Michael Temer. Mas, não foi. Foi escrito durante o Governo FHC, no ano 2000.

E essa erosão das instituições nacionais não está acontecendo somente no Brasil, como se imaginava no final do Século passado. Está acontecendo no mundo todo graças à proliferação dos Paraísos Fiscais em que estão sediadas as Empresas Multinacionais e todos os demais sonegadores de tributos.

Todos estes nossos neocolonizadores são proprietários daquele tal Capital Estrangeiro que os membros do COPOM - Comitê de Política Monetária querem remunerar com as mais elevadas taxas de juros do mundo sob o pretexto de que estão combatendo a inflação. Entretanto, todos eles sabem muito bem que os juros altos são alimentadores da inflação porque oneram os Custos Operacionais das empresas. Em razão disto, elas são obrigadas a aumentar os seus preços, cobrados do consumidor, o Povo.

A bancarrota dos Estados Unidos em 2008 foi a inegável prova de que a globalização não visava somente subjugar os países chamados de pobres ou de "em desenvolvimento" (do Terceiro Mundo - o colonizado). A globalização trouxe grandes prejuízos para os paises desenvolvidos, que tiveram suas grandes empresas privadas evadidas para paraíso fiscais cartoriais (empresas offshore) e para paraísos fiscais industriais no continente asiático em que não existem rígidas leis trabalhistas.

Isto significa que as grandes empresas (agora chamadas de multinacionais ou de transnacionais) estão a procura de países em que o trabalho humano possa ser explorado em regime de semiescravidão. Esta seria uma das razões das reformas trabalhista e previdenciária pretendidas por Michel Temer.

Esses países (antigos colonizados e depois neocolonizados) do Hemisfério Sul (América do Sul, África e Oceania) sempre foram os fornecedores das matérias-primas e de tudo mais que o mundo desenvolvido (América do Norte e Europa) não tem desde antes do descobrimento da América em 1492.

EM DEFESA DO PODER JUDICIÁRIO

Diante dos atos praticados pelos nossos neocolonizadores, fica muito simples destrinchar a equação. Será desmoralizado tudo o que é público. Conseguirão impor suas diretrizes fundamentais de transformar o Brasil numa simples colônia dos interesses das potências ricas, cujos titulares têm escondidas em paraísos fiscais elevadas somas em dólares ou euros surrupiadas das suas respectivas Nações.

Passaram a enfiar fundo o punhal da desídia na Justiça brasileira simplesmente porque no final do Século passado dois ministros do Supremo Tribunal Federal e uns tantos do Tribunal Superior de Justiça aceitaram participar de um congresso no exterior, em nome das Associação dos Magistrados. Em razão disto, caiu o céu sobre o Poder Judiciário. A reunião teve o patrocínio de entidades privadas e, por isso, os ministros tornaram-se réus de crime hediondo.

Ora bolas, toda reunião desse tipo é financiada por entidades privadas. Aqui no Brasil, ainda há dias, realizou-se uma no Rio, concentrando jornalistas e donos de jornal do mundo inteiro. Só não citamos individualmente os patrocinadores para não nos acusarem de estarmos fazendo comerciais. Aqui no Brasil, são freqüentes essas assembleias, como fora de nossas fronteiras, também. Assim funciona o mundo capitalista. Se estamos nele, até por falta de opção, haverá que aceitar integralmente suas regras. Se pagam as passagens aéreas e a hospedagem dos participantes, sejam jornalistas, empresários, funcionários públicos, profissionais liberais e sucedâneos, por que a discriminação contra juizes?

O objetivo é claro: colocar a magistratura na defensiva, acuá-la de modo a que suas decisões não arranhem os interesses globalizantes. Depois de sucessivas campanhas para acabar com a Justiça do Trabalho, minimizar o Supremo Tribunal Federal, comprimir salários na Justiça comum e nos tribunais superiores, saem-se agora com uma estranha catilinária.

Participar de congressos onde irão aprimorar seus conhecimentos ou contribuir com colaborações para o Direito - só pagando suas próprias passagens e hospedagem. Farisaísmo assim, raramente se vê.

SERVIDOR PÚBLICO DO JUDICIÁRIO VERSUS EXECUTIVOS DAS GRANDES EMPRESAS

Um diretor de empresa nacional ou multinacional, quando viaja para participar de alguma licitação:

  1. Tira de seus vultosos vencimentos o preço do bilhete aéreo, geralmente de primeira classe? Não
  2. Paga do próprio bolso as luxuosas suítes onde permanece? Não
  3. Ou será a empresa que dirige a fonte total dos recursos? Sim
  4. Mas a empresa não pertence aos acionistas? Sim
  5. Não progride e se desenvolve pelo trabalho de seus funcionários e operários? Sim
  6. Estariam eles no direito de protestar, quando seus diretores debitam todas as despesas pessoais no caixa comum? Não

NOTA DO COSIFE:

De fato é de se considerar que, diante de suas responsabilidades, os servidores públicos de modo geral deveriam ter as mesmas mordomias e os mesmos direitos que têm os executivos das grandes empresas.

A diferença básica é que as despesas dos servidores públicos deveriam ser pagas pelo Governo e não por empresas privadas ou por seus lobistas. Isto pelo menos evitaria a corrupção de servidores nos Três Poderes da Nação.

Aliás, ter suas despesas pagas por empresas privadas foi o grande crime cometido por Lula, durante o seu governo de 2003 a 2010 e também depois, segundo seus acusadores.

Em entrevista ao Jornal Folha de São Paulo em 13/04/2017, a ex-ministra Eliana Calmon do STJ - Supremo Tribunal de Justiça, também ex-presidenta do CNJ - Conselho Nacional de Justiça, disse que a Operação Lava Jato Também Pegará o Judiciário.

Por sua vez, no Jornal do Brasil de 16/04/2017 lia-se que a referida ministra aposentada [servidora inativa] do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ex-corregedora nacional de Justiça disse, em entrevista à Folha de S.Paulo, que a Operação Lava Jato "tomou uma posição política" e que atingirá, "numa fase posterior", nomes do Pode Judiciário.

"A Lava Jato tomou uma posição política. Ou seja, pegou o Executivo, o Legislativo e o poder econômico, preservando o Judiciário, para não enfraquecer esse Poder. Entendo que a Lava Jato pegará o Judiciário, mas só numa fase posterior, porque muita coisa virá à tona. Inclusive, essa falta tem levado a muita corrupção mesmo. Tem muita coisa no meio do caminho. Mas por uma questão estratégica, vão deixar para depois", avaliou a ex-ministra.

O ARTICULISTA ELOGIANDO O PODER JUDICIÁRIO - O QUE DIRIA DE LULA?

O Judiciário ainda constitui uma barreira diante da invasão do modelo globalizante [Lula também combateu essa invasão, inclusive em Assembleias da ONU], e, por isso, é preciso calar sua voz, ou melhor, condicionar suas sentenças. Que se cuide o Ministério Público, ou melhor, nem é preciso cuidar-se, porque já sofre as mesmas investidas. Outra coisa não representa o projeto da Lei da Mordaça, em exame no Congresso naquele ido ano 2000.

NOTA DO COSIFE:

A chamada de LEI DA MORDAÇA surgiu durante o Governo Militar iniciado em 1964, mas, vez por outra os nossos governantes contrários à liberdade de expressão, principalmente dos menos favorecidos, teimam em reeditá-la com outras denominações, tal como "Escola Sem Partido".

Em síntese, tais ditadores não querem que os professores tenham liberdade de expressão, salvo se o professor for favorável ao estabelecido pelo Poder Econômico Dominante.

Note-se não ser a Justiça o único alvo dessa deletéria campanha, porque os funcionários públicos são apresentados como peso morto, categoria que vive às custas da nação, quando não agitadores, como se fosse possível ao ESTADO, à NAÇÃO politicamente organizada, agir sem estrutura. É precisamente aí que azeda a cocada.

Querem atingir o ESTADO e, sem dúvida, colocar a NAÇÃO em frangalhos. Destruí-la, porque colônias não devem constituir nações, senão conglomerados disformes...

Fica para outro dia, por falta de espaço [os mercenários da mídia não os fornece], lembrar que a Previdência Social dá lucro, mas que seus recursos são surrupiados para outras finalidades, ou que a universidade pública abre aos pobres e menos favorecidos a possibilidade de virem a competir com as elites, coisa que precisa ser evitada.

Com a plena cultura e com o pleno conhecimento dos fatos, no final de tudo, descobre-se a obscenidade desse mandamento primordial da globalização intitulado "livre-competição".

As ELITES VIRA-LATAS têm medo de competir em igualdade de condições com os POBRES.

NOTA DO COSIFE:

Qualquer semelhança dos fatos de antigamente com os de hoje, é mera coincidência. Ou plena repetição.

Em suma, continuamos tão subjugados aos caprichos do Poder Econômico tal como foram subjugados os indígenas na época do descobrimento do Brasil.