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OS CAMPOS DE GOLFE E O PREJUÍZO SOCIAL E AMBIENTAL

OS CAMPOS DE GOLFE E O PREJUÍZO SOCIAL E AMBIENTAL

BALANÇO SOCIAL E CONTABILIDADE AMBIENTAL

São Paulo, 16/07/2012 (Revisado em 10-11-2012)

Referências: NBC-T-15 - Informações de Natureza Social e Ambiental, Desmatamento, Créditos de Carbono, Poluição por Produtos Químicos, Desperdício de Água, Exorbitantes Custos de Manutenção, Contabilidade dos Custos de Produção - Aumento dos Custos dos Produtos Vendidos ao Consumidor. Contabilidade de Turismo, Hotéis e Resorts.

BALANÇO SOCIAL E CONTABILIDADE AMBIENTAL

Por Américo G Parada Fº - Contador CRC-RJ 19750 - Coordenador do COSIFe

AS INFORMAÇÕES DE NATUREZA SOCIAL E AMBIENTAL E A EMPRESA CIDADÃ

Preocupados com a sanha lucrativa de inescrupulosos empresários, o CFC - Conselho Federal de Contabilidade criou uma espécie de condecoração para empresas cumpridoras de regras que nos levem a um mundo melhor. Mas, isto não será fácil.

Para ajudar as empresas cidadãs a se enquadrarem na nova ideia foi aprovada a NBC-T-15 - Informações de Natureza Social e Ambiental.

INFORMAÇÕES DE NATUREZA SOCIAL E O TRABALHO ESCRAVO

Sobre as Informações de Natureza Social, além da legislação sobre os Direitos Sociais do trabalhadores, o COSIFe ainda apresenta textos sobre a exploração do trabalhador em empresas terceirizadas e em falsas cooperativas de trabalhadores. A exploração do trabalho escravo vem sendo combatida pelas autoridades competentes. Numa dessas descobertas de trabalho escravo houve até o assassinato de Fiscal do Trabalho.

Sobre o Trabalho Escravo, veja os seguintes textos:

INFORMAÇÕES DE NATUREZA AMBIENTAL

Sobre as Informações de Natureza Ambiental, além da exploração do trabalho escravo por empresários inescrupulosos que se apegaram ao desmatamento para extração ilegal de madeira, o Cosife tem destacado diversas tentativas de ganhos fáceis na intermediação de negócios especulativos lastreados em Créditos de Carbono.

Veja os textos sobre Créditos de Carbono:

E por falar em prejuízo ambiental, leia o texto a seguir sobre a derrubada de árvores para a implantação de campos de golfe pelos mais luxuosos hotéis ("resorts").

CAMPOS DE GOLFE: PREJUÍZO AMBIENTAL?

Texto escrito por Isabel Martínez Pita, resultado da entrevista com Fernando Valladares, doutor em Ciências Biológicas e pesquisador do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha (CSIC), cujo trabalho esteve orientado ao estudo das respostas dos ecossistemas à mudança global. Publicado por MSN/VERDE em 15/07/2012.

MANCHETES:

Alguns dos efeitos mais visíveis para obter um amplo espaço plano e verde são muitos produtos químicos para conservar a cor, o que extermina a biodiversidade, muita água e, às vezes, uma enorme poda [= corte, derrubada] de árvores.

Organização ambientalista SEO/BirdLife denunciou a poda [= corte, derrubada] de mais de 10 mil pinheiros no município de Villanueva de Gómez (Ávila, Espanha), com apenas 143 habitantes, para construir uma urbanização de 7,5 mil casas e três campos de golfe.

Segundo Valladares, muitos destes campos de golfe estão sendo instalados em zonas áridas, com muito sol, para que fiquem o ano todo próximos do mar e, além disso, tenham lindas vistas”.

Um campo de golfe necessita de meio milhão de metros cúbicos de água por ano [500 milhões de litros d'água], ou seja, o consumo de uma população de 10 mil habitantes [durante um ano].

Para Fernando Valladares, doutor em Ciências Biológicas e pesquisador do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha (CSIC), "os campos de golfe são um capricho com um forte prejuízo ambiental e, além disso, são usufruídos apenas por alguns poucos".

"Há lindos enclaves florestais onde se decepam árvores para criar espaço para campos de golfe, e, além disso, a irrigação e a adubagem alteram a flora e a fauna ao redor", afirma taxativamente o biólogo.

Por sua parte, José Manuel Pérez Frias, engenheiro técnico agrícola e encarregado da manutenção das instalações de Hacienda del Álamo Golf Resort, em Múrcia (sudeste da Espanha), diz: "embora haja polêmica, os campos de golfe não têm por que gerar prejuízo. Por exemplo, este campo de golfe está em uma zona montanhosa árida, na qual não há nada. Se nós não estivéssemos aqui, esta seria uma zona semidesértica abandonada".

Um campo de golfe, em muitas ocasiões, não tem nada a ver com a paisagem que o cerca. Todo um luxo nos aspectos econômico e ambiental e, no entanto, seu número aumenta tanto em regiões litorâneas como em espaços áridos onde a água não é abundante, para praticar um esporte que está na moda.

Para conservar o verde são necessários muitos produtos químicos e muita água. Às vezes, é preciso também uma enorme poda de árvores. Esses são alguns dos efeitos mais visíveis em algumas ocasiões para que seja obtido um amplo espaço plano e verde onde encravar os buracos.

Segundo os especialistas, um campo de golfe necessita de cerca de meio milhão de metros cúbicos de água por ano, o que representa o consumo médio de uma população de 10 mil habitantes. No México, há muitas zonas afetadas pela seca nas quais existem campos de golfe, como também no norte da África, na Tunísia e no Marrocos.

"Um capricho com prejuízo ambiental"

Para o biólogo, "os campos de golfe são um capricho com um forte prejuízo ambiental e, além disso, são usufruídos apenas por alguns poucos. Se fossem um esporte popular, haveria um argumento para defendê-lo, mas, se há muitos efeitos secundários que pagamos todos, é, pelo menos, questionável".

Valladares explica assim: "o problema é a diferença entre quantas pessoas jogam golfe habitualmente e quanto custa a todos nós compensar o prejuízo ecológico que provoca. O futebol, por exemplo, é jogado só por 11 pessoas em cada equipe, mas muita gente o acompanha no mundo todo".

A maior parte dos campos de golfe se encontra em zonas com poucos recursos hídricos superficiais e é aqui onde as águas subterrâneas representam um papel fundamental. Alguns destes campos são irrigados com águas subterrâneas e outros com águas depuradas e tratadas.

À problemática da escassez deste recurso se acrescenta o agravamento da desertificação que a mudança climática está provocando em amplas zonas cálidas, assim como as perdas hídricas devido à evaporação produzida pelas altas temperaturas, segundo indica o especialista.

Adubos e herbicidas nocivos

"Muitos destes campos de golfe estão sendo instalados em zonas áridas, com muito sol, para que fiquem o ano todo próximos do mar e, além disso, tenham lindas vistas. Criar espaços para este esporte em zonas como o norte da África é um tapa na cara do bom senso, já que para manter a coloração verde em pleno verão nesses locais tão secos e quentes é preciso não só água, mas energia associada à emissão de carbono da maquinaria para gerar todos os adubos e herbicidas. É toda uma indústria muito contaminante que beneficia unicamente alguns poucos", explica Valladares.

Os tratamentos químicos necessários para a manutenção do gramado, como herbicidas e etc., podem afetar severamente a qualidade dos aquíferos e das próprias terras. "Além disso, há ainda a introdução de espécies de ervas exóticas que podem se tornar invasoras fora do campo de golfe", assinala Valladares.

O especialista acrescenta: "se diz que, sendo extensões verdes tão grandes, captam carbono, mas, se levarmos em conta o que custa poder colocá-las em funcionamento e mantê-las, o balanço [social e ambiental] não fica equilibrado".

"Há lindos enclaves florestais onde se decepam árvores para criar espaço para campos de golfe, e, além disso, a irrigação e a adubagem alteram a flora e a fauna ao redor", afirma taxativamente o biólogo.

É possível observar a multiplicação destes amplos campos verdes em hotéis, instalações de luxo ou no litoral. Assim explica o especialista: "estão criando campos de golfe muito seletivos sob o falso pretexto de que atrai dinheiro do turismo de classe alta. Mas muitas vezes esse turismo não deixa divisas 'in situ', porque permanecem durante esses dias em seus guetos hoteleiros até voltarem a seus locais de origem".

"Em vez de responder a uma demanda, o que se faz é gerar uma falsa oferta. No fim das contas, foram criados tantos campos que é preciso usá-los, pelo que oferecem pacotes nos quais, por pouco dinheiro, é possível jogar algumas partidas em instalações que não faziam falta, que ninguém pediu e onde as pessoas talvez preferissem ter outras instalações", lamenta o pesquisador.

Apesar dos protestos dos grupos ambientalistas e dos relatórios elaborados por especialistas sobre as perigosas alterações ambientais, esses circuitos seguem sendo instalados, segundo argumenta Valladares, "por uma razão econômica que encoraja os empresários".

"Existe muita pressão exercida por uns grupos, porque os campos de golfe valorizam muito o terreno da região e das urbanizações contíguas", comenta o especialista.

Mas, raciocina o pesquisador, "há zonas onde é possível criar de forma natural campos de golfe em harmonia com o ecossistema e a paisagem. No entanto, nesses lugares chove, e as pessoas que praticam esse esporte não gostam de sair quando chove, pelo que preferem praticá-lo em zonas mais cálidas".

"Em diversas ocasiões, munidos de um campo de golfe, são construídos complexos urbanísticos. Desta forma, de uma coisa que parece inocente se gera uma dinâmica, usando a imagem verde do golfe, que de verde não tem mais que a cor", sentencia Fernando Valladares.

A outra face da moeda

José Manuel Pérez Frias é engenheiro técnico agrícola e encarregado da manutenção das instalações de Hacienda del Álamo Golfe Resort, em Múrcia (sudeste da Espanha), uma das zonas mais secas da Península Ibérica.

O especialista indica que este campo possui 40 hectares de gramado e 65 de área com árvores, areia e vegetação autóctone. Para fertilizar estas extensões, segundo Pérez Frias, "são utilizados adubos de grânulos pequenos, de liberação lenta e controlada, que evitam uma lavagem desses fertilizantes durante a irrigação. Dessa forma, o objetivo é que fique no solo e vá sendo absorvido pela planta pouco a pouco".

Com relação à quantidade de água usada anualmente neste campo, o volume "varia entre 300 mil e 350 mil metros cúbicos e procede de poços próprios".

Pérez Frias nega que essa água procedente dos poços subterrâneos para a conservação do gramado restrinja a irrigação para os cultivos agrícolas da zona, argumentando que "há uma concessão para o uso dessa água, e estamos esperando poder conseguir de um complexo de dessalinização que já existe na zona".

Quanto ao investimento requerido anualmente, diz o engenheiro que "depende de quanto você queira gastar, mas nós gastamos com adubos, querosene e etc. entre 80 mil e 100 mil euros".

O especialista conclui com um argumento para apoiar a existência destes campos de golfe, porque, diz, "embora haja polêmica, os campos de golfe não têm por que gerar prejuízo. Por exemplo, este campo de golfe está em uma zona montanhosa árida, na qual não há nada. Se nós não estivéssemos aqui, esta seria uma zona semidesértica abandonada. Além disso, é preciso levar em conta que os campos de golfe estão sempre acompanhados de promoções urbanísticas".

NOTA DO COSIFE: Enquanto são gastos rios de dinheiro para o turismo e o lazer de poucos, pelo menos um bilhão de pessoas passam fome no nosso mundo capitalista, megalomaníaco e esnobe. Assim, os capitalistas desfrutam dos seus exorbitantes sinais exteriores de riqueza muitas vezes obtido na ilegalidade ou bem próximo dela.