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GOVERNANDO CONTRA O BRASIL II

GOVERNANDO CONTRA O BRASIL II

A PRODUTIVIDADE E A QUALIDADE IMPOSTAS PELAS PRIVATIZAÇÕES

São Paulo, 20/06/2010 (Revisado em 30-06-2013)

Referências: Desestatização - Privatização e Concessão das Ferrovias e Rodovias e dos Portos e Aeroportos no Brasil, Desativação da Indústria Naval Privada, Atraso Provocado pelas Privatizações e pela Terceirização das Atribuições do Estado, Governo Paralelo - Agências Nacionais Reguladoras, Pedágio Cobrado pelas Concessionárias das Rodovias e os Altos Custos do Transporte Rodoviário. Crise Mundial Provocada pelos Neoliberais Anarquistas - Autorregulação dos Mercados. Lucratividade e Rentabilidade da Economia Informal nas Periferias ou Subúrbios. Desemprego Gerado pela Diminuição das Exportações e pelo Aumento das Importações de Supérfluos. A Atuação dos PRIVATAS.

Por Américo G Parada Fº - Contador - Coordenador do COSIFe

ECONOMISTAS DEBATEM ATRASO DO CRESCIMENTO DO BRASIL

Jornal Nacional - TV Globo - 28/05/2010 - Sumário: Os economistas do BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento se preocupam com o fato de o trabalho no Brasil ser menos eficiente que em outros países. Segundo os economistas, a produtividade do Brasil é baixa, principalmente no ramo de serviços.

Veja o vídeo da Rede Globo enquanto não é retirado do ar.

Economistas debatem atraso do crescimento do Brasil


Jornal Nacional de 28/05/2010
Economistas se preocupam com o fato de o trabalho, no nosso país, ser menos eficiente que em outros.
A produtividade do Brasil é baixa.

ECONOMISTAS NÃO DISSERAM COMO FOI CRIADO O PROBLEMA APONTADO

É interessante notar que os citados "economistas" do BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento estão criticando o que não foi feito no Brasil exatamente às vésperas de uma nova eleição presidencial e num momento em que os candidatos ao cargo ainda não estavam definidos pelos seus respectivos partidos políticos.

Assim, as declarações dos tais "economistas" apareceram como visível propaganda tendenciosa em prol dos partidos políticos de extrema-direita. Como pode ser notado, mais uma vez estão defendendo os interesses mesquinhos de seus patrões, que sempre são contrários aos governantes defensores dos interesses dos trabalhadores (do povo). Por esse motivo, é importante alertar à opinião pública para a verdade dos fatos.

Os ditos "economistas", por exemplo, não disseram que antes de 1995 já existia tudo aquilo que agora dizem estar faltando:

a) - Atualmente faltam ferrovias que foram privatizadas e desativadas;

b) - As rodovias estavam esburacadas porque os investimentos foram paralisados de até o final de 2002.

c) - Os portos foram privatizados e os compradores não têm dinheiro para investir na modernização dos mesmos;

d) - O setor energético pode entrar em colapso porque os investimentos ficaram paralisados até o final do governo FHC.

e) - A indústria naval fechou suas portas porque a navegação de cabotagem (no litoral brasileiro) foi extinta e os navios que servem à Petrobras e à Vale do Rio Doce passaram ser construídos no exterior durante o Governo FHC.

Semelhantes consultores econômicos dizem é preciso fazer a reforma trabalhista para acabar com os direitos dos trabalhadores, para que seja aumentado o lucro dos empresários, o que também significaria concentração da renda com o aumento da miséria e a implantação da semi-escravidão da qual serão vítimas todos os trabalhadores (o povo).

Veja os textos intitulados Custo Brasil - Direitos Trabalhistas e Para que Servem os Economistas?

A CULPA É DAS PRIVATIZAÇÕES

Do outro lado, questionando os economistas direitistas, os seus parceiros esquerdistas dizem que a grande falha na política econômica brasileira está nas privatizações das empresas estatais que eram propositalmente mal administradas, exatamente para justificar a entrega do patrimônio nacional a aventureiros e espertalhões.

Antes de continuar, seria preciso responder a uma questão:

Por que as ferrovias foram estatizadas na década de 1950?

Tanto as empresas que exploravam as ferrovias como as demais empresas estrangeiras concessionárias de serviços públicos, incluindo as de telefonia e do setor elétrico, foram estatizadas porque não queriam investir no Brasil. Assim, a estatização foi a forma encontrada por Getúlio Vargas para reorganizar o Brasil e levar o nosso país ao desenvolvimento que estava sendo tolhido (reprimido) pelos empresários estrangeiros e brasileiros. O problema era tão grave que até o Governo Militar, iniciado em 1964 em prol da iniciativa privada, não encontrou outro horizonte para o Brasil sem a estatização de nossa economia, tal como queria João Goulart, o presidente deposto.

Depois que todo o país voltou a funcionar sob o controle das empresas estatais, o que foi chamado pelos estrangeiros de "O Milagre Brasileiro", ressurgiram os interessados nas privatizações.

Essas privatizações e terceirizações, todos sabem, foram intensificadas durante o Governo FHC, porém, iniciaram no Governo Collor. Nesse ato de Governar contra o Brasil, foi permitido que os PRIVATAS desativassem nossas ferrovias e passassem a cobrar elevadas taxas de pedágio nas rodovias. Assim, o pedágio passou a funcionar como uma espécie de tributo privado (vassalagem), aquele que era cobrado dos submissos (vassalos e súditos) pelos senhores feudais (os PRIVATAS) que passaram a ser os donos do patrimônio nacional (brasileiro).

A explicação sobre o termo "PRIVATAS", inventado pelo jornalista Elio Gaspari, está no texto intitulado A Pesada Carga Tributária - Os Problemas Causados pela Sociedade Civil (high society).

A ECONOMIA INFORMAL COMBATENDO A MISÉRIA E O DESEMPREGO

Por sua vez, os políticos de extrema-direita que vinham desgovernando o Brasil até 2002, preconceituosamente nada fizeram para elevar o nível de conhecimento das populações e, pelo contrário, durante o governo FHC foi gerado desemprego como forma de combater o consumo popular e assim evitar a inflação.

Diante desse fato, sem outra alternativa de subsistência, as populações desempregadas, agora carentes e miseráveis, criaram a sua própria economia (informal e arcaica) que, apesar de “pouco eficiente”, vem gerando a renda mínima que, até 2002, foi negada ao povo por nossos antiquados governantes e seus partidários (os grandes empresários - escravocratas).

No que refere à informalidade citada pelo Jornal Nacional, podemos dizer que os culpados são os grandes empresários que não querem dar emprego ao povão e que também não querem produzir para vender a esse mesmo povão.

A Falta de Produção Como Causadora da Inflação

No Brasil, a falta de produção sempre foi a principal causadora da inflação. Os sindicatos conseguiam manter o poder de compra dos salários, mas os empresários, por mero preconceito e discriminação social, não queriam produzir para vender aos trabalhadores. Assim, a maior procura de bens de consumo pela classe trabalhadora gerava o aumento dos preços (inflação). Então, durante o Governo FHC foi adotado como política econômica gerar o desemprego para evitar o consumo, quando deveria incentivar o aumento da produção para atender à demanda, tal como foi feito durante o Governo LULA depois da eclosão da Crise Mundial gerada pela bancarrota (falência) dos Estados Unidos da América, que foi provocada pelos neoliberais anarquistas defensores da "autorregulação dos mercados".

Aliás, à bem da verdade, é importante destacar que o crescimento da economia informal no Brasil, provocada pelo desemprego gerado durante o Governo FHC, em tese também é uma forma de autorregulação dos mercados.

O Desemprego Gerando a Economia Informal

Diante do alto índice de desemprego acontecido durante o Governo FHC em razão da queda das exportações e do aumento das importações de supérfluos, as populações das periferias ou dos subúrbios, para que pudessem sobreviver, criaram a citada economia paralela (informal) que se estendeu à pirataria, ao contrabando especialmente vindo do Paraguai, à venda de produtos roubados (“A Feira de Acari é um Sucesso” - diz a música de Jorge Benjor intitulada W Brasil - Chama o Síndico) e ao narcotráfico (que é alimentado pelos filhos e netos dos nossos mais ricos empresários e da “elite” por estes sustentada).

Esse surpreendente sucesso da economia informal dos menos favorecidos pode ser considerado como o mais puro exemplo da autorregulação dos mercados tão defendida pelo neoliberais anarquistas.

Lucratividade e Rentabilidade

Agora, sentindo-se prejudicados com a concorrência dos menos favorecidos, os grandes empresários querem acabar com a concorrente economia informal criada pelo povão. Ou seja, os microempresários e os camelôs estão prejudicando a lucratividade e a rentabilidade dos poderosos empresários. Isto significa que o grande empresário, por mera incompetência, só consegue manter seu "status" mediante o monopólio, cartel ou dumping (sem concorrência).

A IMPRODUTIVIDADE DAS EMPRESAS DE SERVIÇOS

Quando se fala em improdutividade das empresas de serviços, fala-se principalmente das atividades relacionadas à propaganda (publicidade, marketing, centros de exposições, feiras e salões para lançamento de produtos supérfluos) e da especulação imobiliária (prédios suntuosos, “Shopping Center” e condomínios de alto luxo, loteamentos e chácaras em condomínio fechado), porque geralmente tais gastos são exorbitantemente megalomaníacos.

De fato foram esses gastos supérfluos e meramente especulativos que levaram os Estados Unidos à bancarrota, porque as empresas que financiavam a especulação imobiliária faliram.

Foi assim que apareceu o enorme buraco econômico em que se encontra os Estados Unidos da América - EUA. Ficou evidente a crônica falta de dinheiro para evitar o “risco sistêmico” provocado pelas falências encadeadas das empresas daquele país-símbolo do capitalismo anárquico. Foi por esse motivo que os governantes norte-americanos resolveram em parte estatizar as empresas falidas como forma de evitar uma grave recessão.

Veja o texto intitulado Estatização - A Derrota do Capitalismo Privado, que será substituído pelo Capitalismo Estatal.

TERCEIRIZAÇÃO (CONCESSÃO) DAS RODOVIAS

Depois das privatizações e terceirizações (concessões), o pedágio cobrado atualmente pelas concessionárias das rodovias paulistas é bem mais caro que o valor pago pelo frete através da ferrovia.

É importante notar que o pedágio é cobrado por particulares (empresas privadas); não é cobrado pelo governo. Ou seja, o produtor de bens de exportação é obrigado a pagar determinada “propina oficializada” para que os beneficiados pelas privatizações deixem que sua mercadoria chegue ao porto para ser exportada. Por sua vez, os produtores não reclamam porque os grandes e médios empresários rurais são adeptos dos citados partidos políticos. E esse tributo é especialmente cobrado da classe média que tem automóvel e que também é partidária dos tais políticos.

Na verdade o pedágio tornou-se uma espécie confisco dos lucros dos transportadores e dos salários da classe média trabalhadora, que não é confiscado pelo Estado (governo). Esse confisco dos lucros e salários, do qual se apropriam os partidários daqueles que promoveram as privatizações, automaticamente eleva os preços dos bens e dos alimentos consumidos pelo povo brasileiro.

A INDÚSTRIA DE CAMINHÕES E MATERIAIS RODOVIÁRIOS

A indústria de caminhões todo ano festeja o elevado aumento de sua produção e, por falta de transporte coletivo utilizável pela classe média trabalhadora, cresce também a produção de automóveis.

É importante salientar que na classe média trabalhadora incluem-se os pequenos e médios empresários, aqueles que diuturnamente atendem pessoalmente seus fregueses ou clientes (os que "encostam o umbigo no balcão", com diz o ditado popular).

O Rodonel paulistano (rodovia que contorna o centro populacional) está sendo construído com dinheiro do governo federal e a parte que encurtou o caminho para descer a serra na direção do porto de Santos ficou pronta às vésperas das eleições. Os PRIVATAS nada investiram. O Rodoanel está sendo construído com dinheiro fornecido pelo Governo Federal ao Governo Estadual que o repassa aos PRIVATAS.

Para que seja utilizado o novo caminho para o mar, mais uma vez deve ser pago pedágio para que particulares deixem a mercadoria ser exportada. Isto é: Quem nada produz ganha mais que o produtor.

A INDÚSTRIA NAVAL FOI REATIVADA

Embora o Brasil tenha um imenso litoral e grandes rios navegáveis, o que significa mais de 10 mil quilômetros de aquavias sem qualquer necessidade de manutenção, a indústria naval brasileira também parou de produzir durante o governo FHC. A navegação de cabotagem (na costa brasileira) foi extinta em governos anteriores. Os navios e as plataformas da Petrobrás, projetados por brasileiros, passaram a ser produzidos no exterior para que não gerassem empregos para o povo brasileiro. Essa foi uma das formas utilizadas pelos gestores de nossa política econômica para gerar o desemprego que reduziria o consumo causador da inflação.

Depois de 2005 a indústria naval foi reativada e agora existem quase 50 navios em construção. Assim, talvez seja reativada a navegação de cabotagem, aquela navegação mercante (comercial) entre portos de um mesmo país, que pode se estender aos portos da costa sul-americana, centro-americana e norte-americana.

Por falta de navios, os caminhões trafegam pelo litoral brasileiro do sul até o nordeste e no sentido inverso. Da mesma forma, do sul e sudeste para a região norte os caminhões também substituem os navios. Em ambos os casos os custos do transporte rodoviário é bem maior que o de cabotagem, o que tem causado a Baixa Produtividade mencionada pelos economistas do BID.

A NECESSÁRIA DRAGAGEM DOS PORTOS

Os consultores econômicos dizem que a partir de 2003 o governo nada investiu na dragagem dos portos.

Segundo consta, os portos também foram privatizados. Logo, essa atribuição de melhorar as instalações portuárias e de efetuar as dragagens dos portos foi transferida aos PRIVATAS, que nada fizeram.

Por que o Governo deve dragar e modernizar os portos se a empresas estatais outrora incumbidas foram privatizadas?

Se essa incumbência deve ser do governo (do Estado), então, devemos estatizar as empresas portuárias, assim como as concessionárias de rodovias e ferrovias.

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