início > textos Ano XVIII - 24 de maio de 2017



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SOCIALISMO PARA RICOS E CAPITALISMO PARA POBRES

SOCIALISMO PARA RICOS E CAPITALISMO PARA POBRES

COMENTÁRIOS SOBRE ENTREVISTA CONCEDIDA POR NOAM CHOMSKY

São Paulo, 22/01/2017 (Revisada em 24-01-2017)

Referências: Sonegação de Tributos - Quem são os Detentores do Incógnito Capital Estrangeiro Escondido em Paraísos Fiscais? Lavagem de Dinheiro Obtidos na Ilegalidade, Criminalidade, Blindagem Fiscal e Patrimonial, O Antropólogo Noam Chomsky refere-se à Falsa Democracia do 1% Mais Rico.

Por AMÉRICO G PARADA Fº - Contador - Coordenador do COSIFE

Noam Chomsky Fala sobre a Morte do Sonho Americano

Em um documentário, Noam Chomsky, há muito considerado como uma das vozes de consciência dos Estados Unidos e um dos maiores intelectuais públicos do mundo, falou sobre o fim do sonho americano.

Numa entrevista concedia para Truthout (acima endereçada), Chomsky discute alguns dos problemas enfrentados pela população norte-americana, quando menciona que o sonho americano está "morto".

Os Estados Unidos Não Têm Um Capitalismo Padrão

Segundo Noam, os Estados Unidos não podem ser considerados como uma economia capitalista arquetípica (um Capitalismo Padrão).

Então, ele explicou que toda vez que há uma crise (nos Estados Unidos assim como no Brasil e na Europa), o contribuinte (aquele que paga os tributos = Povo) é chamado a salvar os bancos e as demais instituições financeiras. Essa é também a realidade mundial.

E continua explicando: Se você tivesse uma verdadeira economia capitalista no lugar daquele usual capitalismo bandido, o contribuinte não seria obrigado a arcar com os prejuízos dos banqueiros. Isto é, não haveria a socialização dos prejuízos dos banqueiros.

Os Princípios Básicos do Verdadeiro Capitalismo

No Verdadeiro Capitalismo, aqueles que fizessem investimentos arriscados e fracassassem seriam eliminados. Estariam irremediavelmente falidos tal como aconteceu na Islândia e na Hungria. E os investidores que acreditaram neles também estariam falidos. Assim, tais investidores não pagariam a seus fornecedores, estes não pagariam aos produtores e assim sucessivamente. Enfim, foi assim que aconteceu nos países desenvolvidos o tal Risco Sistêmico tão propalado pelos economistas ortodoxos.

É exatamente esse risco sistêmico que os dirigentes dos bancos centrais dizem que estão evitando ao salvarem os banqueiros da falência com o dinheiro do Povo. Afinal, em tese, não existindo a falência das empresas também não haverá desemprego e consequente não haver fome, tal como aquela que está sendo gerada pelo Governo Temer no Brasil, que se prolongará por mais 20 anos.

Mas, na Islândia não ocorreu o tal Risco Sistêmico porque as captações financeiras eram feitas no exterior (na Europa Continental - a Islândia é Ilha) e o investimento do dinheiro captado foi efetuado nos Estados Unidos, cujas instituições financeiras faliram.

Assim, o Governo Islandês, para evitar o pagamento da dívida externa gerada clandestinamente pelos banqueiros, resolveu entregar os bancos falidos aos seus respectivos credores, que obviamente foram obrigados a assumir os seus prejuízos.

Segundo Noam Chomsky, Os Banqueiros Não Querem um Sistema Capitalista Autêntico

Para evitar que cheguem à falência, os ricos e poderosos não querem um sistema capitalista autêntico (verdadeiro). Eles querem um sistema capitalista patriarcal. Enfim, eles querem um sistema socialista, que lhes permita a privatização ou concentração dos seus lucros (sem tributação) e a socialização ou o rateio de seus eventuais prejuízos com os mais pobres.

Assim sendo, os ricos e poderosos preferem que exista um Banco Central Independente das decisões nacionais, para que seus dirigentes (verdadeiros representantes dos banqueiros) tirem dinheiro do Orçamento Nacional (dos países) para salvar bancos quando estiverem falidos. E o Povo que se dane, sem as verbas surripiadas (ou surrupiadas) que seriam indispensáveis à educação, à saúde, à segurança institucional e tudo mais que os mesmos aquinhoados precisam e não têm como conseguir sozinhos com um bem remunerado trabalho e muito menos num regime de semiescravidão.

É o que o Michel Temer está novamente tentando implantar no Brasil. Está querendo tirar dos Pobres para entregar aos Ricos. E, todos esses ricos sonegadores de tributos estão devidamente blindados (incógnitos) em paraísos fiscais. São os detentores do tal Capital Estrangeiro que foi tirado daqui mesmo (na clandestinidade) mediante a Lavagem de Dinheiro nas Ilhas do Inconfessável.

O Grande Incentivo à Concentração da Renda nas Mãos de Poucos

Como exemplo desse grandioso incentivo a concentração da riqueza nas mãos de poucos, podemos citar que no Brasil os banqueiros falidos, que recebiam empréstimos do Banco Central, só passaram a pagar a correção monetária a partir de 1985.

Desde 1967, somente os mutuários do SFH - Sistema Financeiro da Habitação eram obrigados a pagar a correção monetária.

E, a taxa de juros cobrada dos banqueiros falidos sempre foi menor que a cobrada dos referidos mutuários. Os banqueiros tinham prazos de carência para iniciar os pagamentos e os mutuários do SFH não tinham.

Os Dirigentes dos Bancos Centrais como Representantes dos Interesses Mesquinhos dos Banqueiros

Sobre tal premissa da necessidade de salvamento do mercado em que atuam somente os mais ricos especuladores, tão bradada pelos representantes dos banqueiros infiltrados como dirigentes dos bancos centrais, Noam Chomsky alertou que o FMI fez um estudo interessante há alguns anos sobre os lucros dos grandes bancos dos EUA.

Atribuiu a maioria desses lucros às muitas vantagens que vêm das políticas governamentais (quis dizer: das políticas monetárias segregacionistas defendidas pelos dirigentes dos bancos centrais independentes).

Os grandes bancos, inclusive no Brasil, sempre tiveram acesso ao crédito barato em tempos difíceis, entre outras vantagens não oferecidas às pessoas físicas e às demais pessoas jurídicas que impiedosamente são deixadas falir.

As Arriscadas Operações Cursadas no Cassino Global (Mercado de Balcão Organizado - Bolsas de Valores)

Embora no Brasil as normas não permitam, por intermédio de subsidiárias constituídas em paraísos fiscais, os bancos e as demais instituições do sistema financeiro por sua própria conta e/ou por conta de seus selecionados clientes podem sorrateiramente realizar transações altamente arriscadas.

Essas operações acontecem no Shadow Banking System ou Sistema Bancário Fantasma de Paraísos Fiscais, que não está sob controle e fiscalização dos bancos centrais.

De modo geral, são operações altamente rentáveis no curto prazo, mas que podem rapidamente transformar um banco com patrimônio íntegro em um banco falido, se algo der errado, afirmou Noam Chomsky.

Neste caso, os dirigentes dos bancos centrais independentes têm a autonomia necessária para desviar do Orçamento Nacional o dinheiro arrecadado dos contribuintes de tributos para salvar os banqueiros falidos.

Foi o que aconteceu nos Estados Unidos e na Europa e o que Michel Temer vem fazendo no Brasil. Ou seja, todos eles têm como intento tirar do Povo para dar aos mais Ricos sonegadores de tributos. Então, os maiores prejudicados sempre serão aqueles 99% menos favorecidos, o dito Povão, neste rol incluídos os micros, pequenos e médios empresários e todas aqueles outros segmentos operacionais de tenham os trabalhadores como seus principais clientes ou fregueses.

Noam diz que o Bloomberg Businessweek estimou em mais de US$ 80 bilhões por ano esse tipo de subsídio fiscal aos banqueiros norte-americanos.

O Governo Temer: Tirando dos Pobres Para Entregar aos Mais Ricos "Estrangeiros"

No Brasil, quase 50% do Orçamento Nacional é destinado ao pagamento de juros ao Capital Estrangeiro detido pelos especuladores internacionais e pelos sonegadores de tributos. Isto significa dizer que, além de não pagarem tributos, eles são credores dos impostos pagos pelo nosso Povão. Ou melhor, na realidade os brasileiros estão pagando impostos a estrangeiros ou a brasileiros disfarçados como estrangeiros.

Todo esse dinheiro usado para o pagamento de estratosféricos juros deveria ser aplicado em benefício do Povo e da infraestrutura nacional necessária ao setor produtivo (rural, comercial e industrial). Mas, não está e não estará nos próximos 20 anos. Isto significa que o setor produtivo também vai Pagar o Pato, como diz Paulo Skaf.

Resta-nos saber quais são os verdadeiros credores do Brasil?

Para quem estão sendo acumuladas as Reservas Monetárias brasileiras?

Podemos citar como exemplo que os empresários rurais brasileiros têm sido desde 2003 os principais acumuladores das Reservas Monetárias brasileiras. Porém, essas Reservas Monetárias em nada beneficiarão o nosso Povo porque estão sendo reservadas pelo Governo Temer para pagamento exclusivo dos altíssimos juros que serão pagos a sonegadores de tributos (escondidos em Paraísos Fiscais) que se apresentam como detentores do Capital Estrangeiro investido no Brasil.

Mas, na realidade o dinheiro economizado pelo Governo ou tirado do Povo é repassado aos banqueiros (na qualidade de agentes do Capital Estrangeiro) para que possam cobrar maiores taxas de juros do referido setor produtivo (prestador de serviços, comercial e industrial).

Assim, todo o lucro gerado no Brasil é imediatamente repassado ao chamado de Capital Estrangeiro (multinacional ou transnacional) vindo de Paraísos Fiscais, que é controlador de todas as grandes empresas existentes no Brasil, inclusive as exportadoras. Este é o ápice do neocolonialismo privado, a Nova Ordem Mundial.

Veja em 10 Corporações Controlam Quase Tudo que você compra num Supermercado.

A Extrema Segregação Social na Era Capitalista Contemporânea

Sobre a desigualdade econômica na era capitalista contemporânea NOAM explica que ela é quase sem precedentes. E continua dizendo: Se você olhar para a desigualdade total, ela está entre os piores períodos da história americana.

No entanto, adverte Noam, se você observar a desigualdade sob o seu aspecto básico, relativo ao fluxo do dinheiro, verá que essa máxima desigualdade atual vem da excessiva riqueza que está nas mãos de um pequeno setor de serviços bancários e exploradores de marcas e patente por meio de cartéis (que beneficia apenas 1% da população total). Houve períodos da história americana, como durante a Era Dourada na década de 1920 e nos anos 90, em que idêntica concentração da renda estava acontecendo.

Na década de 1990 era comum a corrida dos executivos das grandes empresas exploradoras de marcas e patentes  em busca de outras empresas em todo o mundo para serem incorporadas ao seu particular Cartel de franqueadas. Tal como aconteceu no ápice do feudalismo, os senhores feudais de menor porte acabaram engolidos pelos mais fortes que no transcorrer do tempo tornaram-se em monarcas. Da mesma forma, atualmente os magnatas blindados em paraísos fiscais são o que de fato governam o mundo.

Por isso, o período atual é extremo porque a desigualdade vem da super riqueza, afirma o antropólogo Noam Chomsky. Literalmente, somente um décimo de um por cento (0,1% = 300 mil pessoas nos EEUU) são super ricos. Isto é extremamente injusto em si e representa um desenvolvimento com efeitos corrosivos sobre a democracia e sobre a visão de uma sociedade decente, continua afirmando Noam.

Subir na Vida Tornou-se Impossível

Sobre o "sonho americano" Noam diz que era tudo sobre a mobilidade de classe ["Subir na Vida"]. E, exemplificou: Você nasceu pobre, mas poderia sair da pobreza através [do estudo técnico ou científico] e do trabalho árduo para proporcionar um futuro melhor aos seus filhos. Era possível para alguns trabalhadores encontrar um emprego decente, comprar uma casa, um carro e pagar a educação de um filho. Tudo desmoronou.

E Noam continua a explicar:

Não devemos ter a ilusão de que seja possível conseguir agora o que era possível conseguir no passado. Ou seja, quis dizer que o subir na vida nos EUA está bem mais difícil do que em outras sociedades ricas. Na verdade, quase impossível.

A Democracia Transformada em Plutocracia

Noam diz que os EUA professam ser uma democracia, mas tornou-se claramente algo de uma plutocracia, embora ainda seja uma sociedade [teoricamente] aberta e livre por padrões comparativos.

E continua:

Mas vamos ser claros sobre o que significa democracia. Em uma democracia, o público influencia a política e então o governo executa ações determinadas pelo público.

Tal como está acontecendo no Brasil depois da posse de Michel Temer, para a maior parte [dos estadunidenses], o governo (deles) também só executa ações que beneficiam os interesses corporativos e financeiros.

Também é importante perceber que setores privilegiados e poderosos na sociedade nunca gostaram da democracia, por boas razões. A democracia coloca o poder nas mãos da população e tira-o deles (dos poderosos).

Na verdade, as classes privilegiadas e poderosas dos EEUU sempre procuraram encontrar maneiras de limitar o poder a ser colocado nas mãos da população em geral. E, o andar de cima não está abrindo novos caminhos em benefício do andar de baixo.

Estão no sentido inverso. Agindo dessa mesma forma, alguns extremistas brasileiros apregoam que lugar de pobre é na favela.

A Concentração da Riqueza Aliada à Concentração do Poder Econômico e Político

Concentração de riqueza leva naturalmente à concentração de poder [é um fato inegável], que por sua vez se traduz em legislação favorecendo os interesses dos ricos e poderosos que, assim, aumenta ainda mais a concentração de poder e riqueza.

Diversas medidas políticas, como a política fiscal, a desregulamentação e as regras de governança corporativa, visam aumentar a concentração de riqueza e poder. E é isso que vimos durante a era neoliberal. É um ciclo vicioso em constante progresso.

Assim, podemos dizer que se trata verdadeiro retrocesso ao regime feudal.

O Estado está ali para proporcionar segurança e apoio aos interesses dos setores privilegiados e poderosos da sociedade, enquanto o restante da população é deixado para experimentar a brutal realidade do capitalismo.

Trata-se de um verdadeiro Socialismo para os Ricos e de um verdadeiro Capitalismo [excludente] para os Pobres.

O Capitalismo em Contraposição à Democracia Popular

Em razão do exposto, poderíamos dizer que o capitalismo realmente trabalha para minar a democracia.

Mas o que acaba de ser descrito - ou seja, o ciclo vicioso de concentração de poder e riqueza - é tão tradicional, que foi descrito por Adam Smith em 1776, explica o antropólogo Noam Chomsky. Ele disse em seu famoso riqueza das nações que, na Inglaterra, as pessoas que constituíam a chamada de sociedade civil eram os comerciantes e os fabricantes, que também eram "os principais arquitetos da política". Estes sempre estavam atentos para que seus interesses sempre prevalecessem, por mais grave que fosse o impacto das políticas que defendiam e implementavam (através do governo) quase sempre contrárias aos interesses do povo da Inglaterra ou de outros.

A Nova Ordem Mundial Comandada por Sonegadores de Tributos Escondidos em Paraísos Fiscais

Agora, não são os comerciantes e os fabricantes os comandantes daquela sociedade civil organizada que ditava a política governamental. São as mais poderosas instituições financeiras.

E, nesse rol poderíamos acrescentar as grandes corporações multinacionais cartelizadas.

Nesta segunda década do Século XXI, as instituições estão naqueles grupos que Adam Smith chamou de os mestres da humanidade. E estão seguindo a mesma máxima vil que ele formulou: Tudo para nós e nada para ninguém.

Esses ricaços ou magnatas irão adotar políticas que os beneficiem e que prejudiquem a todos porque os [extremistas] interesses dos capitalistas ditarão que o façam. Está na natureza do sistema. E na ausência de uma reação geral, popular, enganam os incautos dizendo que é muito bonito tudo o que você vai ter.

A exemplo do feito por Michel Temer em 2016, apresenta-se um sumário da desgraça futura, mas diz-se que ela é ótima para que a Nação saia do buraco. E a tendência é a de que aconteça o inverso, tal como aconteceu nos Países Desenvolvidos com os neoliberais no Governo.

Considerações Sobre as Origens do Sistema Político Norte-Americano

Neste ponto, o entrevistador de Noam Chomsky diz: Vamos voltar à ideia do sonho americano e falar sobre as origens do sistema político americano.

Em síntese, Noam diz que o sonho americano foi construído, pelo menos em parte, em um mito. Certo. Mas, através da história americana, houve um contínuo conflito entre a pressão por mais liberdade e democracia vindo de baixo [do Povão, em contraponto com] os esforços de controle de elite e dominação de cima. Isso remonta à fundação do país.

E continua: Os "fundadores do país", mesmo James Madison, o principal editor da Carta Magna, que era um crente na democracia como qualquer outra figura política importante naqueles dias, sentiu que o sistema político dos Estados Unidos deveria estar nas mãos dos ricos porque [naquela época] os ricos formavam o "conjunto mais responsável de homens".

E, assim, a estrutura do sistema constitucional formal colocou mais poder nas mãos do Senado, que não era eleito pelo Povo. O Senado era constituído por selecionados entre os homens ricos que, como Madison, tiveram a simpatia dos proprietários da riqueza e da propriedade confidencial (proprietários de marcas e patentes ou de segredos comercias e industriais).

Protegendo os Ricos em Detrimento dos Pobres

Isto fica claro, continua Noam, quando você lê os debates da Convenção Constitucional. Como disse Madison, uma grande preocupação da ordem política tem de ser a de "proteger a minoria do opulento [os Ricos] contra a maioria [os Pobres]". E ele tinha argumentos. Se todos tivessem um voto livre, a maioria dos pobres se reuniria e eles se organizariam para tirar a propriedade dos ricos. Isso, acrescentou, seria obviamente injusto. Por isso, o sistema constitucional tinha que ser criado para impedir a democracia.

Lembre-se, disse Noam, que Aristóteles tinha dito algo semelhante em sua Política . De todos os sistemas políticos, ele sentia que a democracia era a melhor. Mas ele viu o mesmo problema que Madison viu em uma verdadeira democracia. Nesta, os pobres poderiam organizar-se para tirar a propriedade [e o comando] dos ricos (*). A solução que ele propôs, no entanto, seria algo como um estado de bem-estar com o objetivo de reduzir a desigualdade econômica. A outra alternativa, perseguida pelos "fundadores do país", era a de reduzir a democracia.

EEUU verssus Brasil

(*) O que James Madison receava para os EUA, de fato aconteceu no Brasil na Eleição Presidencial de 2002. Os pobres colocaram um operário (sindicalista) no Governo Federal.

Desse modo, em proveito da preconceituosa e discriminadora Elite Brasileira, seria preciso tirar aquele "ignorante" da Presidência da República, tal como bradava com outras palavras o Presidente FHC, além de rotular os aposentados como vagabundos.

Mas, ele também era aposentado e tinha várias aposentadorias, o que não é comum aos demais vagabundos.

Para que o torneiro mecânico jamais voltasse ao Governo, bastaria que fizesse um mau governo. Porém, aquele "insignificante operário" transformou o Brasil em Potência Mundial e tornou-se o mais badalado governante de todas as Nações.

Dilma, por sua vez, achando-se mais inteligente, afinal, era economista, resolveu colocar Joaquim Levy como representante dos empresários no Governo. Aí fedeu. Resultou nos problemas enfrentados por Michel Temer e Henrique Meirelles. Aconteceu o tal Risco Sistêmico que consiste na ocorrência de falências encadeadas.

Para piorar, o Poder Judiciário resolveu paralisar as operações de todas as maiores empresas brasileiras, sendo que bastaria fazer como sempre faz o Banco Central. Seus dirigentes simplesmente limitam-se a decretar a Intervenção ou a Administração Temporária nas instituições que estejam em situação financeira difícil ou que tenham cometido irregularidades graves.

Pior ainda. Os opositores aos governos populares fizeram tudo diferente, tudo contra o povo.

Assim, o nosso país foi para o buraco, tal como também foram os países desenvolvidos porque seus governantes também desprezaram o Povão.

Por sua vez, Donald Trump diz que vai fazer o inverso. Afinal, contrariando James Madison e indiretamente apoiando o feito de Lula, ele diz que o Povo norte-americano deve estar sempre em primeiro lugar.

Se Donald Trump assim fizer, eternamente será tão badalado como ainda são Franklin Roosevelt e Getúlio Vargas.

Donald Trump Quer Reviver o Sonho Americano de se Subir Na Vida Honestamente

Voltando-se ao Noam Chomsky, em seu texto ele afirma que o chamado de sonho americano baseou-se parcialmente num mito e de outro lado na realidade.

Desde o início do século XIX e até recentemente, a classe trabalhadora ianque, incluindo os imigrantes, tinha a expectativa de que suas respectivas vidas iriam melhorar através do trabalho árduo.

Noam afirma: No passado, isso era parcialmente verdadeiro, embora não se aplicasse à maior parte dos afro-americanos e das mulheres.

Mas, a estagnação dos rendimentos, o declínio dos padrões de vida, os exorbitantes níveis de endividamento dos estudantes e os trabalhos difíceis de obter por meio de empregos decentes [sempre reservados aos apadrinhados] criaram um sentimento de desesperança entre muitos americanos, que começaram a olhar com certa nostalgia para o passado.

Noam é taxativo: Tudo isso explica, em grande parte, a ascensão "de gente" como Donald Trump e o apelo da progressista mensagem política de alguém como Bernie Sanders.

E, em complementação ao dito por Noam, podemos dizer que os citados simplesmente fizeram o discurso que o povo queria ouvir. Mostraram que estavam preocupados com a nítida decadência do trabalhador estadunidense.

Essa também foi a tática do empresário João Dória Jr do PSDB para eleger-se prefeito da cidade de São Paulo.

O Movimento na Direção de Uma Sociedade Igualitária

E Noam continua dizendo que após a Segunda Guerra Mundial, e praticamente até meados da década de 1970, houve um movimento nos EUA na direção de uma sociedade mais igualitária e em direção a uma maior liberdade, apesar da grande resistência e opressão da elite e de várias agências governamentais.

Combatendo o Despertar da Democracia e a Implantação de Uma Sociedade Igualitária

Na década de 1970, em parte devido à crise econômica (com o declínio da taxa de lucro) e, também, em parte devido à visão de que a democracia se tornara muito difundida, em contraposição surgiu um enorme esforço, concentrado e coordenado, verdadeira ofensiva, na tentativa de derrotar os esforços igualitários da era do pós-guerra, que só se intensificou com o passar do tempo.

A própria economia ianque passou a financiar a ofensiva contrária aos trabalhadores. Em razão da maior necessidade de crédito, as instituições financeiras expandiram-se enormemente.

A Desgovernada Acumulação de Riqueza em Detrimento dos Pobres

Antes de 2007, isto é, antes da Crise Mundial de 2008 para a qual tinham uma responsabilidade considerável, os lucros das instituições financeiras representavam impressionantes 40% do lucro de todas as empresas. Um ciclo vicioso entre capital concentrado e política acelerou, enquanto cada vez mais, a riqueza se concentrou no setor financeiro.

A Corrupção Buscada por Políticos Inescrupulosos

Os políticos, confrontados com o aumento do custo de suas campanhas, foram cada vez mais a procura do dinheiro contido nos bolsos dos mais ricos empresários. E os políticos recompensaram-nos empurrando políticas favoráveis ​​a Wall Street e a outros poderosos interesses empresariais.

E, no Brasil, os representantes da nossa Elite Vira-Lata foram financiados para que fosse aplicado o Golpe Parlamentar que causou a imensa recessão que o novo Governo Temer não consegue reverter porque todas as medidas por ele tomadas são altamente recessivas, como a decretada estagnação por 20 anos.

Ainda, Noam explica: Ao longo deste período iniciado na década de 1970, aconteceu a extinção do padrão-ouro para o dólar que nos mostrou a fatídica falência das finanças do país Big Brother, passamos pela década de 1990 de tenebrosas transações e de grandes escândalos empresariais do capitalismo bandido dos barões ladrões e chegamos à derradeira bancarrota em 2007. Assim, foi possível observar uma renovada forma de guerra de classes dirigida pelo empresariado contra os trabalhadores e os pobres, juntamente com uma tentativa de aumentar ganhos tendo como objetivo as margens de lucros obtidas em décadas anteriores.

Comentando a Eleição de Trump e o Início de um Novo Cenário Político Para o Povo Estadunidense

Depois que Trump foi o presidente eleito, a revolução política de Bernie Sanders até poderia terminar. Mas, isso vai depender de nós e de outros eleitores, disse Noam Chomsky.

A "revolução política" de Sanders foi um fenômeno notável. Foi certamente uma surpresa e muitos ficaram satisfeitos. Mas devemos lembrar que o termo "revolução" é um tanto enganador. Sanders é um novo político, honesto e cometido. Suas políticas não surpreenderiam muito Eisenhower. O fato de que ele ser considerado "radical" nos diz até que ponto o espectro político de elite mudou para a direita durante o período neoliberal. Houve algumas ramificações promissoras da mobilização de Sanders, como o movimento Brand New Congress e vários outros.

Trump e Seu Discurso Esquerdista ou Socialista em Defesa da Classe Méida

Poder-se-ia também empreender esforços para criação ou desenvolvimento de um partido de esquerda independente e genuíno, que não se apresente apenas a cada quatro anos, mas esteja trabalhando constantemente nas bases, tanto no nível eleitoral (em legislaturas estaduais e federal) e em todas as outras formas que podem ser tentadas.

Há muitas oportunidades - e as apostas são substanciais, especialmente quando nos voltamos para as duas sombras enormes que pairam sobre tudo: guerra nuclear e catástrofe ambiental, ambas ameaçadoras, exigindo uma ação urgente.